Novo fanzine com HQforismos do Ciberpajé Edgar Franco foi lançado em São Paulo durante o VII Simpósio Nacional de História Cultural, na USP, entre os dias 10 e 13 de novembro de 2014.
Retrogênese e Uivo II nas mãos do Ciberpajé e Gazy Andraus na USP
O fanzine de oito páginas no formato folder, publicado pela editora Reverso, traz introdução escrita por Gazy Andraus.
O zine esteve presente durante o lançamento do novo álbum Retrogênese, de Edgar Franco e Al Greco, na Gibiteria, em São Paulo, dia 12 de novembro de 2014.
Ciberpajé autografando suas obras no lançamento na Gibiteria
Ciberpajé e IV Sacerdotisa na Gibiteria (SP) lançando Uivo II e outros zines
O fanzine pode ser adquirido na Gibiteria (em São Paulo) ou pelo e-mail danbiologa@gmail.com
O Ciberpajé Edgar Franco coordenou o simpósio temático juntamente com o professor Dr. Ademir Luiz (UEG), no evento VII Simpósio Nacional de História Cultural - USP, São Paulo, de 10 a 14 de novembro de 2014.
ST Temático Quadrinhos e suas adaptações cinematográficas como documento e estratégia didática no ensino de Artes e História - seus participantes e coordenadores Edgar Franco e Ademir Luiz [1]
O título proposto para essa primeira edição do simpósio no evento foi: "Quadrinhos e suas adaptações cinematográficas como documento e estratégia didática no ensino de Artes e História".
Em sua primeira edição o simpósio surpreendeu pela quantidade de trabalhos aprovados para apresentação, 20 comunicações que foram divididas em três manhãs de trabalho. A ideia de criá-lo partiu do Dr.Ademir Luiz, que fez seu pós doutorado sob a tutoria do Ciberpajé.
Apresentação dos trabalhos no ST, na foto, apresentação de pesquisa do Ciberpajé. Foto Danielle Barros
O simpósio foi
um sucesso, com a presença de pesquisadores doutores importantes
do universo dos quadrinhos como Gazy Andraus, Hylio Lagana, Edgar Smaniotto e
outros emergentes, das mais diversas áreas do conhecimento incluindo Saúde,
História, Artes, Jornalismo, Filosofia, Sociologia, Biologia, entre outras;
configurando-se como um simpósio genuinamente interdisciplinar com ricos
debates e estabelecimento de conexões para novas pesquisas e criações.
ST Temático Quadrinhos e suas adaptações cinematográficas como documento e estratégia didática no ensino de Artes e História - seus participantes e coordenadores Edgar Franco e Ademir Luiz [2]
Também
tivemos uma variedade de estados representados no simpósio, entre eles
Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia, Ceará, Amapá e Distrito Federal. Uma
curiosidade importante a se destacar foi a presença de 3 artigos versando sobre
a obra do Ciberpajé Edgar Franco, são eles:
“Diálogo entre (linhas) crítica e poética: O pós-humano em Star Wars e na obra quadrinística de Edgar Franco”do Prof. Dr. Ademir Luiz - Que apresentou um paralelo entro o universo ficcional de Star Wars, criado por George Lucas e o universo ficcional da Aurora Pós-humana, criado pelo Ciberpajé Edgar Franco.
Apresentação do Prof. Dr. Ademir Luiz intitulada “Diálogo entre (linhas) crítica e poética: O pós-humano em Star Wars e na obra quadrinística de Edgar Franco” [1]Foto Danielle Barros
Apresentação do Prof. Dr. Ademir Luiz intitulada “Diálogo entre (linhas) crítica e poética: O pós-humano em Star Wars e na obra quadrinística de Edgar Franco” [2]Foto Danielle Barros
“Por uma antropologia do Ciberpajé: Misticismo e Transcendência Tecnológica na obra ficcional transmídia de Edgar Silveira Franco”do Prof. Dr. Edgar Smaniotto - Que destacou o caráter filosófico e mágikco da produção artística do Ciberpajé Edgar Franco.
“Por uma antropologia do Ciberpajé: Misticismo e Transcendência Tecnológica na obra ficcional transmídia de Edgar Silveira Franco”- apresentação do trabalho do Prof. Dr. Edgar Smaniotto [1]Foto Danielle Barros
“Por uma antropologia do Ciberpajé: Misticismo e Transcendência Tecnológica na obra ficcional transmídia de Edgar Silveira Franco”- apresentação do trabalho do Prof. Dr. Edgar Smaniotto [2]Foto Danielle Barros
“Adaptação de uma HQ Poético-filosófica para Performance Transmídia: Da HQ “Borbopoemas” à Performance “O Selvagem” da Profª. Doutoranda Danielle Barros - Que apresentou o processo de desdobramento transmidiático da HQ "Borbopoemas", em música e performance da banda Posthuman Tantra, capitaneada pelo CIberpajé.
Apresentação “Adaptação de uma HQ Poético-filosófica para Performance Transmídia: Da HQ “Borbopoemas” à Performance “O Selvagem” da Profª. Doutoranda Danielle Barros [1] Foto Edgar Franco
Apresentação “Adaptação de uma HQ Poético-filosófica para Performance Transmídia: Da HQ “Borbopoemas” à Performance “O Selvagem” da Profª. Doutoranda Danielle Barros [2] Foto Edgar Franco
Aqui o
Ciberpajé e os pesquisadores Dr. Ademir Luiz, IV Sacerdotisa Danielle Barros,
Dr. Edgar Smaniotto que pesquisam e apresentaram artigos sobre a obra do
Ciberpajé, reunidos:
Dr. Ademir Luiz, Ciberpajé, IV Sacerdotisa e Dr. Edgar Smaniotto
O Ciberpajé
também apresentou o artigo “Duo de Um: De HQ Transumana a Animação Stop-motion”
- o artigo trata do processo criativo da HQ Duo de Um e também do desenho
animado homônimo, criado em parceria com o artista Luciano Irrthum em técnica
de Stop Motion.
Ciberpajé apresentando seu artigo “Duo de Um: De HQ Transumana a Animação Stop-motion” [1] Foto Danielle Barros
Ciberpajé apresentando seu artigo “Duo de Um: De HQ Transumana a Animação Stop-motion” [2] Foto Danielle Barros
O sucesso dessa primeira edição do simpósio nos entusiasmou para propormos sua continuidade. Confira algumas fotos do evento!
José Loures e Pepita Afiune: "A imersão nos Games e as possibilidades de representação histórica"Foto Danielle Barros
“A importância das metodologias de design gráfico para
viabilizar processos criativos de
comunicação visual” por Alysson Plínio Estevo
Foto Danielle Barros
“A manifestação textual de conceitos filosóficos na estrutura
sincrética dos quadrinhos” apresentado por Rubens César Baquião
Foto Danielle Barros
Gazy Andraus e sua apresentação “A
pan-visualidade dos quadrinhos nas HQs em contraposição à visualidade
uno-imagética do cinema: contrastes e adaptações”
Foto Danielle Barros
Apresentação de Gian Danton "Uso pedagógico da história em quadrinhos Turma da Tribo" Foto Danielle Barros
Matheus Moura apresentando "A adaptação de Blueberry para os cinemas e a representação visionária" Foto Danielle Barros
Apresentação sobre o GIBIOzine, por Dr. Hylio Lagana Fernandes
Foto Danielle Barros
Gazy Andraus e seu irmão Edgar Franco em pose acadêmica na USP. Foto Danielle Barros
Ingrid, IV Sacerdotisa, Ciberpajé e Alysson Drakkar
Matheus Moura, Gazy Andraus, Ciberpajé, Hylio Lagana, Gian Danton e IV Sacerdotisa trocando HQs e fanzines ao final das apresentações na USP
Ciberpajé e Hylio Lagana. Foto Danielle Barros
Os artistas Poéticos Filosóficos Gazy Andraus, Ciberpajé e IV Sacerdotisa
O grande autor Edgar Franco me pediu uma resenha sobre seu novo trabalho em HQ "Retrogênese" - uma parceria com o desenhista Al Greco - que adquiri recentemente. Eu não sou de escrever resenhas simplesmente porque não acredito no "trabalho" (assim mesmo, entre aspas) do crítico; aquele que se coloca acima do trabalho dos outros sem ter nenhuma conexão com seu processo e, na maioria das vezes, sem a envergadura artística para se colocar nessa posição. Então pretendo me focar aqui somente nos pontos que considero mais fortes dessa obra (que são muitos) e fazer um breve comentário ou elogio merecido sobre eles. Se caso os autores quiserem posso discutir os poucos pontos que considerei mais fracos, na minha opinião subjetiva, de forma reservada (não conheço o Al Greco, mas se ele tiver interesse é muito fácil entrar em contato comigo) pois prefiro assim.
Página do álbum Retrogênese. Arte de Al Greco.
Enredo:
Quando folheei a HQ pela primeira vez, imaginei que a história seria muito mais hermética e de difícil interpretação do que realmente senti durante a leitura. Isso é um mérito dos autores porque estabelecer uma comunicação de forma clara dentro de um contexto poético-filosófico não é nada fácil. É claro que várias interpretações (talvez todas) dos eventos representados são válidas, mas acho que ficou bem evidente a metáfora sobre o ciclo da vida com: nascimento como evento natural e mágico; infância idealizada e as descobertas desse período; evento traumático (perda da inocência); a futilidade do esforço e da atividade cotidiana que marcam a vida adulta; a velhice e a senilidade como um retorno a infância (para o bem ou para o mal)... e finalmente a morte como transcendência e retorno a terra que nos gerou. Arte e narrativa: É evidente que os autores buscaram aqui uma arte mais intuitiva e menos enraizada nos princípios que regem as HQs do grande mercado. As passagens entre os planos fluem diretamente (e muito bem) sem o uso de requadros e cada página é ao mesmo tempo uma unidade e um elemento em si. O traço do Al Greco varia bastante entre o preciso e o gestual. Eu cheguei a questionar sobre colorização no evento de lançamento, mas tendo tempo para analisar fica claro que essa mistura realizada pelo desenhista é realmente difícil de imaginar em cores. O letreiramento (também do Ciberpajé) é bastante elegante e bem integrado com a arte. O design dos cenários, personagens, criaturas e objetos é muito marcante como em todas as obras do Edgar Franco, inclusive nas que ele não desenha pessoalmente, sua influência é forte e interessantíssima. Com certeza o Al tem méritos nisso também. Quero dizer, a edição custa R$ 10,00 - se eles estivessem vendendo somente esse desenho da árvore (que ilustra esse post) já seria dinheiro bem gasto.
A Edição:
É uma revista simples, mas muito elegante com o "logo" do ouroboros (arquétipo que resume bem o enredo) e as 3 formas volumétricas básicas (blocos de construção do universo) na capa. O nome da obra e dos autores ficou no verso (quarta capa), uma decisão bastante interessante e me parece original (não me lembro de nenhuma outra HQ assim). Depois da história em si, de 20 páginas, encontramos uma sessão muito esclarecedora com o processo criativo pelo prisma do Edgar Franco, e o roteiro misturado com alguns apontamentos gráficos e ideias visuais do mesmo.
Conclusão:
Altamente recomendável para todos que apreciam histórias desafiadoras e gostam da oportunidade de expandir o próprio horizonte com novos questionamentos e propostas estéticas. "Retrogênese" estaria em casa dentro de uma revista "Heavy Metal", mas estamos no Brasil e os realizadores precisam batalhar sem apoio em publicações independentes, enfrentando problemas já bem conhecidos de distribuição e divulgação. Todos os envolvidos no projeto estão de parabéns e merecem muita admiração.
Claudio Ellovitch
Serviço:
Retrogênese
Roteiro: Edgar Franco - Desenhos: Al Greco
Editora Reverso / Novembro de 2014 / 36 páginas / Formato 21x28 cm
Papel couchê 115mg / P/B / Capa em alta gramatura. ADQUIRA O SEU na Gibiteria que se localiza na Praça Benedito Calixto, 158 1° andar, São Paulo -SP. Telefone: (11) 3167-4838 ou diretamente com Edgar Franco pelo e-mail oidicius@gmail.com Valor R$ 10,00
HQ Poético-filosófica de
Edgar Franco (Roteiro) & Al Greco (Desenhos): RETROGÊNESE*
Retrogênese
insere-se em um gênero de quadrinhos batizado por mim, Edgar Franco, de
“poético-filosófico”, classificado como genuinamente brasileiro e definido pelo
saudoso pesquisador Professor Dr. Elydio dos Santos Neto em seu pós-doutorado
na Unesp.
Este gênero é caracterizado por algumas particularidades, a primeira
delas é o uso de um texto mais vinculado à poesia do que à prosa, a segunda é o fato de incluírem argumentos com intenção
filosófica deliberada, e a terceira o forte experimentalismo de linguagem. Os
quadrinistas poético-filosóficos costumam assumir as HQs como uma forma de arte
com possibilidades ilimitadas, distanciando-se do conceito desgastado de que os
quadrinhos são uma forma vazia de entretenimento de massa. Seus trabalhos são
voltados para um público que encare as HQs não só como divertimento inócuo, mas
como fonte de reflexão e deleite estético.
Imagem montada da capa do álbum Retrogênese
Quando
surgiu a oportunidade de efetivar uma parceria com quadrinista mineiro Al
Greco, pensei que ele seria o artista ideal para desenvolver Retrogênese. O
clima onírico e telúrico da relação do personagem central com seu planeta foi
captado com maestria pelo artista. A opção desafiadora de não utilizar requadros
já foi tomada no capítulo inicial e eles são abolidos em detrimento de uma
fusão dinâmica das cenas numa única imagem por página.
O Ciberpajé com Retrogênese em mãos, a capa não inclui o título do álbum. (Foto da I Sacerdotisa Rose Franco - Oca do Ciberpajé em Goiânia)
Em
Retrogênese parto de alguns conceitos recorrentes em minha obra como a noção de
solitude cósmica, a harmonia do selvagem com a natureza, a plenitude do
conhecimento inata ao ser, e finalmente as relações interpessoais – que geram
rancor, dúvida, ódio, morte, guerras, dor, sofrimento, mas também amor, doçura
e compaixão. Desses conceitos surgiu o argumento geral sobre um ser solitário
que nasce em um planeta distante e vive feliz e em completa harmonia com a
natureza.
Página interna do álbum com arte de Al Greco [1]
Página interna do álbum com arte de Al Greco [2]
Álbum aberto no início do capítulo III, artes de Al Greco. (Foto da I Sacerdotisa Rose Franco - Oca do Ciberpajé em Goiânia)
Sua plenitude é quebrada quando ele se depara com outro ser, surgindo
em seu âmago sentimentos antes inconcebíveis
como solidão, sofrimento, confusão e dor – faço alusão direta ao surgimento do
ego no ser, e com ele nascem também todos os desejos e ansiedades. Quanto aos
demais detalhes e simbologias do texto, eles foram surgindo intuitivamente
durante o momento em que eu escrevia o roteiro. Ao elaborar a arte, Al Greco
seguiu o mesmo processo de criação, partindo de uma base e permitindo que sua
intuição atuasse criando inúmeros novos detalhes. O álbum inclui, além da HQ
completa, o meu roteiro original, um manuscrito que incluiu alguns apontamentos
desenhados.
O Ciberpajé Edgar Franco com o álbum aberto mostrando a segunda capa desenhada por ele. (Foto da I Sacerdotisa Rose Franco - Oca do Ciberpajé em Goiânia)
Capa interna do álbum com arte de Edgar Franco
O Ciberpajé Edgar Franco mostrando a contracapa do álbum
(Foto da I Sacerdotisa Rose Franco - Oca do Ciberpajé em Goiânia)
Página interna do álbum com arte de Al Greco.
Sobre os autores:
Edgar Francoé Ciberpajé, artista transmídia,
quadrinhista premiado com o troféu Bigorna 2009, pós-doutor em Arte e
Tecnociência pela UnB, doutor em Artes pela USP, mestre em multimeios pela
UNICAMP, professor do programa de doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Autor dos livros HQtrônicas: Do Suporte
Papel à Rede Internet (Annablume/Fapesp, 2008) e Histórias em Quadrinhos e Arquitetura (Marca de Fantasia, 2012),
seu álbum BioCyberDrama Saga –
parceria com Mozart Couto (Editora UFG) - foi indicado ao Troféu HQMIX 2014 de
melhor edição especial nacional. E-mail: oidicius@gmail.com
Al
Greco
é arquiteto e urbanista pela UFU, tatuador e quadrinista que colaborou com
várias publicações independentes na segunda metade da década de 1990.
Serviço:
Retrogênese
Roteiro: Edgar Franco - Desenhos: Al Greco
Editora Reverso / Novembro de 2014 / 36
páginas / Formato 21x28 cm
Papel couchê 115mg / P/B / Capa
em alta gramatura.
RETROGÊNESE:Novo álbum de Edgar Franco (roteiro) & Al Greco (desenhos) tem lançamento dia 12 de novembro na Gibiteria em São Paulo.
O lançamento envolverá também outro álbum da editora Reverso,O.R.L.A.: Liberdade aos Animais, com roteiro de Matheus Moura e desenhos de Caio Majado; Abel; Joniel Santos
Em Retrogênese, novo álbum de Edgar Franco (roteiro) em parceria com Al Greco (desenhos), o roteirista parte de alguns conceitos recorrentes em sua obra como a noção de solitude cósmica, a harmonia do selvagem com a natureza, a plenitude do conhecimento inata ao ser, e finalmente as relações interpessoais – que geram rancor, dúvida, ódio, morte, guerras, dor, sofrimento, mas também amor, doçura e compaixão. O álbum, editado pela Reverso, inclui, além da HQ completa desenhada por Al Greco, o manuscrito do roteiro original com apontamentos desenhados. (Edgar Franco) Serviço: RETROGÊNESE Roteiro: Edgar Franco - Desenhos: Al Greco Editora Reverso / Novembro de 2014 / 36 páginas / Formato 21x28 cm Papel couchê 115mg / P/B / Capa em alta gramatura. R$ 10,00
Matheus Moura desenvolveu o roteiro de O.R.L.A, um grupo de ativistas dos Direitos dos Animais que tem como propósito a abolição animal. Mas não só. A sigla do grupo significa Organização para Reabilitar e Libertar Animais, e o reabilitar, para eles, é entendido de maneira nada comum. Para dar vida ao texto, a arte ficou a cargo de três artistas: Caio Majado (desenha a primeira e terceira parte),Rafael Vasconcellos, conhecido como Abel (ficou com a segunda parte e a capa), e Joniel Santos (ilustrou os flashbacks e flashfowards). Serviço: O.R.L.A – Liberdade aos Animais Roteiro: Matheus Moura | Arte: Caio Majado; Abel; Joniel Santos Editoras Reverso e Quadrinhópole / 132 Páginas / Formato: 21 x 28 cm / Papel couchê 115mg | P/B/ Capa em alta gramatura, colorida. R$: 15,00
O lançamento, com bate papo com os autores com mediação de Gazy Andraus e sessão de autógrafos, acontecerá em São Paulo na Gibiteria no próximo dia 12 de novembro de 2014, às 19:00.
Equilíbrio Dinâmicoé o mais novo fanzine em parceria entre o Ciberpajé Edgar Franco (Professor Doutor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás) e a IV Sacerdotisa Danielle Barros (Doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz). O fanzine de 8 páginas, tamanho A5, preto & branco, será lançado durante o VII Simpósio de História Cultural, que ocorrerá entre os dias 10 e 14 de Novembro de 2014 na Universidade de São Paulo (USP), onde o Ciberpajé e IV Sacerdotisa estarão apresentando trabalhos acadêmicos.
O zine traz HQforismos, um conceito novo que constitui a união de Aforismos e Histórias em Quadrinhos (HQ), que em sua composição traz a característica dos quadrinhos pela estrutura narrativa poética - a união de imagens e textos, - com textos aforísticos de inspiração e intenção eminentemente poético filosófico. O zine tem HQforismos dos dois autores (texto e arte).
A temática em que apresentamos o “Equilíbrio Dinâmico” teve inspiração no equilíbrio cósmico baseado nos princípios herméticos do Caibalion, sobretudo o princípio da Polaridade, representada na conexão alquímica da complementaridade essencial entre macho e fêmea. O zine tem o selo da Editora Reverso. Adquira o seu solicitando por e-mail: danbiologa@gmail.com
por IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana
Danielle Barros (Doutoranda Fundação Oswaldo Cruz/RJ)
O videoclipe
começa com um plano geral da floresta e nos conduz ao Ciberpajé. De braços
abertos, ele faz um gesto como se abraçasse o todo e o guarda em si mesmo,
simbolizando a conexão xamânica do pajé que trafega entre os mundos
macrocósmico e microcósmico. Em seguida a conexão se amplia, quando ele toca a
água e os seres, sugerindo essa busca de retorno à Gaia, à sua condição
essencial animal e sua dimensão de Ser cósmico.
Ao
mergulhar a mão nas águas cristalinas, os peixes, que a princípio se movem
depressa, serenam diante da presença do Ciberpajé. Os anéis evocam as
simbologias ancestrais dos totens, do Sol, dos elementos da natureza. Do
mergulho, o gesto de abraçar aquilo que tocou, ele amplia a conexão. Primeiro
abraçou o que “está acima” em um gesto de ascensão, depois abraçou “o que está
embaixo”, em um gesto de imersão, em seguida retoma ao gesto anterior,
sugerindo que tudo está em movimento, se renovando, retornando em ciclos.
A
gestualidade apropriada e reconfigurada a partir do “Posismo” um dos princípios da magia ocultista de Paschal Beverly
Randolph, permitiu ao Ciberpajé o poder de sintetizar conhecimentos
ancestrais. Ao longo do clipe muitos desses gestos têm correlação direta com as
“Leis Herméticas”. Para citar algumas leis mais diretamente: a Lei do
Mentalismo "O Todo é Mente; o
Universo é mental", a Lei da Correspondência "O que está em cima é
como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima" e
a Lei da Vibração "Nada está parado, tudo se move, tudo vibra".
O Lobo
segue espreitando a mata, como um animal que está em busca de algo. Os pés
descalços denotam sua conexão telúrica direta com a terra. A vestimenta incrível
elaborada pelo figurinista Luiz Fers confere um ar exótico ao Ser, pois embora
ele pertença àquele lugar, ele não é de lugar nenhum, é livre. O ar da floresta
é reenergizador, o Ciberpajé utiliza os braços gestualizando essa renovação
essencial e necessária.
Ele anda
pelas matas, até se posicionar ao alto como o Lobo alfa que se coloca a uivar
no topo da montanha. Com as mãos na região do falo, ele convoca para que a
presa se dispa do seu medo e se entregue aos caninos doces e selvagens do Lobo –
entoando o aforismo com voz como a de um animal que rosna. É um chamado à
animalidade sexual selvagem entre macho e fêmea, assim ele utiliza gestos de
“chamamento” da presa para si, ele aponta e atrai.
Como o
próprio Ciberpajé ressaltou, a performance do vídeo é inspirado pelo "Posismo",
“um dos princípios da magia ocultista de Randolph, readaptando a gestualidade
para o contexto de reconexão com a natureza e o cosmos proposto pela música e
pelo sistema mágico da ‘Aurora Pós-humana’”. Obviamente, que em se tratando de
uma obra artística é impossível - e não se tem a pretensão aqui - de esgotarem
as interpretações e simbologias do clipe. Mas chega um instante do vídeo que
parece seminal, no qual o Ciberpajé faz uma série de gestos com as mãos, começa
exatamente aos 2:46 minutos. Ele conta os dedos, o que me fez lembrar seus
números mágicos 19915 que em alguns momentos-chave ele publica em suas obras e
redes sociais e que a maioria não compreende. Ele faz um gesto posicionando os
dedos da mão direita na horizontal perpendiculares ao dedo da mão esquerda, o
que lembrou-me um símbolo alquímico da Esfera da Correspondência, como o do
Amálgama, entretanto isso é uma mera suposição minha.
O gesto de
“abraçar a si mesmo” também evoca o sentido de reverenciar Gaia e reverenciar a
si mesmo enquanto um deus.
Ao mover a
folha com sua energia, o Ciberpajé se mostra enquanto um mago. Essa força
mágica tem a cor verde, a cor das florestas, da fecundidade, da força que
edifica e destrói. Cor que remete a cura. Ao não tocar na folha, mas ao fazê-la
mover-se à distância, ele torna real e material o poder da mente e das mãos. É
o poder de fazer tornar realidade aquilo que o mago constrói em sua mente.
Ao ouvir a
voz do Ciberpajé convocando a nos arriscarmos nos caninos do Lobo, a câmera
está mostrando a mata. Nesse sentido, o Lobo selvagem está em todo lugar, o
“Lobo é o Cosmos”. O mantra diz: “dispa-se do seu medo”. E o que é o medo? São
limitações impostas por nossa própria mente, pela sociedade, pela moral vigente
em uma época. O que o clipe intenciona é que cada pessoa dispa-se dessas
amarras sociais/culturais castradoras que nos limitam viver verdadeiramente. A
voz do Lobo é gutural, e nessa hora me pergunto: “Do que EU tenho medo?”
A mídia nos
prega um conceito equivocado de “selvagem”, de que ser selvagem é ser cruel, no
entanto, como o próprio Ciberpajé já disse em entrevistas, ser selvagem é ser
quem se é, é ser animal, ser verdadeiro, e até ser violento, mas jamais cruel.
Ser selvagem é ser guiado pelo coração, jamais ser perverso.
Pergunto-me
“De qual selvageria eu tenho medo? A de me encarar enquanto Ser ao buscar o
autoconhecimento, ou a da selvageria falsa propagada pela mídia?”
Ao refletir
sobre isso, conclui que, mais do que temer a crueldade da qual a mídia
apresenta como selvageria, meu maior temor seria morrer sem ter vivido, morrer
sem ter ficado diante de mim mesma, de conhecer-me. E ser selvagem na
perspectiva da reconexão animal com o Cosmos nos proporciona esse
autoconhecimento, que a maioria foge, mas é deveras essencial e urgente.
A meu ver,
o Posismo readaptado pelo Ciberpajé no contexto da Aurora Pós-Humana utilizado
na performance torna o vídeo marcante nesses instantes seminais. As poses, gestos,
olhares, tons de voz, cada ato – também correlacionados aos ATOS PSICOMÁGICOS
de Alejandro Jodorowsky – me fizeram ter a percepção de que nada no clipe é por
acaso, embora fique no espectador a curiosidade em compreender cada ação e a
intenção que o Ciberpajé tinha com elas. Também pude perceber que o Ciberpajé
tem utilizado elementos do Posismo em outras atuações que precedem este clipe,
como em palestras, performances do Posthuman Tantra, ensaios fotográficos,
entre outros.
O Lobo olha
para o céu, conecta-se às entranhas do Sol, ele mergulha as mãos na terra,
colhe um cogumelo. Para quem acompanha a obra de Edgar Franco sabe que ele já
vivenciou viagens psiconáuticas com cubensis, conhecidas como “plantas de
poder” e o quanto essas experiências o transformaram – inclusive realizei uma
extensa entrevista com ele sobre uma dessas viagens transcendentes que pode ser
lida aqui.
Nesse momento do clipe foi clara a referência entre as experiências que o
Ciberpajé tem estabelecido com as plantas de poder e o ato de comer o cogumelo.
Traz também a mensagem de que existem mundos infinitos, como o das plantas e
fungos, do qual ignoramos, mas que tem muito a nos ensinar. Ele engole o fungo e
cobre o rosto com as mãos. Homem e fungo fundem-se em um só ser.
Ao contrário
do que temos visto ao longo das eras humanas, o ato insistente de subjugar a
natureza ao “poder” do homem, o Ciberpajé se põe de joelhos para estabelecer
contato com o fungo, ele se coloca em posição de aprendiz diante de Gaia, sem
negar que também é parte desse organismo vivo, da Grande Mãe. Ele engole um
segundo cogumelo, se funde a ele e fita os olhos do espectador, criando um laço
de cumplicidade: NÓS também somos parte de Gaia e somos convidados a nos
reconectar à nossa essência animal!
Esse convite
à reconectarmo-nos à selvageria é representado na transição de sua fisionomia
serena para uma pose selvagem com língua pra fora e garras a postos - como em
sua famosa “pose acadêmica” -, e em seguida faz o gesto de tomar para si essa
animalidade.
Ao final,
homem (totem) e Lobo ficam frente a frente, a cor vermelha escarlate marcante,
trazendo a simbologia da vida, do sangue, da carne pulsante, e o verde no
coração, que simboliza o equilíbrio necessário entre selvageria &
serenidade.
Muitos
podem ver esse videoclipe e pensar: “O que esse cara está fazendo?”, no entanto
a pergunta deveria ser: “O que ele quer nos dizer?”. Mais uma vez o Ciberpajé e
o Posthuman Tantra nos brindam com uma obra genial, bela e profunda, que mesmo
tendo uma dose de hermetismo nos permite divagar em numerosas possibilidades de
interpretações e reflexões.
Por essa
produção realizada com baixo custo, mas muita criatividade e qualidade,
PARABENIZO a banda, que em suas performances tem o grupo formado pelo Ciberpajé Edgar
Franco (musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco
(musicista e performer), Luiz Fers (Performer e Figurinista) e Lucas Dal Berto
(VJ)! Uma instigante nova obra do grupo de pesquisa
CRIA_CIBER, da FAV/UFG da qual tenho a honra de ser integrante!