O Ciberpajé (a.k.a.Edgar Franco) é um dos ícones da vanguarda artística nacional. O conheço há anos. Seu trabalho envolve as artes plásticas, música eletrônica de vanguarda, filosofia e poesia. Com uma vasta obra publicada, inclusive CDs em parceria comigo (Posthuman Tantra & Alpha III, entre outros) o Ciberpajé lança agora o videoclipe "O Enterro dos Deuses", esse fenomenal trabalho pioneiro de pesquisa e criação com a rede neural Deep Dream em território nacional. Para mostrar que o Brasil não vive só de bundas e alienados. Obviamente os trabalhos que fazemos (me incluo nesta pequena roda de artistas) não atingem as massas, pois a maioria dos seres humanoides estão subdesenvolvidos e pouco interessados na metafísica existencial.
O videoclipe é um trabalho a nível superior de consciência. E infelizmente estamos imersos em um plano material niilista e predador. Seres de nossa espécie amanhecem se matando desde a aurora dos tempos, por comida, água, posses, sexo e sobrevivência. Dentre eles alguns quebram esse paradigma, por isso digo que é uma honra estar aqui vivo com seres iluminados como Edgar Franco (PHD da Universidade Federal de Goiás). Enfim, assista a "O Enterro dos Deuses" no escuro". É algo para se meditar, pois há mensagens subliminares audiovisuais e também no aforismo recitado!
* Amyr Cantusio Jr é musicista reconhecido internacionalmente por sua vasta obra em que se destacam os álbuns de seu projeto musical Alpha III
Assista ao videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses" clicando na imagem abaixo:
O videoclipe "O Louco - Como se fosse loucura (Parallel Dimension)", é a mais nova produção que integra do universo transmídia em expansão do projeto "Cão Breu Pós-Humano", iniciado em julho de 2019 com o lançamento do álbum musical homônimo pela Lunare Music Label de São Paulo, ouça o EP na íntegra aqui.
O vídeo, que teve seu lançamento oficial no dia 23 de novembro de 2019 duranta a Mostra de Videoarte do "Festival de Artes Ciberpajelanças II" no Espaço Cultural Ruptura (Goiânia), é uma parceria de Fredé CarFeli (a.k.a.Frederico Carvalho Felipe) com os artistas Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé) e Fernão Carvalho.
O videoclipe traz incidentalmente a primeira faixa do álbum "Cão Breu Pós-Humano" intitulada "O Louco" e então desemboca na música inédita "Como se fosse loucura (Parallel Dimension)", estabelecendo relações de expansão do imaginário perante a obra original e a nova proposta poética apresentada audiovisualmente. A direção e edição foi feita pelo cineasta Fernão Carvalho Burgos que gostou da ideia e topou a parceria. A música e as fotografias são todas de autoria de Fredé CarFeli e dialogam com o clima distópico pós-humano das ilustrações e trechos de HQs poético-filosóficas utilizadas no vídeo de autoria de Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé) e com a letra da música.
Todas as fotos e filmagens foram feitas pelo artista múltimídioa e doutorando em arte e cultura visual pela UFG, Frederico Carvalho Felipe; os desenhos, ilustrações e trechos de HQs poético-filosóficas utilizadas no vídeo são de autoria de Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé) e a edição foi realizada por Fernão Carvalho Burgos.
Frame do vídeo O Louco/Como se fosse loucura com desenho do Ciberpajé
A música foi composta a partir de samplers, e gravações originais de baixos, percussões, vozes e violões, usando recursos D.I.Y para captação e mixagem. A letra mistura aforismos do Ciberpajé, textos de suas HQs e poemas e reflexões de Fredé CarFeli, com referências que vão de Schopenhauer a Twin Peaks. O Ciberpajé também participa com a sua voz em um trecho da música. Assistam ao vídeo abaixo ou diretamente noyoutube.
O blogSonidos Estrombóticosé mantido pelo crítico musical Octavio Gómez, da cidade de San José, na Costa Rica. É um espaço dedicado às resenhas de álbuns eletrônicos, experimentais, ambientais e outros que tenham algo de distinto e original. E como ele ressalta: "Somente para artistas latino-americanos."
No dia 16 de dezembro de 2019 Octavio postou uma resenha elogiosa do EP "Ciberpajé - Lobo Infinito", parceria do Ciberpajé com o Melek-tha (França), confiram a resenhanesse link, ou seu fac-símile abaixo:
O "Festival de Artes Ciberpajelanças II" aconteceu em Goiânia nos dias 23 e 24 de novembro de 2019 - com entrada franca, nas dependências do Espaço Ruptura Cultural. O evento totalmente gratuito foi uma atividade de extensão com produção do Grupo de Pesquisa Cria_Ciber (FAV/UFG) - coordenado pelo Prof. Dr. Edgar Franco (FAV/UFG), e do Espaço Ruptura Cultural - Coordenado pela Profa. Dra. Adriana Mendonça (FAV/UFG) e pelo Prof. Dr. Cleito Pereira dos Santos (FCS/UFG). O festival contou com exposição de arte dos integrantes do grupo Cria_Ciber, oficinas de vídeo/curtaforismo, fanzines, e quadrinhos; mostra de vídeos, mostra nacional de fanzines - incluindo lançamentos - e performance do grupo Posthuman Tantra e convidados. O Espaço Ruptura Cultural fica na Avenida Anhanguera, n.128, Setor Leste Universitário - Em Frente ao Sindicato dos empregados do Comércio, Goiânia - GO.
No dia 24 de novembro de 2019, às 20:00hs o Posthuman Tantra apresentou sua performance completa "Quilombot Mantra" composta de 9 atos, incluindo os 2 novos atos "Quilombot" e "Lupus Noctis" que integram a pesquisa de pós-doutorado em artes na Unesp de Edgar Franco, que investiga as conexões entre processos criativos de performance e quadrinhos. A pesquisa intitula-se "POSTHUMAN
TANTRA & ARTLECTOS E PÓS-HUMANOS: PROCESSOS CRIATIVOS TRANSMÍDIA
EM PERFORMANCE E QUADRINHOS" e foi supervisionada pela Profa. dra. Rosangela Leotte (IA/UNESP).
A performance, composta de 9 atos, contou com os integrantes do grupo Posthuman Tantra: Ciberpajé (direção, criação, musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco (Musicista e Performer), Luiz Fers (performer e figurinista), Amante da Heresia (musicista e performer), Lucas Matheus Dal Berto (VJ) e com a convidada especial Flávia Provesi (Performer). Confira fotos e vídeos da performance com destaque para os novos atos "Quilombot Mantra" e "Lupus Noctis". Fotos por Dustan Oeven, vídeos de José Loures.
- Novo Ato "Quilombot Mantra":
O Ciberpajé entra em cena com um figurino exclusivo - derivado do figurino do personagem da HQ "O Sonho dos Deuses", criada como parte de sua pesquisa de pós-doutorado no Instituto de Artes da Unesp, o figurino representa a busca transcendente psicodélica de um monge transumano. A performer I Sacerdotisa traz em sua mão uma taça em formato de cabeça de lobisomem e dentro dela estão dois cogumelos Psilocybe cubensis, os cogumelos são tirados da taça e passados pelo corpo, logo depois são atados às costeletas do Ciberpajé, simbolizando a sua expansão transcendente enteogênica, com eles presos às costeletas o Ciberpajé simula brevemente uma pajelança ao som da música eletrônica percusiva criada originalmente para a performance. Ao fundo uma animação com artes criadas pelo Ciberpajé é projetada apresentando desenhos também de inspiração enteogênica, ela é a única fonte luminosa durante o ato. A I Sacerdotisa apresenta um crânio animal ao Ciberpajé - esse crânio tem vários circuitos integrados agregados a ele (obra de Ilda Santa Fé) representando as tensões entre avanço tecnológico e aceleração da destruição da biosfera. Dentro do crânio está um telefone celular, o Ciberpajé pega-o e o celular começa a gritar " - Não, por favor!", a I Sacerdotisa coloca um microfone próximo ao celular para ampliar seus gritos que vão tornando-se mais e mais desesperadores. O Ciberpajé apresenta o celular ao público enquanto ele grita, então o performer Luiza Fers se aproxima com uma máscara de gás no rosto e trazendo uma cruz de madeira. O Ciberpajé coloca o telefone celular no centro da cruz de madeira, seus gritos são agonizantes. A música cessa e agora só se ouvem os gritos do celular implorando, no momento final o Ciberpajé retira de seu manto um martelo e alveja o celular e a cruz destruindo-os.
O ato "Quilombot Mantra" trata das buscas transcendentes através da reconexão com a natureza proporcionada pelos enteógenos, e a libertação da robotização contemporânea que faz os seres humanos viciados em redes sociais agirem de forma binária e maniquesta como as máquinas, tornando-se robôs de carne. A performance crucifica um aparelho celular que grita em desespero para não morrer e é destruido por um martelo ao final pelo monge psicodélico enteogênico trasumano encenado pelo Ciberpajé, refletindo também sobre as tensões contemporâneas entre tecnologia acelerada, hiperconsumo, hiperinformação e a sexta extinção massiva de espécies no planeta.
Vídeo do Ato "Quilombot Mantra"
- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco)
- Performers: Ciberpajé (Edgar Franco), I Sacerdotisa, Luiz Fers,
Amante da Heresia e Lucas dal Berto.
- Vídeo: José Loures
Espaço Cultural Ruptura
Goiânia - 2019
Fotos do Ato "Quilombot Mantra":
- Novo Ato "Lupus Noctis" (Segunda versão do ato com novos elementos):
Esse ato performático trata da degradação do bioma Cerrado e da sexta extinção massiva de espécies. O Ciberpajé encarna um totem animal fantasmagórico que dialoga poeticamente com outros performers, imagens - vídeo animado com artes suas - e sons criados para a apresentação, incluindo um teremim acionado por luz em sua indumentária.
O ato performático "Lupus Noctis" nasceu como um desdobramento transmidiático do álbum em quadrinhos Ecos Humanos. A ideia inicial era criar um ato que tratrasse essencialmente da poética dos quadrinhos, mas com alguns novos elementos conceituais e estéticos. A poética da degradação do bioma Cerrado e da busca de uma reconexão com a natureza através dos enteógenos permaneceu como base, assim como a hibridação tecnogenética humanimal, mas aspectos novos foram imaginados para a performance. A inclusão do som ambiente como signo de desespero/angústia, a incorporação da interação do performer com as artes que representam de forma alegorica o Cerrado e a trasmutação do totem humanimal. Também, em certa medida, a eliminação dos aspectos crueis do humano, transformando assim o ato performártico em um sigilo mágico ritual que promova a reconexão essencial do performer aos seus aspectos animais gerando algum eco na platéia.
"Lupus Noctis" foi nomeada assim devido à presença subliminar do totem Lobo, que é incorporado nas performances pelo Ciberpajé e nesse caso temos a imagem da cabeça do lobo-guará – ícone do Cerrado – sendo uma das artes animadas que abrem a performance, passando por transmutações que lembram efeitos óticos da experiência visual de ENOC com o Psilocybe cubensis. Outro detalhe fundamental da conexão direta entre o álbum Ecos Humanos e Lupus Noctis é o fato das 4 artes animadas iniciais apresentadas na tela – com a qual o Ciberpajé transmutado interaje – serem os desenhos criados pelo Ciberpajé para a abertura dos capítulos da HQ.
Nessa segunda versão do ato - anteriormente apresentado em sua primeira versão na abertura da Exposição "Zonas de Compensação 6.0", no Instituto de Artes da Unesp/SP - a performance envolve a participação de mais dois performers que abrem a encenação, sendo eles Amante da Heresia, que incorpora uma versão cyberpunk da morte e representa a sexta extinção massiva de espécies causada pelo ser humano e seu hiperconsumo, e Flávia Provesi, que juntamente da I Sacerdotisa promovem um culto à Morte Cyberpunk.
No início do ato a Morte Cyberpunk entra no espaço com o som ambiente de uma mata do Cerrado ao fundo e logo as performers I Sacerdotisa e Flávia Provesi, carregando um crânio animal com placas de circuito de computador mixadas a ele, se prostram diante da Morte elevando o crânio e as mãos, em um ato de culto à devastação. Então o Ciberpajé surge em cena. Sua figura é sinistra, ele usa um colete que parece animalesco e em sua cabeça está uma máscara do crânio de um pássaro – representando o totem híbrido fantasmagórico, unindo homem e animal, mas questionando o papel devastador do nosso lado humano para com o lado animal, por isso o animal é representado por um crânio morto.
Ao entrar em cena ele toca um trilha percussiva em um sintetizador, logo vai lentamente em direção à Morte que usa sua foice com uma luz no topo (lanterna) para interagir à distância com o Ciberpajé produzindo sons agudos no mini teremin acoplado em seu peito. Com a entrada do Ciberpajé em cena, inicia-se ao fundo a projeção da animação da face de múltiplos seres do cerrado e segue com a face animada do lobo-guará projetada. Na sequencia o Ciberpajé transmutado em Totem Pós-humano avança sobre a Morte Cyberpunk e ataca sua foice tomando-lhe o feixe de luz.
A Morte prostra-se diante do Ciberpajé e passa a reverenciá-lo e ele inicia o processo de utilizar a luz para interagir com o mini-teremin em seu peito produzindo gestos rápidos e sons agudos e penetrantes. Logo depois ele aponta a lanterna para todo o público presente gerando incômodo ao focá-la por instantes em cada um dos rostos dos presentes - simboilizando a culpa de todos no caos socioambiental em que estamos. As únicas luzes ambiente são a da lanterna e a da projeção, então ele segue para diante da projeção e inicia a interação com ela.
Enquanto as primeiras artes animadas representando a natureza do Cerrado vão se sucedendo, o Ciberpajé usa o feixe luminoso para tocar o teremim, inicialmente de forma mais sutil e leve, como se fizesse carícias. Na sequência as imagens da animação vão mudando e apresentam artes grotescas, representando o aspecto sombrio da devastação perpetrada pela espécie humana. A partir daí o performer segue realizando movimentos que rememoram um ato de autoflagelação, como punhaladas, ou espadadas em seu coração. Ao final, diante de uma arte que rememora criaturas de pesadelos lovecraftinianos, o Ciberpajé termina o autoflagelo, sendo ainda mais agressivo com o feixe de luz como um punhal visceral, gerando ruídos agudos que incomodam pela intensidade, até cair morto no chão. A morte final simboliza o suicídio que nós, espécie humana, estamos cometendo ao destruirmos a biosfera.
Vídeo de trechos do Ato "Lupus Noctis"
- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco)
- Performers: Ciberpajé, I Sacerdotisa, Luiz Fers,
Amante da Heresia, Flávia Provesi e Lucas dal Berto.
- Vídeo: José Loures
Espaço Cultural Ruptura
Goiânia - 2019
Fotos do Ato Lupus Noctis:
- Ato "Iniciação Sexual com um Robô Multifuncional":
- Ato "Ciberpajelança":
- Ato "Tênue Esfera Azul":
- Ato "Penetrando a Bioporta Virgem":
- Ato "O Selvagem":
- Ato "A Transmutação do Lobisomem Pós-humano":
- Ato "Tema o Homem, Ame o Lobo":
- Agradecimentos do Ciberpajé ao final da performance: