A edição de número 43 do lendário e premiado fanzine TCHÊ! - uma das publicações alternativas de quadrinhos mais longevas do Brasil, com mais de 30 anos de existência - estampa na capa uma arte colorida criada pelo Ciberpajé (Edgar Franco). Esse número também abre com uma longa entrevista com Franco, ocupando 10 páginas nas quais ele trata de sua relação criativa de mais de 30 anos com os quadrinhos e fanzines, do gênero poético-filosófico das HQs e de muitas de suas obras mais significativas.
Após a entrevista a edição traz a HQ de 5 páginas "Em Louvor aos Pré-humanos", com arte e roteiro do Ciberpajé. O volume de 40 páginas traz ainda HQs de Denilson Reis, Adão de Lima, Jorge Luiz, entre outros, colunas e a tradicional sessão de cartas. Para adquirir essa e as demais edições do TCHÊ!, publicado na cidade de Alvorado (RS), entrem em contato com o editor Denilson reis pelo e-mail: tchedenilson@gmail.com
Capa do TCHÊ! #43, arte do Ciberpajé
Página de abertura da entrevista com o Ciberpajé (Edgar Franco) no TCHÊ! #43
Páginas da entrevista com o Ciberpajé (Edgar Franco) no TCHÊ! #43
Página final da entrevista com o Ciberpajé (Edgar Franco) no TCHÊ! #43 e primeira página da HQ "Em Louvor aos Pré-humanos"
Ciberpajé (Edgar Franco) com exemplares do TCHÊ! #43
O "Festival de Artes Ciberpajelanças II" aconteceu em Goiânia nos dias 23 e 24 de novembro de 2019 - com entrada franca, nas dependências do Espaço Ruptura Cultural. O evento totalmente gratuito foi uma atividade de extensão com produção do Grupo de Pesquisa Cria_Ciber (FAV/UFG) - coordenado pelo Prof. Dr. Edgar Franco (FAV/UFG), e do Espaço Ruptura Cultural - Coordenado pela Profa. Dra. Adriana Mendonça (FAV/UFG) e pelo Prof. Dr. Cleito Pereira dos Santos (FCS/UFG). O festival contou com exposição de arte dos integrantes do grupo Cria_Ciber, oficinas de vídeo/curtaforismo, fanzines, e quadrinhos; mostra de vídeos, mostra nacional de fanzines - incluindo lançamentos - e performance do grupo Posthuman Tantra e convidados. O Espaço Ruptura Cultural fica na Avenida Anhanguera, n.128, Setor Leste Universitário - Em Frente ao Sindicato dos empregados do Comércio, Goiânia - GO.
No dia 24 de novembro de 2019, às 20:00hs o Posthuman Tantra apresentou sua performance completa "Quilombot Mantra" composta de 9 atos, incluindo os 2 novos atos "Quilombot" e "Lupus Noctis" que integram a pesquisa de pós-doutorado em artes na Unesp de Edgar Franco, que investiga as conexões entre processos criativos de performance e quadrinhos. A pesquisa intitula-se "POSTHUMAN
TANTRA & ARTLECTOS E PÓS-HUMANOS: PROCESSOS CRIATIVOS TRANSMÍDIA
EM PERFORMANCE E QUADRINHOS" e foi supervisionada pela Profa. dra. Rosangela Leotte (IA/UNESP).
A performance, composta de 9 atos, contou com os integrantes do grupo Posthuman Tantra: Ciberpajé (direção, criação, musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco (Musicista e Performer), Luiz Fers (performer e figurinista), Amante da Heresia (musicista e performer), Lucas Matheus Dal Berto (VJ) e com a convidada especial Flávia Provesi (Performer). Confira fotos e vídeos da performance com destaque para os novos atos "Quilombot Mantra" e "Lupus Noctis". Fotos por Dustan Oeven, vídeos de José Loures.
- Novo Ato "Quilombot Mantra":
O Ciberpajé entra em cena com um figurino exclusivo - derivado do figurino do personagem da HQ "O Sonho dos Deuses", criada como parte de sua pesquisa de pós-doutorado no Instituto de Artes da Unesp, o figurino representa a busca transcendente psicodélica de um monge transumano. A performer I Sacerdotisa traz em sua mão uma taça em formato de cabeça de lobisomem e dentro dela estão dois cogumelos Psilocybe cubensis, os cogumelos são tirados da taça e passados pelo corpo, logo depois são atados às costeletas do Ciberpajé, simbolizando a sua expansão transcendente enteogênica, com eles presos às costeletas o Ciberpajé simula brevemente uma pajelança ao som da música eletrônica percusiva criada originalmente para a performance. Ao fundo uma animação com artes criadas pelo Ciberpajé é projetada apresentando desenhos também de inspiração enteogênica, ela é a única fonte luminosa durante o ato. A I Sacerdotisa apresenta um crânio animal ao Ciberpajé - esse crânio tem vários circuitos integrados agregados a ele (obra de Ilda Santa Fé) representando as tensões entre avanço tecnológico e aceleração da destruição da biosfera. Dentro do crânio está um telefone celular, o Ciberpajé pega-o e o celular começa a gritar " - Não, por favor!", a I Sacerdotisa coloca um microfone próximo ao celular para ampliar seus gritos que vão tornando-se mais e mais desesperadores. O Ciberpajé apresenta o celular ao público enquanto ele grita, então o performer Luiza Fers se aproxima com uma máscara de gás no rosto e trazendo uma cruz de madeira. O Ciberpajé coloca o telefone celular no centro da cruz de madeira, seus gritos são agonizantes. A música cessa e agora só se ouvem os gritos do celular implorando, no momento final o Ciberpajé retira de seu manto um martelo e alveja o celular e a cruz destruindo-os.
O ato "Quilombot Mantra" trata das buscas transcendentes através da reconexão com a natureza proporcionada pelos enteógenos, e a libertação da robotização contemporânea que faz os seres humanos viciados em redes sociais agirem de forma binária e maniquesta como as máquinas, tornando-se robôs de carne. A performance crucifica um aparelho celular que grita em desespero para não morrer e é destruido por um martelo ao final pelo monge psicodélico enteogênico trasumano encenado pelo Ciberpajé, refletindo também sobre as tensões contemporâneas entre tecnologia acelerada, hiperconsumo, hiperinformação e a sexta extinção massiva de espécies no planeta.
Vídeo do Ato "Quilombot Mantra"
- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco)
- Performers: Ciberpajé (Edgar Franco), I Sacerdotisa, Luiz Fers,
Amante da Heresia e Lucas dal Berto.
- Vídeo: José Loures
Espaço Cultural Ruptura
Goiânia - 2019
Fotos do Ato "Quilombot Mantra":
- Novo Ato "Lupus Noctis" (Segunda versão do ato com novos elementos):
Esse ato performático trata da degradação do bioma Cerrado e da sexta extinção massiva de espécies. O Ciberpajé encarna um totem animal fantasmagórico que dialoga poeticamente com outros performers, imagens - vídeo animado com artes suas - e sons criados para a apresentação, incluindo um teremim acionado por luz em sua indumentária.
O ato performático "Lupus Noctis" nasceu como um desdobramento transmidiático do álbum em quadrinhos Ecos Humanos. A ideia inicial era criar um ato que tratrasse essencialmente da poética dos quadrinhos, mas com alguns novos elementos conceituais e estéticos. A poética da degradação do bioma Cerrado e da busca de uma reconexão com a natureza através dos enteógenos permaneceu como base, assim como a hibridação tecnogenética humanimal, mas aspectos novos foram imaginados para a performance. A inclusão do som ambiente como signo de desespero/angústia, a incorporação da interação do performer com as artes que representam de forma alegorica o Cerrado e a trasmutação do totem humanimal. Também, em certa medida, a eliminação dos aspectos crueis do humano, transformando assim o ato performártico em um sigilo mágico ritual que promova a reconexão essencial do performer aos seus aspectos animais gerando algum eco na platéia.
"Lupus Noctis" foi nomeada assim devido à presença subliminar do totem Lobo, que é incorporado nas performances pelo Ciberpajé e nesse caso temos a imagem da cabeça do lobo-guará – ícone do Cerrado – sendo uma das artes animadas que abrem a performance, passando por transmutações que lembram efeitos óticos da experiência visual de ENOC com o Psilocybe cubensis. Outro detalhe fundamental da conexão direta entre o álbum Ecos Humanos e Lupus Noctis é o fato das 4 artes animadas iniciais apresentadas na tela – com a qual o Ciberpajé transmutado interaje – serem os desenhos criados pelo Ciberpajé para a abertura dos capítulos da HQ.
Nessa segunda versão do ato - anteriormente apresentado em sua primeira versão na abertura da Exposição "Zonas de Compensação 6.0", no Instituto de Artes da Unesp/SP - a performance envolve a participação de mais dois performers que abrem a encenação, sendo eles Amante da Heresia, que incorpora uma versão cyberpunk da morte e representa a sexta extinção massiva de espécies causada pelo ser humano e seu hiperconsumo, e Flávia Provesi, que juntamente da I Sacerdotisa promovem um culto à Morte Cyberpunk.
No início do ato a Morte Cyberpunk entra no espaço com o som ambiente de uma mata do Cerrado ao fundo e logo as performers I Sacerdotisa e Flávia Provesi, carregando um crânio animal com placas de circuito de computador mixadas a ele, se prostram diante da Morte elevando o crânio e as mãos, em um ato de culto à devastação. Então o Ciberpajé surge em cena. Sua figura é sinistra, ele usa um colete que parece animalesco e em sua cabeça está uma máscara do crânio de um pássaro – representando o totem híbrido fantasmagórico, unindo homem e animal, mas questionando o papel devastador do nosso lado humano para com o lado animal, por isso o animal é representado por um crânio morto.
Ao entrar em cena ele toca um trilha percussiva em um sintetizador, logo vai lentamente em direção à Morte que usa sua foice com uma luz no topo (lanterna) para interagir à distância com o Ciberpajé produzindo sons agudos no mini teremin acoplado em seu peito. Com a entrada do Ciberpajé em cena, inicia-se ao fundo a projeção da animação da face de múltiplos seres do cerrado e segue com a face animada do lobo-guará projetada. Na sequencia o Ciberpajé transmutado em Totem Pós-humano avança sobre a Morte Cyberpunk e ataca sua foice tomando-lhe o feixe de luz.
A Morte prostra-se diante do Ciberpajé e passa a reverenciá-lo e ele inicia o processo de utilizar a luz para interagir com o mini-teremin em seu peito produzindo gestos rápidos e sons agudos e penetrantes. Logo depois ele aponta a lanterna para todo o público presente gerando incômodo ao focá-la por instantes em cada um dos rostos dos presentes - simboilizando a culpa de todos no caos socioambiental em que estamos. As únicas luzes ambiente são a da lanterna e a da projeção, então ele segue para diante da projeção e inicia a interação com ela.
Enquanto as primeiras artes animadas representando a natureza do Cerrado vão se sucedendo, o Ciberpajé usa o feixe luminoso para tocar o teremim, inicialmente de forma mais sutil e leve, como se fizesse carícias. Na sequência as imagens da animação vão mudando e apresentam artes grotescas, representando o aspecto sombrio da devastação perpetrada pela espécie humana. A partir daí o performer segue realizando movimentos que rememoram um ato de autoflagelação, como punhaladas, ou espadadas em seu coração. Ao final, diante de uma arte que rememora criaturas de pesadelos lovecraftinianos, o Ciberpajé termina o autoflagelo, sendo ainda mais agressivo com o feixe de luz como um punhal visceral, gerando ruídos agudos que incomodam pela intensidade, até cair morto no chão. A morte final simboliza o suicídio que nós, espécie humana, estamos cometendo ao destruirmos a biosfera.
Vídeo de trechos do Ato "Lupus Noctis"
- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco)
- Performers: Ciberpajé, I Sacerdotisa, Luiz Fers,
Amante da Heresia, Flávia Provesi e Lucas dal Berto.
- Vídeo: José Loures
Espaço Cultural Ruptura
Goiânia - 2019
Fotos do Ato Lupus Noctis:
- Ato "Iniciação Sexual com um Robô Multifuncional":
- Ato "Ciberpajelança":
- Ato "Tênue Esfera Azul":
- Ato "Penetrando a Bioporta Virgem":
- Ato "O Selvagem":
- Ato "A Transmutação do Lobisomem Pós-humano":
- Ato "Tema o Homem, Ame o Lobo":
- Agradecimentos do Ciberpajé ao final da performance: