sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Matéria no Jornal Folha de São Paulo apontou o pioneirismo da pesquisa de Edgar Franco sobre as HQtrônicas

Em 2006 matéria no Jornal Folha de São Paulo apontou o pioneirismo da pesquisa de Edgar Franco sobre as HQs na Internet, e destacou seu livro "HQtrônicas: do suporte papel à rede Internet" (Annablume) como o único livro brasileiro sobre o assunto até aquele momento. 
Matéria assinada pelo pesquisador Paulo Ramos. Desde então as pesquisas sobre o tema têm crescido no país, e dentre muitas novas obras relevantes destaco o livro "Os Quadrinhos na Era Digital: HQtrônicas, Webcomics e Cultura Participativa" (Editora Marsupial), com artigos de vários autores e organização de Lucio Luiz.
Captura de tela da matéria no site do Jornal Folha de São Paulo

Leia a matéria no link
O texto na íntegra:
LITERATURA DIGITAL
Artistas combinam gêneros e usam recursos internéticos para apresentar histórias em um novo formato
"HQtrônicas" revolucionam quadrinhos

PAULO RAMOS/ DA REDAÇÃO
Não é uma história em quadrinhos. Há sons e parte das figuras se movimenta. Também não é um desenho animado. Há letreiros e balões de fala na tela do micro. O que é, então? É uma mistura dos dois gêneros. São as chamadas "HQtrônicas", que já estão presentes em mais de mil sites.
A estimativa é do desenhista e professor universitário Edgar Franco, 34, autor do único livro brasileiro sobre o assunto ("HQtrônicas - do Suporte Papel à Rede Internet", Annablume, 284 págs, R$ 38). A obra compila sua dissertação de mestrado, defendida em 2001 na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
É criação dele o nome "HQtrônicas". "É um gênero novo. Não havia um termo para se referir a ele. Optei por "HQtrônicas" para deixar claro que é um tipo diferente de história em quadrinhos. É um quadrinho eletrônico com todos os recursos que o computador pode oferecer."
Segundo Franco, o número de sites sobre o assunto dobrou nos últimos cinco anos. Dois motivos justificariam o crescimento. O primeiro: a rede virtual tornaria mais fácil a divulgação do material. O segundo motivo seriam os recursos que o computador oferece para a criação das histórias.
A "HQtrônica" mais simples é a que propõe diferentes alternativas de narrativa para o leitor. Funciona como um labirinto. O desenhista coloca na tela uma seqüência, que termina sempre com uma cena de suspense. Quem dá continuidade à historia é o leitor, que tem a opção de clicar em duas (às vezes em três) possibilidades de desfecho. A escolha leva a uma nova tela, que termina com mais uma rodada de alternativas.
O recurso é o mote da "HQtrônica" brasileira "Linda de Morrer". Criada em 1999, a história mostra uma moça -em roupas provocantes- prestes a ser assassinada. O destino dela é uma incógnita. As sucessivas opções que o leitor tem para escolher levam a mais de 50 finais. Só um desfecho salva a protagonista.
Outros formatos de "HQtrônica" têm um grau menor de interação, mas usam mais os recursos eletrônicos. "A Maldição da Múmia" muda a maneira de leitura das informações. O internauta acompanha a história como se desenrolasse um pergaminho.
As histórias podem vir com trilha sonora ou ruídos. É o que faz Fábio Yabu no site dos Combo Rangers, o mais conhecido do gênero no Brasil. As aventuras do grupo de heróis (inspirados no seriado de TV "Power Rangers") têm vários efeitos sonoros. São socos, raios e barulhos de explosão. Os sons fazem as vezes das onomatopéias, comuns nas histórias em quadrinhos comuns.
O balão é mantido na maioria das histórias virtuais. A pesquisa de Franco identificou uma resistência em abandonar o recurso, próprio dos quadrinhos. Para ele, é o que diferencia uma "HQtrônica" de um desenho animado.
(Paulo Ramos é consultor de língua portuguesa da Folha e do UOL).