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sábado, 20 de abril de 2019

Curta animado "Por um Som Orgânico", com roteiro do Ciberpajé e direção de Fábio Purper é finalista do Prêmio Le Blanc da UFRJ


O curta "Por um Som Orgânico" entrou na lista de 5 finalistas da categoria "curta animado nacional" do II Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial, Animação e Literatura Fantástica. O prêmio é promovido pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) e pela Universidade Veiga de Almeida (UVA). A entrega dos troféus aos vencedores será no dia 09/05 de 2019, às 18h, na Escola de Comunicação da UFRJ (Av. Pasteur, 250 - Urca) durante a Semana Internacional de Quadrinhos (SIQ). Veja a lista completa dos indicados nesse link.

IImagem de divulgação do II Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial, Animação e Literatura Fantástica

"Por um Som Orgânico" é uma videoHQescultura. Trata-se de uma narrativa visual híbrida que mixa elementos do vídeo, da HQ e da escultura, fazendo ecos com uma HQtrônica e/ou animação. O filme, um curta metragem de 3'48" tem roteiro do Ciberpajé (Edgar Franco) e direção geral e de arte de Fábio Purper Machado, que também é o criador das intensas criaturas escultóricas que atuam no curta. 

Na história um músico pós-humano busca sua encomenda, um instrumento musical vivo. Inicialmente concebida por Edgar Franco como um roteiro de história em quadrinhos, a narrativa se passa em seu universo ficcional distópico chamado "Aurora Pós-Humana", e remete à temática da criação artificial de seres vivos para serem explorados e aos problemas éticos que envolvem o tema.


O curta foi uma das produções artísticas produto da tese de doutorado VideoHQescultura: Uma Poética Narrativa, defendida por Fábio Purper Machado no Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual da Faculdade de Artes Visuais da UFG, em Goiânia, sob orientação da Profa. Dra. Rosa Berardo. O Ciberpajé também é professor do PPG Arte e Cultura Visual da UFG.

Em 2018 o curta foi selecionado para as mostras competitivas do II Festival Internacional de Filmes de Horror Morce-GO Vermelho (GO), do 2° Lanterna Mágica - Festival Internacional de Animação (GO) e da 16a. MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação (MG). 



Leia detalhada resenha de "Por um Som Orgânico" escrita pela cineasta Amanda Ramos para o site Pipoca com Pequi.

O Ciberpajé com os bonecos-esculturas que protagonizam o curta "Por um Som Orgânico"

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Ciberpajé é convidado da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre


Criada por iniciativa dos livreiros e editores gaúchos com apoio do jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias, a Feira do Livro de Porto Alegre foi inaugurada em 1955. O evento é considerado referência no país por seu caráter democrático e pela consistência do trabalho que desenvolve na área da formação de leitores e de mediadores da leitura, além de programação cultural 100% gratuita. Realizada desde sua primeira edição na Praça da Alfândega, Centro Histórico da capital gaúcha, a Feira é dividida em Área Geral, Área Internacional e Área Infantil e Juvenil. Centenas de escritores, ilustradores, contadores de histórias e outros profissionais participam do evento, que conta com sessões de autógrafos, mesas-redondas, oficinas, palestras e programações artísticas, entre outras atividades. 



O evento Mutação na Feira – HQs, Zines e Cultura Pop, que tem reunido uma legião de quadrinistas, especialistas, colecionadores e leitores de HQ na programação da Feira do Livro de Porto Alegre, chega a sua 13ª edição. Este ano, ocorrerá no dia 11 de novembro, das 13h30min às 20h30min, no Espaço do Conhecimento Petrobras. O palestrante convidado é o artista transmídia Edgar Franco, o Ciberpajé, que abordará o tema HQtrônicas e quadrinhos hipermidiáticos às 14h.


Após a palestra, o Ciberpajé estará em uma mesa de lançamentos com alguns de seus novos álbuns em quadrinhos: Ecos Humanos (Editora Reverso), Cartografias do Inconsciente (Editora Reverso), Agartha (Editora Marca de Fantasia),  Sketch Book Edgar Franco (Editora Criativo), BioCyberDrama Saga (Editora UFG), Artlectos & Pós-humanos #12 (Editora Marca de Fantasia), Equilíbrio Dinâmico Zine # 5 (Editora Reverso) 


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

[Palestra] Ciberpajé realiza videoconferência de fechamento do I ASPAS NORTE, Macapá

Prof. Dr. Gian Dantos, um dos organizadores do I ASPAS NORTE coordena o debate após a palestra do Ciberpajé (foto de Marta Bezerra)
A ASPAS - Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) com sede na cidade de Leopoldina, Minas Gerais, é uma associação de pesquisadores que ensejam a pesquisa e o desenvolvimento científico e pedagógico acerca da arte sequencial, com ênfase nas histórias em quadrinhos. Por estar localizada no Estado de Minas Gerais, a sede torna-se um ponto de encontro estratégico para a reunião de pesquisadores e pesquisadoras de todo o país.
Surgida em 2012, a Aspas tem reunido pesquisadores do Brasil inteiro em eventos em sua sede e em outros estados, dando enorme contribuição para o desenvolvimento das pesquisas sobre quadrinhos em nosso país. O Ciberpajé (Edgar Franco) foi inclusive um dos associados fundadores
Aspas Norte surge com o objetivo de congregar pesquisadores da Nona Arte da região amazônica, abrindo mais um espaço de divulgação de pesquisas e compartilhamento de experiências e publicações.
Sediado na Universidade Federal do Amapá, em Macapá, o evento I ASPAS NORTE  incluiu palestras, oficinas, lançamentos de publicações e também a apresentação de trabalhos de pesquisa sobre quadrinhos. Com isso, pretende-se estimular ainda mais a produção acadêmica sobre o assunto em nossa região, sendo o primeiro evento acadêmico dedicado à pesquisa dos quadrinhos no Amapá.
O Ciberpajé foi convidado para ministrar a videoconferência de fechamento do I ASPAS NORTE, na tarde do dia 26 de outubro, sua palestra teve como tema: "Criando Quadrinhos Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza". O Ciberpajé explanou durante uma hora e meia sobre suas pesquisas envolvendo processos criativos de quadrinhos, indo das HQtrônicas até experiências de ENOC - estados não ordinários de consciência, utilizadas como inspiração para a criação de quadrinhos, apresentando inúmeros exemplos de suas criações. Ao final ainda respondeu às perguntas do público atento presente ao evento.

Público no I Aspas Norte
O Ciberpajé agradece aos organizadores professores doutores Gian Danton e Rafael Senra pelo convite. Saiba mais sobre o I ASPAS NORTE clicando na imagem abaixo:

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

[Exposição] "OVO: Uma HQtrônica Anacrônica" - Obra do Ciberpajé integra exposição EmMeio#10, no Museu da República, em Brasília


Ciberpajé em pose acadêmica ao lado da obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília

A exposição coletiva EmMeio#10 é uma das ações do 17° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (#17.ART): a dimensão política da arte, que acontece no Museu da República, em Brasília, com apoio da UnB. EmMeio#10 tem curadoria de Tânia Fraga e Suzete Venturelli e reúne obras de artistas brasileiros que tratam das relações e tensões entre criação artística e novas tecnologias.

A obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília


A obra do Ciberpajé (Edgar Franco) que integra a exposição é chamada OVO: Uma HQtrônica Anacrônica. Trata-se de uma HQ expandida de uma página no formato A3 - inspirada em uma experiência de ENOC - estado não ordinário de consciência, com ingestão de Psilocybe cubensis. A HQ apresenta ao final um QR code que deve ser acessado pelos interatores para que eles possam ver os 5 finais possíveis criados para ela. Para conhecer os finais o interator terá que se dispor a passar por um processo incomum. A obra reflete sobre obsolescência programada e também sobre as tensões da hiperinformação versus a complexidade, ou seja, dificilmente há interesse de fruidores contemporâneos em algo que fuja do imediatismo da informação em rede.

OVO pode ser fruída na exposição EmMeio#10 no Museu da República, em Brasília, entre os dias 03 e 30 de outubro de 2018. Vejam abaixo algumas fotos da obra na exposição.

Os artistas Amante da Heresia e José Loures interagindo com OVO

 A obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília


 A obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília

 A obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília

 A obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília



A obra OVO na exposição EmMeio#10, Museu da República, Brasília





segunda-feira, 24 de setembro de 2018

OVO - Uma HQtrônica Anacrônica


Se você chegou até aqui é porque leu a HQtrônica OVO. Pois bem, existem 5 finais possíveis para a narrativa, para conhecê-los você deverá enviar uma mídia reciclada, que tenha conteúdo que possa ser apagado ou sobreposto, para o endereço postal ao final dessa postagem. Para cada final você deverá enviar uma mídia diferente, ao recebê-la gravaremos o final e reenviaremos a mídia até você sem nenhum custo.

OS FINAIS DE OVO

FINAL 1 - O Incoesível.

Envie-nos uma fita cassete para receber o final.

FINAL 2 -  O Inconcebível

Envie-nos uma fita VHS para receber o final.

FINAL 3 - O Impossível

Envie-nos um disquete de 5′ 1/4 para receber o final.

FINAL 4 - O  Incognoscível

Envie-nos um disquete de 3/4 para receber o final.

FINAL 5 - O Inenarrável

Envie-nos um disco de ZIP Drive para receber o final.


ENDEREÇO POSTAL PARA REMESSA DAS MÍDIAS:

Oca do Ciberpajé
a/c Edgar Franco
Rua R-17, Quadra 15, Lote 13
Vila Itatiaia - Goiânia - GO
74690-420
Brasil

As mídias só serão recebidas pelo correio e não nos responsabilizamos por eventuais extravios.




terça-feira, 31 de julho de 2018

[Entrevista] Ciberpajé fala do Mercado Digital de Quadrinhos e HQtrônicas ao Jornal Folha de Pernambuco

CIBERPAJÉ: MERCADO DIGITAL DE QUADRINHOS E HQTRÔNICAS

Ciberpajé (Foto da I Sacerdotisa Rose Franco)

Nessa entrevista exclusiva, concedida à jornalista Juliana Costa do Jornal Folha de Pernambuco, o Ciberpajé (Edgar Franco) - pioneiro brasileiro das pesquisas sobre quadrinhos digitais - trata das tensões entre suporte digital e impresso, e do mercado editorial de quadrinhos e seus dilemas no Brasil.

1. Na sua opinião, o mercado de quadrinhos digitais vem crescendo no Brasil? Como você enxerga essa área, nacionalmente falando?

Tudo ainda é muito incipiente e desfuncional, como acontece com outras mídias - caso da música digital, por exemplo. Os micropagamentos feitos por sites como Social Comics são irrisórios, impossível algum quadrinista manter-se financeiramente a partir deles. O mercado para a produção brasileira de quadrinhos impressos não existe, quanto mais um mercado de quadrinhos digitais. O que se vê é meia dúzia de quadrinistas que conseguiram difundir suas séries e personagens e hoje estão em grandes portais e conseguem retorno financeiro.

2. Há alguma resistência do público leitor contra esse mercado digital?

As novas gerações têm lido mais scans de HQ do que revistas impressas. O problema é que o público em geral tem se desinteressado pelos quadrinhos, não estamos formando novos leitores. Obviamente, os leitores mais velhos, tradicionalistas em sua maioria, ainda preferem o suporte papel, mas em alguns anos eles não determinarão mais os destinos da mídia HQ.

3. Em caso de resistência, como os autores podem seduzir o público físico para o online?

É uma questão complicada, quem tiver essa chave mágica ficará rico provavelmente. O problema é que as HQs têm sofrido a concorrência de mídias interativas, como os games, que em certa medidas seduzem mais facilmente os fruidores por envolverem interatividade direta.

4. De que maneira a prática de consumo digital de HQs difere do consumo físico?

O consumo digital destrói um dos prazeres atávicos de grande parte dos leitores fãs da linguagem dos quadrinhos, o ato de COLECIONAR! O colecionismo impulsionou sempre uma parte considerável do mercado de quadrinhos no ocidente. E isso é impossível com um produto intangível, o digital. E no digital também existe a sedução constante da hiperinformação, o que não acontece no suporte papel, onde a leitura é mais focada.

5. Quais motivos você daria para a migração do físico para o digital? Da mesma forma, você acha que o público físico migra pro digital ou são dois públicos diferentes que se formaram e não se misturam?

Como eu disse, os mais velhos ainda preferem o impresso, e infelizmente os jovens estão cada vez lendo menos quadrinhos. Existe um monopólio da HQ infantil no Brasil que impediu durante décadas que outros títulos de quadrinhos infantis fossem distribuídos em bancas, a restrição acabou diminuindo o interesse das crianças e com a chegada do entretenimento digital isso aumentou. Hoje os jovens conhecem personagem de HQ pelo cinema e é essa a imagem que têm deles, aí compram bonequinhos e vão a essas convenções tolas que cobram caro e trazem "atrações estrangeiras", em sua maioria "artistas" desses filmes blockbusters ridículos. Infelizmente os eventos que tentam promover os bons quadrinhos nacionais atualmente são frequentados sobretudo pelos próprios quadrinhistas que ficam trocando seus trabalhos, as tiragens estão cada vez menores. Hoje 100 exemplares é considerada uma boa tiragem de um álbum. E os quadrinhos digitais também têm dificuldade em chegar às pessoas, na era da hiperinformação fazer circular uma HQ digital é tão complexo quanto fazê-lo com as impressas.

6. Você acredita que o meio digital é um meio mais acessível para consumo de HQs?

Eu vejo a internet como o sonho dourado dos grandes amantes do conhecimento, onde aos poucos toda a informação global pode ser acessada, um lugar de pouquíssimo controle de direitos autorais, onde as grandes empresas do setor - como Google, Facebook, Youtube - descobriram que não vale mais a pena GERAR CONTEÚDOS e sim simplesmente organizar e gerenciar o conteúdo criado por nós. Assim é cada vez mais complicado monetizar conteúdo, principalmente conteúdo de qualidade. As HQs sofrem do mesmo problema, e mesmo as pessoas que usam do digital para ajudá-los a produzirem HQs impressas, em sistemas de crownfunding, não conseguem ganhar dinheiro com isso. Arrecadam o bastante para imprimir as obras e enviá-las aos apoiadores. Mas o meio digital promove possibilidades novas para a linguagem centenária das HQs, hibridações hipermídia que geram as HQtrônicas.

7. Alguma coisa mudou na forma de consumo de quadrinhos digitais da época que você escreveu o livro pioneiro HQtrônicas (2004, com segunda edição em 2008) para agora? Principalmente com os avanços da Internet e afins. 

Desde que realizei minha pesquisa pioneira, os micro pagamentos já eram testados nos EUA para as HQs digitais. Eles não funcionaram, e o sistema segue insistindo neles, o que pode ser bom para os GERENCIADORES de conteúdo, mas continua financeiramente sendo um desastre para os CRIADORES de conteúdo.

8. Mesmo no formato digital, há uma diferença entre HQs que são praticamente "páginas escaneadas", simulando a forma impressa de lê-las, e HQs que são próprias para o meio digital, possibilitando interação entre o público e a história. Você pode explicar um pouco sobre a diferença entre esses dois formatos? 

90% do conteúdo de quadrinhos disponibilizado na internet é simplesmente HQ tradicional que é difundida nas redes, pode ser escaneada, ou mesmo criada digitalmente, mas não agrega nenhum dos novos elementos possibilitados pela hipermídia à sua linguagem, repete o padrão da linguagem no suporte papel. O horripilante estrangeirismo "webcomics" coloca num mesmo balaio essas HQs tradicionais difundidas digitalmente e as HQtrônicas - novas narrativas híbridas que utilizam os elementos tradicionais dos quadrinhos em suporte papel - como balão de fala e enquadramento - mas agregam a eles as novas possibilidades hipermidiáticas - como trechos animados, multilinearidade, tela infinita, etc.

9. Ainda nesse quesito, pode explicar um pouco mais sobre o que seriam HQtrônicas? Como elas surgiram? Qual seu objetivo? O que mais te fascina nesse formato?

É possível definir a chamada “hipermídia” como a conexão em rede agregada às diversas características de outras mídias - Histórias em Quadrinhos, Fotografia, Cinema, Vídeo, TV e Rádio - gerando assim o surgimento de linguagens multifacetadas que hibridizam características dessas várias mídias. Essa convergência de múltiplos meios e mídias proporcionada pela união de várias tecnologias comunicacionais foi chamada de “sinergia multimidiática” pelo saudoso artista Julio Plaza. Quando essa sinergia promove o surgimento de uma nova linguagem ela pode ser chamada de “linguagem intermídia”. Pude detectar através de uma extensa pesquisa exploratória de mais de 20 anos que os principais elementos agregados à linguagem tradicional dos quadrinhos nessas novas HQs intermídia - disponibilizadas nas múltiplas plataformas digitais - podem ser divididos basicamente em: animação, diagramação dinâmica, trilha sonora, efeitos de som, tela infinita, tridimensionalidade, narrativa multilinear e interatividade. Para batizar essa nova linguagem intermídia das HQs na internet criei o neologismo “HQtrônicas” – formado pela contração da abreviação "HQ" (Histórias em Quadrinhos), usada comumente para referir-se aos Quadrinhos no Brasil, com o termo “eletrônicas” referindo-se ao novo suporte digital e homenageando a primeira exposição brasileira de arte e tecnologia chamada por Waldemar Cordeiro de Arteônica. Devo salientar que a definição do que nomeei HQtrônicas inclui efetivamente todos os trabalhos que unem um (ou mais) dos códigos da linguagem tradicional das HQs no suporte papel, com uma (ou mais) das novas possibilidades abertas pela hipermídia, sendo elas: animação, diagramação dinâmica, trilha sonora, efeitos sonoros, tela infinita, narrativa multilinear e interatividade. A definição exclui, portanto, HQs que são simplesmente digitalizadas e transportadas para a tela do computador, sem usar nenhum dos recursos hipermídia destacados (para maiores detalhes consultar o meu livro: HQtrônicas: Do Suporte Papel à Rede Internet –Annablume Editora). Eu fui um dos pioneiros criadores de HQtrônicas no Brasil, e o termo tem sido utilizado em inúmeras pesquisas acadêmicas sobre o tema. As HQtrônicas não são melhores, nem piores do que as HQs tradicionais, elas simplesmente são diferentes.

10. Há uma certa resistência das grandes editoras (Panini, Marvel, etc) de disponibilizar seus materiais online. A Amazon já disponibiliza HQs em formato "ebook", mas apenas produtos estrangeiros. Por que você acha que há essa hesitação no mercado? Por que a preferência em investir apenas em HQs físicas?

Como eu disse, creio que isso se deva ao fato de que o lucro por "unidade vendida" seria bem menor, caindo nos lamentáveis micro pagamentos. Além do mais, em países de terceiro mundo a pirataria digital é enorme, e a maior parte dos possíveis leitores vai preferir baixar tais revistas de graça a pagar por elas. É uma questão bem complexa, mas creio que as razões principais são essas.

11. Você acredita que quadrinhos digitais irão substituir os físicos, como é previsto para acontecer com ebooks e livros?

Acredito na permanência do suporte impresso a médio prazo (pelo menos nos próximos 50 anos), mas as HQs estão deixando de ser uma mídia massiva e tornando-se uma arte cult, migrando das bancas de revista para as livrarias, sendo produzidas em formatos luxuosos e tiragens reduzidas. Esse é um caminho inevitável, já que não estamos investindo em formação de novos leitores. O reflexo disso será também um número cada vez menor de leitores de quadrinhos digitais, é uma pena, pois talvez nunca tenhamos tido no Brasil um momento com tantas obras de inegável qualidade técnica sendo criadas, que mereciam chegar às pessoas, pois sou um defensor da unicidade e força da linguagem dos quadrinhos.

Leia nesse link matéria do Jornal Folha de Pernambuco sobre o Mercado de HQs digitais.


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*Edgar Franco é o Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em arte e tecnociência pela UnB, doutor em artes pela USP e mestre em multimeios pela UNICAMP. Como criador de histórias em quadrinhos é um dos pioneiros do gênero poético-filosófico no Brasil. Publicou suas HQs em revistas como Quadreca, Brazilian Heavy Metal, Nektar, Metal Pesado,Quark, Camiño di Rato, Mephisto (Alemanha), Dragon's Breath (Inglaterra), AH BD! (Romênia), além de álbuns como Agartha,Transessência e Elegia, publicados pela editora Marca de Fantasia. Em 2009 recebeu o Troféu Bigorna, premiação nacional de quadrinhos, por sua revista "Artlectos e Pós-humanos #3, título também editado pela Marca de Fantasia. Em 2013 lançou pela Editora UFG o álbum"BioCyberDrama Saga", parceria com Mozart Couto, que concorreu ao Troféu HQmix. Além de criador é também pesquisador de HQ com dezenas de artigos publicados e 2 livros de referência na área: "História em Quadrinhos e Arquitetura", com segunda edição publicada em 2012, e "HQtrônicas: do suporte papel à rede Internet", resultado de extensa e pioneira pesquisa a respeito de quadrinhos digitais. Suas obras artísticas já foram motivo para pesquisadores escreverem dois livros acadêmicos analisando-as e muitos artigos de professores de várias universidades do país. Como artista transmídia teve sua tese de doutorado, "Perspectivas Pós-humanas nas Ciberartes", premiada no Rumos Itaú Cultural SP em 2003, e tem produzido trabalhos de web arte,HQtrônicas e instalações interativas, também mantem o projeto musical performático Posthuman Tantra, com CDs lançados em 3 continentes e apresentações realizadas em 4 regiões do Brasil. Atualmente é professor adjunto de Faculdade de Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás, onde também atua como professor permanente no Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual. Blog “ A Arte do Ciberpajé Edgar Franco”: 



terça-feira, 10 de abril de 2018

Ciberpajé em matéria sobre quadrinhos digitais e HQtrônicas do jornal Folha de Pernambuco

O caderno arte do jornal "Folha de Pernambuco", do domingo - 8 de abril de 2018, trouxe matéria da jornalista Juliana Costa sobre quadrinhos digitais e HQtrônicas. O Ciberpajé (Edgar Franco) foi um dos entrevistados da matéria que pode ser conferida no fac-simile abaixo, e também nesse link








terça-feira, 6 de março de 2018

[Veja como foi] Filme com roteiro do Ciberpajé integrou festival internacional de horror

Ciberpajé no II Morce-go (Foto de Luiz Fers)

O curta "Por um Som Orgânico", do realizador Fábio Purper Machado, com roteiro do Ciberpajé, foi selecionado e apresentado durante o II Morce-GO Vermelho Goiás Horror Film Festival, que aconteceu no Cine Lumière Bougainville, em Goiânia, de 1 a 3 de março de 2018. O festival teve 676 inscrições de todo o Brasil e de 20 países. O Ciberpajé esteve presente ao festival representando o filme e dando entrevistas e fazendo comentários sobre a obra antes de sua exibição na noite do dia 2 de março. O curta foi muito bem recebido pelo público e a sessão em que ele foi exibido estava lotada.

"Por um Som Orgânico" é uma narrativa visual híbrida que mixa elementos do vídeo, da HQ e da escultura, fazendo ecos com uma HQtrônica e/ou animação. O filme, um curta metragem de 3'48", tem roteiro do Ciberpajé Edgar Franco e direção geral e de arte de Fábio Purper Machado, que também é o criador das intensas criaturas escultóricas que atuam no curta. A história é ambientada no universo ficcional transmídia da "Aurora Pós-humana", criado pelo Ciberpajé, e trata de um músico tecnogenético que manda criar em laboratório um instrumento vivo para conseguir timbres inóspitos.

II Morce-GO Vermelho Goiás Horror Film Festival foi muito bem organizado e transcorreu com boa presença de público. Além da mostra competitiva de filmes longas e curtas internacionais, nacionais e goianos, também incluiu uma competição de cosplayers de horror que movimentou o evento. Veja algumas fotos abaixo.

"Por Um Som Orgânico", imagem de divulgação do curta

 Ciberpajé no II Morce-go (Foto de Lucas Dal Berto)

 Ciberpajé no II Morce-go (Foto de Lucas Dal Berto)

Cine Lumière durante o  II Morce-go (Foto de Lucas Dal Berto)

  Realizadores com curtas selecionados presentes à sessão de filmes goianos (Foto de divulgação Morce-go)

Ciberpajé falando sobre o curta "Por um Som Orgânico" e a pesquisa de linguagem narrativa híbrida realizada por Fábio Purper Machado no PPG Arte e Cultura Visual da FAV/UFG que teve como um dos resultados o curta  (Foto de divulgação Morce-go)


 Sessão que incluiu o curta "Por um Som Orgânico", lotada! (Foto de divulgação Morce-go)

 
Ciberpajé antes de conceder entrevista à organização do festival (Foto de divulgação Morce-go) 

Alguns dos Cosplayers presentes no evento (Foto de divulgação Morce-go)

 Ciberpajé no II Morce-go (Foto de Lucas Dal Berto)

Ciberpajé e amigos curtindo o festival (foto da I Sacerdotisa Rose Franco)

O Ciberpajé agradece a Fábio Purper Machado pela incrível oportunidade de criar em parceria com ele e também à organização do II Morce-go Vermelho - Goiás Horror Film Festival pela acolhida e pela realização desse festival fundamental para o desenvolvimento do gênero horror em nosso e país e no estado de Goiás.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

[Lançamento] Dossiê dedicado ao Ciberpajé é publicado na revista acadêmica "Cadernos Zygmunt Bauman" (UFMA)


Capa do Dossiê. Ciberpajé fotografado por Daniel Rizoto (2017). Ensaio "Posthuman Light", por Ciberpajé, Daniel Rizoto & Anésio Neto

Está online a nova edição da Revista acadêmica Cadernos Zygmunt Bauman (UFMA), esse Vol.7 N.15 é totalmente dedicado ao "DOSSIÊ CIBERPAJÉ; arte, vida e transmídia", que reuniu dez pesquisadores de oito universidades brasileiras e uma estrangeira com artigos inéditos tratando de múltiplos aspectos das criações artísticas do Ciberpajé (Edgar Franco) e de sua atuação como artista-pesquisador. O dossiê, de mais de 200 páginas, é um testemunho do caráter interdisciplinar da obra do Ciberpajé, compreendendo artigos redigidos por pesquisadores doutores e doutorandos das áreas de história, comunicação, educação, design digital, educação & saúde, música, artes e filosofia. A concepção e ideia de publicação do dossiê partiu do convite do Professor Dr. Wellington Lima Amorim (UFMA), um dos editores da Cadernos Zygmunt Bauman, ele convidou o próprio Ciberpajé para auxiliá-lo na seleção de convidados para a redação dos artigos presentes na revista e também escrever o editorial-apresentação do dossiê.

Incluímos nesse post a apresentação completa do dossiê com links nas imagens para cada um dos artigos publicados e para o posfácio escrito pelo Dr. Wellington Lima Amorim. O Ciberpajé agradece imensamente a incrível oportunidade aberta pela revista Cadernos Zygmunt Bauman e também a cada um dos pesquisadores que aceitaram a convocação, desenvolvendo artigos instigantes e densos. GRATIDÃO, VOCÊS SÃO INCRÍVEIS!

Recebi com muita surpresa e entusiasmo o convite do editor da “Cadernos Zygmunt Bauman”, professor Dr. Wellington Lima Amorim, para a organização de um dossiê enfocando minha atuação como artista transmídia. A princípio perguntei-lhe se achava que eu, ainda um artista que nem cheguei aos 50 anos de vida, mereceria tal homenagem, um dossiê completo em uma notória revista acadêmica só com artigos analisando múltiplos aspectos de minha atuação como artista e pesquisador. Wellington respondeu com um enfático “sim” e salientou a repercussão de minhas obras e pesquisas. Aceitei o desafio incentivado pelo aprendizado que imaginei – acertadamente – que tal experiência me traria. Nessa apresentação quando uso a primeira pessoa do singular sou eu falando (Edgar Franco); e quando usamos a primeira pessoa do plural, somos nós falando (Edgar Franco & Wellington Lima Amorim).

Ao vislumbrar o futuro dossiê lembrei-me de como os dois livros escritos por pesquisadores de áreas distintas da minha – sou das artes - ajudaram-me a compreender mais profundamente aspectos inusitados de minhas criações e ideário, sendo eles o livro “Os Quadrinhos Poético-filosóficos de Edgar Franco” (Editora Marca de Fantasia, 2012), escrito pelo saudoso educador professor Dr. Elydio dos Santos Neto (UFPB), e “Edgar Franco e suas Criaturas no Banquete de Platão” (Editora Marca de Fantasia, 2012), obra da comunicóloga professora Dra. Nadja Carvalho (UFPB).

Esses dois volumes foram para mim como territórios mágicos e maravilhosos, onde aprendi muito sobre mim e minha arte a partir da visão sensível de seus autores. Além dos dois livros, ao longo dos anos já tive artigos de pesquisadores das áreas de sociologia, antropologia, história, filosofia, biologia, educação, e artes dedicados a analisar minhas obras publicados em periódicos e anais de eventos em todo o Brasil, denotando o interesse inter & transdisciplinar despertado por minhas criações que recentemente tiveram uma repercussão importante no exterior, pois foi lançado na Inglaterra o livro Posthumanismand the Graphic Novel in Latin America. A obra é de autoria de pesquisadores PhDs das Universidades de Bristol & Cambridge, dois dos maiores centros de pesquisa do mundo, e analisa o fenômeno pós-humano em quadrinhos criados no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e México. Os autores Edward King e Joanna Page dedicaram um dos capítulos do livro às minhas obras, focando na análise de produções artísticas transmídia do meu universo ficcional da "Aurora Pós-humana", dando especial destaque para o álbum em quadrinhos BioCyberDrama Saga - parceria minha com o renomado quadrinhista Mozart Couto, com duas edições lançadas pela Editora UFG -, e também para as criações em música eletrônica e as performances cíbridas do Posthuman Tantra, mas trataram brevemente de outras obras como as HQtrônicas e a revista Artlectos e Pós-humanos (Editora Marca de Fantasia). O capítulo que analisa as minhas obras, o sétimo, foi intitulado Intermediality and Graphic Novel as a Performance. Os pesquisadores avaliam com propriedade e densidade a concepção de pós-humanismo na poética e ideário do Ciberpajé, detalhando aspectos das paisagens visuais e sonoras de minhas obras, e destacam a FC ciberxamânica proposta por mim como algo originalmente latino-americano, fazendo um paralelo com o movimento da FC africana e estadunidense conhecido como Afrofuturismo. Os autores do livro pediram inclusive permissão a mim e Couto para utilizarem na capa da obra uma das artes do álbum em quadrinhos BioCyberDrama Saga.

A "Cadernos Zygmunt Bauman" é um periódico interdisciplinar publicado pela Universidade Federal do Maranhão, e já tive a oportunidade de ser o capista da revista em várias ocasiões, sempre respondendo ao convite entusiasmado do editor Dr. Wellington Lima Amorim, também o mentor da ideia de realizar esse dossiê enfocando a minha obra como artista transmídia, e foi ele quem sugeriu que eu o ajudasse a selecionar os convidados para escreverem os artigos tendo em conta pessoas de múltiplas áreas do conhecimento promovendo a interdisciplinaridade no dossiê e trazendo uma multiplicidade de visões sobre minhas obras e ideário pelos autores. Assim, a concepção geral do dossiê foi a de que cada pesquisador desse o enfoque que desejasse e tratasse sobre qualquer aspecto e/ou obras de minha produção artística transmídia, e/ou da relação de minhas criações com meu ideário e transmutação em Ciberpajé.

Os convites foram enviados a artistas-pesquisadores e pesquisadores que possuem alguma conexão com a minha obra, alguns por já terem escrito sobre ela, outros por terem sido parceiros em criações artísticas, ou também terem sido meus orientandos e alunos. Conseguimos estabelecer uma boa diversidade de áreas de pesquisa contempladas compreendendo artigos redigidos por pesquisadores doutores e doutorandos das áreas de história, comunicação, educação, design digital, educação & saúde, música, artes e filosofia. Receber os artigos e lê-los foi uma tarefa incrível e mais uma vez aprendi muito sobre mim mesmo e minhas criações a partir das visões profundas, inusitadas e ricas de cada um dos autores. Devido à riqueza e multiplicidade temática da proposta, organizamos o dossiê a partir da ordem de chegada dos artigos.


O dossiê abre com o artigo “Entrecruzamentos de arte e pesquisa na obra de Edgar Franco”, de autoria de Clayton Policarpo, doutorando e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, PUC-SP, onde é orientando da notória pesquisadora Lucia Santaella. Integrante dos grupos de pesquisa TransObjetO (PUC-SP) e Realidades (ECA-USP), Clayton foi aluno do Ciberpajé quando cursava graduação em arquitetura na PUC-Poços de Caldas e desde então acompanha a obra de Edgar Franco. Seu artigo trata das confluências e distanciamentos entre prática artística e pesquisa científica, prepondo confrontações teóricas acerca dos conceitos, aparentemente díspares, de arte-ciência e artista-pesquisador, identificando traços de reconciliação de tais práticas na obra do Ciberpajé Edgar Franco.


Na sequência temos o artigo da autoria da artista multimídia e doutora em educação e saúde pela FIOCRUZ/RJ, Danielle Barros, a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, pesquisadora da obra do Ciberpajé que tem realizado parcerias artísticas e de pesquisa com Edgar Franco desde 2012, recebendo o título de IV Sacerdotisa por ser uma das artistas mais afinadas com o ideário de Franco. Danielle é integrante do grupo de pesquisa Cria_Ciber (FAV/UFG), coordenado pelo Ciberpajé, e entre outras criações desenvolveu com Franco o conceito de HQforismo. Seu artigo, “O Ciberpajé, o Posthuman Tantra, e a IV Sacerdotisa: Performance como Ato Poético e Ritual Mítico de Transmutação”, analisa duas performances do Posthuman Tantra – banda criada pelo artista transmídia Edgar Franco - como expressão performática da Aurora Pós-Humana, e identifica ainda, como a figura do Ciberpajé, - o Edgar Franco transmutado - a partir da incorporação de seu “ritual mítico”, transpõe a performance para a vida como um “ato poético” de magia que forja sua realidade, tendo como um de seus desdobramentos, a ação performática da IV Sacerdotisa Danielle Barros, persona incorporada pela autora do artigo sob influência do Ciberpajé.


“A Iconoclastia Tecnológica de Edgar Franco na Arte Mídia”, é o artigo do artista multimídia, pesquisador e professor Pós-doutor Fábio Oliveira Nunes, que atualmente, é pesquisador do grupo de pesquisa cAt: ciência/ARTE/tecnologia do Instituto de Artes da UNESP. Fábio FON foi parceiro criativo do Ciberpajé em obras de artemídia e seu artigo tece reflexões sobre três obras de Franco: La Vero (2016), Immobile art (2009) e Freakpedia (2007, com Fabio FON); explorando o domínio essencialmente conceitual dessas criações e sua capacidade de gerar uma tomada reflexiva do público, instigando a pensarmos para além de modelos tecnológicos hegemônicos.


O renomado quadrinhista, professor da UEMG e doutor em artes pela ECA/USP, Gazy Andraus, um dos pioneiros brasileiros do gênero poético-filosófico dos quadrinhos, e parceiro criativo do Ciberpajé há mais de 20 anos é o autor do quarto artigo do dossiê, “Ciberpajé, um Irmão Siamês das Artes Poéticas!”, que trata de seu primeiro encontro sincrônico-coincidente com a história em quadrinhos (HQ) poética de Edgar Franco num fanzine, e a progressão de Franco para além das artes bidimensionais dos desenhos, indo além das HQs poéticas e HQtrônicas, culminando nos HQforismos, e incidindo na arte dos experimentos sonoros e visuais, que se estendeu ao seu projeto Posthuman Tantra e na sua ampliação como Ciberpajé, em franco processo de ascensão.


Na sequência temos o artigo escrito pelo artista visionário, pesquisador e professor Dr. José Eliézer Mikosz, que atualmente cursa pós-doutoramento pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Doutor Interdisciplinar em Ciências Humanas pelo PPDICH da UFSC, pesquisador em Arte e Estados Não Ordinários de Consciência, e professor associado da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Campus de Curitiba, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Mikosz já realizou parcerias artísticas com o Ciberpajé e seu artigo, “Edgar Franco, o Ciberpajé – Encontros e Sincronicidades”, relata seus encontros de vida e criação com o Ciberpajé, e seus trânsitos espontâneos e criativos em áreas como desenho, arte e tecnologia, música, pesquisa acadêmica, e como incentivador das artes.


O musicista, professor e doutorando em Artes e Educação pela Universidade de Barcelona, Leonardo Luigi Perotto, assina o artigo, “Música, Performance e Ativismo: Leitura Crítica da Poética Musical do Ciberpajé (E.Franco) e seu Continuum Performativo”. O Ciberpajé é um dos artistas que serve de objeto de pesquisa de Leonardo em seu doutorado, e o seu artigo aborda a poética musical do artista Ciberpajéa partir de três eixos principais: a música, suas performances artísticas e cotidianas assim como a conjunção de sua produção vista como uma forma de reivindicação política e ativista.


O sétimo artigo é de autoria do quadrinhista e doutorando em Arte e Cultura Visual (FAV/UFG), Matheus Moura. Intitula-se “Ayahuasca e Respiração Holotrópica como Processos Criativos: Cenário de Investigação”, trata do contexto de sua pesquisa de doutorado realizada por ele sob orientação e participação de Franco, investigação que envolve Estados Não Ordinários de Consciência – ENOC, por meio da ingestão de Ayahuasca e da técnica terapêutica chamada Respiração Holotrópica, para a criação de histórias em quadrinhos, e considera a respeito da importância e pioneirismo da investigação desenvolvida por eles no contexto da UFG e do Brasil.


“Acordei com Vampyroteuthis Infernalis: Refletido nas Criaturas de Edgar Franco”, é o inusitado título do oitavo artigo do dossiê, de autoria da doutora em comunicação e semiótica pela PUC-SP Nadja Carvalho, também professora no curso Comunicação em Mídias Digitais (DEMID/UFPB) e mestrado em Comunicação e Culturas Midiáticas (PPGC/UFPB). Nadja é pesquisadora da obra do Ciberpajé e autora do já citado livro “Edgar Franco e suas Criaturas no Banquete de Platão” (Marca de Fantasia, 2012). Em seu artigo ela propõe aproximações entre a fábula filosófica Vampyroteuthis infernalis (1987), de Vilém Flusser, e os desenhos poéticos e filosóficos em Aurora biocibertecnológica (2004), de Edgar Franco, fazendo convergir reflexões acerca da existência humana, e valorizando um único ator e seu sósia: o humano e o não humano (ou pós-humano), extraídos de esquadros avulsos formulados pelos dois autores, em suas fábulas e monstros, tudo isso sem descolar filigranas de sentidos ou sem-sentidos da vida humana.


O nono artigo do dossiê é “Performance em redes sociais: uma análise do Facebook do Ciberpajé Edgar Franco”, de autoria do professor Pós-doutor Ademir Luiz da Silva (UEG), artista e docente do programa de pós-graduação interdisciplinar Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (TECCER – UEG). Ademir realizou pós-doutorado em Poéticas Visuais e Processos de Criação no PPG Arte e Cultura Visual pela FAV/UFG, sob supervisão de Edgar Franco. O artigo aprofunda-se no perfil da rede social do Ciberpajé, apresentando o Facebook de Edgar Franco como “uma inesgotável cornucópia de críticas sociais e artísticas de caráter iconoclasta; além de abrigar as mais diferentes formas de atuações artísticas, que podem ir do desenho à mão livre ao canto, do texto escrito à foto artística.”


Fechando o dossiê temos o posfácio do filósofo, pesquisador e professor Dr. Wellington Lima Amorim (UFMA), editor da “Cadernos Zygmunt Bauman”. Seu posfácio, “O que Deseja Edgar Franco?”, usa de um dos artíficios criativos do Ciberpajé, os aforismos, para refletir sobre o ideário e filosofia de Edgar Franco em suas criações artísticas, destacando a selvageria, e as dicotomias entre sagrado e profano, humano e animal, natural e artificial, pungentes nas obras do Ciberpajé.

Por fim cabe-nos falar da foto artística escolhida como arte de capa para o dossiê, a imagem foi capturada pela lente do artista e mestrando em artes visuais pela UFU, Daniel Rizoto, durante o ensaio fotográfico “Posthuman Light”, que teve como locações a cidade natal do Ciberpajé, Ituiutaba, no estado de Minas Gerais. O ensaio teve na direção de arte o Ciberpajé Edgar Franco, e os artistas Daniel Rizoto e Anésio Neto (doutorando em artes pela UnB), e contou com apoio logístico de Ademar Vilarinho (mestrando pela FEA RP/USP). A série de fotos – com o Franco como protagonista - busca representar as multiplicidades da persona Ciberpajé. A imagem selecionada é uma das mais emblemáticas produzidas na ocasião.


Nossa gratidão a todos que se dispuseram a escrever para o dossiê, criando um rico e instigante registro das singularidades da obra do Ciberpajé. Um abraço pós-humanista!
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