sábado, 9 de agosto de 2014

Posthuman Tantra no Capim Pub em Goiânia, hoje dia 09 de agosto de 2014: PÓS-HUMANIZE-SE!

O Posthuman Tantra se apresentará hoje, dia 9 de agosto de 2014, no Capim Pub, em Goiânia com o Cyber Croatoan e outros convidados, NÃO PERCA!
A performance contará com o Ciberpajé Edgar Franco (musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco (musicista e performer), Luiz Fers (Performer e Figurinista) e Lucas Dal Berto (VJ)! 


O quê: LINE UP - Posthuman Tantra no Capim Pub
Onde: Capim Pub / Rua 05 esquina com Av. Independência , 65  - Setor Aeroporto  Goiânia – GO
Quanto: 10 reais. Depois de meia-noite $ 15.

Informações: (62) 8123-7499



Programação da grande noite!


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Semana de HQ na Fnac terá palestra do Ciberpajé Edgar Franco sobre Biocyberdrama Saga - Confira a programação!

Dentro da programação da Semana de HQ da FNAC, o artista Ciberpajé Edgar Franco, professor adjunto e permanente da Faculdade de Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás, orientador e docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Cultura Visual, estará palestrando sobre como começou sua carreira nos tradicionais Fanzines e segue publicando nas mais diversas plataformas da arte sequencial. Falará também sobre suas artes como artista multimídia, sobre suas obras como a revista Artlectos e Pós-Humanos, Biocyberdrama Saga e sobre seu ideário de vida. 
Será dia 14 de agosto de 2014, das 20 às 21:30, no Flamboyant Shopping em Goiânia.
Não percam!


Print da página do Fnac

(Fonte: página Zine Brasil/Michelle Ramos)

Confira mais detalhes em http://www.agendafnac.com.br/evento/edgar-franco-semana-do-hq-na-fnac/ 

O Ciberpajé participa em mesa redonda e Oficina de Fanzines no evento "HQ Fanzinação 2014" no SESC-GO em Goiânia

O Ciberpajé esteve presente no evento "HQ Fanzinação 2014"  no SESC-GO, dia 02 de agosto, em Goiânia, participando de Mesa Redonda e Oficina de Fanzines. O Prof. Carlos de Brito Lacerda foi o organizador do evento no segmento de Quadrinhos e Fanzines.

Na Exposição de HQs e fanzines, além do lançamento da edição #08 de Artlectos e Pós-humanos de Edgar Franco, também presente livros teóricos da Editora Marca de Fantasia, o fanzine Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico de autoria da IV Sacerdotisa Danielle Barros e o grande álbum Biocyberdrama Saga, indicado ao HQMIX 2014, todos em destaque na vitrine da biblioteca do SESC-GO. Confira abaixo algumas fotos do evento!







De acordo com Prof. Carlos de Brito Lacerda, houve um tripé de atividades de ações em HQ/Fanzinação:
-Exposição de zines e HQs pela manhã, tendo prof. Carlos Lacerda como curador e monitor;
-Oficina de fanzines das 14h até ~16h15, com Matheus Moura e prof. Carlos;
-Mesa redonda das 16h30 até ~18h com Edgar Franco, Gian Danton, Matheus Moura, Daniel Christino, PC Castilho (primeiro fanzineiro de Goiás) e prof. Carlos Lacerda.



O Ciberpajé e amigos no evento de quadrinhos no SESC Goiânia.
Foto de Graziely Abreu
 — com Carlos De Brito LacerdaPaulo CastilhoGian DantonKarolyne Rocha BastosPlinio Santos e Danyllo Fenix.

O Ciberpajé e Karolyne Bastos, uma das criadoras da HQ LYCAN WILD. Em nossas mãos a versão criativa dela para o Lobo Ciberpajé! Ontem em evento de HQs no SESC Goiânia.
A coleção completa do colecionador e pesquisador  Carlos Lacerda da revista "Artlectos e Pós-humanos", em Exposição no evento do SESC- Goiânia.

Na foto: Márcio Jr.,Gian Danton , Rogério Ferreira, Paulo Castilho e Ciberpajé

Exposição de HQs e fanzines no último sábado no SESC-GO. Entre várias publicações nacionais Biocyberdrama Saga, Artlectos e Pós-Humanos e Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico, em destaque na vitrine da biblioteca do SESC-GO.

 Publicações nacionais Biocyberdrama Saga, Artlectos e Pós-Humanos e Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico, em destaque na vitrine da biblioteca do SESC GO.


Agradecemos a oportunidade e desejamos que outros eventos dessa natureza aconteçam para que possamos difundir nossa arte e assim mais pessoas possam conhecer os fanzines e HQs e se inspirem a criar também!





domingo, 3 de agosto de 2014

Ciberpajé Edgar Franco coordenará junto com Ademir Luiz Simpósio Temático sobre quadrinhos - Saiba como participar!


Edgar Franco e Ademir Luiz coordenam o Simpósio Temático 18 “Quadrinhos e suas adaptações cinematográficas como documento e estratégia didática no ensino de Artes e História” que acontecerá no VII Simpósio Nacional de História Cultural - HISTÓRIA CULTURAL: ESCRITAS, CIRCULAÇÃO, LEITURAS E RECEPÇÕES, na Universidade de São Paulo – USP (São Paulo – SP) entre os dias 10 e 14 de Novembro de 2014.
Para participar com proposta de Comunicação em Simpósios temáticos é só clicar no site do evento, seguir para o item “Inscrições” e baixar o arquivo word, lá consta como você pode enviar. Ou clique direto neste LINK
Os resumos são parte da Ficha de Inscrição e devem ter até “30 linhas”. O arquivo (ficha de inscrição com resumo) deve ser encaminhado para o e-mail gtn.historia.cultural@gmail.com. Há também opções de inscrição como “Painel de Iniciação científica” e “ouvintes”.

Eis o resumo do Simpósio Temático 18 “Quadrinhos e suas adaptações cinematográficas como documento e estratégia didática no ensino de Artes e História”

A cultura audiovisual está cada vez mais presente nas pesquisas e no ensino da chamada 
Grande Área das Humanidades, destacadamente na História e nas Artes. Compreender esse fenômeno é fundamental para o desenvolvimento desses campos, tanto em suas matrizes metodológicas quanto didáticas. Com a ampliação da noção de documento a partir da Escola dos Annales, os registros visuais se beneficiaram, principalmente, após a década de 1960, tornando-se uma das mais eficazes formas de ligar o conhecimento histórico com seu sujeito receptor. A linguagem visual, seja a arte sequencial dos quadrinhos ou as imagens em movimento do cinema, é, antes de tudo, um conjunto de imagens-guia de um grupo social que se caracteriza pelo contexto e o mundo com a qual dialoga e interage. O objetivo desse simpósio temático é o de identificar os aspectos cognitivos da imagem, promovendo debates acerca do uso pedagógico das histórias em quadrinhos e suas adaptações cinematográficas, utilizando-os enquanto documento histórico e objeto de reflexão acerca do papel do cineasta e do quadrinista enquanto “fazedor de história”, e dessa forma contribuir para uma visão crítica acerca do universo do cinema e da arte sequencial. 

Clique aqui para acessar o calendário com datas importantes!
Maiores informações no site do evento.

Atenção: As inscrições na modalidade Comunicação em Simpósio Temático estarão abertas no período de 04 a 31 de agosto de 2014.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Hoje é o último dia de votação do HQmix - Biocyberdrama Saga concorre!

BIOCYBERDRAMA SAGA 
Álbum de quadrinhos de Edgar Franco (roteiro) e Mozart Couto (desenhos) é lançado pela Editora da UFG – Agosto de 2013.

O premiado artista, quadrinhista e pós-doutor em artes, Edgar Franco, uniu-se ao lendário e premiado quadrinhista Mozart Couto para a criação dessa saga de ficção científica em quadrinhos. O trabalho, apresentado na forma de um álbum luxuoso com 256 páginas e sobrecapa especial, inclui a saga completa em quadrinhos, além de uma descrição detalhada do universo ficcional da “Aurora Pós-humana”, criado por Edgar Franco e ainda um making of do trabalho nos anexos, com artes do processo criativo da obra.
A HQ presente no álbum é dividida em III partes. A primeira delas, nomeada BioCyberDrama, foi publicada em álbum pela editora paulistana Opera Graphica, com ótima recepção do público e crítica especializada. Tendo sido indicada aos prêmios HQMIX de melhor roteirista (Edgar Franco) e melhor edição especial nacional de 2003. A obra recebeu o prêmio Ângelo Agostini de melhor desenhista de 2003, concedido a Mozart Couto. As partes II e III da saga BioCyberDrama permanecem inéditas e agora a obra é publicada na íntegra, ou seja as III partes completas, pela Editora da UFG.
A parte I do álbum narra o dilema de Antônio Euclides, um jovem "resistente" que aos poucos vai sendo seduzido pelas promessas de vida eterna ou plena oferecidas pelas culturas predominantes desse universo futurista, os tecnogenéticos – seres híbridos de humano com animal e vegetal, e extropianos – ciborgues com a consciência de um humano transplantada em um chip. Antônio se depara com a grande questão de sua vida, qual decisão deve tomar: tornar-se extropiano, tecnogenético ou continuar resistente. A parte II de BioCyberDrama dá continuidade à saga de Antônio Euclides e seus dilemas pós-humanos, apresenta uma tensão ainda maior entre as espécies pós-humanas. A parte III, conclusão da saga, possui inspiração na história de Canudos e de Antônio Conselheiro, reinventadas para um contexto pós-humano. Sobre o roteiro e arte do álbum, o pesquisador Dr. Elydio dos Santos Neto, autor da apresentação da obra, destaca: “Edgar Franco entra nesse clima de questionamentos contemporâneos e cria sua Aurora Pós-Humana, porém sem negar o humano, isto é, (...) ele traz para o futuro pós-humano os principais dramas da nossa atual condição humana. Há que se destacar também a grande sensibilidade de Mozart Couto, que, a meu ver, compreendeu de maneira brilhante o universo criado por Edgar Franco e conseguiu expressá-lo, visualmente, de maneira tão soberba.”
A responsável por esse lançamento ousado no mercado brasileiro de quadrinhos foi a Editora da UFG – Universidade Federal de Goiás. Uma iniciativa inédita para uma editora acadêmica brasileira, acreditando nas HQs como forma de arte e conhecimento e investindo em uma produção à altura da obra. O álbum integra a coleção “Artexpressão”, dedicada a livros de arte.


Biocyberdrama Saga está concorrendo na categoria "Edição Especial Nacional" no troféu HQMIX!


O troféu HQMIX foi criado em 1988 pelos cartunistas Jal e Gual com a finalidade de premiar e divulgar a produção de histórias em quadrinhos, cartuns, charges e as artes gráficas como um todo no Brasil. A cada ano são escolhidos, por meio de votação, os que mais se destacaram entre as várias categorias que compôem a premiação. A entrega do troféu será dia 13 de setembro próximo às 17h no auditório do SESC Pompeia, com apresentação de Serginho Groisman.

sábado, 26 de julho de 2014

Resenha de HQs da Artlectos e Pós-Humanos por IV Sacerdotisa

por IV Sacerdotisa Danielle Barros *


É sempre desafiador mergulhar na arte de Edgar Franco e é impossível fazê-lo sem me perder (embora não faça nenhum esforço de fincar meus pés no chão). A Artlectos e Pós-Humanos 8 é um número especial. O 8 é associado ao símbolo do infinito, representa movimento, renovação, energia cíclica, simbiose. E é bem isso que vemos em toda edição que traz a proposta de parcerias e métodos inusitados, com pessoas queridas, e com criaturas e seres não-humanos!

Essa capacidade incomum de se reinventar em suas expressões artísticas é que faz com que a revista continue viva por todos esses anos, e seu criador sempre nos surpreende. 
Fui uma das convidadas a participar deste número, e em breve publicarei um texto com minhas impressões sobre como foi participar desta edição tão especial!


SEIVA (Edgar Franco, Jorge Del Bianco e Gazy Andraus)

Uma HQ que exala amizade fraterna. Criação entre grandes amigos e artistas: Ciberpajé, Gazy Andraus e Jorge Del Bianco! O processo criativo foi muito interessante, uma espécie de transe criativo em que, em apenas 2 horas, os amigos geraram uma história em conjunto: Franco desenhou e escreveu a primeira página; na sequência, a segunda página foi feita por Del Bianco; Gazy Andraus fez a terceira e Franco fechou a HQ com arte e texto da página final.


Embora cada um dos artistas tenha um traço e estilo próprio de escrita, a HQ teve um fio condutor coeso e fluido. O argumento traz o dilema existencial do vazio, da culpa, e da busca de si. O nada como o fim e o começo. A desintegração para o renascimento do verdadeiro eu, o desejo seminal de tornar-se quem se é a despeito de toda formatação cultural, expectativas sociais, determinismos e amarras. Ser Flor de dentro para fora, vivenciar o desejo primal.

Ciberpajé, Jorge Del Bianco e Gazy Andraus na oca do Ciberpajé no dia do processo conjunto da HQ Seiva da Artlectos e Pós-Humanos 8


HQ (E) ternura (de Edgar Franco e Moravecchio)

Foto da apresentação do Ciberpajé sobre o processo criativo de (E) ternura durante Seminário acadêmico na UFG, Goiânia (junho/2012) 
Foto Danielle Barros

Uma HQ com o processo incrível de criação, ela foi desenhada de forma conjunta COM UM ROBÔ (da série Draw Droids 2.0 desenvolvido por Flávio Oliveira). 
O robô de nome "Moravecchio" desenhou (através de sensores de luz) os primeiros traços dos desenhos e Edgar Franco finalizou a arte! Franco apresentou trabalho sobre o processo criativo desta HQ no VII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual da Faculdade de Artes Visuais (FAV/UFG) em Goiânia, no GT de Narrativas Visuais e pode ser conferida neste LINK

A HQ traz a mensagem simples e complexa de que um gesto de ternura pode ressoar eternamente.
Um conhecimento ancestral que tem em seu bojo a mensagem de que, mesmo nas incertezas que a vida traz em sua imanência, quem cultiva sementes do bem colhe flores e ternura, que floresce no tempo devido nas raízes da alma.
Vale a pena conferir!


Gnosce Te Ipsum” (Edgar Franco e Elydio Santos Neto)

A edição 8 é dedicada ao irmão Elydio dos Santos Neto, um grande amigo que transmigrou recentemente e com quem Franco fez parceria de criação espontânea de uma HQ. Prof.Elydio selecionou os desenhos/arte de Edgar Franco e escreveu um roteiro poético.
Com o título “Gnosce Te Ipsum” a história já começa trazendo à tona o dilema existencial vivenciado por um ser (num “agora futuro”) que paradoxalmente acredita que cada nova tecnologia implantada estaria “libertando-o” do “mundo natural” – um mundo colocado em xeque quando se questiona “o que é um mundo natural?”.
Porém, o que se apreende é que mesmo em um universo biotecnológico tão distinto do que vivemos agora, (2014, planeta Terra), o drama vivenciado é bastante atual, pois reflete a busca pelo “Eu Sou/ Quem Sou?” que, na perspectiva da Aurora Pós-humana traz implicações.
Ao não saber-se quem é, e, portanto, não ser protagonista de si, o Ser torna-se alienável e manipulável pelas culturas antagônicas desse universo, mas se pensarmos em nossos dias atuais, poderíamos traçar paralelo com os indivíduos que fogem de sua busca essencial e de enfrentar a si mesmo, se tornando alvos fáceis e massa de manobra de cultos religiosos, partidos políticos, indústria, publicidade, mídias hegemônicas, entre outros.
Ao dar conta e questionar-se “Todos me querem! O que eu quero? Quem eu sou?” soa como um despertar retumbante, doloroso, mas essencial, irretornável. 
A HQ demonstra que o Ser pode ser capaz de lidar com inúmeras situações, pessoas, tecnologias, mas quando diante de si, da batalha de ser, na luta entre o coração e o ego – se vê na contradição de seus paradoxos, e muitas vezes na falta de fé em si mesmo.
A fêmea aparece como memórias, histórias e musas que forjaram a persona que somos hoje. A fêmea criadora, mas também pandórica, uterinizante, maternal, venenosa, visceral. A porta da transcendência. A luz e o nigredo. A meretriz, dona da sabedoria humana, Pós-Humana, sagrada e sexual.
E a partir dela, seu oposto complementar, ele consegue descobrir o caminho do autoconhecimento e permite emergir em si seu verdadeiro eu. Ancestral. Serenidade, equilíbrio, o xamã pós-Humano. Salve Elydio!!!
Emocionante! Ainda mais quando vejo essas fotos de momentos tão ímpares, de pura “criação e vida”!
Ciberpajé e Elydio Santos Neto na oca do Ciberpajé em Goiânia, durante processo criativo da HQ "Gnosce Te Ipsum" 
Foto Rose Franco

Sim, a arte nos torna eternos, mas não a crença ingênua de acreditarmos que nossos bits e papéis ficarão eternos, ou que nossos desenhos e poesias serão lidos daqui a algumas décadas, não é isso.
A obra de arte eterniza seu criador dentro daqueles que são tocados por ela, pois é através da arte que conhecemos o criador desnudado. E é por isso que prof. Elydio e Edgar Franco estarão eternos e vivos dentro de mim, pois através da arte deles pude conhecer uma fração da essência de cada um, e conhecer a mim mesma. Essa arte me emocionou, me fez e faz viva, essa arte e seres eternos que habitam em mim. 

Ciberpajé e Artlectos e Pós Humanos 8 fotografado pela I Sacerdotisa Rose Franco





















* poetisa, desenhista e fanzineira, Doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde (IOC-FIOCRUZ) (bolsista CAPES/Plano Brasil sem Miséria) e Mestre em Ciências (ICICT/FIOCRUZ). Bióloga formada em Licenciatura Plena na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). 
Peça a sua Artlectos e Pós-Humanos 8 no site 
http://www.marcadefantasia.com/revistas/artlectos/artlectos-08/artlectos-08.html

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Resenha: BIOCYBERDRAMA SAGA - Vida, dilemas, dramas e paradoxos profundos da condição (pós) humana.

Por Danielle Barros*
Depois de ler algumas resenhas, sobretudo a do Dr. Ademir Luiz (UEG), publicada no jornal Opção (Goiânia/GO) e no blog Pipoca e Nanquim, e a apresentação escrita pelo saudoso Prof. Dr. Elydio Santos Neto na abertura de Biocyberdrama Saga, senti-me positivamente desafiada a escrever uma resenha com minha percepção sobre a obra.
Mas antes de fazer considerações diretas sobre o álbum, permitam-me fazer digressões pertinentes, caminhos que perpassam meu olhar sobre BioCyberDrama Saga.
Em primeiro lugar, devo dizer que foi a primeira vez que li uma história em quadrinhos de tal dimensão – contando com o prefácio são mais de 250 páginas! E como toda boa obra que nos fisga, li em um só fôlego, em voz alta, de uma forma muito peculiar e especial. BioCyberDrama Saga teve um impacto muito forte em mim, de modo que por algum tempo me senti um pouco bloqueada para iniciar qualquer interpretação sobre algo tão incomum como esta saga.

Cada leitor interpreta um texto - seja ele em que suporte for: diálogo, filme, HQ, livro - segundo seu repertório cultural, suas experiências de vida e do lugar que ocupa no universo. Esses intertextos atravessam a leitura - os livros que lemos, filmes, lembranças vividas, desejos contidos, traumas, virtudes - elementos que compõem e forjam nosso ser, nossa leitura. Então tratarei aqui de alguns deles.
Quando conheci Edgar Franco notei instantaneamente que se tratava de um ser incomum, múltiplo, complexo e paradoxalmente simples. Eu olhei a imagem projetada de sua arte em uma conferência que eleministrava e ponderei “um ser humano fez isso?” e realmente o que eu pensei não foi algo tão inverossímil, pois o Ciberpajé – nome com o qual Franco se rebatizou em seu renascimento ao completar 40 anos de idade - realmente é um ser além, é pós-humano, e só um ser pós-humano pode vir de seus universos e nos contar as ‘boas novas’ da Aurora Pós-Humana, universo ficcional que ele criou.
Edgar Franco possui expertise nas mais diversas e distintas áreas: arquitetura, artística, acadêmica, musical, mágica ocultista, poética, aforística, xamanística, espiritual, intuitiva, cristã, ficçional, e tantas outras que eu nem saberia mencionar. Toda vez que alguém se aventura a ler seu currículo passa muitos minutos lendo suas conquistas e títulos, mas no fundo a que ele mais se orgulha é “ser ele mesmo”, o Ciberpajé. Com todas essas qualidades e por transitar em tantos mundos e áreas, sem medo de errar - embora certamente o Ciberpajé por modéstia possa pensar ser um exagero da minha parte estabelecer essa relação - eu associo a persona de Edgar Franco ao também genial Leonardo da Vinci a quem tenho pesquisado, que atuou em áreas como anatomia, arquitetura, astronomia, botânica, hidráulica, matemática, mecânica, música, optica, zoologia, ciência, arte, em escritos (aforismos, fábulas, sátiras e profecias) e tantas outras como a mais notória, a pintura.
Embora Da Vinci se declarasse “omo senza lettere” [homem não literato] há estudos que afirmam que seus escritos somavam cerca de 35 mil folhas, embora apenas um quinto tenham restado, ou seja, cerca de 7 mil folhas, o que propõe supor que 28 mil folhas tenham se perdido com seus manuscritos. Assim como ele e sem pretensões, Edgar Franco tem atuado em diversas frentes, entre elas os aforismos, que com suas diversas temáticas (iconoclastas, sensuais, sobre visão da ciência, humanidade, Gaia, arte, etc.) e somando centenas de páginas, têm nos impelido, incomodado, confrontado, interpelando-nos a refletir sobre quem somos e ‘se’ somos.
Da Vinci redigia seus manuscritos de forma fragmentária e em anotações; ou ainda em desenhos, por acreditar que a imagem traduzia melhor e mais claramente as ideias do que as palavras, Edgar Franco uniu os dois, ao criar seus HQforismos, a imagem que expressa o sentimento com profundidade; a palavra que perfura e estremecem nossas crenças.
Talvez o Ciberpajé nem saiba, mas Da Vinci ao criar suas fábulas (que são formas de ficção), “as estruturavam a partir de uma figura de linguagem de origem retórica denominada personificação, que consiste em criar um personagem animal, vegetal ou mineral concedendo-lhes qualidades e características humanas, tais como atribuir-lhes fala, sentimentos e reflexões [...] Na personificação concebida por ele, animais, vegetais e minerais adquirem vida e pensamentos e são dotados das mesmas paixões, vícios ou virtudes humanas como astúcia, bondade, humildade. Inveja, piedade, soberba, solidão e validade” (Ventura, 2010).

Essa hibridização entre seres, a vivência de dilemas, dramas, paradoxos tão profundos da condição ‘humanimalvegetamineral’ (remetendo-nos aos seres extropianos, golens, tecnogenéticos e resistentes), o que inclui a questão tecnológica mais atual; não seriam sinais incipientes da Aurora Pós-humana?
Entre seus escritos, Da Vinci escreveu profecias e assim como destacou Ademir Luiz em sua resenha, o Ciberpajé, de forma similar, poderia, quem sabe ser reconhecido como um profeta em seu poder e arte visionários dessa Aurora Pós-Humana tão distante, mas tão atual.
A instigante resenha de Ademir também me inspirou a pensar certas questões. Entre elas sobre o axioma “quadrinhos é literatura?”. Por mais que essa seja uma discussão recorrente na literatura e meios acadêmicos, no mercado editorial, etc. Mais importante do que tentar entender ou classificar as narrativas, é focalizar no que a experiência estética e poética nos traz, independente do gênero: o toque profundo na alma; a identificação com as personagens; o espelho de si no outro - não no sentido narcisístico e sim do autoconhecimento - ; o mergulho na obra de arte!
A obra Biocyberdrama Saga traz à tona a essência dos criadores, os hipertextos que são repertórios de vidas. Cada quadrinho (falas, cenários) traz referências e vestígios de experiências, personas que inspiraram a cada um dos artistas, Franco e Couto, nessa “saga” que ganhou vida própria, e que se constituiu saga em si mesma em virtude dos 13 anos que levou para ser concluída e publicada. Configurando-se assim, no contexto editorial nacional tão restrito para trabalhos desse porte, como uma saga vitoriosa.
A apresentação genial e sensível escrita pelo prof. Elydio dos Santos Neto conseguiu dar conta e abarcar aspectos pertinentes da complexidade da obra como as questões existenciais, os dilemas humanos, os aspectos filosóficos no roteiro de Franco; bem como a beleza estética e singular da arte magnífica de Mozart Couto, ressaltando sua capacidade impressionante de captar, sintetizar e expressar a emoção na cena desenhada.
Edgar Franco em seu roteiro, como um mago construtor de realidades, traz nessa obra uma série de questões, conflitos, guerras, explosões, dramas, que nos conduzem à reflexão sobre o que somos, um ‘clamor’ sobre o que realmente importa, o amor, o seguir o coração. Ressalta a incerteza imanente da vida. Convoca-nos à reconexão com nossa essência primal: a animal.
Ao apresentar as categorias das espécies da Aurora Pós-Humana – o universo ficcional em que se passa a história -, já estão implícitas algumas questões/dilemas identitários: ‘ser ou não ser?’ (extropiano, tecnogenético) o que implica escolhas, lidar com preconceitos, fundamentalismo; solidariedade entre espécies; o dilema ‘mudar ou permanecer?’ (resistentes) o que implica tomar partido, mudar de vida em diversos aspectos; a perspectiva dos golens – serviçais das espécies dominantes -, nos leva a pensarmos: eles possuem sentimentos, são providos de ‘alma’? Em todas essas questões o livre arbítrio é um eixo que perpassa toda obra, nas escolhas e consequências de cada ato das personagens.
Impressiona a minúcia de detalhes do vislumbre da Aurora Pós-Humana descrita no prefácio onde são apresentadas as categorias, subcategorias, informações sobre reprodução, organização social, aspectos da ciência, fontes de energia, alimento, arquitetura, mapas geográficos, biosfera, etc. O que denota a extrema sagacidade, a pesquisa aprofundada e minúcia de Franco ao criar este universo; e no roteiro, falas sagazes, concisas e algumas carregadas de um humor refinado.
A trama por vezes suscitou-me suspense, esperança, expectativa, surpresa, curiosidade, decepção, raiva, riso e tristeza. Além de estimular insights e conexões com outras obras, temas e pessoas, o que fez sentir-me instigada a querer pesquisar novos assuntos desconhecidos.
Por estar no universo da educação, pude vislumbrar a obra na perspectiva do ensino, nos diversos níveis. O próprio prefácio da obra sugere os temas que se pode abordar em sala de aula ao trazer o panorama no momento tecnológico e artístico, que estão implícitos na obra: transformações tecnológicas; ficção científica; genética; cibernética; questões filosóficas, religiosas, científicas e éticas (e bioéticas); clonagem; transgênicos; hibridização animal e vegetal; mutação; transplantes; criação de órgãos em laboratório; retardamento da velhice; imortalidade; inseminação artificial; inteligência artificial; robótica; religiosidade; tecnognose; criação; essência; populações nativas; bem como trabalhar com os alunos a pesquisa sobre os artistas, cientistas, filósofos que inspiraram a obra como Stelios Arcadiou; Max More; Roy Ascott; Baudrillard; Hans Moravec, Laymert Garcia dos Santos, só para citar alguns.
Temas e personas completamente atuais e vinculados à ciência, tecnologia e sociedade, podendo ser um rico material pedagógico para suscitar debates e reflexões acerca dos usos, da ética, da filosofia, da humanidade e pós-humanidade, da Ciência tecnologia e sociedade (CTS).
A despeito da crescente especialização nos ramos do conhecimento, há uma tendência de se unir a Ciência e a Arte e o reconhecimento da presença e importância da intuição no fazer da Ciência. Nesse sentido, e ao me deparar com uma obra primorosa e magnífica como essa, feita por pessoas que transitam na arte e na academia, proponho que se pense no “método artístico do cientista” e no “método científico do artista”, pois o artista além da sua inspiração, ao criar possui seus métodos - que podem ser por exemplo o desenhar espontâneo sobre uma folha de papel, ou desenhar sempre pela manhã bem cedo -, disciplina e lógica; assim como o cientista, com toda sua racionalidade só abduz quando ouve e deixa fluir sua intuição e criatividade.
Dessa forma, os autores de BioCyberDrama Saga conseguiram abduzir e dar um “salto”, e em meio a tantas produções disponíveis, criaram essa verdadeira obra prima, que sem dúvida é e será um marco na história dos quadrinhos nacionais, e mais importante, na VIDA de muitas pessoas que se sentirem tocadas por ela.
Senti uma profunda emoção ao me identificar com aspectos obscuros de certos personagens, aspectos trágicos da condição humana, as simbologias, paixões, traições (sobretudo as de si mesmo ao não seguir o coração), loucuras, sonhos, esperança, perdão e redenção. Ademais, a história se passa na Aurora Pós-Humana, universo da qual faço parte como IV Sacerdotisa, o que me conecta de forma muito visceral à obra.
Orlane foi sem dúvida a personagem com a qual mais me identifiquei: guerreira, dedicada, determinada, paradoxal em alguns aspectos, extremamente intensa e sensível. Ao final da leitura, chorei. Frustração ou plenitude de uma saga que ainda não arrefeceu em meu peito. Uma história de encontros e desencontros, que confronta nossas ideologias versus desejos: a luta constante da mente e do coração. Essa é, sem sombra de dúvida, uma daquelas raras obras que nos marcam a vida, divisor de águas na minha. Escrever sobre uma obra como essa é desafiador, e a sensação de inacabamento é evidente, pois sei que a cada nova leitura terei outras interpretações, olhares e sentidos, na semiose infinita que é estar vivo.
O final do álbum é surpreendente. Ele agrega em si a essência do ideário do Ciberpajé, simbolizada na imagem final que “encerra” (?) a saga, símbolo da transcendência e integração: o amor incondicional, o amor cósmico.

*Danielle Barros – IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana, artista, bióloga, mestre em Ciências e doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Serviço: Álbum BioCyberDRama Saga – Roteiro de Edgar Franco, arte de Mozart Couto, 252 Páginas, Lombada Quadrada, sobrecapa especial, EDITORA UFG Peça o seu álbum clicando aqui
Esta resenha foi originalmente publicada no blog 

Tradução Reversa