segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Festival de Artes Ciberpajelanças II: Veja como foi a performance do Posthuman Tantra

O "Festival de Artes Ciberpajelanças II" aconteceu em Goiânia nos dias 23 e 24 de novembro de 2019 - com entrada franca, nas dependências do Espaço Ruptura Cultural. O evento totalmente gratuito foi uma atividade de extensão com produção do Grupo de Pesquisa Cria_Ciber (FAV/UFG) - coordenado pelo Prof. Dr. Edgar Franco (FAV/UFG), e do Espaço Ruptura Cultural - Coordenado pela Profa. Dra. Adriana Mendonça (FAV/UFG) e pelo Prof. Dr. Cleito Pereira dos Santos (FCS/UFG). O festival contou com exposição de arte dos integrantes do grupo Cria_Ciber, oficinas de vídeo/curtaforismo, fanzines, e quadrinhos; mostra de vídeos, mostra nacional de fanzines - incluindo lançamentos - e performance do grupo Posthuman Tantra e convidados. O Espaço Ruptura Cultural fica na Avenida Anhanguera, n.128, Setor Leste Universitário - Em Frente ao Sindicato dos empregados do Comércio, Goiânia - GO. 

No dia 24 de novembro de 2019, às 20:00hs o Posthuman Tantra apresentou sua performance completa "Quilombot Mantra" composta de 9 atos, incluindo os 2 novos atos "Quilombot" e "Lupus Noctis" que integram a pesquisa de pós-doutorado em artes na Unesp de Edgar Franco, que investiga as conexões entre processos criativos de performance e quadrinhos. A pesquisa intitula-se "POSTHUMAN TANTRA & ARTLECTOS E PÓS-HUMANOS: PROCESSOS CRIATIVOS TRANSMÍDIA EM PERFORMANCE E QUADRINHOS" e foi supervisionada pela Profa. dra. Rosangela Leotte (IA/UNESP).

A performance, composta de 9 atos, contou com os integrantes do grupo Posthuman Tantra: Ciberpajé (direção, criação, musicista e performer), I Sacerdotisa Rose Franco (Musicista e Performer), Luiz Fers (performer e figurinista), Amante da Heresia (musicista e performer), Lucas Matheus Dal Berto (VJ) e com a convidada especial Flávia Provesi (Performer).

Confira fotos e vídeos da performance com destaque para os novos atos "Quilombot Mantra" e "Lupus Noctis". Fotos por Dustan Oeven, vídeos de José Loures.



- Novo Ato "Quilombot Mantra":

O Ciberpajé entra em cena com um figurino exclusivo - derivado do figurino do personagem da HQ "O Sonho dos Deuses", criada como parte de sua pesquisa de pós-doutorado no Instituto de Artes da Unesp, o figurino representa a busca transcendente psicodélica de um monge transumano. A performer I Sacerdotisa traz em sua mão uma taça em formato de cabeça de lobisomem e dentro dela estão dois cogumelos Psilocybe cubensis, os cogumelos são tirados da taça e passados pelo corpo, logo depois são atados às costeletas do Ciberpajé, simbolizando a sua expansão transcendente enteogênica, com eles presos às costeletas o Ciberpajé simula brevemente uma pajelança ao som da música eletrônica percusiva criada originalmente para a performance. Ao fundo uma animação com artes criadas pelo Ciberpajé é projetada apresentando desenhos também de inspiração enteogênica, ela é a única fonte luminosa durante o ato.  A I Sacerdotisa apresenta um crânio animal ao Ciberpajé - esse crânio tem vários circuitos integrados agregados a ele (obra de Ilda Santa Fé) representando as tensões entre avanço tecnológico e aceleração da destruição da biosfera. Dentro do crânio está um telefone celular, o Ciberpajé pega-o e o celular começa a gritar " - Não, por favor!", a I Sacerdotisa coloca um microfone próximo ao celular para ampliar seus gritos que vão tornando-se mais e mais desesperadores. O Ciberpajé apresenta o celular ao público enquanto ele grita, então o performer Luiza Fers se aproxima com uma máscara de gás no rosto e trazendo uma cruz de madeira. O Ciberpajé coloca o telefone celular no centro da cruz de madeira, seus gritos são agonizantes. A música cessa e agora só se ouvem os gritos do celular implorando, no momento final o Ciberpajé retira de seu manto um martelo e alveja o celular e a cruz destruindo-os.

O ato "Quilombot Mantra" trata das buscas transcendentes através da reconexão com a natureza proporcionada pelos enteógenos, e a libertação da robotização contemporânea que faz os seres humanos viciados em redes sociais agirem de forma binária e maniquesta como as máquinas, tornando-se robôs de carne. A performance crucifica um aparelho celular que grita em desespero para não morrer e é destruido por um martelo ao final pelo monge psicodélico enteogênico trasumano encenado pelo Ciberpajé, refletindo também sobre as tensões contemporâneas entre tecnologia acelerada, hiperconsumo, hiperinformação e a sexta extinção massiva de espécies no planeta.




Vídeo do Ato "Quilombot Mantra"
- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) - Performers: Ciberpajé (Edgar Franco), I Sacerdotisa, Luiz Fers, Amante da Heresia e Lucas dal Berto. - Vídeo: José Loures Espaço Cultural Ruptura Goiânia - 2019


Fotos do Ato "Quilombot Mantra":








- Novo Ato "Lupus Noctis" (Segunda versão do ato com novos elementos):


Esse ato performático trata da degradação do bioma Cerrado e da sexta extinção massiva de espécies. O Ciberpajé encarna um totem animal fantasmagórico que dialoga poeticamente com outros performers, imagens - vídeo animado com artes suas - e sons criados para a apresentação, incluindo um teremim acionado por luz em sua indumentária. 


O ato performático "Lupus Noctis" nasceu como um desdobramento transmidiático do álbum em quadrinhos Ecos Humanos. A ideia inicial era criar um ato que tratrasse essencialmente da poética dos quadrinhos, mas com alguns novos elementos conceituais e estéticos. A poética da degradação do bioma Cerrado e da busca de uma reconexão com a natureza através dos enteógenos permaneceu como base, assim como a hibridação tecnogenética humanimal, mas aspectos novos foram imaginados para a performance. A inclusão do som ambiente como signo de desespero/angústia, a incorporação da interação do performer com as artes que representam de forma alegorica o Cerrado e a trasmutação do totem humanimal. Também, em certa medida, a eliminação dos aspectos crueis do humano, transformando assim o ato performártico em um sigilo mágico ritual que promova a reconexão essencial do performer aos seus aspectos animais gerando algum eco na platéia.


"Lupus Noctis" foi nomeada assim devido à presença subliminar do totem Lobo, que é incorporado nas performances pelo Ciberpajé e nesse caso temos a imagem da cabeça do lobo-guará – ícone do Cerrado – sendo uma das artes animadas que abrem a performance, passando por transmutações que lembram efeitos óticos da experiência visual de ENOC com o Psilocybe cubensis. Outro detalhe fundamental da conexão direta entre o álbum Ecos Humanos e Lupus Noctis é o fato das 4 artes animadas iniciais apresentadas na tela – com a qual o Ciberpajé transmutado interaje – serem os desenhos criados pelo Ciberpajé para a abertura dos capítulos da HQ.

Nessa segunda versão do ato - anteriormente apresentado em sua primeira versão na abertura da Exposição "Zonas de Compensação 6.0", no Instituto de Artes da Unesp/SP - a performance envolve a participação de mais dois performers que abrem a encenação, sendo eles Amante da Heresia, que incorpora uma versão cyberpunk da morte e representa a sexta extinção massiva de espécies causada pelo ser humano e seu hiperconsumo, e Flávia Provesi, que juntamente da I Sacerdotisa promovem um culto à Morte Cyberpunk. 

No início do ato a Morte Cyberpunk entra no espaço com o som ambiente de uma mata do Cerrado ao fundo e logo as performers I Sacerdotisa e Flávia Provesi, carregando um crânio animal com placas de circuito de computador mixadas a ele, se prostram diante da Morte elevando o crânio e as mãos, em um ato de culto à devastação. Então o Ciberpajé surge em cena. Sua figura é sinistra, ele usa um colete que parece animalesco e em sua cabeça está uma máscara do crânio de um pássaro – representando o totem híbrido fantasmagórico, unindo homem e animal, mas questionando o papel devastador do nosso lado humano para com o lado animal, por isso o animal é representado por um crânio morto. 

Ao entrar em cena ele toca um trilha percussiva em um sintetizador, logo vai lentamente em direção à Morte que usa sua foice com uma luz no topo (lanterna) para interagir à distância com o Ciberpajé produzindo sons agudos no mini teremin acoplado em seu peito.  Com a entrada do Ciberpajé em cena, inicia-se ao fundo a projeção da animação da face de múltiplos seres do cerrado e segue com a face animada do lobo-guará projetada. Na sequencia o Ciberpajé transmutado em Totem Pós-humano avança sobre a Morte Cyberpunk e ataca sua foice tomando-lhe o feixe de luz.

A Morte prostra-se diante do Ciberpajé e passa a reverenciá-lo e ele inicia o processo de utilizar a luz para interagir com o mini-teremin em seu peito produzindo gestos rápidos e sons agudos e penetrantes. Logo depois ele aponta a lanterna para todo o público presente gerando incômodo ao focá-la por instantes em cada um dos rostos dos presentes - simboilizando a culpa de todos no caos socioambiental em que estamos.  As únicas luzes ambiente são a da lanterna e a da projeção, então ele segue para diante da projeção e inicia a interação com ela. 

Enquanto as primeiras artes animadas representando a natureza do Cerrado vão se sucedendo, o Ciberpajé usa o feixe luminoso para tocar o teremim, inicialmente de forma mais sutil e leve, como se fizesse carícias. Na sequência as imagens da animação vão mudando e apresentam artes grotescas, representando o aspecto sombrio da devastação perpetrada pela espécie humana. A partir daí o performer segue realizando movimentos que rememoram um ato de autoflagelação, como punhaladas, ou espadadas em seu coração. Ao final, diante de uma arte que rememora criaturas de pesadelos lovecraftinianos, o Ciberpajé termina o autoflagelo, sendo ainda mais agressivo com o feixe de luz como um punhal visceral, gerando ruídos agudos que incomodam pela intensidade, até cair morto no chão. A morte final simboliza o suicídio que nós, espécie humana, estamos cometendo ao destruirmos a biosfera.



Vídeo de trechos do Ato "Lupus Noctis"

- Criação, direção, música e animação projetada: Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) - Performers: Ciberpajé, I Sacerdotisa, Luiz Fers, Amante da Heresia, Flávia Provesi e Lucas dal Berto. - Vídeo: José Loures Espaço Cultural Ruptura Goiânia - 2019

Fotos do Ato Lupus Noctis:

























- Ato "Iniciação Sexual com um Robô Multifuncional":




















- Ato "Ciberpajelança":








- Ato "Tênue Esfera Azul":




















- Ato "Penetrando a Bioporta Virgem":


























- Ato "O Selvagem":








- Ato "A Transmutação do Lobisomem Pós-humano":






- Ato "Tema o Homem, Ame o Lobo":















- Agradecimentos do Ciberpajé ao final da performance:





















- Fotos com o público presente:










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