terça-feira, 24 de novembro de 2015

Hino de glorificação à eterna solitude

Todos desesperados por serem aceitos ao juntarem-se às tribos, seitas, cultos, partidos, torcidas, times, associações, religiões, agremiações, ideologias, modas.
Todos desejando alucinadamente receberem de outros o amor que não têm por si mesmos. Vendendo-se barato, entregando seu ser por nada, por afagos passageiros de outros seres egóicos e doentios.
Todos renegando sua individualidade, seu eu profundo, por migalhas de afeto, adaptando-se às crenças, gostos, preferências, leis, ditames e regras de sistemas falidos, da mídia idiotizada e de dogmas apodrecidos.
Todos mentindo tanto para si mesmos, a ponto das mentiras tornarem-se verdades.
E eu, em meu silêncio e minha profunda eterna solidão, renego todas as tribos, todos os dogmas, gurus, santos, deuses, renego o que passou a ser chamado de "amor", nada mais do que barganhas doentias de afeto.
Eu mergulho na minha grandiosa e poderosa solitude interior, e encontro em meus abismos infinitos o amor a mim mesmo que se espalha explodindo como uma nascente supernova pelo Cosmos inteiro.
Não quero ser "resgatado" de minha solidão, ela é o meu templo, ela é minha única religião, só ela me permite amar sob vontade.
Sou a tempestade, sou o fim da tarde, o uivo do lobo, o bater das asas da borboleta, o canto da coruja e o vento que segue impetuoso, apesar dos inúmeros obstáculos no caminho. O vento que dança levemente entre as colinas e que arrasa violentamente os que querem represá-lo. O obstinado e selvagem vento.
Eu sou! (Ciberpajé)

(Ciberpajé fotografado por Hudson Lima, ensaio Bioma Cerrado, 2015).