quarta-feira, 9 de julho de 2014

Respiração Holotrópica: Estados ampliados de consciência e processos criativos - Entrevista ao Ciberpajé Edgar Franco

Por Danielle Barros*, a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana.

Essa entrevista faz parte de uma série de entrevistas que tenho realizado com o Ciberpajé enfocando múltiplos aspectos de sua obra artística, pesquisa, vida e ideário. Essa é a segunda dessa série e trata de processos criativos a partir de estados ampliados de consciência através da Respiração Holotrópica. A primeira entrevista foiViagem Psiconáutica com Utilização de Cogumelos (Psilocybe Cubensis) e Processos criativos de Histórias em Quadrinhos Poético- Filosóficas”. Edgar Franco é o Ciberpajé, artista transmídia, pesquisador e professor da UFG, pós-doutor em arte e tecnociência pela Universidade de Brasília (UnB), doutor em artes pela USP, Mestre em Multimeios pela Unicamp e arquiteto pela UnB. Franco se declarou Ciberpajé em seu aniversário de 40 anos, através de um método de transmutação e renascimento inventados por ele tendo como base seu universo ficcional da “Aurora Pós-humana”. Esse universo lhe permite criar em múltiplos suportes como: games, quadrinhos, aforismos, ilustrações, instalações, performances artísticas e músicas.

Essa e outras entrevistas inéditas são parte de um livro que está sendo organizado por mim sobre a vida e obra do Ciberpajé. Por pesquisar sua arte e estar sintonizada de forma singular com o seu ideário, eu recebi dele o título de IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana. A mais recente série em vídeos que está sendo veiculada na internet é “Conversas com o Ciberpajé”- ela retrata conversas entre eu, a IV Sacerdotisa, e o Ciberpajé Edgar Franco, tratando de alguns temas polêmicos em sua obra e proposta de vida. Quem quiser conhecer mais pode acessar todos os vídeos publicados até agora. Edgar Franco realiza de forma independente, como artista, uma pesquisa de investigação de processos criativos e estados ampliados de consciência. As obras reproduzidas aqui e o conteúdo dessa entrevista integram essa pesquisa. A partir de agora, vamos mergulhar na experiência que o Ciberpajé nos apresenta sobre a Respiração Holotrópica e processos criativos transcendentes na arte e na vida. Confira a entrevista!

IV Sacerdotisa: Qual a sua relação com as contribuições de Stanislav Grof para a pesquisa da consciência e a Respiração Holotrópica?
 
Ciberpajé: Grof é um dos pais da chamada psicologia transpessoal, ele foi um dos primeiros psiquiatras do mundo a experimentar estados ampliados de consciência utilizando LSD, isso ainda na época da cortina de ferro na antiga Tchecoeslováquia. Essa experiência significou para ele, até então um ateu materialista, uma profunda mudança na compreensão do ser humano e da amplitude dos aspectos que forjam o ser, envolvendo a possibilidade de outras vidas, ou experiências arquetípicas entremeados na essência de nossa existência; assim como a grande influência do período uterino e do parto na vida futura do ser humano - uma experiência fundante que Grof chama de "perinatal". O Psiquiatra migrou para os EUA e continuou suas pesquisas por lá, mas teve que interrompê-las por causa do governo estadunidense ter proibido o uso do LSD. Diante disso, Grof buscou outras alternativas para a ascensão a estados ampliados de consciência e com a ajuda de sua esposa, a também pesquisadora Christina Grof - que era estudiosa da Yoga e dos Pranayamas - desenvolveram uma técnica de ampliação da consciência através de hiperoxigenação cerebral e indução musical, a chamada "Respiração Holotrópica", um método patenteado por eles e que possui representantes em todo o planeta.


Cheguei a Grof ainda nos anos 90, foi uma indicação de leitura de meu pai, Dimas Franco, também um entusiasta dos estados ampliados de consciência. Um livro em especial, marcou-me profundamente, "A Mente Holotrópica", no qual, entre outras teses impressionantes, Grof defende que somos imagens holográficas do Cosmos, ou seja, contemos todo o Cosmos em nós mesmos - assim como se você pegar qualquer parte de uma imagem holográfica, você conseguirá reproduzir a imagem inteira, ou ainda como é possível clonar um humano ou qualquer outro ser vivo completo a partir de uma das células de qualquer parte de seu corpo, que possui o DNA completo. Intuitivamente eu já compreendia isso, mas Grof conseguiu fortalecer em mim essa percepção.

E é importante dizer que retomei o contato recentemente com a obra de Grof, a partir de minha amizade com o saudoso pesquisador Elydio dos Santos Neto, que estudava a perspectiva transpessoal na educação e nas histórias em quadrinhos, e teve contato direto com Stanislav, além de ser praticante da Respiração Holotrópica.
Outro fato importante a ser citado, sobre minha relação com Grof e sua obra e ideário, foi o convite que recebi de um editor português, da editora Via Optima, para criar a capa da edição portuguesa do livro "A Psicologia do Futuro", um dos trabalhos recentes mais importantes do pesquisador. Criei a ilustração da capa e também seu projeto gráfico completo. A arte retrata uma espécie de mandala-terceiro olho, algo simples e simbólico. Foi uma honra e uma alegria criar a capa de uma obra tão significativa e emblemática de um dos maiores mestres vivos da pesquisa da consciência no mundo ocidental.

Eu já havia realizado algumas breves experiências de hiperoxigenação cerebral por conta própria, mas nunca tinha experimentado a Respiração Holotrópica, e ontem, dia 5 de julho e 2014, tive a minha primeira experiência. E como não podia deixar de ser, também com ricos resultados criativos artísticos.

O Ciberpajé com a edição portuguesa do livro "A Psicologia do
Futuro", de Stanislav Grof, Editora Via Óptima. A arte e design da
capa foram criados pelo Ciberpajé. Foto da I Sacerdotisa Rose Franco.

IV Sacerdotisa: Conte-nos como surgiu esta oportunidade de poder experienciar a Respiração Holotrópica em Goiânia?

Ciberpajé: Como todas as minhas relações com estados ampliados de consciência, nunca forço para algo assim acontecer, sempre deixo que venha a mim. Lembro-me que Terence MacKenna ressalta isso, se você está preparado para a experiência, ela virá até você. Há uns 4 anos soube que existia em Goiânia um psicoterapeuta que realizava sessões de Respiraçâo Holotrópica, mas infelizmente, a data que me passaram na época coincidia com um compromisso e não pude participar. Nesse meio tempo intensifiquei minhas experiências e pesquisas com estados ampliados de consciência e criação artística e obviamente não perderia uma nova oportunidade. Fui então alertado pelo artista Matheus Moura sobre um casal de psicoterapeutas que realiza a Respiração Holotrópica em Goiânia, os dois foram licenciados pelo "Grof Transpersonal Training", nos Estados Unidos, sendo treinados pelo próprio Grof. Decidi que era o momento, contatei os psicoterapeutas, Dora e Álvaro Jardim, fui a uma entrevista - que é algo de praxe para a realização da respiração. E ontem, junto com 8 pessoas, incluindo Matheus Moura, participei da experiência, que entre o acompanhamento, a respiração, a produção artística e a reunião de finalização, durou das 8:00 da manhã às 20:00.

IV Sacerdotisa: E como foi essa experiência do dia 5 de julho? 

Ciberpajé: Primeiro devo esclarecer que há 2 formas de participação, inicialmente participei como observador, acompanhando as pessoas que respiravam, e posteriormente, no período da tarde eu realizei a respiração.

 IV Sacerdotisa: Fale-nos como foi esse período de observação.

Ciberpajé: Durante o período da manhã, eu fui um "acompanhante" na experiência, estive no ambiente onde ela aconteceu, com todos os 8 participantes e os dois psicoterapeutas. Acompanhei Matheus, mas pude também ver as reações dos demais participantes, o que foi algo muito rico. Fiquei particularmente impressionado com duas das mulheres que faziam o trabalho e que tiveram reações inesperadas. Uma delas, na minha visão, retornou a um estágio infantil e animal, e se debatia com raiva em posição ‘de quatro’ no chão, procurando obstáculos e pontos para 'atacar'. Em outros momentos pareceu regredir à experiência do parto, sentindo as dores e o sufocamento característico do terceiro estágio perinatal. A outra, reproduzia gritos primais e entonações guturais rítmicas, e se posicionava de quatro, ou sentada, movimentando-se freneticamente como se estivesse possuída por uma entidade. Em certos momentos ela sentia algo como dores em partes específicas do corpo, principalmente no plexo solar, o baixo ventre e o pescoço. Em outros períodos seus movimentos lembravam os de uma cópula. O mais impressionante de tudo foi que, o ambiente, a música e aquelas reações dos respirantes, criaram uma egrégora poderosa no lugar. Eu podia ver as auras de todos e o fluxo energético era muito grande. Fiquei profundamente emocionado e percebi que não era um observador, minha energia se conectava com a de todos ali e principalmente com a das pessoas que vivenciavam a experiência. Por instantes fui bombardeado positivamente por uma forte emoção e senti claramente e de maneira indiscutível, a minha conexão total com todos os indivíduos de nossa espécie. Eu estava experienciando com eles aquele momento que tinha muito de drama e superação. Não citarei os nomes de ninguém e nem tratarei da experiência de Matheus Moura, pois existe um acordo ético que firmamos ao realizarmos a Respiração Holotrópica de jamais citar o nome das pessoas envolvidas quando falarmos do que presenciamos em uma sessão e acho isso importante.Também saliento que ninguém deve tentar realizar uma experiência como essa sem a presença dos profissionais gabaritados e licenciados para conduzi-la.  

IV Sacerdotisa: E depois de acompanhar a experiência de outros, conte-nos como foi a sua experiência?

Ciberpajé: Depois de acompanhar o trabalho dos colegas durante a manhã, ao final, eles foram convidados a realizarem um exercício de arte terapia que é parte da Respiração Holotrópica. Trata-se da criação de uma mandala utilizando giz pastel colorido. Para isso foram até outra sala onde estavam os materiais de desenho. Logo que terminaram as mandalas, fomos todos juntos almoçarmos. Mesmo com minha dieta vegana procurei comer menos e foquei-me quase só nas saladas, pois logo após o almoço iniciaríamos a nova sessão de respiração e agora eu faria parte do grupo dos que respirariam. Durante o almoço aproveitei para presentear o psicoterapeuta Álvaro Jardim com um dos Cds de minha banda performática Posthuman Tantra. Soube da longa amizade de Álvaro com Grof, ele e sua esposa Dora tiveram nos Estados Unidos por longo tempo aprendendo a técnica sob a supervisão do próprio Grof e desde então já estiveram pessoalmente com ele inúmeras vezes quando esteve no Brasil e mesmo em viagens para a Europa para cursos junto com Stanislav. Álvaro me disse que troca mensagens com Grof quase semanalmente e diante disso aproveitei para dar também para ele mais uma cópia do CD "Neocortex Plug-in" do Posthuman Tantra para que ele envie a Grof. Ele ficou feliz e entusiasmado, e demonstrou grande interesse pela minha música e também pela capa do CD com uma de minhas ilustrações. Prometeu enviar o CD a Grof com uma pequena carta minha, na qual agradeço-o por sua obra significativa para a integralidade do ser e lhe falo de uma das músicas do CD, "The Immortalist's New Horizon" que é dedicada aos grandes pensadores de nossa era que contribuíram para eu ser quem sou, ntre eles lá está o nome dele.


Depois do almoço, retornamos e chegamos à sala onde realizaríamos a experiência. Uma sala de tamanho médio, com o chão repleto de colchonetes vermelhos e muitas almofadas. Em um dos cantos uma cadeira, um aparador e as duas caixas de som que -conectadas a um computador - reproduziriam o set musical de 3 horas - tempo da respiração.

As músicas do set são em sua maioria étnicas, variando de percussões tribais indígenas, à músicas indianas, batuques de escola de samba e chegando à algumas composições baseadas em instrumentos exóticos utilizados para meditação, como didgeridoo e berimbaú. A única música dentre todas que tocaram durante a manhã e à tarde - que eu já tinha ouvido, foi uma versão em violoncelos, tocada pela banda Apocaliptica, da música "Nothing Else Mathers" do Metallica. Algo inusitado no contexto geral, mas que funcionou bem.

Era chegada a hora de experimentar a respiração holotrópica. Estava tranquilo e sem expectativas, queria simplesmente deixar fluir. Fui sem meias e achei a sala um pouco fria, cobri os pés com um cobertor. Usava a calça de um quimono de artes marciais para ficar bem relaxado e uma camiseta com estampa de Lobo, mantendo comigo meu totem, já que também estava sem anéis ou pulseiras. Deitei-me no colchonete com a cabeça em um travesseiro e o corpo esticado e as mãos espalmadas ao lado dele. Matheus estava ao meu lado, dessa vez seria o observador.

Tudo se inicia com uma sessão de relaxamento específica para a respiração e depois desse relaxamento são dadas as instruções de respiração e liga-se o som. O som tem um volume alto, mas que não chega a incomodar, sendo o bastante para sentirmos a vibração das notas e percussões em nossos corpos. Tenho muita facilidade para acessar estados ampliados de consciência e após 10 minutos respirando comecei a sentir um forte formigamento nas mãos e pés, como se uma energia poderosa se apossasse deles. Nessa hora tive alguns impulsos eróticos e senti a energia ficar ainda mais elevada na região dos genitais. De olhos fechados - é importante salientar que a respiração acontece com os olhos fechados – eu vislumbrava meu corpo como se fosse um campo de radiação poderoso, em tons de amarelo e vermelho. Eu ri muito, pois as sensações eram boas, acho que ri até gargalhar.

 
Logo a energia foi mudando de foco e subiu para o meu peito. E foi justamente aí que ela se concentrou em quase todo o restante da experiência. Nesse momento, imagino que já tinham passado uns 25 minutos do início da experiência, tive a primeira visão e a mais poderosa de todas. Foi algo chocante e doloroso, senti a dor na carne, estremeci e chorei.

Eu revivi, ou vi, ou criei a metáfora simbólica de uma flecha de madeira trespassando meu peito. Assisti o momento exato em que ela atravessou o meu coração, vi o esguicho forte de sangue, sob intensa dor! Levantei a cabeça para ver de onde vinha a flecha e a dor tornou-se maior ainda, pois apesar de não conseguir me lembrar QUEM FOI, era alguém que eu amava que tinha lançado a flecha, eu tive certeza disso.

Matheus disse que eu fiz o gesto de que segurava a flecha no peito. E eu me lembro disso, segurei-a por um longo tempo, olhando o sangue escorrer e chorando, sentindo uma dor duplicada, da carne e da alma. Tentei, em vão olhar ao longe de novo e ver quem tinha lançado a flecha, mas não consegui. Tudo estava escuro, eu só conseguia ver o meu peito jorrando sangue. Eu segurava a flecha que estava trespassada do lado esquerdo do peito com a mão direita. Mas aí aconteceu algo incrível. De repente eu arranquei a flecha e repeti um gesto que sempre fiz nessa minha vida e que nunca entendi o porque. Um gesto que sempre teve sentido mágico pra mim e que incorporei em meus processos como mago, o gesto de esmurrar o peito - mais precisamente o coração – com a mão direita em punho! Me assusto ao lembrar disso, pois a forma como bato no peito é justamente com a mão fechada como se arrancasse uma flecha, e ao longo dos anos transformei esse gesto em algo representativo de carinho e proteção para com pessoas que considero especiais. Matheus me disse que eu fiquei algum tempo "esmurrando o peito como um gorila". Estava repetindo esse gesto que, durante a experiência – logo depois de arrancar a flecha, tornou-se um gesto de autocura! Eu estava resignado e tranquilo após arrancar a flecha, não sentia raiva nem ódio de quem a jogou, e minhas mãos tornaram-se pontos de energia poderosos, ela era lançada em meu coração reconstituindo-o.

IV Sacerdotisa: Esse relato seu emocionou-me e me fez lembrar de alguns aforismos seus que têm profunda conexão com o que experienciou, e que escreveu muito antes dessa experiência. Vou reproduzir aqui 2 deles:

"A batida do coração é o tambor de batalha do Ciberpajé."(Ciberpajé)

"Os fracos de espírito sempre acusam o mundo por suas dores, sofrimentos e intempéries. Apontam com fúria para dezenas de inimigos que elegem como os causadores de suas moléstias orgânicas, mentais, sociais, morais e ideológicas. Sempre se isentam da culpa, fogem da responsabilidade de serem os criadores de seus infernos. Os fortes jamais elegem inimigos, pois eles sabem que o único inimigo reside dentro deles, a real batalha pelo equilíbrio e harmonia interiores é solitária, e os verdadeiros guerreiros não se isentam da culpa por seus erros." (Ciberpajé)


IV Sacerdotisa: Continuando, o ato de ser flechado por alguém que amamos é uma grande traição, pois a expectativa de não ser flechado é certa, da forma que você relatou me passa a ideia de que devemos sempre esperar ser flechados. Concorda?

Ciberpajé: Não, não devemos esperar nada. Se o bem vier, USUFRUÍMOS. Se o mal vier, seguimos, sem ódio ou raiva. Ninguém quer a flechada, nem espera que ela aconteça, obviamente, mas recebê-la com serenidade é continuar VIVO e FORTE! E MUITAS FLECHADAS virão, é inevitável! Tenho recebido inúmeras delas! Penso que você também;

IV Sacerdotisa: Compreendo, força e honra! E tem haver com o que já discutiu comigo, sobre as relações energéticas com os outros, pois nutrir raiva pelo ofensor mantem o elo energético com ele, mantem a conexão, que nesse caso deve ser rompida.

Ciberpajé: Perfeitamente! É exatamente isso. Se eu tivesse focado na raiva e no ódio durante a experiência, poderia me preocupar em saber quem deu a flechada, em buscá-lo, em compreender o por que. Em martirizar-me. Mas nesse caso não interessam os porquês, interessa a superação. E em um estágio mais elevado, você nem teria que perdoar, pois não estaria ferido em sua essência.

IV Sacerdotisa: Então, se eu compreendi bem, quando alguém atingir esse estágio de harmonia interior e for flechado a flechada só fere naquele momento. O único vinculo é o ato e a experiência momentânea da dor. Porque você não permite se envolver. Impressionante! Isso lembrou-me vários aforismos seus! Tudo se conecta. Eis aqui 2 deles, que para mim resumem bem o que estamos tratando aqui:

"Sigo firme, forte, certeiro, sem apego, sem nada a perder. Hoje senti uma certa tristeza ao perceber que o que tenho experienciado e criado está a milhões de anos luz de distância desse mundo no qual estou inserido. Tive uma compreensão ainda mais profunda da minha solidão cósmica." (Ciberpajé)

"Aprenda a estar entre as pessoas, a gostar disso, mas não dependa delas. Não crie expectativas em relação a ninguém. Não espere nada de ninguém. Ao nada esperar, poderá até se surpreender. MAS NÃO ESPERE. Tenha consciência da sua solitude interna, e seja forte. Não se isole, a vida é para ser vivida entre os outros, mas não crie ilusões sobre as pessoas, jamais projete nelas seus desejos e esperanças. Se quiser lhes dar afeto, doe de coração, isso é bom, mas não espere retorno, NUNCA! Seja leve, intenso e selvagem, viva cada segundo, sorva dele sua essência profunda" (Ciberpajé)

IV Sacerdotisa: Tive um insight: a flecha tem relação direta com o pajé, traz à tona esse lado pajé em você. É uma arma indígena e tribal por natureza, e em nossa cultura remete-nos imediatamente aos povos indígenas!  E lembro-me de já tê-lo visto fazer esse gesto, de socar o peito, um gesto forte e que “incomoda” pela força que você emprega nele.

Ciberpajé: Sim, o gesto é forte mesmo! Agora ele ganhou ainda mais sentido no contexto de meu universo/sistema da Aurora Pós-humana! É um gesto de poder meu e de meus iniciados. Ele se fixa como um gesto mágico de absorção de energia cósmica, um gesto de poder que simboliza o sistema mágico da Aurora Pós-humana! E agora eu tenho a profunda compreensão do porque de sua enorme força. Significa o Lobo adquirindo energia Cósmica de forma selvagem e libertária, e a reenviando para os seus. 

IV Sacerdotisa: Um símbolo de que você sempre se renova! Por favor, continue o relato da experiência.

Ciberpajé: Continuando então, ao distribuir a energia em minhas mãos sobre o meu peito eu assisti meu coração sendo refeito. Ele tornou-se maior e eu vi toda a força que tenho, meu peito brilhava, era como se ele fosse pura luz! Eu estava sereno, sentindo-me mais forte do que nunca, meus pés e mãos eram pontos de pura energia, assim como meu coração. Senti a necessidade de tocar os pontos nevrálgicos do meu corpo passando essa energia. Senti-me tranquilo e voltei a sorrir levemente. Estava vivendo uma sensação de equilíbrio profundo. Durante esse tempo, disseram que fiz muitos gestos com as mãos, e toquei meu corpo, e eu me lembro claramente disso. Curiosamente, alguém disse que outra pessoa que estava passando pela experiência também naquele momento, pelo menos 3 vezes, repetiu os mesmos gestos que eu fazia. E era impossível que estivesse vendo o que eu fazia, pois estava com um tapa olhos! Sinal da forte energia que se instala no espaço da Respiração Holotrópica, conectando os respirantes.

Continuei sentindo fortes ondas de energia e visualizava meu corpo como algo enorme, ciclópico e poderoso. Senti ondas energéticas no plexo solar e vi inúmeros fios de energia partindo de meu umbigo e seguindo pelo universo. Fiquei meio deslumbrado com essa energia, de olhos fechados eu a via com fortes tonalidades amarelas e vermelhas, tonalidades bem incomuns para a minha experiência com energias. Em certo momento meu corpo e sua energia começaram a vibrar no ritmo percussivo da música. A sensação era de TOTAL integração com tudo, tive aquilo que posso chamar de "perda total momentânea do ego", e vivi alguns minutos como se estivesse diluído magicamente no tecido infinito do universo. No meio dessa epifania, o corpo me chamou, voltei à realidade, pois a bexiga estava cheia e precisei ir ao banheiro. Levantei-me com calma e passei entre os colegas de experiência, me sentia ainda muito energizado e sereno. Fui ao banheiro e retornei rapidamente, deitando-me e retomando a respiração.

No retorno logo reiniciei o mergulho, mais uns 10 minutos e já estava vivenciando novamente a experiência. Inicialmente vi alguns padrões geométricos se formando, e isso aconteceu por pouco tempo, algo bem comum em experiências com psilocibina ou DMT. Na Respiração Holotrópica vi menos imagens, mas vivenciei poderosamente essas sensações energéticas pelo corpo, algo não tão comum com os enteógenos, ao menos para mim. Voltei a ver e sentir focos de energia pelo meu corpo, e de repente pela primeira vez, o corpo estava totalmente energizado em uma só frequência. Sentia uma paz descomunal e nessa hora tive vontade de adotar a posição fetal, devo ter ficado nessa posição por algum tempo, pelo que me lembro, e sentia uma profunda serenidade e bem estar, mas não perdi a noção de individualidade. Me via como um ente cósmico, conectado, mas mantendo minha unicidade.

Logo novas ondas de energia voltaram a aparecer com força em minhas mãos. Retomei a posição deitado e comecei a brincar com a energia, criava grandes esferas energéticas e jogava de uma mão à outra, depois tocava as mãos e sentia o fogo e calor dessa energia. Em um determinado momento, moldei a energia no formato de um grande ovo, ele pulsava na minha frente, flutuando entre minhas mãos, numa tonalidade que ia do vermelho ao amarelo passando por tons alaranjados. Tinha o tamanho de uma grande melancia, mas o formato de ovo, e pulsava no ritmo da música que parecia também ser o ritmo de meus batimentos cardíacos. Brinquei por muito tempo com esse ovo cósmico energético, tocava-o e via que a energia que o gerava partia de minhas mãos. Eu ria como uma criança, era inacreditável, depois de tanto tempo, ver tão claramente assim, com tanta nitidez a energia que sou capaz de produzir e direcionar! Por fim, tive um impulso de pegar o ovo de energia e colocá-lo em meu coração. Quando fiz isso, senti uma onda de choque poderosa e vibrante, com a intensidade de um orgasmo, mas de outra natureza. O fim dessa sensação foi uma espécie de formigamento no rosto e nos olhos, o que me levou a tocar o rosto por um longo tempo, sentindo como se faíscas saíssem dele. Algo divertido e prazeroso.

O corpo foi se acalmando e entrei novamente em um estado sereno, as mãos ainda pulsavam energia, coloquei-as sobre o peito e senti seu calor poderoso e aconchegante, estava integro completo, tranquilo. Nessa hora vi a segunda imagem nítida da experiência, um grande porco do mato ou javali, imponente e poderoso, correndo com muita selvageria. Ele não vinha em minha direção, só corria e eu o observava e admirava sua forma e sua força. Foi uma visão muito nítida e preciso refletir sobre sua simbologia e sentido. E então, depois dessa visão e de alguns minutos em pleno enlevo e serenidade, como se estivesse mergulhado em um mar quente e eterno, acolhedor, vi a terceira imagem vibrante e estranha da experiência. Um homem de meia idade que me olhava curiosamente, me fitava a uma distância de uns 3 metros. As roupas que usava lembraram-me a indumentária asteca. Seu olhar não me incomodou, mas não senti nenhuma identificação clara ou afeto por ele.

Depois disso voltei a ver a energia circulando meu corpo e mãos, e estava sereno, fluindo o tempo e aquele momento com muita alegria interna, estava muito bem. A experiência se aproximava do final. De repente tive uma sensação mágica, uma nova epifania, senti que pessoas que são muito importantes para mim me olhavam, elas flutuavam sobre mim, e feixes de energia que saiam de meu corpo se ligavam a elas. Senti um enlevo ainda maior. Via a minha serenidade e alegria difundindo-se nessas pessoas. E percebia claramente que eu sou elas e elas são eu. Eram pessoas dessa minha vida. Mas estranhamente mais ao longe existiam outras pessoas, algumas reconheci como se fizessem parte de outras existências, outras não reconheci, estavam bem longe, mas a conexão e identificação era a mesma. Nesse enlevo mágico, a experiência chegou ao fim. A música cessou, e ainda fiquei alguns minutos quieto ali sentindo aquela energia. Com o silêncio, os ruídos à volta tornaram-se mais fortes e percebi que era hora de abrir os olhos. Os psicoterapeutas vieram até mim e perguntaram se estava tudo bem, respondi que sim e que tinha vivido uma bela experiência. Levantei-me lentamente entre os colegas de experiência. Vi que duas mulheres choravam copiosamente, ainda estavam sob o efeito, uma delas ficou mais de meia hora, após a experiência, chorando acompanhada pelos psicoterapeutas. Eu fui para a sala contígua e desenhei a minha mandala. Foi o primeiro produto criativo da experiência e retratou sinteticamente partes importantes dela.

A mandala do Ciberpajé. Foto de Edgar Franco.


IV Sacerdotisa: Como um dos produtos artísticos-criativos que resultaram desta experiência até o momento, você falou dessa mandala. Quais aspectos você destaca nesta arte que reflete essa experiência incrível?

Ciberpajé: A mandala foi desenhada ainda sob o impacto profundo da experiência, sentia grande energia no corpo e nas mãos, desenhei diretamente no papel com os pastéis de cores variadas. Fiz a arte sem muita censura ou preocupação com aspectos técnicos. A ideia era simplesmente captar a essência simbólica da experiência e retratar em uma imagem síntese seus momentos mais impressionantes. Dessa forma mostrei nela minhas mãos que manipularam energia por toda a experiência, o ovo de energia ao centro com as tonalidades vistas. A flechada no coração foi representada pela flecha trespassando o punho esquerdo, o lilás e o azul representam o enlevo e serenidade que veio pós dor e que existia simultaneamente à manipulação energética. Acho excelente que a Respiração Holotrópica inclua como exercício a criação artística logo ao seu final. E mesmo para os colegas não artistas, ela teve muito significado, e no relato que se seguiu à criação dos desenhos como forma de fecharmos a sessão, com todos mostrando as mandalas e falando de suas experiências, vi a importância desse exercício criativo de síntese e como algumas mandalas ficaram realmente interessantíssimas e sintetizavam bem a experiência vivida pelos colegas.

O Ciberpajé com a mandala em mãos. Foto da I Sacerdotisa Rose Franco.

IV Sacerdotisa: Até o momento, além da mandala, você criou dois HQforismos (união de aforismo e história em quadrinhos) inspirados pela experiência. Quanto à criação do primeiro HQforismo, gostaria que relatasse as inspirações para o processo criativo desta belíssima e impactante arte aforística.

Ciberpajé: Esse HQforismo foi criado na manhã do dia seguinte em que realizei a Respiração Holotrópica. Foi uma noite repleta de sonhos reveladores e de cenas épicas, com muita luz e escuridão. Os sonhos foram tão vívidos e incomuns que acabei dormindo muito mais do que de costume. Ao acordar, pouco tempo depois, já estava com a concepção geral dele em mente, aí criei o desenho em menos de 10 minutos e parti para a colorização. Os sonhos reafirmaram algo muito pregnante da minha experiência, e que eu já tinha como premissa: a inexistência de qualquer forma de traição, a não ser a traição de si mesmo. A parte mais dolorosa da respiração foi o momento da flechada no peito e a percepção de que ela tinha vindo de alguém que eu amava. Mas apesar do choque momentâneo eu me reconstitui e tornei-me mais forte, comprrendi ainda mais profundamente que é impossível sentir-se traído por alguém se o seu amor é desprendido e incondicional e se você não deposita expectativas no outro. Ninguém jamais poderá feri-lo, se você for assim completamente livre e integrado. A arte do aforismo reflete isso, tem o sofrimento e a superação, a morte e o renascimento luminoso, a sombra e a luz. E o aforismo que acompanha a arte reflete justamente isso de forma sintética: "A flecha só pode ferir o seu coração de carne." Ou seja, é impossível para o sereno de espírito dono da sua vontade e difusor do amor incondicional e cósmico sentir dores emocionais, apenas - no caso da flechada - a real dor física. O HQforismo traduz de forma diferente e renovada, elementos que estiveram presentes já na mandala pós respiração. E esse HQforismo se tornará também uma música do Posthuman Tantra, já tive todas as ideias para compô-la. E após esse primeiro HQforismo, realizei um segundo, já na manhã do segundo dia após a realização da experiência.

Primeiro HQforismo criado pelo Ciberpajé inspirado na experiência de
expansão da consciência através da Respiração Holotrópica


IV Sacerdotisa: E em relação ao segundo HQforismo, quais foram suas inspirações?

Ciberpajé: O segundo HQforismo é um libelo de luminosidade. 
Imediatamente ao realizar o desenho e imaginar as cores que utilizaria tive consciência de seu poder imagético e simbólico. Temos nele uma figura crística masculina e o seu renascimento pós-humano (para além do humano). Explorei nele o arquétipo do ascencionado, assim como o equilíbrio masculino-feminino, a geração, a criação, a evolução, e a dor que nos fortalece e purifica. E o texto do aforismo é simples, mas extremamente poderoso em minha opinião: "Sou, serei, seremos, ser." Sei que outras obras artísticas surgirão dessa impactante experiência. Foi realmente incrível perceber o poder criativo e curativo da Respiração Holotrópica!

"Sou, serei, seremos, ser". Segundo HQforismo criado pelo Ciberpajé
inspirado na experiência de expansão da consciência através da
Respiração Holotrópica.


IV Sacerdotisa: Em sua percepção, como a Respiração Holotrópica pode auxiliar os processos criativos em artes e histórias em quadrinhos?

Ciberpajé: A respiração Holotrópica é mais um dos métodos incríveis de acesso a estados ampliados de consciência, através dela mergulhamos em aspectos arquetípicos do ser e em conteúdos simbólicos e profundos de nossa dimensão cósmica. Essas percepções diferenciadas auxiliam incrivelmente no ato criativo e a arte passa também a adquirir um caráter de cura, autocura, e autoconhecimento. A arte como cura do criador e exemplo vívido para os fruidores, arte iconoclasta, arte transformadora. Todos os seres humanos, artistas ou não, deveriam ter uma experiência como essa, enfrentarem a dor e o êxtase da transmutação de seus valores rumo à transcendência.

IV Sacerdotisa: Quando você realizou a sua experiência recente com os cogumelos Psilocybe Cubensis você disse  para mim em entrevista que se sentia "pesado", mas sereno, recuperando um trecho de sua fala na entrevista sobre o tema: “Estou me sentindo leve e pesado agora, totalmente PARADOXAL (...) Sinto-me nesse instante como uma pluma e como um saco com toneladas de chumbo!” Fazendo um paralelo dessa experiência com a realizada com a ingestão dos Cubensis, como se sentiu "depois" da Respiração Holotrópica? Não pergunto a título de comparação, mas para saber detalhes e distinção entre tais experiências e suas peculiaridades (êxtases e vales).

Ciberpajé: Dessa vez me senti extremamente sereno ao final, mas ao retomar a realidade ordinária, me lembrei do momento da flechada e da dor física e emocional que senti, isso recuperou um pouco da dubiedade dor e enlevo. De maneira geral, me senti mais sereno, e toda a superação dessa dor tornou-se algo maior do que o momento da flechada, no entanto essa flechada tornou-se um ponto forte de reflexão pós-experiência, principalmente pela força do gesto que faço e que a partir dela ganhou um sentido maior. Como sempre digo, prefiro não julgar ou criar um compartimento para enquadrar essa experiência da flechada. Poderia dizer que é algo que aconteceu em uma vida passada, ou foi uma metáfora de meu inconsciente para algo marcante nessa vida, ou ainda uma alegoria de morte e renascimento, pode ser inúmeras coisas. No entanto o que é não me interessa, o importante é integralizar esse conteúdo à minha existência, ser com ele.

Agradeço a oportunidade de falar mais uma vez contigo, IV Sacerdotisa Danielle Barros, sobre uma de minhas experiências de expansão da consciência e sua relação com os processos criativos artísticos. Essas entrevistas também me ajudam muito a compreender e aprofundar-me em importantes aspectos dessas vivências, e você, como uma das principais estudiosas de minha obra, consegue fazer conexões incríveis e reconhecer signos e símbolos pregnantes em minha arte e ideário como poucos. Gratidão. Abraço afetuoso do Ciberpajé! 

IV Sacerdotisa: A honra é toda minha em poder ter a convivência, pesquisar e aprender tantas lições de vida com um Ser tão especial e raro. Forte abraço!

*Danielle Barros é IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana, poetisa, desenhista, doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde, Mestre em Informação e Comunicação em Saúde (Fiocruz) e compõe o grupo de pesquisa CRIA_CIBER da FAV/UFG.


  

terça-feira, 1 de julho de 2014

Indicação de Biocyberdrama Saga ao HQmix é notícia no Jornal O Popular de Goiânia

Matéria do jornal "O Popular" (27/06/2014) destaca a indicação do álbum BioCyberDrama Saga ao troféu nacional HQMIX:

Destaque nacional

Saga em quadrinhos publicada pela Editora da UFG é indicada ao troféu HQMix, o mais importante da área no Brasil, na categoria Edição Especial Nacional
A matéria é de Taynara Borges, publicada no Jornal O Popular, em 27 de junho de 2014 (sexta-feira)

O Ciberpajé, segurando o jornal "O Popular" (27/06/2014), de Goiânia, que destacou a indicação do álbum em quadrinhos BioCyberDrama Saga ao troféu nacional HQMIX.

Para quem quiser ler o texto da matéria na íntegra, acesse o link:
http://www.opopular.com.br/editorias/magazine/destaque-nacional-1.589956

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Eu, pós Posthuman Tantra - Resenha do show por Danielle Barros (IV Sacerdotisa) ilustrada com arte de Jorge Del Bianco

“Eu, pós-Posthuman Tantra”
Pela IV Sacerdotisa Danielle Barros

Performance do Posthuman Tantra no “VII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual FAV/UFG”, Goiânia, 5 de junho de 2014

Inicio aqui meu relato/resenha, com o desafio de descrever o que senti ao presenciar a performance do Posthuman Tantra. Eu pesquiso a obra do Ciberpajé desde 2012, ajudo a divulgar sua arte, inclusive as apresentações do Poshtuman Tantra e a página da banda no Facebook. Essa aproximação com sua obra e ideário me valeu o título, outorgado por ele, de IV Sacerdotisa da “Aurora Pós-humana” – seu universo ficcional transmídia. O Ciberpajé é o nome de renascimento de Edgar Franco, artista transmídia, pós-doutor em arte e tecnociência pela UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e professor permanente do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da FAV/UFG. Recentemente fui convidada a escrever uma matéria sobre os 10 anos da banda para uma revista online especializada em música alternativa e também realizar uma entrevista exclusiva com o Ciberpajé sobre a trajetória do Posthuman Tantra. Também fui ampla divulgadora do triste episódio da censura à performance da banda num evento internacional acadêmico na Unievangélica (Anápolis/GO), em 2013. Mesmo participando ativamente de tudo isso, por incrível que possa parecer, ainda não tinha assistido a nenhuma performance da banda, conhecia partes delas apenas por fotos e vídeos! Sim, e muitos se surpreenderam quando revelei durante o “VII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual”, na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG) de que aquela seria a primeira vez que finalmente eu teria a chance de ver ao vivo o Posthuman Tantra. A banda, em suas performances tem o grupo formado pelo Ciberpajé Edgar Franco (musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco (musicista e performer), Luiz Fers (Performer e Figurinista) e Lucas Dal Berto (VJ).
 

Antes de começar o relato propriamente dito é necessário descrever a atmosfera, o contexto que me trouxe até aquele instante. Já sai da Bahia sabendo: vou a um seminário acadêmico de pesquisa e lá verei pela primeira vez o Posthuman Tantra! Apesar de toda minha ansiedade me esforcei para não criar muita expectativa. O Ciberpajé me alertou que o espaço da apresentação não seria o “ideal” em termos de acomodação, iluminação e som, mas “e daí?”, eu pensei, ainda que fosse uma apresentação só pra mim e na circunstância que fosse, já seria excelente. E assim eu fui, embarquei de coração aberto para a mensagem que o Posthuman Tantra traria pra mim.
Arte de Jorge Del Bianco
 O grande dia: Já fui trajada sob a influência do Posthuman Tantra, corpete, roupa preta, maquiagem, acessórios, tudo no clima, na roupa e no espírito. Chegando à UFG, no dia da apresentação, cartazes pelos corredores ouvi burburinhos como: “ - o professor Edgar e seus orientandos já estão lá arrumando tudo, eu bem que queria participar dessa banda”. No banheiro ouvi duas mulheres dançando em frente ao espelho e cantando: “- Hoje vamos ver Sexy Tantra, Sexy Tantra!! uhuhu”. A esta altura é difícil conter certa expectativa. Na realidade, o que deu para perceber, é que o Ciberpajé é uma “lenda viva” no campus, e ainda que seja tomado como uma figura estranha, controversa e divertida; dentre os comentários que ouvi de passagem, percebi que as pessoas tem curiosidade e admiração, um brilho nos olhos ao falar sobre sua arte! E se há quem não curta o trabalho dele, pelo menos aos meus ouvidos de etnógrafa-amadora não chegou...

Apresentei meu trabalho no evento e só restava-me aguardar chegar a noite e ver a tão esperada apresentação! Enquanto assistia outras intervenções artísticas, de repente cruzo com um Ciberpajé de mais de 2 metros de altura no corredor!!! Ele usava uma bota imensa, parte de seu figurino produzido pelo figurinista da banda Luiz Fers. Mesmo já tendo visto fotos, ali fiquei chocada ao ver de perto a indumentária! A apresentação estava marcada para 19h, e para instigar e convidar o público, o Ciberpajé passeou com essas botas pelos corredores da Faculdade de Artes Visuais convocando as pessoas, era o que faltava para começar. Chegou a hora e seguimos para a sala. As pessoas foram chegando aos montes e iam se acomodando no chão, a sala ficou lotada. Entre amigos, conhecidos e estranhos fomos nos acomodando, trocando olhares cúmplices entre pessoas que guardavam a mesma expectativa.


Arte de Jorge Del Bianco
Com a iluminação sombria e a indumentária dos integrantes meus sentidos já estavam aguçados. A banda ao vivo, nessa apresentação, foi composta pelo Ciberpajé (direção, criação, música, vídeos e performance), I Sacerdotisa da Aurora Pós-humana Rose Franco (musicista e performer), Luiz Fers (figurinista e performer), Lucas Dal Berto (VJ) e Amanda Caroline Darc’Kness (performer). O Ciberpajé inicia então a apresentação, e após o primeiro ato, abre cada um dos outros atos falando um pouco do conceito estético-filosófico proposto. Comentarei algumas impressões sobre cada ato dessa performance específica do Posthuman Tantra, intitulada “Sex Bot Mantra”. Abrindo minhas impressões sobre cada ato acrescento uma “epígrafe” com aforismos do Ciberpajé – do livro com seus aforismos que sou a organizadora. Essa resenha foi inteiramente ilustrada por artes do talentoso Jorge Del Bianco, desenhos realizados durante a performance da banda nessa noite memorável:
 
Arte de Jorge Del Bianco
Ato I - Biotech Antenna (Antena Biotecnológica)

“O Ciberpajé usa suas antenas cósmicas para conectar-se à essência do universo e criar em parceria com ela, gerando seres ficcionais e mundos mágicos, ampliando a empatia e a tolerância, cultivando o amor incondicional sob vontade.”
(Ciberpajé)

O ato abre com um som estridente, como que convidando ao despertar, um som que me incomodou, um ruído aos meus ouvidos mal acostumados e adestrados a ouvir “mais do mesmo”. Neste ato senti-me como que atravessando a dimensão ordinária para mergulhar no mundo da Aurora Pós-Humana, e, através da arte fabulosa projetada na tela, e da transmutação transumana de Franco com uma indumentária e máscara assustadoras, eu mergulhei na cosmogonia cósmica do Ciberpajé, com cores, seres, sons, cheiros, sensações sinestésicas peculiares. A partir dali eu já estava fisgada e temerosa ao saltar neste abismo, mas já não tinha mais retorno...

Arte de Jorge Del Bianco
Ato II – Ciberpajelança

“Os signos da natureza nos falam de verdades essenciais esquecidas pelo processo imbecilizante chamado cultura, processo que nos afastou de nossa identidade animal, nos apartou do Cosmos, nos desconectou de Gaia.”
(Ciberpajé)

Fui transportada para a floresta, me senti num ritual de cura xamâmica, cura de corpo e espírito. Os toques tribais, os passos assustadores e fortes de Luiz Fers, o som do chocalho, a voz grave do Ciberpajé, seu porte majestoso e misterioso e o entoar de mantras imemoriais fizeram emergir em mim uma sensação de estranha familiaridade diante daquela cena, que certamente de alguma forma compõe o inconsciente coletivo da humanidade, diria Jung. Mais uma vez, como no primeiro ato, os urros do Ciberpajé estavam despertando algo em mim, me conduzindo por essas dimensões de realidades cosmogônica e validada. Eu estava em transe na Ciberpajelança! Os tentáculos vislumbrados no telão nas costas do performer - em um original efeito de realidade aumentada - tornaram o Ciberpajé uma de suas criaturas pós-humanas. Os limites dissolvem-se, e todas as realidades se encontram em um mesmo ritual sagrado.

Arte de Jorge Del Bianco
Ato III - Transhuman Werewolf`s Mutation (A Mutação do Lobisomem Transhumano)

“O Lobo caminha solitário, abomina mestres, senhores, mentores e deuses. O Lobo sabe que é o espelho do Cosmos. Ele sabe que para ser integral é preciso ser só, e para realmente conectar-se a alguém ele deve bastar-se a si mesmo. A solidão do Lobo é sua canção universal, bela por ser ao mesmo tempo serena e selvagem.”
(Ciberpajé)

O som me transporta para uma era longínqua, numa terra devastada ou em uma floresta frondosa, não sei. Talvez num vazio cósmico de um céu estrelado... os acordes da canção vagueiam por meus silêncios, meus medos, memórias, implode tudo e traz à tona aquele momento presente. Eu ali, desta vez teletransportada para o único lugar que existe, o AGORA. A representação do animal selvagem, a música aumentando o ritmo, assim o Lobo surge na tela, está consumada a transmutação, agora estamos dividindo espaço com lobos pós-humanos. E a animalidade de cada um é convocada a vir à tona!

Sem me dar conta, nesse momento eu já não fotografava mais, guardei a máquina para experienciar aqueles momentos. Compreendi que qualquer tentativa de apreender aqueles momentos seria inócua, pois não era possível captar uma experiência sinestésica e fulminante como me tornar Posthuman Tantra, integrar-me ao ato naquele momento!

Gostaria de destacar que o show tem uma energia que segue um crescendo continuo, as entonações parecem que penetravam minha alma, parecem me “desintonizar” da frequência em que estava, conectando-me a uma dimensão distinta. Por diversas vezes pude perceber meus batimentos cardíacos se acelerarem, e a cada ato, vivia a sensação recorrente de estar sendo surpreendida. A atmosfera das músicas e os arranjos, algo diferente de tudo que já ouvi. Em alguns momentos me lembrei da estética sombria e do suspense da série “The Twilight Zone”.
Arte de Jorge Del Bianco
 Ato IV – Os Mistérios Insondáveis (Das Falsas Coincidências).

Com um lance de seus olhos você organiza o mundo e ordena intuitivamente o aparente caos. 
Existe em sua essência corrompida pela cultura humana a percepção implícita da ordem fluida do Universo. 
Reanimalize-se! 
(Ciberpajé)

Nessa música fiquei pensando nas sincronicidades da vida, em como fui parar ali, naquele momento. Fiquei lembrando como conheci o Ciberpajé e seu ideário, e os rumos da minha vida nos últimos anos. Pensei na magia de cada escolha e suas consequências, de como cada acontecimento - por mais “trivial” que possa parecer - é capaz de redirecionar nossos caminhos. Em como uma oportunidade simples, um telefone, um ônibus, ou o atravessar de uma rua pode mudar nosso curso a todo instante, criando novas possibilidades, proporcionando novas pessoas a conhecer, distintas vidas a viver. Vislumbrei o quanto somos complexos, múltiplos, e percebi a inexistência de um tempo “linear”. E por fim pensei em como essas “coincidências”. que parecem “ao acaso”, são tão perfeitas.
 
Arte de Jorge Del Bianco
Ato V - The Little Bob`s New Toy: Sexual initiation with a Multifunctional Robot (O Novo Brinquedinho de Bob: Iniciação sexual com um robô multifuncional).

“Quando faz a sua ciberpajelança,
O Lobo sente o cheiro da Lua,
E fricciona com volúpia o clitóris do cosmos.”
(Ciberpajé)

Esta foi uma das faixas que mais me surpreendeu, e não foi à toa, a censura ao Posthuman Tantra aconteceu durante esse ato! Vou explicar melhor. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa tranquila, não tenho tantos tabus e não sou “pudica”, longe disso, mas confesso que diante da apresentação deste ato fiquei chocada! É uma performance muito sensual, excitante e vibrante. O Ciberpajé deixa sua virilidade aflorar sem amarras, não é por acaso que o ato em que se transmuta em Lobo pós-humano se dá antes desta faixa, aqui ele já é o LOBO SELVAGEM, e é mesmo! Vale destacar que a selvageria que Franco traz não é a difundida pela mídia, uma selvageria como “crueldade” e sim uma selvageria animal, que, como ele diz, pode ser violenta, mas nunca cruel. Nesta faixa vemos uma amostra de sua selvageria sexual, ele simula a penetração, ele grita, ele urra, ele “penetra”, ele rompe, é uma catarse artística sexual!
Mas como eu disse, num primeiro momento eu me impressionei, e esse estranhamento foi paradoxal. Por um lado achei “incômodo” ver o Ciberpajé fazendo aquelas insinuações sexuais - que de certa forma, a meu ver, abriram sua intimidade - como se estivesse masturbando-se em público -, de modo que a música que nem era tão longa, pareceu-me uma eternidade, e à medida que ele ia intensificando o ato sexual com o microfone servindo de falo, eu pensava “Gente, quanto tempo ele ficará fazendo isso?” Mas, por outro lado, meu espírito vislumbrava aquele contexto, uma coisa LOUCA e insólita, e eu refletia: “Quando eu imaginaria, que em uma Universidade Federal, local emblemático do ensino engessado em seus dogmas erigidos com repetições de teorias inócuas estrangeiras, um lugar de egos insuflados, quando eu sonharia em ver aquele ato de iconoclastia selvagem? Realizado por alguém que, mais do que falar, VIVE aquilo que escreve em seus aforismos e cria em sua arte, quando eu imaginaria presenciar uma apresentação iconoclasta dessa em uma universidade?” Então, o que no começo foi um choque - por mais que eu já conhecesse o ato por vídeos e fotos-, algo que me fez rir por estar bastante surpreendida... Naquele instante se converteu em pura admiração e uma das maiores lições que tive na vida, a lição de que devemos ter CORAGEM DE SER QUEM SOMOS.
O Ciberpajé, que é um professor doutor, alguém que como ele diz “pediu todas as bênçãos acadêmicas que a universidade exige para ser alguém”, agora se dá a própria benção e o direito de ser quem ele é. Sem se preocupar com um “nome a zelar” e nem com o que pensarão dele e sim ser quem é sem estar prejudicando ninguém, ser sua arte! E devo acrescentar minha admiração por sua esposa, Rose Franco, ao estar ao lado dele no Posthuman Tantra há tantos anos e em tantas situações, como no dia do ato de censura. Ela é também admirável pela coragem de seguir e ser Posthuman Tantra.
Dei-me conta ali que é muito mais fácil ser o que os outros querem, mas ser quem se é, é complexo, dolorido e difícil, porém é o único caminho verdadeiro e de valor inestimável.
 
Arte de Jorge Del Bianco
Ato VI - Tênue Esfera Azul

“Fita o Sol na manhã esplendorosa, pensa nas inúmeras gerações humanas que ele viu tornarem-se pó, abra seus braços e mergulhe completamente na vida, esse singelo e tênue presente cósmico!”
(Ciberpajé)

Nesse ato eu me emocionei muito. Foi uma “hecatombe” interna devastadora, me senti no etéreo espacial. O Ciberpajé, em contraste com o ato anterior, chega com a doçura suave de uma rosa em mãos, anunciando a efemeridade da vida nessa tênue esfera azul. Nessa hora eu percebi o quanto fui tacanha ao reprimir inicialmente meu ímpeto animal, ao negar a primeira parte do ato performático anterior e pude vislumbrar o quanto sou/somos muito mais do que este corpo terrestre, somos irmãos dividindo essa mesma jornada: VIDA.
Pude compreender nossa eternidade e finitude. Senti-me pequenina e grandiosa. Lembrei-me que foi este ato que o Ciberpajé dedicou ao saudoso amigo Elydio dos Santos Neto, durante o show do lançamento do álbum em quadrinhos Biocyberdrama Saga no Centro Cultural UFG em 2013, performance e lançamento que eu ajudei a divulgar. E lembrei-me o quanto devemos simplesmente VIVER e AMAR! E como o Ciberpajé fez muito bem durante todos os atos, ele contrasta doçura e selvageria ao longo das canções, com urros e entonações leves, como quem nos desperta do nosso estado de inércia, mas ao mesmo tempo exalta a serenidade necessária para viver o agora.
Como a letra desse ato diz, estamos ligados pelo mesmo tempo, mesma época de vivência na Terra. Lembro-me o quanto me sinto honrada de dividir essa época com pessoas tão especiais e de estar ali naquela performance. Aquele toque da música, como se fosse uma música que minha alma (re) conhecia, causou-me incômodo, parecia que eu não tinha corpo, que existia um “vazio”. Não chegava a ser uma sensação de “morte”, mas diria “um ser sem corpo”, como se eu me percebesse muito além disso tudo. Viajei pelo espaço, na viagem das imagens das artes projetadas no vídeo com o qual o Ciberpajé interagia... Parecia como se eu tivesse sentido, através daquela música e imagens, uma ínfima consciência da minha grandeza espiritual e de que tudo (material) se acabará, e isso me deu certo temor.
Arte de Jorge Del Bianco
Ato VII - Penetrating The Virgin Bioport (Penetrando a Bioporta Virgem).

“Tu pregas inúmeras regras,
eu as burlo dentro de tuas pregas.”
(Ciberpajé)

Nessa me senti transportada pros quadrinhos de Edgar Franco! Vi-me na “Aurora Pós-humana”, como se estivesse presenciando as criaturas em sua cópula, em suas relações cotidianas e formas de lidar umas com as outras em seu universo ficcional. Presenciei um bate-estaca pós humano, também muito sensual, e bem “didático”. O Ciberpajé penetrando a bioporta e um fluído de conexão luminoso que flui de uma criatura a outra. Devo confessar que precisarei ver o show muitas vezes para apreender a profusão de elementos que desenrolam-se simultaneamente: A performance de cada membro do grupo; fruir as obras projetadas; atentar para as mágicas eletrônicas utilizadas no show, bem como outros recursos; além de ter a liberdade de simplesmente divagar mergulhando no conceito filosófico que a banda traz que, misturados em nosso repertório de vida, nos causa um impacto estranho e profundo.
Arte de Jorge Del Bianco
 Ato VIII - O Selvagem.

“Foder como um animal,
Amar como um santo,
Brincar como um menino,
Viver como um Lobo”
(Ciberpajé)

Esta é um mantra “ser leve, selvagem e brincalhão”, como os animais que estão sempre vivos e focados no agora. Cada faixa é uma lição de sabedoria. Essa para mim foi um das mais fortes, e ao recitar a letra, o Ciberpajé brinca com a intensidade, com a leveza e os gritos, como os acordes de uma vida, repleta de altos e baixos, êxtases e abismos.

Ato IX - Tema o Homem, Ame o Lobo.

“Minha fêmea, sei que você quer o Lobo, apesar do homem.
Eu sou o Lobo que se esqueceu do homem!”
(Ciberpajé)

Este ato completamente iconoclasta traz o conceito de que se pode confiar plenamente no ser selvagem ao passo que na civilidade do homem, não. O ato fecha o show com chave de ouro. Uma faixa em que o Ciberpajé contracena com o vídeo recitando a música enquanto ele é exibido. A animação exclusiva, criada pelo artista George Chiavegato em parceria com o Ciberpajé, é muito excitante e o final dela, surpreendente. Ao mesmo tempo, a dupla de performers Luiz Fers e Amanda Caroline complementam a atmosfera da animação com uma performance ousada.
Vale destacar que a performance de todos os integrantes da banda é fruto de trabalho intenso. Muitos pensam que aquelas performances loucas são feitas “no improviso”, ou que o Posthuman Tantra anarquiza em seus atos, mas a banda faz essa brincadeira que é séria e sei que eles chegam a ensaiar por mais de 4 horas cerca de 2 vezes por semana, testando som, equipamentos, iluminação, coreografias, e tantas outras coisas para que tudo saia perfeito.

Arte de Jorge Del Bianco
Não posso deixar aqui de estabelecer um paralelo entre as performances do Posthuman Tantra e os atos poéticos de psicomagia elaborados por Jodorowsky, atos que são construções de realidades através da arte, pelo mago-artista. E já finalizando essa resenha-viagem, devo dizer que o Posthuman Tantra é uma banda, que assim como outros desdobramentos transmídia da Aurora Pós-Humana, tem em sua essência uma verve poético-filosófica que nasce no ideário cósmico e iconoclasta desse ser incrível que é o Ciberpajé!
Uma honra estar lá!
Em minha busca por transcendência, ainda não sei quem sou (e nem sei se saberei um dia), mas com certeza aquele que se deixa envolver pelo show não sai o mesmo que quando entrou. E esta é a resenha do meu eu “pós” Posthuman Tantra, uma resenha que tem a pretensão de ser mais uma expansão da Aurora Pós-Humana ilustrada fabulosamente com a arte do Jorge Del Bianco em sua sensível e talentosa percepção, reunindo aqui o meu olhar, e o dele, juntos neste ensaio-resenha. O olhar de pessoas que têm um forte afeto por essa banda e os seres que a compõem.
Espero viver outras experiências de ser e estar com o Posthuman Tantra.
Vida longa à arte genuína!

Danielle Barros, a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, é doutoranda pela Fiocruz RJ.