sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

[Lançamento - baixe agora!] Academiczine do Ciberpajé trata de processos criativos de quadrinhos envolvendo magia, música e tecnologia


Acaba de ser lançado pela Editora Marca de Fantasia o Academiczine n.3 - Biotecnolobo Antibinário: Magia, Música Pós-Humanista e Criação de Quadrinhos, esse número traz um breve texto em que explico o meu conceito de base ocultista do "Binarismo Anticósmico" e trato das inspirações tecnognósticas e mágickas para a criação da HQ "Biotecnolobo Antibinário" que é apresentada na íntegra no zine. Baixe o Academiczine n.3 aqui.

O conceito de Academiczine é um dos frutos das investigações de pós-doutorado de Gazy Andraus no Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da UFG que eu tive a honra de supervisionar. Ele propõe pensar o zine como um meio de também realizar a divulgação científica do conhecimento em pesquisas desenvolvidas na universidade.

A Editora Marca de Fantasia abraçou o projeto editorial da série de Academiczines, e os dois primeiros foram zines de Gazy Andraus e Henrique Magalhães que também podem ser baixados gratuitamente no sítio da editora.

[Assista Agora PODCAST SEM FREIO#257] Entrevista: Ciberpajé - Criação como Magia de Autotransmutação

Está disponível na íntegra o podcast SEM FREIO#257 com uma longa entrevista tratando de meu ideário de vida, meus processos criativos transmídia psiconáuticos e mágickos de quadrinhos, música, aforismos, performances, animações, videoclipes, e muito mais. Confiram nesse link.


Mihha profunda gratidão ao grande Dimitri Kozma pela incrível oportunidade de retornar ao Podcast SEM FREIO para trazer aspectos de minhas criações e ideário que ainda não tinham sido tratados em nossa primeira conversa.

Ciberpajé cria nova série de "animaforismos" (aforismos + animação) para celebrar o lançamento próximo do livro "Os Aforismos do Ciberpajé" pela Editora Sinete

O Ciberpajé iniciou uma série de animaforismos em técnicas experimentais de animação para celebrar o lançamento de seu livro "Os Aforismos do Ciberpajé" que acontecerá dia 9 de março de 2024 na Livraria Ria, em São Paulo. O livro será publicado pela Editora Sinete e está em pré-venda promocional nesse link.

O neologismo "ANIMAFORISMO" foi criado pelo Ciberpajé (aka Edgar Franco) para  batizar a fusão de animação com um aforismo - que pode ser recitado ou escrito. Ele já havia realizado alguns experimentos de animaforismos em animações mais longas e videoclipes do Projeto Musical Ciberpajé em parceria com o artista C.N.S., mas agora ele tem realizado alguns experimentos curtos nessa série que celebra o lançamento de seu livro de aforismos.

Seguem os 3 primeiros animaforismos da série:

LOBO LUMINOSO - um "animaforismo" (fusão de animação + aforismo) com animação, aforismo, voz e música do Ciberpajé.



INTERNO ETERNO - um "animaforismo" (fusão de animação + aforismo) com animação, aforismo, voz e música do Ciberpajé.


TRANSMUTO-ME - um "animaforismo" (fusão de animação + aforismo) com animação, aforismo, voz e música do Ciberpajé.










quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

[Resenha] EP Ciberpajé - Hino ao Nada que Fui e Serei: uma obra mágica que te faz sentir assombrado, mas também muito puro, limpo! Por Brunna Nastassia

Selfie de Brunna Nastassia com a arte de capa do EP em sua tablet

O sol tímido de inverno bávaro iluminava os gravetos secos, as pedras e os patos engordurados na corrente de degelo (Eu estava lá!) e fui agraciada, durante doze minutos de caminhada, pelo ‘Hino ao Nada que Fui e Serei’ - ouça-o aqui -  trincando em estéreo os meus ouvidos gelados. 

O vento violento fazia coreografia com o que eu ouvia, rasgando as orelhas e os olhos até que me agradou estranhamente uma leve fotofobia. A luz amarela e roxa, que dançou atrevida por alguns minutos na minha frente, se mexia e bagunçava minha visão e meus sentidos assim como a melodia transcendental de Alan Flexa e a voz corajosa e selvagem de Ciberpajé (aka Edgar Franco) guiando-me e se responsabilizando por tudo. 

O tudo bem áspero e cortante, porém agradável, muito agradável, das fotossínteses degoladas, martelos esquecidos e morte caudalosa chafurdados em lirismos genuínos de vida, psicodelia, arte e morte. Uma obra mágica que te faz sentir assombrado, mas também muito puro, limpo! Cuidado que isso tomará você! O espancamento psico-progressivo e poético é certeiro, mas também flutuante e harmônico e você vai querer repetir.

*Brunna Nastassia é artista, estilista, e ativista cultural, vive na Alemanha.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

[Resenha] Ciberpajé e Alan Flexa, artistas visionários e psiconautas, cocriam o “Hino ao Nada que Fui e Serei” uma malha de sincronicidades bem interessantes para a reflexão de artistas e apreciadores de arte visionária. Por Hugo Togo

Parte da capa do EP com foto de Hugo Togo

Ao ouvir o Hino - ouça-o aqui -  que é repleto de antíteses, em um primeiro momento lembrei-me de Nietzsche e seu tipo de narrativa. Para Nietzsche, a antítese não cria apenas uma contradição, mas a partir do choque de duas ideias contrárias, algo se resta além do nada, podendo ser uma síntese, o tudo. Observando a arte da capa (claramente feita em ENOC), pude perceber os espelhos criados por Ciberpajé em correspondência com as antíteses, que evidenciam uma tensão criativa, que precede o nascimento da síntese, que é contida no centro da imagem, em um rosto feminino de cabelos predominantemente magenta e pretos e alinhado ao sol. Sabe-se que o magenta é uma ilusão criada pelo cérebro e que, na verdade, o que existem são duas cores no lugar do magenta se alternando: azul e vermelho. Novamente o paradoxo, agora pelo choque de duas cores ou ainda, duas ideias opostas. A cor magenta parece-me simbolizar esta reconciliação com os opostos.

Ao longo do Hino, uma determinação é proclamada: eu estarei lá. É repetida como um mantra que a nível intencional, Ciberpajé parece lutar com as duas forças contrárias, pretendendo dizer: “Eu Sou Um. Ou nada. Mas não esta contradição, o dois, o diabo ou careta.” A cor magenta, que traz essa dicotomia do azul e do vermelho, é um Raio Cósmico, mais precisamente o 9º e, os quadrinhos, arte a qual o Ciberpajé também dedica-se e pela qual é reconhecido, são a 9ª arte. Eis mais uma sincronicidade. O hino parece ser para Alan Flexa e Ciberpajé, o prenúncio de uma nova forma de criar para ambos, seja no visual ou no sonoro.

Percebi algumas semelhanças na ideia e sonoridade com John Frusciante e Jorge Bem Jor, Sinalizando mais uma vez essa influência visionária, da alquimia, da magia, dos mantras etc. Dissipando-se as ilusões da dualidade, o “lá”, tantas vezes entoado, está por germinar aqui, enquanto uma nova forma de se ver além.

*Hugo Togo é artista visionário licenciado em artes pela Faculdade de Artes da UFG, em Goiânia.

[Resenha] EP Ciberpajé - Hino Ao Nada que Fui e Serei: audição experimental trágica e de horror quase indescritível! Por Amante da Heresia

Arte exclusiva de Amante da Heresia, criada para ilustrar essa resenha

"hino ao nada que fui e serei" - ouça aqui - , como seria minha audição? fui buscar no próprio título pistas para isso. audição ao nada? audição ao que fui? audição ao que serei? como seriam os ouvidos do nada que fui e serei? pois bem! a resposta que se entrelaçou como encruzilhadas de encruzilhadas me arrepiou! pois minha audição deveria ser, tal qual, a do personagem do conto de harlan ellison, "não tenho boca e preciso gritar" (1967).

no meu caso, "não tenho ouvidos e preciso escutar"! sim... audição experimental trágica e de horror quase indescritível. pois bem, foram assim minhas percepções de "hino ao nada que fui e serei" desde meu ser de "gelatina flácida. toda roliça, sem boca, com buracos brancos palpitantes, cheios de cerração, onde antes tinha olhos. apêndices elásticos que antigamente serviam de braços;
volumes arredondados, verdadeiras corcundas sem pernas, de matéria mole e escorregadia":
na aurora do inconsciente pós-humano, assim que começaram a tocar os primeiros acordes sintetizados, minhas sinestesias começaram a dançar nesta sua melodia, certamente feita de arco-íris líquidos & sombras que se enrolam como serpentes aladas. o eu-lesma, cujo self não me é mais propriedade privada, assim, com nossas centenas de antenas vibrantes coletivas, rastejavamos entre fragmentos de notas musicais que se desprendiam das borboletas de palavras do grande ciberpajé, ora orgânico, ora artificial, robótico uivo-arco-iris sabor mutamba.
o perfume do som de alan flexa impregna as antenas nossas deste meu eu-lesma, enquanto o toque etéreo das brisas de rafael senra & furlan gomes se desenrolava em carícias transcendentais em baixo e bateria. palavras ciberpajéicas dançavam no ar como pétalas de uma flor sonâmbula, embreagada, em estados extraordinários de consciência, cada uma carregando o peso de uma emoção que só podia ser degustada pela língua de um devaneio gastropódico. o gosto do nada, um néctar íntimo, mergulha nosso/meu eu-lesma numa serenata de sabores etéreos psicossibínicos.
meus olhos, nossos pequenos orbes de visão hipnótica & vesga de prazer, agora fechados, tornam-se portais para um reino onde a luz acaricia a pele desde onde deixo meu rastro úmigo & gosmento por onde estou agora dançando. são carícias da doçura de estrelas efêmeras. cada visão é caleidoscópica. são como sonhos moldados pelo balé alucinante das partículas de realidade que se entrelaçavam com a quimera do naturalmente artificial.
a temperatura deste hino é mesmo a de um éter fluido, pegajoso e elástico. faz com que esta pele de eu-lesma vibre com a eletricidade destes toques de erótica metafísica. o calor dos ventos emanados desde o estúdio zarolho records, revelava segredos progressivos, & o frio das cores, que mesmo assim ama um intenso fluido rosa (pink floyd), ou um vermelho forte reinante (king crimson), pinta paisagens abstratas nas mentes inquietas dos nós-gastrópodes.
no palco material da minha mente artificial, a sinfonia das sensações é conduzida pelos maestros dessa sonoridade inexplicável, enquanto exploro o cosmos sensorial com meu rastejar contemplativo espumante & viscoso. sim! vcs conbseguiram! a música do sabor, o aroma da textura, a coreografia do som, todos se entrelaçam numa dança cósmica, onde os sentidos só podem ser alquimistas, pois caso contrário, jamais destilaram essas belíssimas essências incompreensíveis.
& assim, no reino deste nada que fui e serei das percepções sensoriais que alan flexa e ciberpajé conceberam, nosso eu-gelatina-flácida, se torna a sacerdotisa coletiva & mutualista de um culto ao gozo do absurdamente belo. cada momento, um poema em fúria suada, é esperado por mim. quero ser preenchido pelos seus traços oníricos. os movimentos de minha corcunda sem pernas, precisa criar esse mosaico de sensações para desafiar minha própria lógica auditiva &, como isso, conseguir, à altura dessa extradordinária composição, celebrar a beleza incompreensível desse estranho reino ciberflexiano. não tenho ouvidos. & preciso escutar.

*Amante da Heresia é artista transmídia e pós-doutorando em Arte e Cultura Visual pela UFG. Integra o Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER (FAV/UFG).

[Resenha] Fantástico e profundo é o novo EP “Hino ao Nada que Fui e Serei" do Ciberpajé, por Fredé CF

Fredé CF com a capa do EP ao fundo

Com uma capa impactante e uma sonzeira feita por músicos admiráveis que são parceiros também de outras produções potentes do projeto deste artista transmídia criador de mundos, o EP "Hino ao Nada que Fui e Serei" - ouça-o aqui - convida a uma viagem por tempos e espaços transdimensionais. 

Groove, psicodelia, força, transformação e, sobretudo, consciência cósmica da importância da subjetividade de cada um no universo, bem como da ínfima relevância disso, desfacelando o ego humano que insiste em elevar futilidades ao nível do fundamental. 

Os aforismos existencialistas e libertadores me tocam reflexões sobre a importância de se reconectar com o animal único e essencial que reside em nós mesmos e promove um soco no estômago do narcisismo recorrente e excludente no mundo atual. 

O EP, dividido em três atos magickos intitulados “I- A Fotossíntese Degoladora”, II- O Martelo do Esquecimento” e “III- A Morte Caudalosa”, é como uma opereta progressiva que me remete muito a certas ambientações, riffs e timbragens pinkfloydianas, como no início do ato III, por exemplo. 

Ouvindo com fones em estéreo e de olhos fechados, como proposto, me gerou imagens distópicas de um mundo apagado pela ganância e pelo poder ilusórios. Um mundo que ressurge em uma alvorada de renovação, como que sacudindo e lançando pra fora os parasitas que o definhavam para seguir sua transformação. Uma ode ao planeta.

Os conceitos humanos de tempo e espaço são questionados e escancarados quanto a sua ilusão ao ouvir o EP. A fugacidade dos instantes projetada ao infinito do cosmos que reside interiormente em cada um dos seres é exaltada. Espaços e tempos desfragmentados pelo caos que insistimos em ordenar de maneira egóica. Lá, aqui, tudo, nada, passado, futuro. A obra, ambientada no universo da Aurora Pós-Humana, trata de maneira projetada poeticamente, sobre determinações que temos de apego e desejo no sistema neoliberal que nos rege. Tal condição padronizante por vezes nos alheia do que realmente existe: o agora a ser vivido como um presente que logo se esvai. 

A resistência reside talvez em sair da ilha pra ver a ilha, como diria Saramago. Sair dos próprios dogmas e certezas pra ver a beleza cósmica de ser quem se é, exaltando a dúvida e se abraçando no que se é/está. Uma incursão visceral nas nuances e complexidades das zonas cinzas que transcendem o binarismo anti cósmico recorrente. 

Parabéns e muito obrigado aos artistas por esse presente!


*Fredé CF é artista transmídia, doutor em Arte e Cultura Visual pela UFG e criador do universo ficcional MekHanTropia. Integra o Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER (FAV/UFG)