segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

[Lançamento] EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses" sela parceria com a banda chilena Filmy Ghost

 Capa do EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses", OUÇA-O AQUI


Sábila Orbe é um conhecido musicista da cena darkwave chilena, além de ser o mentor da banda Humanfobia (dark experimental)  e dos projetos musicais Filmy GhostYAKA-anima Noise, ele é o coordenador de dois importantes net labels latino americanos, o Cian Orbe Netlabel (experimental electronic, dark netlabel), e o Witch Spectra (post-witch house, dark vaporwave netlabel) que publicam inúmeros lançamentos de bandas e compilações unindo projetos darkvave da América Latina.

Sábila entrou em contato com o Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) para elogiar uma das faixas do EP "Cerrado Ser" e solicitar liberação para incluí-la em uma nova compilação do Cian Orbe Netlabel. O Ciberpajé ficou lisongeado com o convite e após muitas trocas de informações entre ambos, e de conhecerem mutuamente seus projetos musicais, surgiu a oportunidade da criação em parceria de Loucos ou Deuses, novo EP do Projeto Ciberpajé. 

Após ouvir os 3 aforismos gravados com a voz do Ciberpajé para a parceria, Sábila escolheu o seu projeto Filmy Ghost para realizar a musicalização atmosférica das faixas, inspirado no clima denso de trilhas sonoras de horror e suspense. O resultado são três faixas obscuras e climáticas editadas no EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses" que acaba de ser lançado pela Lunare Music. Ouça-o na íntegra em streaming ou baixe-o com encartes NESSE LINK.

A arte do EP foi criada sob a audição das faixas, mas utilizou como base um desenho prévio fruto de uma experiência visionária do Ciberpajé com o uso do enteógeno Psilocybe cubensis. Confira abaixo os encartes com ficha técnica e os aforismos recitados nas faixas.


 Encarte com a Ficha Técnica do EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses"

Encarte com o texto dos aforismos do EP "Ciberpajé - Loucos ou Deuses"

Ciberpajé - Loucos ou Deuses é o 22.º EP lançado pelo projeto, ouça os outros 21 EPs criados em parcerias com bandas e musicistas das 5 regiões do país e do exterior lançados pela Lunare Music:


Transumanimal (parceria com Alan Flexa / AP)

Lobo Infinito (parceria com o Melek-Tha / França)

Madrugada de Lilases Pedras Adornada (parceria com Nix's Eyes / Brasília)

Meu Teto Infinito (parceria com Xa-Mul / Inglaterra)

Encanto da Terra (parceria com Puro / SP)

Cerrado Ser (parceria com  Anésio Neto / MG)

A Carícia da Luz (parceria com Alpha III / SP)

Aqualupus (parceria com Rafael Senra / MG) 

Vida que Pulsa (parceria com Mensageiros do Vento / BA)

Ao Caos Cotidiano (parceria com Merlin Box / MG)

Orgasmo Universal (parceria com Cisne Sônico / PE)

 Pós-quintessência
 (EP comemorativo, parcerias com Each Second, Gorium,  pUNK[A]l_sUlUk, Sergio Ferraz, & Alan Flexa)

Concerto Pós-humano: A Execração dos Ismos (parceria com [ANT]ISM / SP)

Sinos Pós-humanos (parceria com  Bells of Soul / SP)

Entranhas do Sol (parceria com Alan Flexa / AP)

Cura Cósmica (Músicas de Posthuman Tantra & vozes do Granciberpajé Dimas Franco / MG)

Verdades Voláteis (parceria com Sérgio Ferraz / PE)


O Estratagema da Aranha (parceria com Quando os Céus e os Oceanos Colidem / SP-PR)

Heresia Cósmica (parceria com Léo da Heresia / Brasília)

Lua Divinal (parceria com Gorium / MT)

A Invocação da Serpente (parceria com Each Second / SP)
Hackeremixagem do EP "Ciberpajé - Heresia Cósmica" pelo projeto inglês Mentufacturer.

CD "Ciberpajé - Egrégora" - reuniu 21 bandas de 5 países musicando os aforismos do Ciberpajé. No CD temos desde o blues, passando pelo rock progressivo, pelo heavy metal e chegando a estilos como o dark ambient, o industrial e o noise. Uma viagem sonora pautada pela iconoclastia dos aforismos de Franco. As 21 bandas presentes no CD foram: Posthuman Tantra & Luiz Carlos Barata Cichetto (Brasil); Muqueta Na Oreia (Brasil); Zemlya (Brasil); Blues Riders (Brasil); TransZendenZ (Suíça); Alpha III Project (Brasil); Poolsar (Brasil); Each Second (Brasil), Gorium (Brasil); Blakr (Inglaterra); Gabriel Fox (Brasil); Hidden in Plain Sight (Brasil); God Pussy (Brasil); Nix's Eyes (Brasil); Emme Ya (Colômbia); Vento Motivo (Brasil); Iamí (Brasil); ANT[ISM] (Brasil); Melek-tha (França); Kamboja (Brasil); Dimitri Brandi de Abreu (Brasil). Adquira o CD + revista "Gatos & Alfaces # 6" (em que ele veio encartado) enviando e-mail para: oidicius@gmail.com

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

[Resenha] Videoclipe "O Enterro dos Deuses": vanguarda e metafísica existencial! Por Amyr Cantusio Jr


O Ciberpajé (a.k.a.Edgar Franco) é um dos ícones da vanguarda artística nacional. O conheço há anos. Seu trabalho envolve as artes plásticas, música eletrônica de vanguarda, filosofia e poesia. Com uma vasta obra publicada, inclusive CDs em parceria comigo (Posthuman Tantra & Alpha III, entre outros) o Ciberpajé lança agora o videoclipe "O Enterro dos Deuses", esse fenomenal trabalho pioneiro de pesquisa e criação com a rede neural Deep Dream em território nacional. Para mostrar que o Brasil não vive só de bundas e alienados. Obviamente os trabalhos que fazemos (me incluo nesta pequena roda de artistas) não atingem as massas, pois a maioria dos seres humanoides estão subdesenvolvidos e pouco interessados na metafísica existencial. 

O videoclipe é um trabalho a nível superior de consciência. E infelizmente estamos imersos em um plano material niilista e predador. Seres de nossa espécie amanhecem se matando desde a aurora dos tempos, por comida, água, posses, sexo e sobrevivência. Dentre eles alguns quebram esse paradigma, por isso digo que é uma honra estar aqui vivo com seres iluminados como Edgar Franco (PHD da Universidade Federal de Goiás). Enfim, assista a "O Enterro dos Deuses" no escuro". É algo para se meditar, pois há mensagens subliminares audiovisuais e também no aforismo recitado!

* Amyr Cantusio Jr é musicista reconhecido internacionalmente por sua vasta obra em que se destacam os álbuns de seu projeto musical Alpha III

Assista ao videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses" clicando na imagem abaixo:


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

[Prêmio da BD Alternativa do Festival de Angoulême] Álbum em quadrinhos "Cartografias do Inconsciente", que inclui HQs do Ciberpajé e foi fruto de pesquisa de doutorado orientada por ele, concorre a prêmio no mais importante festival de quadrinhos do mundo, na França

O Ciberpajé com o álbum Cartografias do Inconsciente em mãos no FIQ- BH

O mais importante festival do mundo dedicado às histórias em quadrinhos autorais, o Festival de Angoulême, na França, acaba de anunciar os indicados ao Prêmio de HQ Alternativa de sua edição de número 47, em 2020. "Cartografias do Inconsciente", álbum que inclui HQs do Ciberpajé e foi criado como parte de uma pesquisa de doutorado orientada por ele está entre os 37 indicados de 12 países.

O álbum em quadrinhos "Cartografias do Inconsciênte" (Editora Reverso) reúne 18 histórias distribuídas em 88 páginas, desenvolvidas por oito artistas, tendo como pressuposto criativo a busca por registrar estados ampliados de consciência. As técnicas meditativas utilizadas foram: ayahuasca, respiração holotrópica e sonhos lúcidos. A produção é o resultado poético da singular pesquisa de doutorado de Matheus Moura, sob orientação do prof. Dr. Edgar Franco (Ciberpajé), realizada no Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual FAV-UFG, a investigar os processos criativos de quadrinhos por meio do uso de Estados Não Ordinários de Consciência. Além dos pesquisadores Ciberpajé e Matheus Moura que participam com HQs individuais e em parceria, o álbum conta com os artistas convidados:  Laudo, Vinicius Posteraro, Guilherme Silveira, Angelo Ron, Décio Ramirez e Paula Mastroberti. Na publicação há histórias coloridas e em preto e branco. Há ainda um texto do psicólogo Fernando Beserra e outro da terapeuta holística Luísa Galvão, falando um pouco sobre consciência e experiências xamânicas.


Além de "Cartografias do Inconsciente", outro álbum em quadrinhos com participação do Ciberpajé, "Matéria Escura" (Editora Reverso), está entre os selecionados. Trata-se de uma coletânea de histórias curtas e médias de Guilherme Silveira, Matheus Moura e Vinicius Posteraro, o tomo conta ainda com um posfácio-HQ de Edgar Franco (Ciberpajé).


Página do sítio do 47# Festival de Angoulême com as indicações para o Prêmio BD Alternativa de 2020

A 47# edição do Festival  de Angoulême aconte de 30 de janeiro a 2 de fevereiro de 2020, saiba mais detalhes no sítio do evento. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

[Resenha] Videoclipe “O Enterro dos Deuses” anuncia a queda de um modelo de humanidade prepotente e autoflagelante, por Fausto Ramos

“Os loucos abrem caminhos que os sábios trilham mais tarde"
Eduardo Marinho

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

O ano de 2020 começou com uma emblemática mensagem de revolução e liberdade. Neste dia primeiro de Janeiro de 2020, Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) lançou o novo videoclipe de seu projeto musical, intitulado “O Enterro dos Deuses”. O videoclipe é pioneiro no uso da tecnologia Deep Dream de recomposição de imagens. O resultado é uma viagem profunda, com diversas camadas interpretativas. Farei o meu melhor esforço em desvendar algumas das nuances desta obra.

A ferramenta Deep Dream, utilizada no videoclipe, fez parte das etapas iniciais de desenvolvimento de inteligências artificiais capazes de interpretar imagens, identificando objetos e discriminando suas formas. O Deep Dream foi um dos primeiros softwares desta linha a ser popularizado pela internet, propiciando o seu uso lúdico e artístico. Deep Dream (do inglês, “sonho profundo”) recebe este nome por conta da aparência surrealista e onírica das imagens que gera.

O Deep Dream utiliza estratégias de algoritmos que tentam forçar o reconhecimento de determinados padrões visuais, contrastando a imagem recebida com um banco de imagens previamente analisadas e reconhecidas. De tal modo, a inteligência artificial gera uma nova imagem, inscrevendo na imagem original a sua interpretação sobre os padrões de forma e cor da imagem original.

Como o Deep Dream foi treinado para identificar formas de animais, as imagens que resultam de seu processamento criam focinhos, olhos, orelhas, rabos, entre outras imagens animalescas. Aqui reside uma das camadas interpretativas: O Deep Dream está, a todo instante, buscando enxergar as essências animais e primitivas por trás do videoclipe. Sua conexão com o tema do vídeo é arquetípica, retomando ao estado de desenvolvimento primal e instintivo.

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

Carl G. Jung descreveu a experiência hierofânica – o contato com o sagrado – como um episódio de poderosa inspiração gnóstica. O ser humano ancestral costumava reconhecer uma parte de sua própria alma nos objetos ao redor de si. A experiência de “perda da alma”, manifestada como um grande vazio interno, era apaziguada quando este indivíduo identificava esta parte perdida de si em uma árvore, um rio, uma pedra, um trovão, ou ainda, em um animal! Assim nascia uma nova divindade natural e, de igual modo, muitos animais são identificados como sagrados ou mesmo divinos em diversas culturas ao redor do mundo.

Dentre estas divindades naturais, existam os tricksters cujas representações arquetípicas são comumente reconhecidas por figuras de animais – algumas vezes, antropomorfizados. Tricksters simbolizam uma conexão com os instintos e com a natureza, além de revelarem o aspecto dual da nossa relação com os fenômenos naturais. A natureza não é pura bondade e generosidade, ela também é astuta – por vezes, traiçoeira – e só recompensa àqueles que aprendem a genuinamente conviver com ela em harmonia. Esta é a natureza dos tricksters. Ao utilizar a técnica do Deep Dream, Edgar Franco e C.N.S. dão vida, cor e movimento para estas divindades naturais a cada frame do vídeo.

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

Na animação gráfica do vídeo, podemos reconhecer uma pirâmide egípcia no meio do deserto. De dentro da pirâmide, existe um orbe roxo brilhando no meio da escuridão do crepúsculo. Ao longo da animação, vemos a pirâmide ser revertida, camada a camada, de modo a ser recomposta como uma pirâmide de cabeça para baixo, libertando o orbe de seu cárcere de pedra.

A animação vem acompanhada da potente voz do Ciberpajé, que ressoa com dizeres sobre como o Enterro dos Deuses despertará a pós-humanidade: uma era de empatia e amor. Conectadas as chaves de compreensão, fica claro que a inversão da pirâmide alude a um simbolismo anárquico de desmantelamento das relações de poder. Neste contexto, o orbe roxo representa o Self – o núcleo psíquico da nossa consciência primal, instintiva, além de símbolo da nossa totalidade e união com a consciência universal.

Identifico a pirâmide do vídeo como egípcia por conta da recorrência simbólica provocada por esta associação. A Civilização do Antigo Egito exerce poderosa influência sobre a cultura ocidental. É uma civilização tipicamente caracterizada pela associação entre Estado e Religião. Seus Deuses são animais antropomorfizados, aludindo à enorme probabilidade de terem evoluído a partir de divindades naturais – tricksters – mas terem claramente evoluído para símbolos em confluência com o Poder e a Autoridade.

Frame do videoclipe "Ciberpajé - O Enterro dos Deuses"

Inverter uma pirâmide egípcia equipara-se a subverter um dos símbolos mais essenciais do Poder – e da escravidão subjacente de seu modelo civilizatório. Há muitos milênios vivemos sob o domínio de mitos solares, de Deuses salvadores, com seus messias e profetas. O mito é tão impactante que acaba sendo assimilado até mesmo por aqueles que atestam lutar contra o poder. Muitos combatentes do sistema ainda prestam adoração e subserviência a líderes políticos e figuras públicas influentes.

“O Enterro dos Deuses” anuncia a queda de um modelo de humanidade prepotente e autoflagelante. Apenas quando cada indivíduo aprender a ser mestre de si e responsável por sua própria cognição, caminharemos para uma era de empatia, amor e harmonia. Os deuses precisam morrer a fim de libertarem a humanidade, ou melhor dizendo, a pós-humanidade.

Assista ao videoclipe "O Enterro dos Deuses" clicando na imagem abaixo:


*Fausto Ramos é  artista multimídia, magista, licenciado em Matemática e criador do portal Caosofia, onde compartilha conteúdos em vídeo e textos sobre Magia, Psicologia, Filosofia Arte e Cultura. No momento, suas pesquisas se concentram no campo da Psicologia Junguiana e suas relações com a Magia do Caos.

[Resenha] Livro "Conversas com o Ciberpajé": uma viagem transcendente com um ser “sem caráter”e iluminado, por Sara Gaspar

https://www.marcadefantasia.com/livros/quadrinhospoeticos/conversas-ciberpaje/conversas-ciberpaje.pdf
Capa do livro "Conversas com o Ciberpajé", clique nela para baixá-lo

O livro Conversas com Ciberpajé: vida, arte, magia e transcendência, publicado pela Editora  Marca de Fantasia em 2019, é um compilado de conversas entre Edgar Franco (o Ciberpajé) e Danielle Barros (a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana) ao longo de 7 anos. Danielle é professora doutora adjunta na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sendo autora de diversos artigos científicos, capítulos de livros e possui vários trabalhos em conjunto com o Ciberpajé. Também é uma artista, cria poesias, quadrinhos, fanzines, além de realizar lindos artesanatos, como, por exemplo, artes em resina. Além disso, é uma das 4 mulheres afinadas às criações de Edgar, sendo por isso nomeada como a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana. Edgar Franco é professor pós-doutor associado na Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG).  Possui uma vida acadêmica inspiradora, sendo autor de livros, vários artigos científicos e possui diversas parcerias acadêmicas e artísticas. Seu trabalho é reconhecido entre seus discentes, tendo sido convidado várias vezes como professor homenageado e paraninfo. Além de sua trajetória acadêmica bem consolidada, possui uma vida artística muito rica, produz quadrinhos, fanzines, músicas, videoclipes, aforismos, realiza performances com sua banda Posthuman Tantra, é criador do mundo ficcional transmídia denominado “Aurora Pós-humana” e muitas outras criações, sempre inventando e experimentando novas formas de expressão artística. Devido às inúmeras facetas que assume como Ciberpajé, ele desperta grande curiosidade em muitas pessoas, que podem se interessar por esse livro que apresenta um pouco de sua trajetória artística e pessoal.

O livro, um e-book de livre acesso, é todo estruturado em formato de entrevista, sendo conduzida por Danielle Barros. O leitor tem a sensação de pertencimento ao diálogo, imergindo nas conversas com o Ciberpajé. As perguntas são muito bem formuladas por Danielle, com grande coerência, não há sensação de ruptura na leitura entre os capítulos. Ao todo são 12 capítulos, cada um aborda aspectos diferentes da vida de Edgar Franco. No final ainda há um posfácio escrito pela IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, trazendo a sua visão de quem é o Ciberpajé e algumas curiosidades: como o conheceu, as sensações que sentiu ao presenciar a performance da banda Posthuman Tantra e um experimento realizado pelo artista e fotógrafo Rafael Happke. O livro é ricamente ilustrado com diversas imagens do começo ao fim, totalizando 121 figuras, o que traz uma maior sensação de imersão na conversa. Ademais, muitas obras relatadas no livro possuem o endereço eletrônico para o acesso livre, sendo possível conhecer melhor a vida artística do Ciberpajé. 

A leitura do livro é bem fluida podendo ser lido de um só fôlego em um dia, ou em uma leitura mais profunda por semanas, pois quanto mais se lê, mais curiosidade é despertada no leitor. A experiência de conhecer melhor uma pessoa como ele é incrível, ainda mais quando se trata de alguém tão rico espiritualmente e com uma trajetória artística tão vasta. O Ciberpajé, ao longo da obra, traz várias críticas e reflexões densas, por isso recomendo que a leitura seja feita mais lentamente e que às vezes releia algum trecho. Edgar Franco no início do livro retrata algumas características do ser humano sob perspectivas distintas do que se vê no senso comum, ele diz que costuma resgatar aspectos de certos significados já esquecidos. Então a primeira característica abordada é a sensualidade, para Edgar “quando a sensualidade morre, a criatividade desaparece. O não sensual é rígido e feio como um cadáver” (Ciberpajé, 2019). Assim a sensualidade é a beleza dinâmica da vida e está estritamente interligada à selvageria e à pureza, sendo essencial para a integralização do ser. Em suas artes a sensualidade está presente de diversas formas, sendo muitas vezes mal interpretada pelo público e até censurada em alguns ambientes. Isso porque boa parte da população renega esse seu lado visceral, seja pelas suas crenças religiosas ou pela maneira como a sensualidade e o sexo são explorados abusivamente e de forma repugnante na publicidade. 

Outra coisa que chama bastante atenção é como o Ciberpajé encara a vida como algo mutante e resgata outro significado de caráter, considerando-se um ser “sem caráter”: “A vida é mutante, a característica básica do universo é a mudança, então para fluir com a vida eu abdico de meu caráter todo o dia, quero ser livre para experimentar cada instante” (Ciberpajé, pg. 21). É muito inspirador ler essa visão dele da vida, instiga a uma evolução pessoal, a ser mais grato e presente no momento. Infelizmente muitas pessoas se enganam, dizem que estão vivendo enquanto, na verdade, apenas existem como um aglomerado de matéria ocupando um espaço na Terra. O que mais se vê são pessoas desconectadas do presente, estando presas ao passado ou ansiando pelo futuro, que talvez nem chegue. Além de se estagnarem em quem elas são, enaltecem suas qualidades e ignoram seus defeitos, enxergando-os em terceiros. E pior ainda é quando admiram muito alguém e crêem que se o copiarem fielmente poderão alcançar os mesmos resultados. Mas como Ciberpajé diz na página 25: “ A evolução é algo individual e pessoal não pode ser copiada, cada ser humano é um complexo e único universo”.

Uma característica muito admirável em Edgar é que pelo fato dele não seguir nenhum dogma, ele é livre para adquirir conhecimentos sobre várias religiões e incorporar diferentes aspectos que acrescentarão sabedoria em sua vida de alguma forma. Dessa maneira, ele aborda uma alternativa diferente para encarar o tempo de acordo com a visão espírita: “A perspectiva de termos muitas vidas nos deixa mais serenos para irmos mais fundo nessa vida naquilo que selecionamos como importante, sem pressa, pois se não provarmos de algumas coisas agora teremos outras existências para vivê-lo” (Ciberpajé, página 30). A frase é seguida por uma crítica da pressa que se vive no cotidiano o que alimenta cada vez mais o hiperconsumo, tendo as pessoas falsas esperanças de que quanto mais consumirem mais estarão experimentando a vida. Entretanto tudo isso trata-se de uma grande alienação. As pessoas seguem o ritmo do capitalismo, são influenciadas inconscientemente pela publicidade e cada vez mais se matam de trabalhar para manter uma vida financeira que não coincide com seus gastos, algo lamentável.

Edgar também fala sobre o sofrimento, assunto de extrema importância uma vez que é uma sensação inevitável na vida e para muitos a depressão é o mal do século: “Só os mortos não sofrem. A questão não é se vamos sofrer, e sim como lidamos com o sofrimento” (Ciberpajé, página 53). Ele complementa dizendo: “Sofrer é estar vivo, mas jamais devemos apegar-nos ao sofrimento ou às alegrias e êxtases, tudo é passageiro.” Infelizmente o sofrimento tem sido negado, principalmente entre os jovens, os quais gastam horas em redes sociais compartilhando apenas momentos felizes de sua vida e maquiando sentimentos ruins para assim ganharem mais curtidas e comentários: “O preço do prazer é a dor. Toda moeda tem duas faces. Você pode negar, mas a face obscura sempre vai te encontrar” (Ciberpajé, 2019). Outros jovens passam horas apenas vendo perfis de pessoas que são lindas segundo o padrão imposto pela cultura delas, possuem condições financeiras melhores e, assim, adoecem mentalmente por não viverem a mesma realidade. O fato é que a vida tem se tornado cada vez mais superficial para a maioria das pessoas e muito sofrimento vem acompanhando essa superficialidade. Além disso, é comprovado cientificamente que os jovens não sabem lidar bem com frustrações, o que gera mais tristeza e sofrimento: “Sofrer é parte natural do viver. Apegar-se ao sofrimento é o vício dos tolos” (Ciberpajé, 2019).

Por fim, é de extrema importância ressaltar a sensibilidade e a conexão do Ciberpajé com todos os outros seres vivos. Em suas artes sempre estão presentes esses elementos que também têm sido esquecidos pela maioria da sociedade. Como é possível observar nessa breve resenha, o e-book aborda contextos muito distintos, bem profundos e em conjunto com as artes do Ciberpajé e detalhes sobre suas parcerias artísticas. O livro é recomendado para pessoas que tenham interesse em conhecer o Ciberpajé e para aqueles que estão em busca de autoconhecimento, pois Edgar Franco é uma grande inspiração. 

Concluo incluindo abaixo mais alguns trechos marcantes retirados do livro:

“A busca minha é ser, ser integralmente o que sou, e quanto mais me equilibro, mais criativo me torno, quanto mais livre sou, mais criativo fico.” (Ciberpajé, página 52)

“Atualmente o desafio é diferente, é conseguir transformar o excesso informacional em algo útil e transformador, é navegar dentre o lixo quase absoluto da hiperinformação.” (Ciberpajé, página 98)

“Infelizmente as escolas deveriam morrer e renascer, mas isso precisa acontecer com o ser humano também.” (Ciberpajé, página 148)

“Ao negarmos nossos aspectos obscuros, nossas sombras profundas, estamos na verdade destruindo a possibilidade da totalidade, de sermos integrais e iluminarmo-nos.” (Ciberpajé, página 211).

O e-book "Conversas com o Ciberpajé" pode ser baixado gratuitamente na íntegra nesse link
  
                     Pintura de Sara Gaspar - Inspirada no Aforismo I do EP Ciberpajé Lobo Infinito                                                     
             
*Sara Gaspar é artista, graduanda em Biologia na UFRJ, e fanzineira conhecida por seus zines criados no contexto do projeto IFF Fanzine, do Instituto Federal Fluminense de Macaé/RJ, e também no Projeto Comer Pra quê?, da UFRJ & UERJ .



quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

[Lançamento] "O Enterro dos Deuses": videoclipe do Ciberpajé é um dos pioneiros no mundo a utilizar a rede neural Deep Dream


O projeto musical Ciberpajé, capitaneado por Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé), é baseado na musicalização de aforismos gravados com sua voz por bandas e musicistas dos mais variados gêneros musicais, do heavy metal ao experimental. Já gravaram faixas e EPs do Ciberpajé nomes respeitados no cenário nacional e internacional como Mensageiros do Vento (com ex integrantes do Imago Mortis), Dimitri Brandi (Psychotic Eyes), Muqueta Na Oreia, Blues Riders, Alan Flexa, Sergio Ferraz, Amyr Cantúsio Jr. (Alpha III), Melek-tha (França) e muitos outros.

Em 2019 um dos EPs lançados foi "Madrugada de Lilases Pedras Adornadas", parceria com a banda dark ambient de Brasília Nix's Eyes. O Ciberpajé e Caos Necrophagos Soturnums (a.k.a. CNS, mentor do Nix's Eyes) propuseram-se a criarem videoclipes para cada uma das 3 faixas do EP, e o mais desafiador deles foi o que acaba de ser lançado em 2020.

"O Enterro dos Deuses" tem como marco seu pioneirismo brasileiro na utilização da tecnologia  Deep Dream, uma forma de inteligência artificial e rede neural que altera padrões identificados em imagens digitais, reorganizando-as para que sejam identificadas pelo olho humano, e gerando assim efeitos que remontam experiências visuais psicodélicas.

O videoclipe/videoarte de 3:30 minutos, uma produção D.I.Y. com criação e direção de C.N.S. e roteiro do Ciberpajé, tem como inspiração o aforismo recitado na música: "Quando todos os deuses forem enterrados com seus pretensos livros sagrados a humanidade despertará. A empatia e o amor reinarão na pós-humanidade!" Contextualizando a visualidade num deserto de areia e em uma pirâmide hermética que simboliza o túmulo cósmico dos deuses, e trazendo uma estética digital retrô noventista. A pós-produção da obra demandou um processo lento de inserção de cada um dos frames base do vídeo no Deep Dream para a obtenção dos frames finais. O resultado é uma intensa viagem psiconáutica digital e os criadores indicam assistir ao vídeo no escuro para melhor visualização dos efeitos visuais.

Assista ao videoclipe pioneiro "O Enterro dos Deuses" nesse link, ou abaixo. 


Veja alguns frames do videoclipe "O Enterro dos Deuses":










Ouça o EP "Ciberpajé - Madrugada de Lilases Pedras Adornada" nesse link ou clicando na arte da capa abaixo.