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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

[Confira na Íntegra] Transmídia & Magia: Assista a live-entrevista completa com o Ciberpajé no Canal Milhas & Milhas do Youtube


No dia 16 de janeiro de 2025, o Ciberpajé (Edgar Franco), concedeu uma entrevista de mais de 2 horas com o ativista cultural Cássio Witt no Canal Milhas & Milhas. A entrevista pode ser conferida na íntegra neste link.


Na entrevista o Ciberpajé falou de suas criações com destaque para a música e os novos CDs do Posthuman Worm e Projeto Ciberpajé, também de suas novas animações, do recente lançamento do álbum em quadrinhos "Ecos Humanos" no Chile. Apresentou em primeira mão a animação/videoclipe "Golens Transgênicos" e um novo projeto de HQ que está em fase de conclusão com o mestre Toninho Lima. Também apresentou a conexão de todas as suas obras no contexto da magia do caos em seu universo ficcional transmídia mágicko da Aurora Pós-Humana.



terça-feira, 28 de janeiro de 2025

[Resenha] Revista de HQforismos "Uivos do Lobo Selvagem": uma obra curta, mas poderosa, que explora a figura do Lobo, totem mágico do Ciberpajé. Por Alexandre Chakal


HQ: Uivos do Lobo Selvagem

Autor: Edgar Franco (Ciberpajé)
Lançamento: 2022
Editora: Atomic 

Recebi meu exemplar desta HQ autografada pelo mestre Ciberpajé no dia em que tivemos a oportunidade de nos conhecer pessoalmente em São Paulo, durante o lançamento de seu livro "Os Aforismos do Ciberpajé". A foto postada, registra a ocasião e guarda a memória desse encontro muito especial.

A HQ "Uivos do Lobo Selvagem", é uma obra curta, mas poderosa, que explora a figura do Lobo, totem mágico do Ciberpajé. Trata-se de uma história objetiva, mas que aborda valores profundos como resiliência, união e lealdade, tanto no âmbito da vida e do amor quanto na relação com a matilha. Edgar Franco, com seu traço único e já característico, privilegia as ilustrações, que ocupam as páginas de forma expressiva. Essas imagens são acompanhadas por aforismos poéticos que enriquecem a experiência do leitor, conectando-o ao significado das cenas e promovendo reflexões sobre as mensagens transmitidas.

Posteriormente, em uma conversa com o autor, descobri que essa HQ foi concebida como um material promocional, oferecido como brinde aos colaboradores da campanha de financiamento coletivo do álbum Licanarquia, criado em parceria com Toninho Lima. Com o sucesso da campanha, que quase dobrou a meta, foi possível editar Uivos do Lobo Selvagem com a qualidade desejada. A tiragem, no entanto, foi pequena, e os exemplares, enviados majoritariamente aos 265 apoiadores da campanha, tornaram-se itens raros e de colecionador. Assim, ter recebido um desses poucos exemplares não distribuídos ao público geral é um privilégio único.

Essa obra, descrita pelo autor como um "grimoire mágicko", é repleta de HQforismos que celebram a essência do totem Lobo. Apesar de não ter sido lançada oficialmente nem amplamente divulgada, carrega um significado especial para os que tiveram acesso a ela.

Outro ponto, o miolo da obra foi publicado em P&B, mas originalmente ele foi concebido colorido, então o autor me enviou um dos HQforismos na versão original em cores! Confira.

Essa é a unica resenha que a obra recebeu até aqui.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025.

Resenha originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Publicada também no METAL REUNION ZINE 

Fonte
Metal Reunion Books & Zines

[Publicação] Pony Club - Nightmare Edition Vol.1: HQforismo do Ciberpajé é incluído em publicação da Turquia

Pony Club - Nightmare Edition Vol.1 é uma publicação da CosmicZion Zine’s, editada na Turquia pela artista e ativista cultural Elif Şeyda Doğan. Esta primeira edição conta com 14 artistas de 10 países sendo que a curadora da obra selecionou 3 artistas do Brasil, incluindo um HQforismo do Ciberpajé.

Confira a versão digital da publicação neste link.


Eis o texto de divulgação da antologia traduzido do site seguido da lista dos artistas:

14 artistas talentosos de 10 países diferentes, os anfitriões do Nightmare Festival, convidam você para uma jornada nas profundezas da escuridão, gritos sussurrantes, um mundo autocriado, lembretes assustadores da realidade, portas que nunca deveriam ser abertas e além dos limites da lógica.

Pony Club é uma coleção de arte internacional. Nesta edição especial, ela revela todas as faces dos pesadelos, dos medos mais profundos às verdades mais misteriosas, por meio de obras originais e marcantes.

ANFITRIÕES DO FESTIVAL

Chucho Mendoza Pozas | “Midnight Whisper”

Rlon Wang | “The Starting Nightmare in the Dead of Night”

Mykhailo Luhovyi | “Just a Reminder”

Orkun Bozkurt | “Revenge of the Bunny”

Gazy Andraus | “This World Makes Itself (Heavy)”

Kseniya Vysotskaya | “The Foggy District”

Jorge Sossa Musumeci | “The Door”

Asena Polat Keskin | “Falter”

Martinique | “Hydra”

Valentina Fedorovich | “Unable to Move”

Katarina Galić | “Stop Making Sense”

Ciberpajé | “Killing the Dragon”

Bima Aria Shiddiq | “Jester of Nightmare”

Przemysław Berestko | “Crows”




segunda-feira, 20 de maio de 2024

Confira o discurso de agradecimento do Ciberpajé no "I Prêmio do Quadrinho Goiano" por sua premiação na categoria "Mestre do Quadrinho Goiano"


Confiram abaixo o vídeo que é um recorte do momento final da premiação no qual recebo o certificado do prêmio de "Mestre do Quadrinho Goiano" no "I HQGO - Prêmio do Quadrinho Goiano. O vídeo foi capturado por Lucas Matheus Dal Berto. Ao final incluímos fotos do palco com os outros dois premiados nessa primeira edição do Prêmio HQGO, Cátia Ana - premiada como Mestra do Quadrinho Goiano, e Nebuladem, premiado como Revelação do Quadrinho Goiano.


Fui contemplado com a premiação de MESTRE DO QUADRINHO GOIANO no "I Prêmio do Quadrinho Goiano", promovido pela "Associação Anápolis HQ", com apoio institucional da UEG - Anápolis. É uma emoção especial para mim receber esse prêmio que legitima minha trajetória de 16 anos no amado estado de Goiás promovendo a linguagem das histórias em quadrinhos, como artista, pesquisador e professor, incentivando a criação e investigação de HQs em minhas disciplinas pioneiras na FAV/UFG e também orientando pesquisas de TCC, iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado no PPG Arte e Cultura Visual da UFG, além de coordenar o Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER que se propõe a pensar processos criativos de quadrinhos e narrativas transmídia e tem levado a produção artística de seus integrantes a múltiplos eventos estaduais e nacionais.


Depois de ter sido reconhecido nacionalmente com o "Troféu Angelo Agostini" de Mestre do quadrinho Nacional, agorafoi a vez de receber o reconhecimento do estado que adotei como meu, Goiás! Gratidão, aos envolvidos com a criação do prêmio pelo honrosa deferência, e aos alunos, ex-alunos e pesquisadores que têm me apoiado nessa trajetória de paixão pela arte dos quadrinhos.

O "I HQGO - I Prêmio do Quadrinho Goiano" é uma iniciativa pioneira no estado de Goiás da "Associação e Coletivo AnápolisHQ - Quadrinhos e Cultura Pop", que existe desde 2015. Em seus 9 anos de existência a AnaHQ já realizou 6 eventos estaduais dedicados às HQs e ao mundo geek, reunindo dezenas de artistas goianos e um público de milhares de pessoas. Os eventos foram 2 edições da AnápolisHQ Fest, Cosplay Fantasy, AnaGeek e Cosplay Fantasy. Em 2024 a AnaHQ reuniu todas as manifestações em um grande evento, a X Fantasy.
Segundo a AnaHQ, a criação do "I Prêmio de Quadrinhos Goiano" tem como objetivo valorizar os quadrinhistas que atuam em Goiás reconhecendo aqueles que contribuem para o crescimento desse meio. Na primeira edição o projeto premia mestre e mestra do quadrinho goiano e artista revelação. O prêmio tem o apoio institucional da UEG (Universidade Estadual de Goiás) - Campus Anápolis de Ciências Exatas e Tecnológicas Henrique Santillo.

A cerimônia de entrega do "I Prêmio de Quadrinhos Goiano" aos premiados aconteceu no evento geek "X Fantasy", no dia 19 de maio de 2024, domingo, às 19:40h, na UEG- Anápolis, Campus de Ciências Exatas e Tecnológicas Henrique Santillo.


















sexta-feira, 10 de novembro de 2023

[Estreia] Novo curta animado "Dança do Licanarquista" - de Ciberpajé e C.N.S. - será lançado em mostra do SESC Brasília neste domingo


No próximo domingo, 12 de novembro, estreia o curta animado "Dança do Licanarquista", uma criação do Ciberpajé em nova parceria com o artista C.N.S. (aka Diogo Soares) com música de Antenor Ferreira (UnB).

O curta experimental será exibido na "Mostra Áudio-Visual Antropofagias", no SESC Presidente Dutra, em Brasília, que acontecerá no Teatro Silvio Barbato, dia 12/11 de 2023 a partir das 18h, com entrada franca.


O processo de criação da animação experimental partiu da seleção de 10 HQforismos do álbum em quadrinhos "Uivos do Lobo Selvagem"( Ciberpajé - Editora Atomic, 2022), eles foram gravados com a voz do Ciberpajé e depois musicados por Antenor Ferreira criando uma faixa musical que conecta-os. A partir da música a animação foi concebida, criando cenas que partem das artes dos HQforismos do álbum e fruem de forma surrealista com transmutações inspiradas no sentido dos aforismos e geradas com o auxílio de uma rede neural alimentada com centenas de artes do Ciberpajé em um processo de "Machine Learning". Ou seja, toda a animação tem como base a estética singular do artista Ciberpajé partindo desse complexo banco de imagens com suas artes.


Dança do Licanarquista tem 6':41" e é uma produção do Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER (FAV/UFG).

sábado, 16 de setembro de 2023

[Entrevista] O Ciberpajé e os Processos Criativos de Quadrinhos Poético-Filosóficos, por Gian Danton

Entrevista concedida a Gian Danton em 16 de setembro de 2023


Gian Danton: Quando você percebeu que era possível fazer poesia em quadrinhos?

Ciberpajé: Foi algo fluido e natural para mim, eu comecei a escrever poesia na mesma época em que me interessei pelo desenho e por criar minhas primeiras narrativas quadrinhísticas. Foi por volta dos 10 anos de idade. É curioso perceber como de forma natural o texto de minhas primeiras HQs já era contaminado pela verve poética, já com poucos balões e diálogos e narrações poéticas conduzindo a história. Penso que a gênese de meus quadrinhos nasceu impregnada pela minha paixão pela poesia, então, já nos primeiros anos em que comecei a publicar minhas HQs nos zines brasileiros sempre haviam comentários de que o que eu fazia não era quadrinhos, era “poesia ilustrada”, algo de que discordo veementemente, sempre foi quadrinhos, só que estava nascendo ali – comigo e outros pioneiros nessa mistura singular - o gênero poético-filosófico de quadrinhos, batizado posteriormente por mim em 1997.

Capa da revista Translobo, número 14 da Artlectos e Pós-Humanos, Editora Marca de Fantasia, 2023. 

Você, o Gazy Andraus e outros artistas criaram o gênero poético-filosófico, batizado por você. O nome deixa a entender que o texto poético é parte essencial desse gênero. Concorda?

Sim, eu e Gazy somos 2 dos pioneiros desse gênero de quadrinhos que é genuinamente brasileiro como destacou o pesquisador Elydio dos Santos Neto em seu Pós-Doutorado realizado na Unesp em 2010 e dedicado a analisar e investigar o quadrinho poético-filosófico. A partir dessa pesquisa singular de Elydio foram inclusive publicados pela editora Marca de Fantasia os livros “Os Quadrinhos Poético-Filosóficos de Edgar Franco” e “Os Quadrinhos Poético-Filosóficos de Gazy Andraus”, apresentando as singularidades de nossos processos criativos, mas também as conexões entre eles que nos enquadram no contexto do poético-filosófico. Ainda na década de 1980, numa tentativa inicial de classificar esses trabalhos, eles foram chamados por muitos editores de fanzines de “quadrinhos poéticos”, fazendo um paralelo com a literatura, ou seja, os quadrinhos tradicionais estariam para a prosa assim como os “quadrinhos poéticos" estariam para a poesia. Posteriormente a insuficiência conceitual do rótulo “quadrinhos poéticos” para conceituar o que eu e alguns outros quadrinhistas estávamos fazendo levou-me a criar o termo “quadrinhos poético-filosóficos” (FRANCO, 1997, p.54), anexando a palavra “filosóficos” à denominação por verificar que a maioria dos quadrinhistas desse gênero também apresentavam trabalhos com a pretensão filosófica de levar o leitor a refletir sobre alguma questão existencial. Assim o termo foi adotado pelo Dr. Elydio dos Santos Neto em sua pesquisa de pós-doutorado em artes na UNESP, Santos Neto (2009, p.90) resume as características principais dessas HQs:

São, portanto, três as características que principalmente definem uma história em quadrinhos poético-filosófica: 1. A intencionalidade poética e filosófica; 2. Histórias curtas que exigem uma leitura diferente da convencional; 3. Inovação na linguagem quadrinhística em relação aos padrões de narrativas tradicionais nas histórias em quadrinhos.


Então, a intencionalidade poética é certamente uma das bases fundamentais do chamado quadrinho poético-filosófico, destacando o texto poético como parte essencial dele. Essa verve poética sempre colocou o gênero em uma posição de vanguarda e de legítima expressão artística, tratando a criação quadrinhística como um espaço expressivo para os autores trazerem à tona suas percepções imanentes e transcendentes do mundo e da experiência do viver, distanciando-os enormemente da produção comercial de quadrinhos destinada ao entretenimento e lazer. Por isso esses quadrinhos nasceram no meio paratópico dos fanzines e até hoje encontram pouco respaldo em editoras comerciais, nesse contexto é fundamental destacar a revista/prozine Mandala, editada por 13 números pela editora Marca de Fantasia em fins da década de 90 e início dos anos 2000, sendo a primeira revista brasileira a dedicar-se exclusivamente aos quadrinhos poéticos, com destaque para a HQ poético-filosófica.

Capas da revista Mandala, com artes de Edgar Franco, Al Greco e Gazy Andraus

Você lê poesia? Quais poetas?

Sempre li muita poesia, a poesia é a expressão literária mais pura, livre, explosiva, subjetiva e vibrante. Não é por acaso que em nosso mundo contemporâneo marcado pelo hipernarcisismo das redes sociais, pela hipercompetição, pelo pragmatismo da busca desenfreada pelo mostrar em detrimento do ter ou do ser, pela necessidade da fama a qualquer custo, que a poesia está morrendo. Tornou-se um nicho muito restrito cada vez com menos visibilidade. Mesmo em grandes feiras literárias o número de lançamentos de livros de poesia, ou mesmo o número de títulos disponíveis é muito pequeno. Vivemos em um mundo de volatilidade da informação, onde impera uma obsessão pela objetividade da comunicação, tudo tem que ser direto, curto e claro para absorver a atenção das pessoas bombardeadas pela hiperinformação. Nesse contexto, a poesia, que necessita do mergulho, da subjetividade, da entrega, de uma experiência de leitura sutil e livre de obviedades, parece estar condenada à morte. E nesse caso amplio a ideia de poética, recordando Aristóteles, para além da expressão escrita, mas para todas as expressões artísticas que nascem da subjetividade, do ruído, dos paradoxos, das zonas cinzas do ser que se insurgem contra o binarismo anticósmico que reina na comunicação digital, onde tudo é extremismo, sim ou não, preto ou branco, esquerda ou direita, deísta ou satanista. Sobre minha leitura de poesia, tudo começou aos 10 anos com a paixão precoce pelo mal do século de mestres como Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, Poe, Isidore Ducasse (Conde de Lautreamónt), Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, e posteriomente fui me abrindo para outras expressões poéticas encontrando grandes escritores como Ezra Pound, T.S. Eliot, Manoel Bandeira, até o choque e maravilhamento com o encontro com o Rubaiyat, do persa Omar Khayyam, um presente sagrado que ganhei de meu amado e saudoso pai Dimas Franco. Daí avancei para a poesia e aforística oriental, encontrando obras singulares como o Tao Te King, de Lao Tse, e o poema épico indiano Maabárata. Aprendi também a amar a poesia feita por meus contemporâneos e amigos, lendo-a em inúmeros zines e publicações independentes, estou sempre aberto a novos poetas, no momento tenho lido obras instigantes do jovem poeta Breno Pitol.

Fale um pouco do seu processo criativo nas HQs poético-filosóficas.

Tenho investigado inúmeros processos criativos e possibilidades inusitadas de criação de meus quadrinhos poético-filosóficos. A revista em quadrinhos Artlectos & Pós-Humanos, com 14 números publicados pela editora Marca de Fantasia, é um dos meus principais laboratórios de experimentação artística, nela já publiquei HQs criadas a partir de experiências com enteógenos como a Ayahusca e o Psilocybe cubensis e outras técnicas de estados não ordinários de consciência como a Respiração Holotrópica, técnicas mágickas como a magia de sigilos – criando de forma pioneira no Brasil Sigilos-HQ, HQ inspirada na Postura da Morte de A.O.Spare; e muitas HQs criadas a partir de meus “rituais mágickos de presença” - técnica desenvolvida por mim na qual passo horas desenhando sem nenhum crivo da mente consciente, produzindo inúmeras imagens que posteriormente eu utilizo para gerar narrativas quadrinhísticas, dando coerência a elas com o texto poético que as amarra. Também tenho criado centenas de HQforismos, um subgênero dos quadrinhos poético-filosóficos – assim batizado por mim e pela pesquisadora de minha obra, a artecientista Dra. Danielle Barros (UFSB) – que conecta um desenho a um texto poético-aforístico que o complementa. Sendo que muitos desses HQforismos surgem de insights de minhas experiências transcendentes. Já realizei quadrinhos em parceria com um robô, em parceria com um saudoso coqueiro do meu jardim, e em exercícios de criação em brainstorming em parceria com artistas como Gazy Andraus, Elydio dos Santos Neto, Jorge Del Bianco, e até contigo, Gian Danton. Eventualmente crio narrativas mais tradicionais, mas mesmo assim com momentos de extrema expressão poético-filosófica, como nos álbuns BioCyberDrama Saga, parceria com Mozart Couto; Ecos Humanos, parceria com Eder Santos; Licanarquia, parceria com Toninho Lima. Em 2020 fui o pioneiro brasileiro a utilizar inteligências artificiais no auxílio para a criação de quadrinhos, criando a primeira HQ a usar redes neurais NST (neural style transfer) chamada “Conversas de Belzebu com seu Pai Morto”, publicada no número 1 da Atomic Magazine, e que inclusive contou com um desdobramento criativo, o EP musical de mesmo nome criado em parceria com o produtor e musicista Alan Flexa. Recentemente criei minha primeira HQ poético-filosófica de super-herói, um experimento desenvolvido com o quadrinhista Oscar Suyama e seu personagem Coruja Negra, através do qual ele criou uma sequência de 5 páginas inspirada no meu universo ficcional transmídia e mágicko da Aurora Pós-Humana e entregou-me para eu escrever o texto poético-filosófico da narrativa gerando a HQ Litania Transumanimal. Estamos inclusive criando uma HQ mais longa nesses moldes! Antes de minha parceria com Suyama, já tinha criado uma HQ nos mesmos moldes com o grande quadrinhista Bira Dantas, na qual ele partindo de um sonho que teve e utilzando-se da cosmogonia da Aurora Pós-Humana e de referências à minhas artes desenvolveu 5 belas páginas de uma narrativa chamada Planetae Post Humanus e eu criei o texto aforístico para a obra. Também criei uma HQ de ficção científica que uniu o meu universo ficcional da Aurora Pós-Humana, ao universo ficcional de viagens no tempo – Intempol, de meu amigo Octávio Aragão, ela foi publicada no álbum Intempol: Agora, que concorreu ao HQMIX 2022. Para fechar essa resposta sobre processos criativos inusitados, cito o álbum em quadrinhos O Sonho dos Deuses, ainda inédito, com uma narrativa poético-filosófica desenvolvida com esculturas e cenários criados por mim exclusivamente para ela, um dos frutos de minha segunda investigação de pós-doutorado realizada no Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo. E sigo sempre entusiasmado e instigado a explorar novas possibilidades criativas para os quadrinhos!

Página da HQ Litania Transumanimal, de Ciberpajé e Oscar Suyama

Página da HQ Planetae Post Humanus, de Bira Dantas e Ciberpajé

Página de abertura da HQ Vortex Pós-Humano, de Ciberpajé, publicada no álbum Intempol:Agora

HQforismo de Edgar Franco (Ciberpajé)


Alan Moore diz que os quadrinhos são uma forma de devolver às pessoas. Você concorda com essa informação?

No meu caso, a criação de quadrinhos é um processo de autocura. Utilizo o processo criativo como uma forma mágicka de autoconhecimento e autotransformação, transformando o exercício criativo em um ato de total conexão com o agora, sem a preocupação com o resultado final, mas sim em fruir completamente o processo, compreendendo como a criação daquela narrativa permite-me perscrutar o meu ser cósmico e compreender minhas idiossincrasias, possibilitando-me transformar-me interiormente. Nesse caso, a principal motivação para criar é o ato criativo em si, o momento da criação que é sempre transformador para mim. A recepção da minha obra tem um valor secundário para mim, obviamente se ela tocar as pessoas, isso me deixará alegre, mas não crio pensando nisso, pois tenho consciência de que a única transformação possível que minha arte poderá realizar é a de mim mesmo. Talvez ela sirva para incentivar pessoas que já estão em um caminho de transformação, mas não será a deflagadora desses processos. Por isso digo a todos: CRIAR CURA! A criação é o espaço mais profundo e certeiro para os processos de transmutação interiores, é o método mais poderoso para a cura interior, praticamente ignorado pelas terapias contemporâneas, mas fundamental em meu processo como artista-magista. Entendo perfeitamente o ponto de vista de Moore, no entanto discordo dele, não acredito em legados, tudo será varrido pelo inevitável fluxo das eras, até nossa espécie perecerá. E ao contrário da visão de que criar para mim mesmo seja algo egoísta e individualista, trata-se de um processo que busca a individuação – na perspectiva de Jung – envolvendo a compreensão interior da diversidade, da alteridade, da importância de conviver serenamente com outras visões de mundo na contramão do binarismo anticósmico vigente na comunicação digital, mesmo aquelas que parecem atacar nossas verdades. Ao transformar-me eu transformo o cosmos inteiro, pois sou uma imagem holográfica do universo.

Referências:

FRANCO, Edgar. “Panorama dos Quadrinhos subterrâneos no Brasil.” In. CALAZANS, F. M.A. (Org.) As histórias em Quadrinhos no Brasil: Teoria e Prática. São Paulo: Intercom/Unesp/Proex, 1997, p. 51-65.

SANTOS NETO, Elydio dos. “O que são histórias em quadrinhos poético-filosóficas? Um olhar brasileiro.” In Visualidades – Revista do Programa de Mestrado em Cultura Visual da FAV/UFG, Vol. 7 n. 1, Jan/Jun 2009, - Goiânia - GO:UFG, FAV, 2009, p.68-95.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

[HQforismo Animado ou Animaforismo] Confira a experiência de criação de um HQforismo Animado ou Animaforismo criado por Ciberpajé e C.N.S.


Os limites do conceito de HQforismo - subgênero dos quadrinhos poético-filosóficos que unem uma imagem a um texto aforístico - têm sido expandidos e transgredidos pelo Ciberpajé desde sua criação, criando HQforismos em 360 graus, HQGIForismos e agora experimentando com HQforismos animados, também chamados por ele do novo neologismo Animaforismos, breves animações sem ou com som publicadas nas redes sociais acompanhados pelos aforismos.

Confira abaixo o experimento inicial de HQforismo animado por Ciberpajé (aka Edgar Franco) e C.N.S. (aka Diogo Soares). Animação desenvolvida a partir de banco de imagens com 330 desenhos do Ciberpajé alimentando rede neural.

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Reinvente-se, regenere-se, reconstrua-se a cada instante. Seja vivo, seja elegante, assuma-se como mutante! (Ciberpajé)


terça-feira, 27 de junho de 2023

[Resenha] Álbum em quadrinhos ENTEOGÊNICOS, de Ciberpajé: um olhar transcendente sobre o universo. Uma experiência sensacional! Por Fredé CF

Fredé CF com seu exemplar de Enteogênicos

Acabei agora de ler o ZineBook “Enteogênicos” do Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco), de 2019, e fiquei encantado com as reflexões propostas pelas narrativas. No álbum, o autor acessa por E.N.O.C. - estados não ordinários de consciência - a Realidade Vegetal ascottiana para nos brindar com uma obra autêntica e visceral, a partir da utilização dos enteógenos Psylocibe cubensis e Ayahuasca. Nas páginas, o Ciberpajé traz HQs e HQforismos que surgem dessas experiências vividas por ele. 

As narrativas tecem reflexões críticas acerca da hipercompetitividade e hiperinformação, típicas da sociedade neoliberal, dominada pelo consumo e que nos causa cobranças por desempenho e exposição exorbitantes. Tais características de nossa atual condição sociocultural, institucionalizada pelo binarismo anticósmico, é uma das grandes responsáveis pelo adoecimento psicoemocional de milhares de pessoas em todo o planeta e nos aproxima cada vez mais da nossa autoextinção. Edgar toca na ferida cada vez mais inflamada que faz parte de nossas vidas cotidianas e, assim, provoca reflexões importantes e muito interessantes acerca da existência e da transcendência de nós mesmos enquanto seres, agentes de transformações. 

Edgar nos conduz visualmente e filosoficamente por questões que imbricam o pré e o pós-humanismo, tendo o humano como vetor transformador do cosmos que o cerca e o integra em si mesmo. O artista transcende as realidades articulando-as. Adentrando em questões subjetivas, fenomenológicas e existencialistas fundamentais, acerca de nossa limitada percepção de mundo resumida a cinco sentidos. Destaco um trecho em que diz: “o muro branco é a mentira, e não as figuras vislumbradas pelo psiconauta imberbe!” (P.14). Junto ao trecho do aforismo citado, um desenho de sua visão psicodélica sobre o muro, com seres surgindo do abstrato em formas distorcidas. A obra do Ciberpajé, além de toda visceralidade poética e potência estética, ainda se transborda para outras linguagens dentro de seu universo transmídia intitulado “Aurora Pós-Humana”. 

Transtecnomagias, cosmogonias, hipertecnologias, ancestrofúngicas, digitais, pós humanas e naturais, se fundem e fluem em uma dança cósmica a partir do criador, em refluxos e influxos magickos de transmutação de si mesmo e daquilo que o integra e se (trans)forma pelo agora. A autotransmutação inerente à criação artística genuína e visceral, explode em nossa frente página a página. Implode a mente. Eclode a gente. Desabrochando-nos das cápsulas MekHanTrópicas que insistem em cooptar e prender. Um símbolo bastante presente em todas as obras do Ciberpajé é a borboleta, um totem que indica a metamorfose essencial da vida. Há, além dos desenhos, até uma impressionante e inusitada coautoria artística com um coqueiro, que surge de uma montagem feita com fotografia sobre o desenho em um balão de diálogo de uma das personagens da obra. 

Em outra página, há a carta do Mago do tarô, em alusão ao artista que transmuta o mundo por suas criações. Sempre me impressiono com os desenhos, personagens, cenários e ambientações feitas por Edgar. As formas psicodélicas, ambíguas, fluidas e complexas em suas significações, explicitam o uso de elementos da gestalt e nos fita a alma, como um teste de Rorschach obscuro e alucinado. Somados aos contrastes implícitos nos cenários e personagens futuristas e ancestrais, agregando os aforismos significados nossos em diálogo com o criador da obra. Tudo isso nos invita a dançar com nossas próprias sombras e vivenciar em nós mesmos o autoamor, numa autocura de reconexão ao que nos é essencial enquanto ser: reexistir constantemente para resistir ao fim do mundo. 

Aos fins dos mundos e construção de novas possibilidades de fruir por si próprio. Por fim, a última cena narrativa nos apresenta um contraste visceral, com a página preta e os traços brancos. O autor evidencia sua experiência com a ayahuasca em “Nuasca”, com uma pegada diferente do restante do álbum, mais tracejada e reluzente. Um olhar transcendente sobre o universo. Uma experiência sensacional, como todo o ZineBook! Astral. Espacial. Ancestrodigital. Recomendo, como em todas as obras ciberpajeanas, mais de uma fruição. Não irá se arrepender!

Saiba mais sobre Enteogênicos nesse link.

Fredé CF (a.k.a. Frederico Carvalho Felipe) é artista transmídia, criador do universo ficcional MekHanTropia, pesquisador, professor e doutorando no Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual da UFG, em Goiânia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Ciberpajé fala de sua participação e do Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER (FAV/UFG) no Gibirama, ao Jornal O Popular, de Goiânia


Em reportagem na edição do dia 6 de outubro de 2022 o Jornal O Popular, de Goiânia, trouxe fala do Ciberpajé sobre a sua participação e a dos integrantes do Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER, coordenado por ele na FAV/UFG, no evento Gibirama. Leia a reportagem na íntegra nesse link, ou no fac-símile abaixo.



Foto da versão impressa de O POPULAR gentilmente encaminhada pela jornalista Yorrana Maia autora da matéria



domingo, 21 de agosto de 2022

Henrique Magalhães se inspirou em fala do Ciberpajé para dar título à nova série de sua lendária personagem Maria



Maria é um marco do quadrinho nacional reconhecida com premiações internacionais, a emblemática personagem do mestre dos quadrinhos brasileiros Henrique Magalhães é uma das primeiras personagens lésbicas da HQ latino americana e sua longevidade é incrível e vibrante. No caos de nossa era ameaçada pelo fantasma do neofascismo, Henrique retomou a personagem com muita força em nova fase, deixando as tiras por HQs de uma página criadas com muita sagacidade e mantendo a verve crítica característica da personagem, cumprindo seu papel inato de criticar de forma sensível o poder instituido, e dessa vez em um dos momentos mais dramáticos de nossa história. Essa vibrante produção já rendeu dois álbuns da personagem reunindo as páginas semanais criadas pelo artista.

Agora, na reta final desse desgoverno, Henrique retomou a produção de Maria, mas produzindo HQforismos com a personagem, batizando a série de "Desaforismos de Campanha". O Ciberpajé ficou muito alegre ao saber que o título da nova série foi inspirado por uma fala dele em uma live, para ele foi uma grande honra ter contribuido de alguma forma para essa grande personagem da HQB.

Confira aqui o texto de Henrique Magalhães em que ele fala da nova série de Maria "Desaforismos de Campanha", ou leia no fac-símile abaixo.




quarta-feira, 30 de março de 2022

[Premiação] Zine Peibê #7, que inclui HQ do Ciberpajé, é o ganhador do 37º Troféu Angelo Agostini na categoria fanzine


O Ciberpajé (Edgar Franco) teve a honra de ser um dos autores que integram a edição 7 do zine Peibê que ganhou o notório Troféu Angelo Agostini de melhor fanzine, em sua 37º edição! A votação foi aberta a todos. 


O zine Peibê (baixe todas as edições neste link) é uma publicação do projeto IFFanzine, do Instituto Federal Fluminense de Macaé, e tem como um de seus mentores o reconhecido zineiro Beralto. O Ciberpajé participou da sétima edição com a HQ "Redesign", contextualizada no universo ficcional transmídia da Aurora Pós-Humana.

A premiação do Angelo Agostini é promovida pela Associação de Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP). A votação é pública aberta a qualquer pessoa interessada na valorização da produção nacional de história em quadrinhos, sejam profissionais de história em quadrinhos, jornalistas, colecionadores, leitores e todos, de qualquer estado Brasileiro ou residente em outros países. Confira o vídeo de agradecimento de Beralto pelo prêmio, foi durante a cerimônia de entrega do troféu que aconteceu online no dia 27 de março de 2022:

O Ciberpajé foi também premiado no 37º Troféu Angelo Agostini, receu o troféu de Mestre do Quadrinho Nacional, saiba mais neste link.

[Premiação] Ciberpajé é premiado com o Troféu Angelo Agostini de "Mestre do Quadrinho Nacional"

O artista transmídia e professor da Faculdade de Artes Visuais da UFG, Edgar Franco - mais conhecido como Ciberpajé - foi premiado com o Troféu Angelo Agostini de "Mestre do Quadrinho Nacional". Trata-se da premiação brasileira mais tradicional, longeva e importante das histórias em quadrinhos no país, sendo realizada desde 1985 pela Associação de Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo - AQC-ESP.

A categoria "Mestre do Quadrinho Nacional" faz parte do Prêmio Angelo Agostini desde sua primeira edição,em 1985. É destinada a premiar artistas com destaque nacional que tenham se dedicado aos quadrinhos há pelo menos 25 anos. Durante esses anos o prêmio foi concedido a nomes fundamentais da área como: Ziraldo, Maurício de Souza, Henfil, Chico e Paulo Caruso, Laerte, Mozart Couto, Watson Portela, Henrique Magalhães, Sônia Luyten, entre outros.


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Durante a cerimônia online de entrega do 37º Troféu Angelo Agostini, em 27 de março de 2022, Edgar Franco fez um breve discurso de agradecimento ao receber a honraria.
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Confira a parte da cerimônia de entrega em que o Ciberpajé agradece pelo prêmio:



Segue também o texto completo do discurso:

"Ser reconhecido pelos pares em vida é algo raro e emocionante, e isso torna-se ainda mais impactante por vivermos em um mundo hipercompetitivo. No qual as redes sociais e o binarismo anticósmico polarizador amplificaram a comparação e a competição entre as pessoas em todos os campos da existência.

Sempre considerei-me um iconoclasta em muitos aspectos, sobretudo no estético e essa postura costuma afastar possíveis reconhecimentos dos pares - muitas vezes mais afeitos à reificação do status-quo e de tudo que é preestabelecido. Então, ter minha trajetória de 38 anos dedicados aos quadrinhos e à arte desde a criação, passando pela pesquisa e docência, premiada em uma premiação que sempre admirei desde minha adolescência, é uma grande surpresa e alegria! Desde de 1985 tenho emocionado-me sucessivamente ao acompanhar o Troféu Angelo Agostini premiar grandes mestres dos quadrinhos brasileiros que ajudaram a consolidar minha paixão pela linguagem singular das HQs, tendo inclusive a chance de criar em parceria com alguns deles como Mozart Couto e Shimamoto.

Minha trajetória, iniciada publicando em fanzines na primeira metade dos anos 1980, incentivado por meu grande mestre e amado pai, Dimas Franco, lá na minha amada terra natal Ituiutaba, foi coroada de alegrias imensas e grandes encontros com seres humanos ímpares. Tudo é fugaz e volátil nesta vida, nada se leva, bens, diplomas, obras, prêmios e títulos serão todos varridos pela implacabilidade do tempo, então o que realmente vale a pena é a conexão com as pessoas durante nossa curta existência sobre o planeta azul.

Sempre estive rodeado de seres incríveis, e como essa edição do Troféu Angelo Agostini tem como destaque a premiação de muitas mulheres, gostaria de dedicar este prêmio a três mulheres incríveis que são uma das forças motrizes da minha vida, três arquétipos do sagrado feminino cósmico: minha amada mãe, Alminda Salomão, meu maior exemplo de que a coragem, a insistência e a disciplina são necessárias para enfrentarmos a vida; minha amada esposa, Rose Franco, que mostra-me todos os dias a grande força da ternura e seu poder transformador e revigorante; e minha amada irmã Ariadne Franco, que mesmo na distância, ensina-me a beleza dos laços fraternos de amizade e lealdade.

E quero dividir esse troféu com 3 grandes e talentosos amigos que considero os meus irmãos na arte, e construíram suas trajetórias tendo o fanzine como esteio. O grande Gazy Andraus, admirável quadrinhista poético-filosófico e companheiro de jornada pela vida que tem iluminado meus caminhos com sua amizade por três décadas; o não menos talentoso quadrinhista e editor Henrique Magalhães - também premiado como mestre do quadrinho nacional - que há trinta anos acredita incondicionalmente na minha obra e edita meus quadrinhos e livros na grandiosa Marca de Fantasia. E finalmente ao saudoso amigo pesquisador e quadrinhista Elydio dos Santos Neto, que percebeu a força do gênero genuinamente brasileiro dos quadrinhos poético-filosóficos e desenvolveu a primeira pesquisa de fôlego sobre eles, tendo como um dos resultados livros analisando meus quadrinhos, os de Gazy e o papel fundamental de Henrique como editor desses quadrinhos.

Finalmente agradeço meus incríveis parceiros e parceiras criativas, meus editores, editoras, leitores, e leitoras, meus alunos e alunas, ex-alunos e ex-alunas, orientandos e orientandas, e ex-orientandos e ex-orientandas da PUC-MG- Poços de Caldas e da FAV/UFG, os pesquisadores e pesquisadoras de minha obra que escreveram artigos e livros tratando de meus quadrinhos! Também agradeço a todos os que compõem o rico e incrível universo dos fanzines brasileiros de onde provém minha essência criativa paratópica e libertária! Esse prêmio é de TODOS que estiveram comigo nessa jornada até o momento!

Sinto que estou só no começo e que tenho muito ainda a criar, viver e experienciar!
Finalmente expresso minha gratidão também à comissão organizadora do Troféu Angelo Agostini pela generosa deferência. E meus parabéns aos gigantes das HQS que recebem este ano o prêmio de mestres dos quadrinhos nacionais pela honra de figurar ao lado deles.

Ao meu glorioso pai que nos deixou em 2020, e não pôde assistir a esse momento, eu digo:

Papai, seu filho, seu campeão, agora é "mestre do quadrinho nacional"!
Gratidão! Gratidão! Gratidão!"

Ciberpajé (Edgar Franco)



Edgar Franco é o Ciberpajé, artista transmídia com premiações nacionais nas áreas de quadrinhos, artes visuais, arte e tecnologia, e ficção científica como: Prêmio Rumos Arte e Tecnologia - Itaú Cultural (2003), Troféu Bigorna de melhor HQ de Aventura/FC (2010), Medalha Frei Confaloni de Artes Visuais (UBE-GO, 2019), Prêmio Argos de Literatura Fantástica (2021). Criador do universo ficcional da Aurora Pós-Humana com o qual tem realizado obras em múltiplas mídias e suportes como quadrinhos, ilustração, poesia, aforismo, conto, música, vídeo, cinema, animação, instalação, web arte, gamearte e performance. É um dos pioneiros brasileiros do gênero poético-filosófico de quadrinhos, atuando como quadrinhista há 38 anos, com mais de 3 mil páginas publicadas. Mentor da banda performática Posthuman Tantra e do Projeto Musical Ciberpajé. Pesquisador criador do termo HQtrônicas, autor de 4 livros acadêmicos e dezenas de artigos. Pós-doutor em Arte, Quadrinhos e Performance pela UNESP, Pós-Doutor em Arte e Tecnociência pela UnB, Doutor em Artes pela USP, Mestre em Multimeios pela UNICAMP, Arquiteto e Urbanista pela UnB. Desde 2008 atua como professor permanente do Programa de Mestrado e Doutorado em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia. Desde 2011 coordena o Grupo de Pesquisa CRIA_CIBER na Faculdade de Artes Visuais da UFG no qual orientou dezenas de pesquisadores de iniciação científica, mestrado e doutorado. Sua obra artística transmídia tem sido estudada por pesquisadores do Brasil e do exterior de múltiplas áreas, tendo gerado 4 livros dedicados a ela, inúmeros artigos científicos, um dossiê completo para a revista acadêmica Cadernos Zygmunt Bauman (UFMA), além de TCCs, dissertações e teses que analisam diversos aspectos de suas criações.
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Assista a cerimônia completa do 37º Troféu Angelo Agostini no link: