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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

[Lançamento] EP "Ciberpajé - Sol Servus": parceria com o "Death Cult Devotion" propõe sepultamento completo dos deuses de todas as culturas humanas

Arte de capa do EP "Ciberpajé - Sol Servus". OUÇA-O AQUI

Sol Servus é o novo EP do Ciberpajé. A obra sonora apresenta 3 faixas criadas em parceria com o projeto musical "Death Cult Devotion" (†▼†††) que tem como mentor o respeitado musicista e ativista da cena darkwave, André Gorium, de Cuiabá, Mato Grosso. André é também criador do projeto Gorium e do netlabel Necromancia. Inclusive o Gorium foi o projeto parceiro no segundo EP lançado pelo Projeto Ciberpajé, Lua Divinal, de 2015. "Sol Servus" é um lançamento da Lunare Music, de São Paulo, e pode ser ouvido em streaming ou baixado na íntegra nesse link.

Dessa vez a proposta foi criar três faixas-sigilo densas, sombrias e ciclópicas, trazendo como tema a ascenção da sombra e da deidade interna, a capacidade mágicka de transmutação de nossa realidade interior. A sonoridade obscura percussiva e pós-industrial do "Death Cult Devotion" criou as atmosferas necessárias à densidade dos aforismos cantados pelo Ciberpajé. 

A arte de capa e o projeto gráfico criados pelo Ciberpajé foram estruturados a partir de rascunhos desenhados durante uma experiência de ENOC - estado não ordinário de consciência - com o enteógeno Psilocybe cubensis. A simbologia essencial da arte é uma versão solar psi-pós-humana do Bode de Mendes. A mensagem visual e sonora contecta-se diretamente à proposta iconoclasta de sepultamento completo de todos os deuses de todas as culturas humanas, em prol da libertação completa do espírito do ser pós-humanista. Confira abaixo as páginas do encarte com as letras/aforismos das faixas.





Ciberpajé - Sol Servus é o 23.º EP lançado pelo projeto, ouça os outros 22 EPs criados em parcerias com bandas e musicistas das 5 regiões do país e do exterior lançados pela Lunare Music:


Loucos ou Deuses (parceria com Filmy Ghost / Chile)

Transumanimal (parceria com Alan Flexa / AP)

Lobo Infinito (parceria com o Melek-Tha / França)

Madrugada de Lilases Pedras Adornada (parceria com Nix's Eyes / Brasília)

Meu Teto Infinito (parceria com Xa-Mul / Inglaterra)

Encanto da Terra (parceria com Puro / SP)

Cerrado Ser (parceria com  Anésio Neto / MG)

A Carícia da Luz (parceria com Alpha III / SP)

Aqualupus (parceria com Rafael Senra / MG) 

Vida que Pulsa (parceria com Mensageiros do Vento / BA)

Ao Caos Cotidiano (parceria com Merlin Box / MG)

Orgasmo Universal (parceria com Cisne Sônico / PE)

 Pós-quintessência
 (EP comemorativo, parcerias com Each Second, Gorium,  pUNK[A]l_sUlUk, Sergio Ferraz, & Alan Flexa)

Concerto Pós-humano: A Execração dos Ismos (parceria com [ANT]ISM / SP)

Sinos Pós-humanos (parceria com  Bells of Soul / SP)

Entranhas do Sol (parceria com Alan Flexa / AP)

Cura Cósmica (Músicas de Posthuman Tantra & vozes do Granciberpajé Dimas Franco / MG)

Verdades Voláteis (parceria com Sérgio Ferraz / PE)


O Estratagema da Aranha (parceria com Quando os Céus e os Oceanos Colidem / SP-PR)

Heresia Cósmica (parceria com Léo da Heresia / Brasília)

Lua Divinal (parceria com Gorium / MT)

A Invocação da Serpente (parceria com Each Second / SP)
Hackeremixagem do EP "Ciberpajé - Heresia Cósmica" pelo projeto inglês Mentufacturer.

CD "Ciberpajé - Egrégora" - reuniu 21 bandas de 5 países musicando os aforismos do Ciberpajé. No CD temos desde o blues, passando pelo rock progressivo, pelo heavy metal e chegando a estilos como o dark ambient, o industrial e o noise. Uma viagem sonora pautada pela iconoclastia dos aforismos de Franco. As 21 bandas presentes no CD foram: Posthuman Tantra & Luiz Carlos Barata Cichetto (Brasil); Muqueta Na Oreia (Brasil); Zemlya (Brasil); Blues Riders (Brasil); TransZendenZ (Suíça); Alpha III Project (Brasil); Poolsar (Brasil); Each Second (Brasil), Gorium (Brasil); Blakr (Inglaterra); Gabriel Fox (Brasil); Hidden in Plain Sight (Brasil); God Pussy (Brasil); Nix's Eyes (Brasil); Emme Ya (Colômbia); Vento Motivo (Brasil); Iamí (Brasil); ANT[ISM] (Brasil); Melek-tha (França); Kamboja (Brasil); Dimitri Brandi de Abreu (Brasil). Adquira o CD + revista "Gatos & Alfaces # 6" (em que ele veio encartado) enviando e-mail para: oidicius@gmail.com

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

[Resenha] "Ciberpajé - Loucos ou Deuses": EP trata do necessário equilíbrio com nossa complementaridade, por IV Sacerdotisa Danielle Barros


Um EP lindo e muito importante, marcando parceria entre o Ciberpajé e a banda Filmy Ghost, do Chile! Traz como mensagem essencial a questão dos opostos complementares. Luz e sombra, dia e noite, alegrias e tristezas, vida e morte, faces necessárias e que compõem nossa existência. Eu disse que o EP é importante porque além de ser uma criação artística (e a arte é FUNDAMENTAL) traz reflexões pertinentes à nossa espécie, pois os opostos são facetas da natureza humana. Penso que se nós soubéssemos lidar melhor com essas contradições o mundo não estaria tão DEGRADADO e repleto de guerras e competividade. Penso que essa é a mensagem principal que o EP apresenta, o do necessário equilíbrio com nossa complementaridade, remetendo aos princípios do Caibalion, como a filosofia de viver no agora, de ser intenso, ter serenidade, foco, o pensamento do que está em cima está embaixo, complementaridade, entre outros. 

Deuses ou Loucos, nesse ponto, apesar da sociedade ver deuses e loucos como contrapontos, eu os vejo como simbióticos, pois todo deus ou deusa tem loucura. Loucura em ter coragem de ser quem é em um mundo onde se cultuam e seguem "líderes", "deuses" e "mitos". Loucura de amar. Loucura de se expressar. Loucura de se mostrar, Loucura de ser alegre, Loucura de ser criativo! 

A faixa um foi impactante e abre o EP com força e vontade! A faixa dois achei linda e intensa (acho que a que eu mais gostei), a três é forte e traz verdades a se refletir e agir. As melodias foram muito especiais, em algumas a respiração acelerou e ofegou, noutras, relaxamento. Em certa faixa as vozes ora cortantes e incisivas, ora sussuradas. Esses sussuros pareciam conversar com meus diversos eus, lembrando-me da minha multiplicidade.

A capa foi uma das mais belas da série de EPs do Ciberpajé, claramente uma referência ao yin e yang, o que enfatiza a simbiose com a mensagem essencial que o EP traz. As cores são mais "frias", penso que contrasta e equilibra bem com o "calor" da mensagem que a obra apresenta. Fiquei olhando um tempo essa arte sigilistica e vi surgir também a simbologia do oito, do infinito, através do entrelaçamento das deusas peitudas, que me trouxeram o arquétipo de criadoras, nutridoras, exuberantes, Gaia. Parabéns à dupla pelo lançamento que derruba barreiras geográficas provando que a arte une!



* A IV Sacerdotisa é Danielle Barros, artista multimídia e professora Dra. da UFSB, Teixeira de Freitas (BA)

Saiba mais detalhes e ouça o EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses" clicando na arte de capa abaixo:



EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses" é publicado também no netlabel chileno Cian Orbe e aparece em destaque no Discogs

O EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses", parceria com a banda chilena Filmy Ghost que foi editado no Brasil pelo netlabel Lunare Music, está circulando em outras plataformas. A obra aparece em detaque no Discogs, foi também publicada no netlabel Chileno Cian Orbe, no Internet Archive e no site Hearthis. Confira todas as publicações clicando nas imagens abaixo. Saiba mais sobre o EP nesse link.












[Making of] Música Holofractal: EP do Projeto Ciberpajé selará parceria com o notório musicista euFraktus

Eufrásio Prates fotografado por Gustavo Stephan para Agência Globo

O notório musicista euFraktus (a.k.a. Eufrásio Prates), doutor em artes, diretor de orquestra de laptops, e criador de um “instrumento virtual” que transforma movimentos em sons - com reconhecimento internacional de sua obra - acaba se selar parceria com o Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) para a criação de um novo EP do projeto musical Ciberpajé.


euFraktus, mentor do conceito de música holofractal,  está desenvolvendo as músicas a partir da voz gravada do Ciberpajé de seis de seus aforismos. O musicista utiliza nessa criação sonora sua invenção,  uma suite de software livre chamada HITS Holofractal Interactive Transducer System, que está inclusive disponivel gratuitamente nesse link. Nas palavras do próprio euFraktus:


"Meu código interpreta as sutis curvas da fala do Ciberpajé e as passa numa equação fractal que gera os números que se tornam notas midi, ou seja, matematicamente normalizados numa escala de 0 a 127. Isso torna-se a base dos synths."


Esse processo aparece demonstrado no curto vídeo abaixo, apresentando o processo inicial de duas faixas,  na primeira temos um piano elétrico e na segunda uns bells de fm synthO nome completo do módulo que está no video é Audio 2 Fraktal Midi. 




Em breve mais novidades sobre o EP em processo.







quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

[Resenha] Videoclipe "O Enterro dos Deuses": vanguarda e metafísica existencial! Por Amyr Cantusio Jr


O Ciberpajé (a.k.a.Edgar Franco) é um dos ícones da vanguarda artística nacional. O conheço há anos. Seu trabalho envolve as artes plásticas, música eletrônica de vanguarda, filosofia e poesia. Com uma vasta obra publicada, inclusive CDs em parceria comigo (Posthuman Tantra & Alpha III, entre outros) o Ciberpajé lança agora o videoclipe "O Enterro dos Deuses", esse fenomenal trabalho pioneiro de pesquisa e criação com a rede neural Deep Dream em território nacional. Para mostrar que o Brasil não vive só de bundas e alienados. Obviamente os trabalhos que fazemos (me incluo nesta pequena roda de artistas) não atingem as massas, pois a maioria dos seres humanoides estão subdesenvolvidos e pouco interessados na metafísica existencial. 

O videoclipe é um trabalho a nível superior de consciência. E infelizmente estamos imersos em um plano material niilista e predador. Seres de nossa espécie amanhecem se matando desde a aurora dos tempos, por comida, água, posses, sexo e sobrevivência. Dentre eles alguns quebram esse paradigma, por isso digo que é uma honra estar aqui vivo com seres iluminados como Edgar Franco (PHD da Universidade Federal de Goiás). Enfim, assista a "O Enterro dos Deuses" no escuro". É algo para se meditar, pois há mensagens subliminares audiovisuais e também no aforismo recitado!

* Amyr Cantusio Jr é musicista reconhecido internacionalmente por sua vasta obra em que se destacam os álbuns de seu projeto musical Alpha III

Assista ao videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses" clicando na imagem abaixo:


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

[Resenha] Videoclipe “O Enterro dos Deuses” anuncia a queda de um modelo de humanidade prepotente e autoflagelante, por Fausto Ramos

“Os loucos abrem caminhos que os sábios trilham mais tarde"
Eduardo Marinho

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

O ano de 2020 começou com uma emblemática mensagem de revolução e liberdade. Neste dia primeiro de Janeiro de 2020, Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) lançou o novo videoclipe de seu projeto musical, intitulado “O Enterro dos Deuses”. O videoclipe é pioneiro no uso da tecnologia Deep Dream de recomposição de imagens. O resultado é uma viagem profunda, com diversas camadas interpretativas. Farei o meu melhor esforço em desvendar algumas das nuances desta obra.

A ferramenta Deep Dream, utilizada no videoclipe, fez parte das etapas iniciais de desenvolvimento de inteligências artificiais capazes de interpretar imagens, identificando objetos e discriminando suas formas. O Deep Dream foi um dos primeiros softwares desta linha a ser popularizado pela internet, propiciando o seu uso lúdico e artístico. Deep Dream (do inglês, “sonho profundo”) recebe este nome por conta da aparência surrealista e onírica das imagens que gera.

O Deep Dream utiliza estratégias de algoritmos que tentam forçar o reconhecimento de determinados padrões visuais, contrastando a imagem recebida com um banco de imagens previamente analisadas e reconhecidas. De tal modo, a inteligência artificial gera uma nova imagem, inscrevendo na imagem original a sua interpretação sobre os padrões de forma e cor da imagem original.

Como o Deep Dream foi treinado para identificar formas de animais, as imagens que resultam de seu processamento criam focinhos, olhos, orelhas, rabos, entre outras imagens animalescas. Aqui reside uma das camadas interpretativas: O Deep Dream está, a todo instante, buscando enxergar as essências animais e primitivas por trás do videoclipe. Sua conexão com o tema do vídeo é arquetípica, retomando ao estado de desenvolvimento primal e instintivo.

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

Carl G. Jung descreveu a experiência hierofânica – o contato com o sagrado – como um episódio de poderosa inspiração gnóstica. O ser humano ancestral costumava reconhecer uma parte de sua própria alma nos objetos ao redor de si. A experiência de “perda da alma”, manifestada como um grande vazio interno, era apaziguada quando este indivíduo identificava esta parte perdida de si em uma árvore, um rio, uma pedra, um trovão, ou ainda, em um animal! Assim nascia uma nova divindade natural e, de igual modo, muitos animais são identificados como sagrados ou mesmo divinos em diversas culturas ao redor do mundo.

Dentre estas divindades naturais, existam os tricksters cujas representações arquetípicas são comumente reconhecidas por figuras de animais – algumas vezes, antropomorfizados. Tricksters simbolizam uma conexão com os instintos e com a natureza, além de revelarem o aspecto dual da nossa relação com os fenômenos naturais. A natureza não é pura bondade e generosidade, ela também é astuta – por vezes, traiçoeira – e só recompensa àqueles que aprendem a genuinamente conviver com ela em harmonia. Esta é a natureza dos tricksters. Ao utilizar a técnica do Deep Dream, Edgar Franco e C.N.S. dão vida, cor e movimento para estas divindades naturais a cada frame do vídeo.

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

Na animação gráfica do vídeo, podemos reconhecer uma pirâmide egípcia no meio do deserto. De dentro da pirâmide, existe um orbe roxo brilhando no meio da escuridão do crepúsculo. Ao longo da animação, vemos a pirâmide ser revertida, camada a camada, de modo a ser recomposta como uma pirâmide de cabeça para baixo, libertando o orbe de seu cárcere de pedra.

A animação vem acompanhada da potente voz do Ciberpajé, que ressoa com dizeres sobre como o Enterro dos Deuses despertará a pós-humanidade: uma era de empatia e amor. Conectadas as chaves de compreensão, fica claro que a inversão da pirâmide alude a um simbolismo anárquico de desmantelamento das relações de poder. Neste contexto, o orbe roxo representa o Self – o núcleo psíquico da nossa consciência primal, instintiva, além de símbolo da nossa totalidade e união com a consciência universal.

Identifico a pirâmide do vídeo como egípcia por conta da recorrência simbólica provocada por esta associação. A Civilização do Antigo Egito exerce poderosa influência sobre a cultura ocidental. É uma civilização tipicamente caracterizada pela associação entre Estado e Religião. Seus Deuses são animais antropomorfizados, aludindo à enorme probabilidade de terem evoluído a partir de divindades naturais – tricksters – mas terem claramente evoluído para símbolos em confluência com o Poder e a Autoridade.

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

Inverter uma pirâmide egípcia equipara-se a subverter um dos símbolos mais essenciais do Poder – e da escravidão subjacente de seu modelo civilizatório. Há muitos milênios vivemos sob o domínio de mitos solares, de Deuses salvadores, com seus messias e profetas. O mito é tão impactante que acaba sendo assimilado até mesmo por aqueles que atestam lutar contra o poder. Muitos combatentes do sistema ainda prestam adoração e subserviência a líderes políticos e figuras públicas influentes.

“O Enterro dos Deuses” anuncia a queda de um modelo de humanidade prepotente e autoflagelante. Apenas quando cada indivíduo aprender a ser mestre de si e responsável por sua própria cognição, caminharemos para uma era de empatia, amor e harmonia. Os deuses precisam morrer a fim de libertarem a humanidade, ou melhor dizendo, a pós-humanidade.

Assista ao videoclipe "O Enterro dos Deuses" clicando na imagem abaixo:


*Fausto Ramos é  artista multimídia, magista, licenciado em Matemática e criador do portal Caosofia, onde compartilha conteúdos em vídeo e textos sobre Magia, Psicologia, Filosofia Arte e Cultura. No momento, suas pesquisas se concentram no campo da Psicologia Junguiana e suas relações com a Magia do Caos.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

[Lançamento] Novo videoclipe do projeto "Cão Breu Pós-humano" conta com participações do Ciberpajé nas artes e vozes


Frame do vídeo O Louco/Como se fosse loucura

O videoclipe "O Louco - Como se fosse loucura (Parallel Dimension)",  é a mais nova produção que integra do universo transmídia em expansão do projeto "Cão Breu Pós-Humano", iniciado em julho de 2019 com o lançamento do álbum musical homônimo pela Lunare Music Label de São Paulo, ouça o EP na íntegra aqui

O vídeo, que teve seu lançamento oficial no dia 23 de novembro de 2019 duranta a Mostra de Videoarte do "Festival de Artes Ciberpajelanças II" no Espaço Cultural Ruptura (Goiânia), é uma parceria de Fredé CarFeli (a.k.a.Frederico Carvalho Felipe) com os artistas Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé) e Fernão Carvalho.

O videoclipe traz incidentalmente a primeira faixa do álbum "Cão Breu Pós-Humano" intitulada "O Louco" e então desemboca na música inédita "Como se fosse loucura (Parallel Dimension)", estabelecendo relações de expansão do imaginário perante a obra original e a nova proposta poética apresentada audiovisualmente. A direção e edição foi feita pelo cineasta Fernão Carvalho Burgos que gostou da ideia e topou a parceria. A música e as fotografias são todas de autoria de Fredé CarFeli e dialogam com o clima distópico pós-humano das ilustrações  e trechos de HQs poético-filosóficas utilizadas no vídeo de autoria de Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé) e com a letra da música.

Todas as fotos e filmagens foram feitas pelo artista múltimídioa e doutorando em arte e cultura visual pela UFG, Frederico Carvalho Felipe; os desenhos, ilustrações e trechos de HQs poético-filosóficas utilizadas no vídeo são de autoria de Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé) e a edição foi realizada por Fernão Carvalho Burgos.


Frame do vídeo O Louco/Como se fosse loucura com desenho do Ciberpajé

A música foi composta a partir de samplers, e gravações originais de baixos, percussões, vozes e violões, usando recursos D.I.Y para captação e mixagem. A letra mistura aforismos do Ciberpajé, textos de suas HQs e poemas e reflexões de Fredé CarFeli, com referências que vão de Schopenhauer a Twin Peaks. O Ciberpajé também participa com a sua voz em um trecho da música. Assistam ao vídeo abaixo ou diretamente no youtube





segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Festival de Artes Ciberpajelanças II: Veja como foi a performance do Posthuman Tantra

O "Festival de Artes Ciberpajelanças II" aconteceu em Goiânia nos dias 23 e 24 de novembro de 2019 - com entrada franca, nas dependências do Espaço Ruptura Cultural. O evento totalmente gratuito foi uma atividade de extensão com produção do Grupo de Pesquisa Cria_Ciber (FAV/UFG) - coordenado pelo Prof. Dr. Edgar Franco (FAV/UFG), e do Espaço Ruptura Cultural - Coordenado pela Profa. Dra. Adriana Mendonça (FAV/UFG) e pelo Prof. Dr. Cleito Pereira dos Santos (FCS/UFG). O festival contou com exposição de arte dos integrantes do grupo Cria_Ciber, oficinas de vídeo/curtaforismo, fanzines, e quadrinhos; mostra de vídeos, mostra nacional de fanzines - incluindo lançamentos - e performance do grupo Posthuman Tantra e convidados. O Espaço Ruptura Cultural fica na Avenida Anhanguera, n.128, Setor Leste Universitário - Em Frente ao Sindicato dos empregados do Comércio, Goiânia - GO. 

No dia 24 de novembro de 2019, às 20:00hs o Posthuman Tantra apresentou sua performance completa "Quilombot Mantra" composta de 9 atos, incluindo os 2 novos atos "Quilombot" e "Lupus Noctis" que integram a pesquisa de pós-doutorado em artes na Unesp de Edgar Franco, que investiga as conexões entre processos criativos de performance e quadrinhos. A pesquisa intitula-se "POSTHUMAN TANTRA & ARTLECTOS E PÓS-HUMANOS: PROCESSOS CRIATIVOS TRANSMÍDIA EM PERFORMANCE E QUADRINHOS" e foi supervisionada pela Profa. dra. Rosangela Leotte (IA/UNESP).

A performance, composta de 9 atos, contou com os integrantes do grupo Posthuman Tantra: Ciberpajé (direção, criação, musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco (Musicista e Performer), Luiz Fers (performer e figurinista), Amante da Heresia (musicista e performer), Lucas Matheus Dal Berto (VJ) e com a convidada especial Flávia Provesi (Performer).

Confira fotos e vídeos da performance com destaque para os novos atos "Quilombot Mantra" e "Lupus Noctis". Fotos por Dustan Oeven, vídeos de José Loures.



- Novo Ato "Quilombot Mantra":

O Ciberpajé entra em cena com um figurino exclusivo - derivado do figurino do personagem da HQ "O Sonho dos Deuses", criada como parte de sua pesquisa de pós-doutorado no Instituto de Artes da Unesp, o figurino representa a busca transcendente psicodélica de um monge transumano. A performer I Sacerdotisa traz em sua mão uma taça em formato de cabeça de lobisomem e dentro dela estão dois cogumelos Psilocybe cubensis, os cogumelos são tirados da taça e passados pelo corpo, logo depois são atados às costeletas do Ciberpajé, simbolizando a sua expansão transcendente enteogênica, com eles presos às costeletas o Ciberpajé simula brevemente uma pajelança ao som da música eletrônica percusiva criada originalmente para a performance. Ao fundo uma animação com artes criadas pelo Ciberpajé é projetada apresentando desenhos também de inspiração enteogênica, ela é a única fonte luminosa durante o ato.  A I Sacerdotisa apresenta um crânio animal ao Ciberpajé - esse crânio tem vários circuitos integrados agregados a ele (obra de Ilda Santa Fé) representando as tensões entre avanço tecnológico e aceleração da destruição da biosfera. Dentro do crânio está um telefone celular, o Ciberpajé pega-o e o celular começa a gritar " - Não, por favor!", a I Sacerdotisa coloca um microfone próximo ao celular para ampliar seus gritos que vão tornando-se mais e mais desesperadores. O Ciberpajé apresenta o celular ao público enquanto ele grita, então o performer Luiza Fers se aproxima com uma máscara de gás no rosto e trazendo uma cruz de madeira. O Ciberpajé coloca o telefone celular no centro da cruz de madeira, seus gritos são agonizantes. A música cessa e agora só se ouvem os gritos do celular implorando, no momento final o Ciberpajé retira de seu manto um martelo e alveja o celular e a cruz destruindo-os.

O ato "Quilombot Mantra" trata das buscas transcendentes através da reconexão com a natureza proporcionada pelos enteógenos, e a libertação da robotização contemporânea que faz os seres humanos viciados em redes sociais agirem de forma binária e maniquesta como as máquinas, tornando-se robôs de carne. A performance crucifica um aparelho celular que grita em desespero para não morrer e é destruido por um martelo ao final pelo monge psicodélico enteogênico trasumano encenado pelo Ciberpajé, refletindo também sobre as tensões contemporâneas entre tecnologia acelerada, hiperconsumo, hiperinformação e a sexta extinção massiva de espécies no planeta.




Vídeo do Ato "Quilombot Mantra"
- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) - Performers: Ciberpajé (Edgar Franco), I Sacerdotisa, Luiz Fers, Amante da Heresia e Lucas dal Berto. - Vídeo: José Loures Espaço Cultural Ruptura Goiânia - 2019


Fotos do Ato "Quilombot Mantra":








- Novo Ato "Lupus Noctis" (Segunda versão do ato com novos elementos):


Esse ato performático trata da degradação do bioma Cerrado e da sexta extinção massiva de espécies. O Ciberpajé encarna um totem animal fantasmagórico que dialoga poeticamente com outros performers, imagens - vídeo animado com artes suas - e sons criados para a apresentação, incluindo um teremim acionado por luz em sua indumentária. 


O ato performático "Lupus Noctis" nasceu como um desdobramento transmidiático do álbum em quadrinhos Ecos Humanos. A ideia inicial era criar um ato que tratrasse essencialmente da poética dos quadrinhos, mas com alguns novos elementos conceituais e estéticos. A poética da degradação do bioma Cerrado e da busca de uma reconexão com a natureza através dos enteógenos permaneceu como base, assim como a hibridação tecnogenética humanimal, mas aspectos novos foram imaginados para a performance. A inclusão do som ambiente como signo de desespero/angústia, a incorporação da interação do performer com as artes que representam de forma alegorica o Cerrado e a trasmutação do totem humanimal. Também, em certa medida, a eliminação dos aspectos crueis do humano, transformando assim o ato performártico em um sigilo mágico ritual que promova a reconexão essencial do performer aos seus aspectos animais gerando algum eco na platéia.


"Lupus Noctis" foi nomeada assim devido à presença subliminar do totem Lobo, que é incorporado nas performances pelo Ciberpajé e nesse caso temos a imagem da cabeça do lobo-guará – ícone do Cerrado – sendo uma das artes animadas que abrem a performance, passando por transmutações que lembram efeitos óticos da experiência visual de ENOC com o Psilocybe cubensis. Outro detalhe fundamental da conexão direta entre o álbum Ecos Humanos e Lupus Noctis é o fato das 4 artes animadas iniciais apresentadas na tela – com a qual o Ciberpajé transmutado interaje – serem os desenhos criados pelo Ciberpajé para a abertura dos capítulos da HQ.

Nessa segunda versão do ato - anteriormente apresentado em sua primeira versão na abertura da Exposição "Zonas de Compensação 6.0", no Instituto de Artes da Unesp/SP - a performance envolve a participação de mais dois performers que abrem a encenação, sendo eles Amante da Heresia, que incorpora uma versão cyberpunk da morte e representa a sexta extinção massiva de espécies causada pelo ser humano e seu hiperconsumo, e Flávia Provesi, que juntamente da I Sacerdotisa promovem um culto à Morte Cyberpunk. 

No início do ato a Morte Cyberpunk entra no espaço com o som ambiente de uma mata do Cerrado ao fundo e logo as performers I Sacerdotisa e Flávia Provesi, carregando um crânio animal com placas de circuito de computador mixadas a ele, se prostram diante da Morte elevando o crânio e as mãos, em um ato de culto à devastação. Então o Ciberpajé surge em cena. Sua figura é sinistra, ele usa um colete que parece animalesco e em sua cabeça está uma máscara do crânio de um pássaro – representando o totem híbrido fantasmagórico, unindo homem e animal, mas questionando o papel devastador do nosso lado humano para com o lado animal, por isso o animal é representado por um crânio morto. 

Ao entrar em cena ele toca um trilha percussiva em um sintetizador, logo vai lentamente em direção à Morte que usa sua foice com uma luz no topo (lanterna) para interagir à distância com o Ciberpajé produzindo sons agudos no mini teremin acoplado em seu peito.  Com a entrada do Ciberpajé em cena, inicia-se ao fundo a projeção da animação da face de múltiplos seres do cerrado e segue com a face animada do lobo-guará projetada. Na sequencia o Ciberpajé transmutado em Totem Pós-humano avança sobre a Morte Cyberpunk e ataca sua foice tomando-lhe o feixe de luz.

A Morte prostra-se diante do Ciberpajé e passa a reverenciá-lo e ele inicia o processo de utilizar a luz para interagir com o mini-teremin em seu peito produzindo gestos rápidos e sons agudos e penetrantes. Logo depois ele aponta a lanterna para todo o público presente gerando incômodo ao focá-la por instantes em cada um dos rostos dos presentes - simboilizando a culpa de todos no caos socioambiental em que estamos.  As únicas luzes ambiente são a da lanterna e a da projeção, então ele segue para diante da projeção e inicia a interação com ela. 

Enquanto as primeiras artes animadas representando a natureza do Cerrado vão se sucedendo, o Ciberpajé usa o feixe luminoso para tocar o teremim, inicialmente de forma mais sutil e leve, como se fizesse carícias. Na sequência as imagens da animação vão mudando e apresentam artes grotescas, representando o aspecto sombrio da devastação perpetrada pela espécie humana. A partir daí o performer segue realizando movimentos que rememoram um ato de autoflagelação, como punhaladas, ou espadadas em seu coração. Ao final, diante de uma arte que rememora criaturas de pesadelos lovecraftinianos, o Ciberpajé termina o autoflagelo, sendo ainda mais agressivo com o feixe de luz como um punhal visceral, gerando ruídos agudos que incomodam pela intensidade, até cair morto no chão. A morte final simboliza o suicídio que nós, espécie humana, estamos cometendo ao destruirmos a biosfera.



Vídeo de trechos do Ato "Lupus Noctis"

- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) - Performers: Ciberpajé, I Sacerdotisa, Luiz Fers, Amante da Heresia, Flávia Provesi e Lucas dal Berto. - Vídeo: José Loures Espaço Cultural Ruptura Goiânia - 2019

Fotos do Ato Lupus Noctis:

























- Ato "Iniciação Sexual com um Robô Multifuncional":




















- Ato "Ciberpajelança":








- Ato "Tênue Esfera Azul":




















- Ato "Penetrando a Bioporta Virgem":


























- Ato "O Selvagem":








- Ato "A Transmutação do Lobisomem Pós-humano":






- Ato "Tema o Homem, Ame o Lobo":















- Agradecimentos do Ciberpajé ao final da performance:





















- Fotos com o público presente: