segunda-feira, 2 de maio de 2016

NOISIGIL - Primeiro "Sigilo Sonoro Ocultista" do Posthuman Tantra

Entrevista ao Ciberpajé sobre o lançamento do single "noisigil", conduzida pela IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana Danielle Barros

Arte Daniel Dutra
Abrindo o mês de maio de 2016, o Ciberpajé criou um novo single do Posthuman Tantra com uma proposta de arte magística completamente inovadora! Aproveitei a oportunidade para conhecer um pouco mais dessa obra e revelar a todos que acompanham as suas criações quais foram as inspirações, motivações e o processo ritualístico de execução de “noisigil”. Confira nesta entrevista exclusiva!

Ciberpajé fotografado por Daniel Rizoto
1- Gostaria que você detalhasse o processo criativo do novo single do Posthuman Tantra e por que ele tem esse nome?

Ciberpajé - Esse single é o resultado de uma ação mágicka com o objetivo claro de transformar um aspecto de minha realidade como ser, fazendo emergir uma das forças atávicas e animistas de um de meus totens animais. Eu não o chamaria de música, prefiro chamá-lo de "sigilo sonoro". Na tradição mágicka ocidental, um dos magistas que mais me influenciaram é o artista cósmico inglês Austin Osman Spare, criador de uma das técnicas mais eficazes de sigilos que eu já pratiquei. A ideia do single foi transmutar o conceito sigilístico do visual para o sonoro, para isso, após desenhar o sigilo baseado na minha sentença da vontade eu utilizei um sintetizador analógico Gakken SX-150 Mark II para efetivamente redesenhar o sigilo com sua caneta analógica durante a gravação das partes noises da faixa, em um estado de transe induzido. As outras partes, com as batidas mais tradicionais do Posthuman Tantra foram gravadas enquanto recitava a versão mântrica do sigilo que também aparece em minhas vozes gravadas. O termo NOISIGIL é um neologismo em língua inglesa criado para nomear o sigilo, a mistura da palavra noise (barulho) com a palavra sigil (sigilo), o nome veio da base ruidosa sonora que estrutura parte da faixa.

2- Como esse single se conecta com seu universo ficcional da Aurora Pós- humana?

Ciberpajé - O universo ficcional transmídia da "Aurora Pós-humana" é também o meu sistema mágicko. Eu sou o criador e a persona principal de meu universo, o Ciberpajé, e a realização do sigilo visa acelerar a incorporação de uma característica animista que necessito para transmutar minha realidade. Metaforicamente e no contexto da "Aurora Pós-humana", o sigilo funciona como a mixagem dos genes desse animal em meu DNA, transmutando-me e permitindo-me adquirir um de seus talentos especiais. O sigilo nesse caso é uma operação mágicka de transgenia humanimal, mas com uma tecnologia diferente da científica.
Ciberpajé fotografado por Daniel Rizoto
3 - Como é gravar um single que nunca mais será ouvido por você?

Ciberpajé - Essa é uma questão importante, um sigilo mágicko de qualquer ordem precisa ser "impresso" em nossa mente inconsciente para funcionar, mas após essa impressão ele deve ser esquecido ou não se efetivará completamente. No caso desse conceito de "sigilo sonoro" criado por mim, a fixação aconteceu durante a gravação da faixa em estado de transe e recitando o mantra, e depois ainda em sua mixagem e na audição final dela por 11 vezes. O passo final foi publicá-la no canal do Posthuman Tantra no youtube e jamais voltarei a ouvi-la, pois é parte fundamental do processo sigilístico não escutá-la mais. Isso gera uma circunstância curiosa, que eu nunca tinha experienciado, pois algumas pessoas têm comentado sobre a faixa e certos aspectos sonoros dela, despertando meu desejo de ouvi-la novamente, mas me controlo e jamais farei isso.

4 - Como está sendo a receptividade do público?

Ciberpajé - As pessoas ficam curiosas com o fato de eu ter criado uma faixa que não ouvirei mais e com a estrutura de sigilo sonoro, então a repercussão entre os aficionados de música experimental, ambient e noise tem sido boa, com pessoas comentando sobre a música, sua proposta mágicka e também sobre o belo sigilo da arte de capa criado pelo grande artista e amigo Daniel Dutra. Penso em fazer uma edição limitadíssima do single, com apenas 11 cópias numeradas e assinadas em formato mini CD para alguns fãs colecionadores do material do Posthuman Tantra. 11 cópias assinadas com meu sangue mutante humanimal. Também destaco que minha arte não visa entreter ou agradar ninguém, minha arte é um processo ritualístico de autotransformação, esse é seu objetivo fundamental, então, sinceramente não me preocupo com a sua recepção, se for boa, tudo bem, se não for, mantenho-me centrado e sereno.

5 - Quais simbologias da arte criada por Daniel Dutra e como se conecta com o single?

Ciberpajé - Daniel Dutra tem um talento especial para criar sigilos visuais, sua iconografia básica remete sempre a essa forma de magia. A arte da capa foi criada como um sigilo geral de densificação do ideário do Posthuman Tantra, é um sigilo geral para a banda que tem uma numerologia e iconografia muito especiais. Podemos revelar o que o constitui, mas não o que significa, pois o segredo do significado geral é sua força. Segue um diagrama visual criado por Daniel mostrando os símbolos presentes nele. A conexão da arte com o single é o fato de estarmos diante de dois sigilos, mas de ordem completamente diferente, um deles visual o outro sonoro. Eu também desenho sigilos, mas eles têm uma visualidade muito mais distante da tradição visual dessa arte. No meu caso eles não parecem de imediato que são sigilos, como a capa do número 10 da minha revista "Artlectos e Pós-humanos" (Editora Marca de Fantasia, 2016), já o sigilo da capa do single criado por Daniel e o sigilo base criado por mim para ser transformado em som têm essa característica de estarem diretamente conectados à tradição estética dos sigilos, eis sua conexão.

Mapa de simbologia do sigilo com arte de Daniel Dutra
6 - É sua primeira experiência na criação de um sigilo atávico sonoro? Isso já foi feito antes por alguém ou é uma inovação criada por você?

Ciberpajé - Sim, é a primeira vez que faço deliberadamente uma faixa sonora sigilo, e uma das inspirações para ela foi o fato de eu ter adquirido recentemente o sintetizador Gakken SX-150 Mark II, pois ele tem como interface sonora um instrumento que me remeteu imediatamente - por analogia - à uma caneta, então ao tocá-lo comecei a fazer experimentos literais de escrever frases e fazer desenhos utilizando a caneta sonora, a partir disso e de minha intenção recente de realizar um novo sigilo animista tive a ideia de criar essa técnica particular de "sigilos sonoros" e realizar então o primeiro deles. Agora avaliarei a eficácia da técnica e se funcionar devidamente vou retomá-la em outras faixas. Nunca ouvi falar de alguém ter criado sigilos sonoros com um método semelhante a esse, creio tê-lo inventado.

Ciberpajé fotografado por Daniel Rizoto
7 - Experimentos práticos de arte magísticka sonora como este são comuns? Estou perguntando por que apesar de existirem tantas bandas que se declaram ocultistas, não vejo tantas criações de magia e arte sendo efetivadas na prática. Em sua visão, há muita teoria e pouca prática nesse sentido?

Ciberpajé - Infelizmente toda a cultura ocidental é infestada pela praga da verborragia, as pessoas falam demais, existem eruditos e conhecedores profundos de todos os assuntos, em todas as áreas, mas em sua esmagadora maioria, esses eruditos são intelectualoides frouxos e ineptos que nunca experienciaram nada, são enciclopédias ambulantes de assuntos e temas que nunca vivenciaram e subsistem de espalhar essa verborragia inócua e enfastiante por aí. A universidade é um dos antros principais desses eruditos estéreis, por isso ela tornou-se o lixo que é, não transforma ninguém, não ilumina ninguém. No âmbito do chamado ocultismo acontece a mesma coisa, temos inúmeros eruditos da magia, escrevendo tratados, criando sites, azucrinando-nos em seus blogs e páginas de internet com um pseudo conhecimento mágico que não lhes serve de absolutamente nada, a não ser pelo fato de se sentirem respeitados por alguns idiotas pueris que admiram tal conhecimento. A única magia que me interessa é a prática, aquela que eu posso utilizar e experienciar a transformação de minha realidade. Todo o resto é lixo retórico desnecessário, a vida é breve e não tenho tempo a perder com eruditismos inócuos. Não que eu desconheça a tradição ocultista ocidental, já li demais, mas joguei praticamente tudo no lixo, mantendo só aquilo que me serve, as práticas que incorporo em minha produção artística, pois cada obra minha é uma ação ritualística de transmutação! O ocultismo é fascinante como tema, por isso muitos setores do rock e metal o elegem como conceito, mas 99% desses musicistas não se preocupam realmente com magia, estão só usando-a como um tema que pode atrair a curiosidade para o que fazem. Conheço poucos artistas que realmente utilizam ritualisticamente sua música.


8 - Você esta sempre criando, gostaria de saber quais os novos projetos do Posthuman Tantra, algum lançamento em vista, apresentações para este ano? Quais as novidades?

Ciberpajé -Para mim, vida é criação, minha criatividade é pulsante pois é com ela que transmuto a realidade e crio minha energia vital! Muitas novidades vindo por aí, uma delas um álbum duplo em parceria com uma das maiores lendas da música dark mundial, o Melek-tha, da França; também o terceiro álbum do Posthuman Tantra pela Legatus Records, da Suíça. Quanto às apresentações ao vivo, estou trabalhando na inclusão de novos elementos e atos nas performances da banda, por isso estamos aguardando a conclusão desses detalhes para retornarmos aos palcos no segundo semestre. Já temos marcada uma apresentação no III Fórum da Associação dos Pesquisadores em Arte Sequencial que acontecerá em Goiânia, na Faculdade de Arres Visuais da UFG, em outubro. Seguimos fortes e entusiasmados, afinal, com apenas 12 anos, somos uma banda chegando na puberdade, cheia de hormônios e vontade!

Ouça agora, NOISIGIL:
This new single does not bring a song but an animist sigil. It was created by Austin Osman Spare's sigils technique re-created for the sound context by the Ciberpajé. For the sigil becomes effective the creator never again will listen the track. The cover art, a visual sigil, was created by designer Daniel Dutra. Listen here:



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Retrogênese citada na videoresenha da Rede Vamp: "Vampiros nos Quadrinhos e Arte Sequencial Fantástica", confira!

Captura de tela do vídeo da Rede Vamp
Uma alegria e emoção ver meu álbum em quadrinhos "Retrogênese", parceria com Al Greco, resenhado e comentando tão sensivelmente nesse incrível vídeo da Rede Vamp: "Vampiros nos Quadrinhos e Arte Sequencial Fantástica". O vídeo é muito bem editado, e o casal genial de apresentadores, meus amigos Andreas Axikerzus Sahjaza e Xendra Sahjaza, cria uma atmosfera muito instigante e bem humorada para falar de várias HQs interessantes. Ao final, aos 8:15 min resenham "Retrogênese" e até incluíram imagens de arquivo do lançamento da obra em São Paulo, na Gibiteria, e do momento em que desenhei em seu exemplar. 
Captura de tela do vídeo da Rede Vamp
Captura de tela do vídeo da Rede Vamp
Captura de tela do vídeo da Rede Vamp
Captura de tela do vídeo da Rede Vamp
Captura de tela do vídeo da Rede Vamp
Grato pelo carinho de vocês e pela citação tão incrível! Um abraço cósmico do Ciberpajé! Assistam o vídeo na íntegra e aproveitem depois para navegarem no valioso e amplo conteúdo da Rede Vamp:

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Resenha do álbum " Transhuman Reconnection Ecstasy” do Posthuman Tantra, por Léo da Heresia


Arte Léo da Heresia
léo pimentel :|: pUNk [A]l-sUlUk & [A]m[A]te:|:d[A]:|:herESi[A], outono, cerrado, 2016
introito:
o espírito hiperconectado, em sua “vontade de poder” típica do século xxi, recusa aceitar um mundo caótico, frouxo, elástico e genial. este cujas frações saltam entre si plenas em incerteza e ao acaso. tais saltos lhes é insuportável, incompreensível, ingovernável e imodificável. tal espírito suporta e ama sistemas de regras, catalogações, hierarquizações, afirmativas e otimismos. és viciado em significados, negando, portanto, os efeitos da aleatoriedade na vida. acredita cegamente que a divisão da atenção em atividades simultâneas lhe dará, instantaneamente, um mundo completo e ordenado. és semeador de pareidolias, o que o torna uma vítima fácil de suas próprias expectativas. acredita cegamente que sua vida pessoal se concilia com sua vida profissional. és incapaz de processar as belezas da criatividade que nascem do ócio e da inutilidade. deste modo, o espírito hiperconectado torna-se incapaz de fruir dos despadrões, do extraordinário e do raro.

intermezzo:
há muito tempo:
que abandonei o ilusionismo da multitarefa e abracei com alegria a realização das múltiplas inutilidades;
que sorrio, com o mesmo sorriso que dou às crianças, dos constantes erros da intuição;
que desconfio de minha, já quase esquecida, capacidade de prever acontecimentos, dando mais atenção à minha capacidade de simplesmente reagir e agir a eles.
e assim, em auto abandono, me tornei pUNk [A]l-sUlUk, o de espírito hiper:|:desconectado e liberto de meu próprio arcabouço determinístico automático. e deste modo, onde o acaso é mais fundamental que a causalidade, ouvi o cd “transhuman reconnection ecstasy” da POSTHUMAN TANTRA, de meu grande amigo edgar franco.

inciso:
sim, ouvir um cd me é um acontecimento desconectado. não é trilha sonora para nada que eu esteja fazendo ou pensando. ouço música pela simples e inútil aposta de ver onde ela irá me levar. e chegando lá, a ouço novamente para que eu possa, agora emerso, me perder nela.

stretto:
pois bem, foi também há muito tempo que comecei a ouvir música como se esta fosse algum tipo de paisagem ou fração de uma: geo|musico|grafia. isso porque, certa vez, tomei emprestado uma sabedoria do agora falecido amigo meu, o saudoso pajé santxiê tapuya, do santuário dos pajés, que me disse que na mata, os ouvidos são os nossos olhos. é pelas vias da audição que podemos tanto saber:|:conhecer:|:reconhecer onde estamos geograficamente, paisagem, quanto saber se algum perigo se aproxima de nós, como por exemplo, uma onça faminta em busca de alimento: mapa:|:auditivo:|:em:|:escala:|:real. sabedoria esta, transfigurada, ou melhor, deformada por mim como um apontar ao horizonte: astrolábio:|:sextante:|:quadrante-mural audível. assim, cada música,  torna-se uma paisagem geo|musico|gráfica. e seguindo a caminhada:|:navegação:|:safári auditiva, se a referida música estiver contida em um álbum, este me pode ser-me apontado como uma região inteira. por vezes, um planeta inteiro.

portamenti:
“transhuman reconnection ecstasy” é um planeta fodástico muito massa de se visitar! logo de cara, um cafuzo, ou melhor, como diz silvia rivera cusicanqui, um ch'ixi, ideia aymara de algo que é e não é ao mesmo tempo, pós-humano em pajelança ciber:|:ciborgue nos convida:|:conduz a experimentar justaposições existenciais de opostos e contrastes. ciber & pajé sendo & não sendo, como um/uns terceiro(s) incluído(s) que não busca(m) seu fundamento numa dialética ; muito menos segue(m) uma lógica da negação ou da síntese.  viajante instigador que cria os locais de sua viagem ao se pôr a viajar... pois bem, convite aceito! viajemos! mas... se me permites uma retribuição solidária entre anfitriões... viajemos em meu barco pirata, aquele que outrora prestou um grande serviço ameaçando todo o sistema de exploração colonial: ameaça à manutenção das colônias, ao comércio marítimo, aos navios negreiros e à própria estrutura social vigente da divisão de classes, nacionalidades e raças.

ritornelo:
incríveis, sedutores e experimentais testes de rorschach para os ouvidos; cuidadosa ninfomania vertiginosa apta a desconstruir a calma da libido administrada pelo regramento humano:|:patriarcal:|:mercantil; no entanto, “all those moments will be lost in time, like a tears in the rain”... sim! suas paisagens musicais compõem:|:dispõem:|:propõem uma rede geográfica de topografias que me levaram a este ecossistema composto:|:disposto:|:proposto de crueza experimental, como em begotten, de erotismo natural e inocente como em barbarela e de um lirismo replicante, como em blade runner. mas não reduzido:|:restrito:|:recolocado a:|:por estes três pontos cardinais imaginados:|:imageados pelos ouvidos, e sim criação de maestria muito original de todo “como em”, já que não estamos sós neste pós-planeta contando quantas luas estão nascendo nesta aurora belamente invertida. criação desde a casa de máquinas pós-industrial que, há muito, aboliu a escravidão da humanidade relativamente inteligente que servia às suas máquinas relativamente estúpidas. e neste POSTHUMAN TANTRA as tramas que tecem suas paisagens musicais não são linhas nem pontos, como nos sonhos cartesianos do progresso, pois não são tramas unidimensionais. seus nós se desdobram por dimensões fractais de refinadíssimos fios sonoro-poéticos tecidos por mãos pós-históricas. desdobramentos os quais se pode encontrar neles a possibilidade de uma beatitude  rebelde dentro de um nascente cosmos indulgente. que não se ocupe deste tipo de cosmos se não for pelas vias de um futuro 2.0, ou de utopias de novas e outras imaginações.

desfecho in allegro con brio:|:sombrio:      

álbum filosofia espaço-temporal, álbum levado à meditação filosófica multidimensional por uma reflexão bilíngue e aforismática sobre a natureza de uma pós|natur|mortal|eza. o dionisíaco de seu júbilo e beatitude é dark: dionísio das sombras, enigmático e fugidio, que ama correr junto aos lobos negros radioativos pelas noites, alegremente dizendo sim ao cambiante mundo pós-humano. o apolíneo de seu júbilo e beatitude é trágico: apolo de alegria sombria, séria, mas não sóbria, que ama mergulhar junto aos polvos pelágicos, cujos tentáculos emitem luz negra, pelas profundezas abissais da celebração dos aspectos quiméricos e efêmeros da vida. viva a arte transmídia inventora de cosmos ingovernáveis! vivamos “múltiplos ciclos, num oroboros replicante”! 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

"Alquímica Pajelança De Uma Sensorial Arte: Matéria destaca a arte do Ciberpajé Edgar Franco"

Arte Ciberpajé Edgar Franco

"É Alquimia Pura o que se encontra a cada ilustração e desenho, sempre cativante por seus simbolismos herméticos. A Alquimia não é a lendária transformação de chumbo em ouro ou a obtenção do elixir da juventude e vida eternas; a Verdadeira Alquimia é um Processo Espiritual, uma Transmissão para o mundo objetivo das Transmutações que ocorrem no mundo subjetivo. Na arte de Franco, o que vemos é o resultado do que se opera na subjetividade dele, uma Pajelança que transita entre o Ocultismo, o Misticismo e a libertação mesma desses ismos em direção ao Todo Cósmico. Xamanismo seria mais apropriado para elaborarmos uma concepção mais genuína que vise a interpretar os sentidos que apresentam em cada obra, uma força xamânica invocadora e evocadora do Primordial. Este, que reside em todo ser humano, pode ser facilmente percebido pelos que se conectam ao xamânico transe ciberartistico a configurar a essência única deste trabalho genuinamente autêntico e inimitável." Trecho da matéria escrita para o blog Inominável Ser, por Giovani Coelho de Souza. Leia a matéria na íntegra no link:

terça-feira, 19 de abril de 2016

BioCyberDrama Saga" - Segunda edição ampliada a caminho!

Depois que a primeira edição do álbum "BioCyberDrama Saga" se esgotou, tornando-se um item de colecionador, chega a ser vendida por cerca de R$ 200,00 em alguns sites da Internet, como nesse anúncio da "Estante Virtual". A boa notícia é que a segunda edição revisada, incluindo nova arte de capa de Mozart Couto e epílogo inédito, está em fase final de preparação pela Editora UFG. Aguardem mais novidades.
Captura de tela do site Estante Virtual

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Artista multimídia Léo da Heresia escreve conto poético Cyberpunk com o Ciberpajé como personagem.

O conto, reproduzido aqui na íntegra, incluindo a ilustração também criada por Léo da Heresia, é o ínicio das conexões artísticas entre a obra de Léo e o universo transmídia da "Aurora pós-humana" do Ciberpajé. Confiram!

à cAmiNHo do :(){ cEmiTériO:|:de:|:elePUNKes };:

léo:|:pimentel, [A]m[A]nte:|:d[A]:|:heresi[A]
  01.
abra mão da espiritualidade, nós, seres:|:sem:|:espírito – mAs, pUNk, és cAPaz de aBRir a mÃo?

02.
de artificialidade:|:insurgente, desnatural a natureza, desmistificados os mitos, ele poga elétrico como as poeiras de estrelas que nos compõem, animal:|:vegetal:|:mineral:|:plasma.

03.
vindo de cripto|gigs punk[A]hack3rz da vizinhança, & como um kraken:|:enfeitiçado por mandingas:|:negríndias que passa, intempestivo, inutilizando navios negreiros.

04.
pressente-se que ele se aproxima pelos ruídos:|:em:|:ruínas de seus spikes neutralizadores:|:de armas:|:de:|:eletrochoque espalhados em sua jaqueta, como uma rápida embarcação sEA shEPpeRd prestes a interceptar um navio baleeiro.

05.
não é como aqueles pirata$ do cinema cujas aventura$ provocam catar$e$ confortávei$; tu não vês que ele se parece com pir[A]tas:|:som[A]lis? [A]queles que aterroriz[A]m os navios europeu$ & a$iáticos de pe$ca ilegal & que despejam na áfrica, lixo tóxico & nuclear? 

06.
se assim não fosse, a mercantilização do ser & do estar logo o derrubaria, quando seu levante anarquista:|:de:|:todxs:|:xs:|:santxs se colocasse frente ao coroneli$mo da qualidade de vida.

07.
mas, num instante, se desarma & se prepara para a fest[A], quando se encontra pelo c[A]minho com um compa, festejam, pogam & saltam em mosh.

08.
o compa encontrado, ciBerPajé, ser vivo em máquina & em magia, que quando emerge como um ifrit:|:ciborgue, a tecnomagia do agronegócio:|:bandeirante se sente ameaçado.

09.
fantástico compa de artifícios do c[A]os replicante & do ac[A]so do anarquismo quântico, num final de semana TeCNoXaMâNiCo, arrastados pelo horizonte de eventos de sobreviventes, indigenismos & agentes:|:cata$trofi$ta$.

10.
sábio pós-hum[A]no, transmut[A]do & autointitul[A]nte, em 10 chaves, cujos aforismos evitam a idolatria que parasita & seca a seiva da liberdade material para matérias:|:livres.

11.
qual caminho dentre os caminhos para o :(){ cemitério:|:de:|:elePUNKes };:, repletos de rizomas vivos de fibra ótica, torrents de zines, com que a ancestro:|:rebeldia punk são generosas,

12.
cuja s[A]bedoria libertári[A] faz muito ao sobreviver intensamente, iniciativa open:|:source, política:|:livre, tribalismo:|:insurgente,

13.
será um caminho mais HardCorE ou mais BreakCorE quando os ruídos:|:em:|:ruínas se silenciarem?

14.
em cigania a [A]n[A]rqui[A] afro:|:indígena:|:mente me guiou até aqui; ela também guiou outrxs; não privilegiou ninguém.

15.
pela manhã, aquele al-suluk, aquele punk, passou por uma taverna em um hACkeRSpACe, na companhia da mais engajada, radical & anarc[A]queer cr[A]cker da região pós:|:cis-têmica,

16.
& se sentou entre caçadoras:|:dos:|:últimos:|:patriarcais, que sabem como ele, que cortar picas só causam terror aos corpos:|:repre$$ivos:|:do:|:patriarcado.

17.
com bocas umedecias de vinho barato riam e cantavam: “vOCê já maNDou à meRDa a mORal & os bONs coSTumes hOJe?”.

18.
durante este embri[A]gamento, a sobriedade somente surgia para se pedir mais vinho, embora suas CONSciências já estavam ampliadas desde o primeiro gole.

19.
o autômato:|:vitoriano dos vinhos baratos, de fornalha:|:como:|:peito, fraque:|:metálico:|:fundido, deslizava de um lado para o outro, iNDo com garrafas vazias & voLTaNDo com elas cheias.

20.
ouvia-se velhos mashups industriais em miXes wi-fi, quando vibrava a voz gutural de uma belíssima:|:cantora:|:anã cujas cordais vocais foram habilmente modificadas geneticamente.

21.
quantxs nativxs digitais transferem & compartilham suas LIMBONSciências para nuvens utilizando softwares:|:livres! quantos seres nascidos por impressoras 3D recebendo suas espiritualidades acessando essas nuvens!

22.
de tudo isso faço meu caminho, gozando, rumo ao :(){ cemitério:|:de:|:elePUNKes };: pois vem da experimentação da imensidão do abismo & os panfletos de [A]n[A]rquimo(s) tr[Á]gico(s).

23.
quantas rUAs & bARricADas, com um MoLoToV na mão, máscaras & bandeiras negr[A]s, em cujo v[A]nd[A]lismo & b[A]dern[A], sobre carros de polícia virados de rodas para cima, ecoa a cantiga da genialidade:|:dxs:|:oprimidxs:|:desta:|:terra,

24.
por onde indígenas ousavam rESiSTir & negras & negros tornadxs escravxs ousavam fUGir & se [A]quilomb[A]r,

25.
não transpus com coturno já bem gasto, preparado tanto para a fESTa quanto para a gUERra, para se juntar à c[A]melôs:|:hack3rs de chinelo?

26.
lembras do ciBerPajé, que como um ifrit:|:ciborgue, insurgiu em auto:|:ciber:|:pajelança em destruição ao coroneli$mo:|:e$piritual?

27.
assim falou: “se vOCê deiXa uMa baNDeira pOr oUTra, nADa mUDou. vOCê coNTinUa doGMátiCo em sUa esSÊncia. o doGMa é o vEnEno, se eLe peRDura nENhum avaNÇo rEAl acoNTece”.

28.

& enfim, chegaste, em frente ao :(){ cemitério:|:de:|:elePUNKes };:, ele? não! eu, tornado, pUnk Al-sUlUk.

Léo da Heresia

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Ciberpajé participa como convidado do "Encontro de Tecnoxamanismo de Brasília".

A convite da galeria deCURATORS, de Brasília, e da "Rede Tecnoxamanismo", o Ciberpajé participou do "Encontro de Tecnoxamanismo de Brasília", que aconteceu dias 1, 2 e 3 de abril de 2016. O encontro teve como tema "Sobrevivência: Indigenismo, Catástrofes Ambientais e Industriais", e foi composto por múltiplas atividades. O Ciberpajé Edgar Franco foi convidado a participar de duas oficinas, a primeira de "Interescritura - Transnarrativas Sci-fi", objetivando a criação de narrativas de ficção científica para servirem de base ao ritual tecnoxamânico que fechou o evento, a oficina foi coordenada por Léo Pimentel, Fabiane  Borges e Carol Barreiro. A segunda oficina foi a de "Eletrônica (do it yourself ) e preparação do espaço do ritual (luzes, música, vídeo, objetos)" , teve a  coordenação de Phil Jones, Krishna Passos, Victor Valentim e Gisel Carriconde Azevedo.

Ciberpajé na oficina de "Interescritura - Transnarrativas Sci-fi" (Foto de Fabiane Borges)

Ciberpajé na oficina de "Eletrônica (do it yourself ) e preparação do espaço do ritual (luzes, música, vídeo, objetos)" (Foto de Fabiane Borges)

​Ciberpajé, ao lado do artista multimídia Léo Heresia, na oficina de "Eletrônica (do it yourself ) e preparação do espaço do ritual (luzes, música, vídeo, objetos)" (Foto de Fabiane Borges)

No dia 2 de abril o Ciberpajé participou do programa de rádio, da rádio deCurators, com o tema SOBREVIVÊNCIA, CATÁSTROFES, METAFÍSICA E FICÇÃO. O programa teve a moderação de  Hilan Bensusan (filósofo, performer, escritor, professor de filosofia UNB, pesquisador de assuntos relativos à metafísica, ontologia e animismo) e contou também com a participação de Marcos Woortmann (cientista político, permaculturista, ecologista), Phil Jones (programador, artista digital, software livre), Adirley Queirós (cineasta) e Angel Luis (programador, Baobáxia – Kalunga). Em sua participação o Ciberpajé falou de seu processo de transmutação em Ciberpajé e dos desdobramentos disso em sua vida e arte. O programa aconteceu num ambiente aberto em uma superquadra de Brasília e teve presença de um público atento e interessado.
Ele pode ser ouvido na íntegra nesse link:   https://archive.org/details/radio-tecnoxamanismo-brasilia

Ciberpajé durante o programa de rádio "Sobrevivência, Catástrofes, Metafísica e Ficção", da rádio deCurators. (Foto de Gisel Carriconde)

Público do programa de rádio "Sobrevivência, Catástrofes, Metafísica e Ficção", da rádio deCurators. (Foto de Gisel Carriconde).

​Ciberpajé durante o programa de rádio "Sobrevivência, Catástrofes, Metafísica e Ficção", da rádio deCurators. (Foto de Gisel Carriconde)

Na noite de 3 de abril aconteceu o ritual que foi realizado no espaço da galeria de arte Elefante, em Brasília, e teve a participação de artistas de diversos estados. Durante o intenso ritual, os participantes tiveram liberdade para construirem suas transnarrativas e improvisarem. O Ciberpajé encarnou o papel de um líder espiritual terrorista que se insurgiu contra a tecnociência gerida pelas multinacionais. Em diversos momentos interagiu com o público presente e com os artistas convidados com destaque para o músico e artista transmídia Léo Heresia, e a performer Malu Engel. Para ver mais fotos de todo o encontro confiram o link: https://www.flickr.com/photos/22405820@N08/albums/72157664597878774/page3

O Ciberpajé e a performer Carol Barreiro, durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé interagindo com público, durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé e o artista multimídia Léo Heresia - com seu berimbau eletroacústico, durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé e o artista multimídia Léo Heresia - com seu berimbau eletroacústico, durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé e a performer Malu Engel, durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé e a performer Malu Engel, durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

​O Ciberpajé durante o ritual tecnoxamânico. (Foto de Matthew Webb)

O Ciberpajé agradece a oportunidade e o convite feito por Gisel Carriconde, curadora do espaço deCURATORS, também ao artista Phil Jones e ao filósofo Hilan Bensusan, que me receberam em sua casa de forma afetuosa, estendo o agradecimento à Fabiane Borges, coordenadora da Rede Tecnoxamanismo, também ao artista multimídia Léo Heresia e aos demais artistas presentes no ritual. Grande abraço e até o próximo encontro!