terça-feira, 23 de abril de 2019

Ciberpajé homenageado em grafite em muro de Goiânia pelas mãos do artista Smith Art

O Ciberpajé foi homenageado pelo artista Smith Art ao ser retratado na forma de um grafite. A arte foi grafitada em muro do Setor Leste Vila Nova, na Nona Avenida, em frente o Colégio IEG na rua da feira, em Goiânia, Goiás. Confira duas fotos abaixo.






segunda-feira, 22 de abril de 2019

[Resenha] Ecos Humanos: uma obra imbricada de discursos pós-humanísticos, poético-filosóficos e apelo ecológico-ambiental, por Carlos De Brito Lacerda




Parceiras não são facilmente arranjadas e consolidadas, quanto/quando mais as que conseguem ser exitosas. Ecos Humanos - álbum em quadrinhos da Editora Reverso (FRANCO; SANTOS, 2018) é um exemplo de publicação quadrinística exitosa. Não apenas em aspectos editoriais, como também argumento, roteiro e arte, mas em destaque a proficiência dos dois autores dessa obra, Ciberpajé (Edgar Franco) e Eder Santos, roteiro e arte respectivamente, pois é claro e evidente a integração desses dois em uma obra imbricada de discursos pós-humanísticos, poético-filosóficos e apelo ecológico-ambiental. Fluência de ideias articuladas indissoluvelmente em Arte (res)significada. Ponto. 

Temos nesse álbum um bioma cerrado apresentado/representado num misto de distopia futurística e fábula com seres antropomórficos ou temos um "causo" ou conto com fundo moral? Uma possível resposta poderia vir da opinião de leitura de cada pessoa, melhor ainda se feita uma discussão pós-leitura em um grupo de viventes, independentes de serem cerradeiros ou de outro bioma, visto que há universalidade geo-ambiental em Ecos Humanos. Os personagens e a trama. A escolha do casal "anfitrião", lobos-guará e outros seres estaria carregada de simbolismos de um cotidiano de vida, numa repetitiva dependência por recursos naturais, em especial alimentos sólidos e água, assim como há presença de símbolos quase fetichistas envolvendo religiões e valores materiais financeiros, quando é o onde e o hoje que urge, sendo desprovido de cuidado com seu meio imediato e natural e com o outros seres desse meio natural ou naturalizado. 

O mais significativo dessa obra possivelmente seria o "convite ao espelho" que os autores nos fazem, por via de reflexão lúcida ou em estado alterado de consciência, visto que a noção de reflexão sobre atitudes e consequências seria provocada pela ingestão de cogumelos "alucinógenos" executada por um personagem, potencializando a empatia com a essência da obra em seus questionamentos existenciais e atitudinais frente à vida no planeta. No que tange às páginas finais dessa primorosa HQ, deixo o convite à interpretação das últimas mensagens pictóricas: estaríamos aptos a compreender-nos como corresponsáveis pela vida no planeta ou haveria um vislumbre de um futuro desolador edificado por nossas ações mecanizadas do cotidiano? Faço o convite para essa leitura, claramente provocativa e poeticamente dramática. 

(CARLOS DE BRITO LACERDA)

*Carlos de Brito Lacerda é educador e geógrafo (UFG), emprega com excelentes resultados a linguagem dos quadrinhos e dos fanzines para o ensino e o autoconhecimento dos discentes. Também é ativista cultural em prol dos quadrinhos no estado de Goiás tendo organizado múltiplos eventos e atividades em prol das HQs.

Saiba mais sobre Ecos Humanos e adquira seu exemplar clicando na imagem da capa abaixo:



sábado, 20 de abril de 2019

Curta animado "Por um Som Orgânico", com roteiro do Ciberpajé e direção de Fábio Purper é finalista do Prêmio Le Blanc da UFRJ


O curta "Por um Som Orgânico" entrou na lista de 5 finalistas da categoria "curta animado nacional" do II Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial, Animação e Literatura Fantástica. O prêmio é promovido pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) e pela Universidade Veiga de Almeida (UVA). A entrega dos troféus aos vencedores será no dia 09/05 de 2019, às 18h, na Escola de Comunicação da UFRJ (Av. Pasteur, 250 - Urca) durante a Semana Internacional de Quadrinhos (SIQ). Veja a lista completa dos indicados nesse link.

IImagem de divulgação do II Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial, Animação e Literatura Fantástica

"Por um Som Orgânico" é uma videoHQescultura. Trata-se de uma narrativa visual híbrida que mixa elementos do vídeo, da HQ e da escultura, fazendo ecos com uma HQtrônica e/ou animação. O filme, um curta metragem de 3'48" tem roteiro do Ciberpajé (Edgar Franco) e direção geral e de arte de Fábio Purper Machado, que também é o criador das intensas criaturas escultóricas que atuam no curta. 

Na história um músico pós-humano busca sua encomenda, um instrumento musical vivo. Inicialmente concebida por Edgar Franco como um roteiro de história em quadrinhos, a narrativa se passa em seu universo ficcional distópico chamado "Aurora Pós-Humana", e remete à temática da criação artificial de seres vivos para serem explorados e aos problemas éticos que envolvem o tema.


O curta foi uma das produções artísticas produto da tese de doutorado VideoHQescultura: Uma Poética Narrativa, defendida por Fábio Purper Machado no Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual da Faculdade de Artes Visuais da UFG, em Goiânia, sob orientação da Profa. Dra. Rosa Berardo. O Ciberpajé também é professor do PPG Arte e Cultura Visual da UFG.

Em 2018 o curta foi selecionado para as mostras competitivas do II Festival Internacional de Filmes de Horror Morce-GO Vermelho (GO), do 2° Lanterna Mágica - Festival Internacional de Animação (GO) e da 16a. MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação (MG). 



Leia detalhada resenha de "Por um Som Orgânico" escrita pela cineasta Amanda Ramos para o site Pipoca com Pequi.

O Ciberpajé com os bonecos-esculturas que protagonizam o curta "Por um Som Orgânico"

terça-feira, 9 de abril de 2019

Novo livro de Gian Danton traz tese desenvolvida sob orientação do Ciberpajé no PPG Arte e Cultura Visual da UFG, enfocando hiper-realidade e criação artística


A partir da criação do quadrinista Francisco Iwerten e de seu personagem Capitão Gralha, ambos fictícios, mas tomados como reais, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, também conhecido como Gian Danton, desenvolveu a tese de Doutorado na Universidade Federal de Goiás, sob orientação de Edgar Franco (Ciberpajé), que gerou o livro “Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos: a fantástica história de Francisco Iwerten”.

O trabalho reflete sobre o processo criativo do qual o autor participou ativamente: Francisco Iwerten e o personagem Capitão Gralha foram tomados como reais, citados em matérias jornalísticas, artigos científicos e cronogramas de quadrinhos; uma obra totalmente fictícia, mas que garantiu ao suposto desenhista paranaense até mesmo um prêmio e uma quase homenagem por uma escola de samba.

O livro faz a análise desse caso a partir dos conceitos de realidade-ficção e hiper-realidade. Além de discutir os principais conceitos tratados no trabalho, especialmente os relacionados à ficção, realidade, hiper-realidade e simulacro, o capítulo “Fake na arte” apresenta exemplos de casos em que a arte brincou com o conceito de realidade e as vezes em que a ficção foi tida como real.

São abordados, ainda, o processo de criação dos personagens e os desdobramentos do caso; o álbum fake “As histórias perdidas do Capitão Gralha”; bem como a criação da biografia de Francisco Iwerten analisada. O livro digital pode ser adquirido diretamente no site da Editora Marca de Fantasia.


Serviço:
Ivan Carlo Andrade de Oliveira (Gian Danton)
Paraíba: Marca de Fantasia, 2019
316p. Digital. R$ 5,00
ISBN 978-85-67732-95-4

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Ciberpajé é homenageado como personagem em novo álbum do quadrinhista Celso Moraes e da poetisa Joanna Franko

O quadrinhista Celso Moraes F., que atuou no universo dos fanzines nas décadas de 80 e 90, retomou a sua produção de quadrinhos e acaba de nos brindar com seu novo álbum "Gazua" criado em parceria com a lendária e misteriosa poetisa Joanna Franko. O álbum de fôlego, com mais de 100 páginas, é uma produção instigante que traz uma HQ poético-filosófica com certos aspectos autobiográficos dos dois autores. Trata-se de uma saga mítica e mística com belas reflexões filosóficas e transcendentes. A obra tem tiragem limitadíssima e foi editada pelo poeta Barata Cichetto, em seu projeto editorial Barata Artesanal.

O Ciberpajé (Edgar Franco) foi homenageado pelos criadores do álbum que o incluíram na narrativa como um dos personagens míticos de uma biblioteca cósmica, tendo grande importância na trama. O Ciberpajé também foi motivo de um acróstico poético criado por Joanna Franko e que integra a obra.

Confiram algumas das páginas do álbum com o personagem Ciberpajé:







E aqui o acróstico criado por Joanna Franko para o Ciberpajé:



Arte de capa de Gazua:


O Ciberpajé envia sua profunda gratidão aos talentosos amigos Celso Moraes F. e Joanna Franko pela incrível homenagem, nada pode superar a beleza e o significado de um presente como esse, ser homenageado por artistas admiráveis!

O Ciberpajé e o quadrinhista Celso Moraes F. com o álbum Gazua em mãos

A pose acadêmica do Ciberpajé, Celso Moraes e o musicista Sandro Sousa

terça-feira, 2 de abril de 2019

Gian Danton, o notório quadrinhista, fala do álbum Agartha, do Ciberpajé

Agartha: uma obra sobre a qual é difícil escrever racionalmente
por Gian Danton*
Página do álbum em quadrinhos Agartha, do Ciberpajé

Como escreve Henrique Magalhães no posfácio, Agartha, álbum de Edgar Franco (Ciberpajé), que teve sua terceira edição lançada recentemente pela editora Marca de Fantasia, é uma obra sobre a qual é difícil escrever racionalmente. É um trabalho para ser fruído de forma intuitiva. 


Franco constrói sua HQ em cima da frase de William Blake: “Não há progresso sem contrários. Atração e repulsa, razão e energia, amor e ódio são necessários à existência humana”. 

A maioria das religiões promete um paraíso pós-morte, em que tudo é perfeito e não existe conflito, mas apenas delícias. Edgar Franco pergunta-se: será que gostaríamos realmente de viver eternamente em um local assim? 

Essa reflexão baseia-se principalmente em imagens lisérgicas, repletas de detalhes, como mandalas, que instigam o leitor.

O álbum pode ser comprado ao preço de 20 reais no site da Marca de Fantasia.

*  Gian Danton é quadrinista premiado, doutor em arte e cultura visual pela UFG, escritor de 2 dos livros mais importantes sobre roteiro de quadrinhos e professor da UNIFAP, em Macapá.

Capa do álbum Agartha, do Ciberpajé (Edgar Franco)

Moira (filha de Gian), Ciberpajé, e Gian Danton com o álbum Agartha em mãos, na Oca do Ciberpajé, em Goiânia

Desenho e autógrafo do Ciberpajé no exemplar de Gian Danton

sábado, 30 de março de 2019

Orientanda de doutorado do Ciberpajé defende tese com HQ que satiriza o mito do bandeirante Anhanguera

Dia 29 de março de 2019, aconteceu na Faculdade de Artes Visuais da UFG, no Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual, a defesa da tese "Bandeirante Bocó: Uma aventura quadrinística nas terras dos Goyazes". A pesquisa da discente  Lígia Maria de Carvalho foi orientada pelo Ciberpajé (Edgar Franco). A tese foi o resultado de um esforço reflexivo que buscou subsídios: iconográficos (na personagem disneyana conhecida como Pateta) e argumentativos (no clássico documento intitulado A Bandeira do Anhanguera a Goiás em 1722 – Reconstrução dos roteiros de José Peixoto da Silva Braga e Urbano do Couto), com a finalidade de criar uma narrativa em forma de Histórias em Quadrinhos que contasse – de maneira criativa e engraçada - as peripécias do Bandeirante Bocó, ou seja, as aventuras de Bartolomeu Bocoeno da Silva, o “Anhanguará”. Para tanto, foram utilizadas as fontes bibliográficas pertinentes; as apropriações oficiais e populares do mito do bandeirante; e a coleção quadrinística Pateta Faz História que recriou, a seu modo, as biografias de ilustres personagens históricos. 

A tese foi aprovada com louvor e teve a indicação unânime da banca, escrita em ata, para a sua publicação integral, tanto a investigação teórica quanto o álbum em quadrinhos. A banca, composta por notáveis, teve como avaliadores externos o Prof. Dr. Henrique Magalhães (UFPB - que participou com parecer escrito), o Prof. Dr. Ademir Luiz da Silva (UEG), e como avaliadores internos o Prof. Dr. Thiago Santanna (UFG) e a Profa. Dra. Rosa Berardo (UFG). Confiram a pose acadêmica dos integrantes da banca e da nova doutora Lígia Carvalho.

 Da esquerda para a direita: Prof. Dr. Ademir Luiz, com a cara de Jodorowsky (do ,livro que gentilmente levou para presentear o Ciberpajé);  Profa. Dra. Rosa Berardo; Ciberpajé; Lígia Carvalho; e Prof. Dr. Thiago Santanna



Outra vista da pose acadêmica!

A foto comportada


Pose acadêmica da turma incrível que esteve reunida para celebrar o rito de passagem da defesa de doutorado

O álbum em quadrinhos produto poético do doutorado, com roteiro de Lígia Carvalho e arte de Cláudio Dutra (orientando de mestrado de Edgar Franco), incluiu uma homenagem singela ao Ciberpajé através da criação de um personagem - o poderoso pajé de uma tribo. O Ciberpajé agradece a honrosa homenagem, e deseja muito sucesso na jornada da recém doutora!


Páginas do álbum em quadrinhos "Bocó faz História" que homenageiam o Ciberpajé, roteiro de Lígia Carvalho e arte de Cláudio Dutra

Trecho da tese de Lígia Maria de Carvalho que fala da homenagem ao Ciberpajé:

Assim, sob o desenho de Cláudio Dutra, todas as semelhanças não são meras coincidências, haja vista, se tratarem de uma singela homenagem prestada ao talentoso artista Edgar Franco, cujos trabalhos realizados, por intermédio das narrativas transmidiáticas, lhe renderam reconhecimento nacional e internacional.
Apaixonado por Histórias em Quadrinhos, o arquiteto de formação, erigiu mundos ficcionais, sendo a ideia de aurora pós-humana, a poética que influenciou grande parte de sua obra, como por exemplo a graphic novel: BioCyberDrama Saga, em parceria com Mozart Couto, que lhe proporcionou concorrer ao Troféu HQ Mix 2014. Antes, porém, em 2010, o artista teve um fanzine que foi considerado, mundialmente, um dos dez melhores trabalhos que competiram no Festival de Angoulême, na França.
Dentre sua exitosa e produtiva obra, vale destacar alguns trabalhos que se tornaram emblemáticos, e até mesmo, agentes de mudança na própria forma de se conceber as Histórias em Quadrinhos. Dentre eles, mencionamos os fanzines criados sob a perspectiva poético-filosófica; as HQtrônicas que, em 2011, introduziram movimentos computacionais nas HQs, criando, assim, um elemento novo e híbrido; Os HQforismos, termo criado, em parceria com a artista e professora Danielle Barros, para justapor “elementos dos quadrinhos às sentenças aforísticas”, e assim, repensar a própria existência humana; e por último, os recentes Curtaforismos, ou seja, os curta-metragens oriundos de “uma ideia instigada pelos aforismos musicados”.
Ainda conectada à ideia de aurora pós humana, e mantendo estreita ligação com as experiências artísticas, acima citadas, ainda há que se mencionar a banda Posthuman Tantra, cuja música eletrônica se une à performance artística para criar uma conexão com as energias cósmicas, permitindo-lhe, assim, usufruir da eterna renovação. Sobre esse assunto, o artista Edgar Franco faz questão de destacar a sua transmutação em Ciberpajé, ocorrida em 20 de setembro de 2011, e sobre a qual, ele mesmo apresenta o seguinte comentário:

A minha transmutação em Ciberpajé, envolve aspectos performáticos, sobretudo nas performances cíbridas realizadas pelo meu projeto musical performático Posthuman Tantra, performances que envolvem: vídeos, aplicações computacionais em RA (realidade aumentada), mágica eletrônica, figurinos exclusivos e ações artísticas criadas em parceria com os integrantes do grupo de pesquisa CriaCiber – Criação e Ciberarte, da FAV/UFG. Os efeitos computacionais em realidade aumentada dão um caráter cíbrido às performances, pois criam “ambientes cíbridos - que integram simultaneamente o real e o virtual” (Lúcia Leão, 2004, p. 165), remontando os rituais de pajelança de alguns pajés que conectam o mundo dos espíritos ou dos totens animais ao mundo real. Para mim a figura do pajé é fascinante, ele tem a capacidade de conectar-se diretamente com a natureza para modificar a realidade, ela mistura os mundos, o mundo de suas cosmogonias transcendentes ao mundo “real” e eles consegue reestruturar a realidade mixando esses mundos. Ele é alguém que busca a cura, busca a harmonia, o equilíbrio. Então eu me espelho no pajé, ou xamã, como preferem alguns. Eu sou um ser que crio cosmogonias, mundos ficcionais e tenho utilizado gradativamente esses mundos para modificar a minha realidade. Através da mixagem de meus mundos com o pretenso mundo real, eu reconstruo minha realidade, e eu procuro tornar-me um ser integral, e através do amor incondicional disseminar a capacidade que cada um tem de se autocurar. Nesse caso o Ciberpajé utiliza a conexão entre os mundos ficcionais e o mundo real para ampliar a sua empatia diante do outro, e também para perceber sua multiplicidade interior e ter a coragem de “ser”, de ser eu mesmo.