quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

[Resenha] EP CIBERPAJÉ - MÁQUINA HIPER-REAL: uma obra rosa dos ventos! Por Adaor Oliveira

Arte do Ciberpajé

Espanto-me (sempre positivamente) com criatividade e capacidade de criação da dupla, Ciberpajé e Hari Maia. No EP "Ciberpajé: Máquina Hiper-real"  - OUÇA-O AQUI - cada som e cada palavra nos envolve de uma tal maneira, que não é possível deixar de saborear tudo que há na obra. Uma obra meio rosa dos ventos, pois nos leva a todas as direções.

Começa de uma maneira encantadora e calma, que nos faz viajar pela beleza da vida, da criação, da perfeição da natureza ao nos conceber como filhos dela. Pena que esses filhos contra ela se voltaram e a maltratam tanto. Em seguida passa para uma intensidade sem fim, como a sensação de percorrer a estrada da vida, cheia de percalços, mas que a gente não cansa de andar, de caminhar, mesmo precisando de descansos e diversas paradas.
Quando chega a lua esplendorosa, vamos da terra ao céu, com a mágica e toda a mística que envolve a Nossa Senhora do Silêncio (como Fernando Pessoa chamava a lua). Ela é sempre majestosa, sempre traz luz em meio à escuridão, e tem que ser contemplada e respeitada como os filhos respeitam pai e mãe.
Em seguida eu me vi ouvindo algo psicanalítico, uma mistura de Freud e Jung, de Piaget e Vigotski. É a criação genuína que nos coloca a pensar a vida, como explosão vinda do Big Bang. E nos dá a sensação que, numa explosão começamos, e numa explosão terminaremos. Da escuridão viemos e para a escuridão voltaremos. E é uma escuridão que pode vir gerada pela máquina do lucro.
Justamente a música e aforismo finais trazem o incômodo, palavras que nos jogam uma realidade nua e crua, perturbando nossa existência que insiste em não sair do lugar comum, da zona de conforto. E a música traz a base perfeita para essa reflexão.
Enfim, lembro Nietzsche, para quem é imprescindível que a atividade artística glorifique e destaque a vida, como também lhe é indispensável que conduza os viventes a tantas outras possíveis valorações da existência.

* Adaor Oliveira é filósofo e educador.

Saiba mais e ouça o EP Ciberpajé: Máquina Hiper-real clicando na arte de capa abaixo:




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