Fico grato de ter sido citado pelo Ciberpajé Edgar Franco como um artista genuíno que cria com o coração. Foi na entrevista concedida por ele para o fanzine Múltiplo # 3 (Janeiro de 2017 - Baixe-o Aqui!) em que ele cita diversos nomes de artistas, e é uma honra figurar em uma galeria de criadores tão especiais. Acho que, de todas as entrevistas dele que já li, foi a mais completa, e o fanzine Múltiplo abriu oportunidade para que falasse com profundidade de inúmeras facetas do seu projeto de vida e arte. Parabenizo à equipe da revista pelo espaço e ao Ciberpajé pela excelente fala.
Ciberpajé fotografado por Daniel Rizoto.
Aproveito a ocasião para falar do próprio Ciberpajé, um artista transmidiático dos mais interessantes e originais na cena de quadrinhos (e não apenas nela) contemporânea. Difícil é resumir toda a gama de projetos e conceitos com que ele trabalha, e nesse sentido, a entrevista compartilhada é talvez o melhor resumo para entendermos a pluralidade do seu universo artístico (que Edgar chama de Aurora Pós-Humana).
O Ciberpajé é certamente um exemplo do que o pensador Roberto Corrêa dos Santos mencionou em uma palestra (assista aqui) como sendo “uma vida de artista”. Trata-se da noção de um artista que vive integralmente cada instante de sua vida com estrita fidelidade a um projeto estético no qual acredita. Nesse paradigma, a arte torna-se mais que uma obra paralela à vida; em vez disso, a própria vida torna-se também obra de arte (realizando assim o opus alquímico tão procurado pelos antigos magos, onde o chumbo e o ouro são ao mesmo tempo metal e estado de consciência). Edgar é professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, e professor permanente na Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da mesma instituição. É pós-doutor em Artes pela UNB.
Rafael Senra é artista multimídia e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
Ciberpajé com a versão impressa do fanzine Múltiplo # 3.
Acaba de ser lançada a terceira edição da nova fase do lendário fanzine Múltiplo. A publicação, editada por André Carim, foi notória no fandom brasileiro na década de 90 e retornou com força em novembro do ano passado com a proposta de manter a periodicidade mensal. O Ciberpajé criou as artes de capa e contra capa do número 2 lançado em dezembro e participou também com HQs dos dois primeiros números dessa nova fase; e agora na terceira edição, de janeiro de 2017, ele foi o artista entrevistado.
Capa de Múltiplo # 3, arte de Nei Lima.
Na longa entrevista, que ocupou mais de 30 páginas do zine, Edgar Franco revelou detalhes dos processos criativos e do ideário que envolve suas HQs, videoclipes HQforismos, músicas, performances de sua banda Posthuman Tantra, seus trabalhos com magia e sua transmutação em Ciberpajé. Também falou do lançamento da segunda edição de BioCyberDrama Saga, seu luxuoso álbum de quadrinhos em capa dura criado em parceria com Mozart Couto e lançado pela Editora UFG. A entrevista foi conduzida por André Carim e apresenta ainda muitas outras nuances da vida e da obra do Ciberpajé Edgar Franco. O fanzine Múltiplo # 3 tem 72 páginas e pode ser baixado gratuitamente nesse link, ou ainda pode ser adquirido em sua versão impressaaqui.
Duas páginas da longa entrevista com o Ciberpajé em Múltiplo # 3.
Além da longa entrevista o fanzine inclui a HQ "BioSimCa", do Ciberpajé, e participações de nomes importantes da cena alternativa como Nei Lima, Carlos Henry, Omar Viñole, Thina Curtis, Lafaiete Nascimento, Ed Oliver, Clodoaldo Cruz, entre outros.
Versão impressa de Múltiplo # 2, com arte de capa e contra capa criadas pelo ciberpajé, essa edição pode ser também baixada aqui.
O Ciberpajé Edgar Franco criou sua versão para "Zora - A Mulher Lobo". Uma singela homenagem ao grande mestre dos quadrinhos Rodolfo Zalla. Ele foi convidado pelo curador Bira Dantas para integrar uma exposição para homenagear Zalla, que acontecerá em Campinas (SP). Edgar Franco ressalta que se Zalla e a editora D-Arte não tivessem existido ele não seria quadrinista. A exposição é uma iniciativa da AQC SP.
Ciberpajé em entrevista para o programa "A Casa do Cinema"
Acaba de ser postada a versão completa da entrevista publicada semana passada com uma edição mais curta focando apenas os conceitos de Transmídia e HQtrônica. Nessa versão completa da entrevista, conduzida pela cineasta e professora Dra. Rosa Berardo, para o canal "A Casa do Cinema", o Ciberpajé Edgar Franco trata dos conceitos de transmídia, pós-humano, HQtrônicas, fala das suas criações em múltiplos suportes e mídias para o seu universo ficcional da "Aurora Pós-humana", e também da importância de optarmos pelo caminho do coração rumo à nossa integralidade como seres, a arte como uma forma de autocura e auto-revolução.
A cineasta Rosa Berardo e o Ciberpajé em entrevista para o programa "A Casa do Cinema".
A versão completa tem pouco mais de 18 minutos. Confiram no Facebook, no Youtube, ou postada abaixo:
Zygmunt Bauman tornou-se encantado. Considerava-os um dos últimos homens sábios vivos da academia. Logo que soube de sua morte procurei uma foto e a partir dela em 15 minutos realizei esse desenho como minha singela homenagem.
O músico (Essence, Merlin Box) e ativista cultural mineiro Denio Alves, acaba de postar em seu blog uma impactante resenha do EP "Ciberpajé - Cura Cósmica" e do videoclipe "Aforismo I" para o mesmo EP. A resenha crítica cria uma contextualização pungente sobre a situação de nosso país para então tratar das obras. Lei-a na íntegra no blog "De Pouco um Tudo...", ou logo abaixo nessa postagem.
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2017 já começa punk.
A primeira semana do ano é tomada de assalto por notícias estapafúrdias sobre chacinas em presídios, deputado mala querendo empurrar lei anti-masturbação no povo, e outros absurdos que só mesmo a imprensa pra aprontar assim com a nossa cabeça, arrancando o resto de dignidade que poderíamos ter pra começar o ano mais de boa.
Já não bastasse a habitual chusma de impostos e o sentimento de leseira pós-reveillon e pré-Carnaval, eles tem sempre que detonar a gente.
Eles? Eles quem?
O sistema, ora essa! Esse pessoal que vive de explorar a desgraça alheia pra fazer você crer que vive num inferno chamado Terra, sendo que basta mirarmos a natureza, olharmos credulamente para nós mesmos, e acreditarmos que SIM, existe a salvação!
A cura está em nossa própria mente. Basta buscar.
Basta parar de acreditar n'ELES, e crer mais em NÓS.
Não é novidade nenhuma que uma hora iria rolar derramamento de sangue em presídio do Amazonas ou de Rondônia por conta da incompetência política rotineira. Demorou foi demais pra acontecer! E vai acontecer mais, porque o sistema prisional brasileiro já é todo comandado pela marginália da vida.
Já era. Passa a régua. Reformula tudo.
Mudem as leis, assinem uns tratados pra fora do país, e mandem essa galera forte do crime cumprir pena por lá, porque por aqui a coisa anda meio difícil. Estão dando conta não.
Agora, ver um carinha como o tal de Marcelo Aguiar querendo proibir a bronha do povão já pra lá de sofrido, é uma das maiores afrontas à individualidade e liberdade sexual do cidadão que já se viu.
Vai caçar um projeto de gente pra defender a coletividade, deputado! Mas uma coisa boa, produtiva e de verdade mesmo! Algo pra melhorar o sistema de saúde, as creches e escolas, ou a assistência social, sei lá...
Além de tudo, sinceramente, é um abuso um cara desses vir com essa falsa moralidade, atazanar a vida de pessoas que procuram uma variedade ou escape erótico da pressão diária (por não ganharem bem que nem safados como ele), justamente quando ele veio do meio artístico (o Sr. Marcelo Aguiar era cantor sertanejo de modinha mela-cueca, sabia? Googla ae!) - ou seja, esse cara veio de um ambiente que ESTIMULA e PRODUZ sentimentos de erotismo com suas letras e melodias, exatamente o que ele agora vem querer combater!
Quer coibir assédios, violência sexual? É por outro caminho, deputado... ficar brincando de barrar sites em smartphone e tablet não vai resolver a coisa assim não.
Repressão pela repressão não leva a nada. Aliás, leva: a gente querendo burlar os bloqueios da repressão.
Por que não investir em instrução... educação? O nobre deputado já ouviu falar nisso?
Chegamos, afinal, ao seguinte veredito: mediante toda essa realidade canhestra do início de 2017, ver e ouvir um cara como o querido amigo EDGAR FRANCO, o colossal e tonitruante Ciberpajé, é uma lufada de ar fresco nas pretensões megalomaníacas dessa galera toda de políticos e artistas podres que povoam a mídia brazuca careta!
Que soem as trombetas para que todos saibam que Edgar lançou agorinha, no despertar desse ano, o EP "Cura Cósmica", e já vem arregaçando total com um videoclipe que está estremecendo estalactites conservadoras no YouTube: "Aforismo 1" é a visceral viagem do mago ciberexistencial pela selva tijucana, de sua idílica cidade natal (Ituiutaba-MG), em busca da mega-esquizóide conexão espiritual e telúrica com o seu pai, Dimas Franco (participação comovente e super especial no clipe e no aforismo recitado da faixa).
Imagens oníricas de devaneio e desolação hipnótica nos conduzem ao trajeto sensorial de uma alma selvagem e errante rumo às suas próprias raízes - o pajé ritualiza a sua profissão de fé de 'ser das sombras' buscando atingir a conjunção bio-sideral com o seu progenitor.
E, em certo momento, nos parece que realmente são duas criaturas transmorfas, que se fundirão numa só!
Em momento de severa conjuração das forças milenares...
Como ele mesmo disse, em release enviado para mim: "explora a chamada 'Reconexão Cósmica', a redescoberta de nossa essência primal animal e da necessidade de nos sentirmos como parte integrante do complexo sistema sinergético e simbiótico Gaia."
A camada sonora dos sintetizadores do Ciberpajé, em uma performance etérea, minimalisticamente atordoante e sombria, dá o tom dessa jornada aos confins da subconsciência cósmica, onde o homem-animal caótico se descobre genética regurgitada na própria reconstrução do ser, reintegrando-se à matéria original.
O Ciberpajé e seu pai, Dimas, em instante mágico do clipe
Mais um grande salto desse lobo pós-apocalíptico nas profundezas da vanguarda dita esperta, que se espreme em showzinhos e vernissages por aí, mas vive arrotando dinheiro ao dizer nada com nada.
Edgar Franco é imagem, som e fúria ciberorgânica e cerebral, projetada com louvor para esse e os próximos milênios, de modo a cabeçorra artística nenhuma botar defeito! Muito mais sobre a arte e filosofia de vida desse monstro da cultura contemporânea em:ciberpaje.blogspot.com/
Dá um confere ae. (Por Denio Alves para o blog "De Tudo um Pouco...").
Videoclipe "Aforismo I", EP Ciberpajé - Cura Cósmica":
Ciberpajé fotografado por Diogo Vilela durante as filmagens do videoclipe "Aforismo I".
A IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, artista multimídia, doutoranda da Fiocruz-RJ e pesquisadora da obra do Ciberpajé, Danielle Barros, escreveu uma sensível e detalhada resenha do EP "Ciberpajé - Cura Cósmica" e do videoclipe "Aforismo I" criado para a primeira faixa do mesmo EP. A resenha destacou com maestria os aspectos simbólicos existentes no EP e no videoclipe, demostrando o mergulho profundo da resenhista nas obras em questão. Leia na íntegra a incrível resenha no blog "A Arte da IV Sacerdotisa", e veja abaixo alguns trechos dela:
O Aforismo I aborda sobre o caráter mutante e fluido do ciclo da vida, de estarmos plenos e integrados ao todo. O som nos faz flutuar, é como um entoar xamânico que nos enleva e nos conecta ao nosso Eu Superior. A voz do Granciberpajé lembrou-me os pajés, uma voz de sabedoria, que nos conduz à comunicação entre o cosmos interior e outros mundos. As criações do Ciberpajé sempre trazem uma ligação entre a natureza e a tecnologia, que também é parte dela, os sons de flauta xamânicos se misturam aos sons dos bytes cibernéticos, para lembrar-nos que não existe passado e futuro, que tudo se mistura e acontece no agora, em coexistência. A batida do coração a meu ver, representa o foco no agora, o pulsar que nos faz sentir vivos, mas somente é vivo aquele que está presente no momento que eclode, no instante mágico do agora. Senti muita paz ao ouvir essa música, e a única coisa que não gostei, foi quando percebi que ela havia terminado (a faixa). [...] Aqui abro parênteses para comentar o clipe: Foi gravado em uma cachoeira mágica de Ituiutaba (MG) e contou com a co criação, do Ciberpajé, com Anésio, Daniel, Diogo e Sr. Dimas, como já mencionei. Assisti ao clipe sem expectativas, como sempre tento fazer quando me deparo com algum lançamento do Ciberpajé, e foi incrível, pois me encantei com a luz, as cores, a ambientação e o som da cachoeira.
[...]Depois comecei a reparar nos simbolismos, o Ciberpajé sempre faz da sua arte um processo ritualístico de cura e com intencionalidades mágikcas, utiliza objetos como talismãs, amuletos, anéis que contem símbolos de totens, também utiliza estratégias como a do posismo dos princípios da magia ocultista de Paschal Beverly Randolph (como no clipe"The Reconnection: Werewolves Touching the Cosmos", leia a resenha), neste trecho, a simbologia das facas cruzadas me remeteu a um momento de abertura de portal, ou iniciação de ritual[...]
[...]Vejo esse clipe como uma criação de arte, é genuíno, ritualístico, traz temas essenciais que, infelizmente, são pouco abordados. Não se trata de uma criação que visa atender uma demanda de público, não tem preocupação com audiência, nicho, nem expectativas. Ver as obras do Ciberpajé me faz lembrar muito do artista chileno Alejandro Jodorowsky (com seus filmes, teatro e atos psicomágicos) também aborda sobre as questões humanas mais profundas, e principalmente atua na perspectiva de “arte como cura”. Este clipe é, em suma, um ritual sigilo de arte-magia sobre o amor incondicional e reconexão cósmica que a tudo cura e conecta. (IV Sacerdotisa Danielle Barros)