sábado, 20 de setembro de 2014

3 anos de Ciberpajé. Mas, o que é ser “Ciberpajé”?

Hoje, dia 20 de setembro de 2014, Edgar Franco completa 3 anos de renascimento como Ciberpajé
Mas o que é ser Ciberpajé? Neste post falarei sobre a Transmutação em Ciberpajé, sobre a APARÊNCIA de Franco estabelecendo conexões a seus aforismos, suas obras, com algumas referências de vídeos e hiperlinks aliada a minha visão poética sobre este Ser único que é Edgar Franco.

Transmutação

Prestes a completar 40 anos de vida, Franco iniciou uma contagem regressiva que começou 10 dias antes do seu aniversário, e a cada dia ele desenhou e escreveu, 1 por dia, as “Chaves da Transmutação”, que significam valores importantes para o artista. Foram 10 chaves ao todo, e a chave final foi concluída no dia 20 de setembro de 2011, data de seu aniversário em que se declarou seu renascimento simbólico como “Ciberpajé”. Neste dia ele gravou um single com o mesmo nome para celebrar o renascimento, composto e gravado em um único take na manhã de 20 de setembro de 2011 OUÇA AQUI



Esse nome significa a junção do CIBER+ PAJÉ. O sufixo PAJÉ: porque para Edgar Franco a figura do pajé (xamã) é fascinante, o pajé tem a capacidade de conectar-se diretamente com a natureza para modificar a realidade, ela mistura os mundos, o mundo de suas cosmogonias transcendentes ao mundo “real” e ele consegue reestruturar a realidade mixando esses mundos. Ele é alguém que busca a cura, busca a harmonia, o equilíbrio. O prefixo CIBER, da cibernética, foi agregado ao “pajé” porque ele denota a conexão e troca de informações entre seres vivos e seres vivos, mas também entre seres vivos e máquinas, ele incorpora as novas possibilidades tecnológicas como um campo amplo para os exercícios criativos de conexão entre mundos que o Ciberpajé promove.

Eis as Chaves da Transmutação

O SERENO - Ser humilde & sempre sereno diante de reis e de mendigos, de flores e de leões.


O MOMENTO - Viver o Agora, deixar florescer o momento: a flor que desabrocha, a borboleta que rompe o casulo, ser como uma borboleta.


O EQUILIBRADO - Encarar a importância do mal tanto quanto a do bem, são faces da mesma moeda, paradoxos que dão sentido à verdade! Ter serenidade para lidar com a dor e com a alegria

O SINCERO - Dizer o que se pensa sempre para o outro, ser aberto, demonstrar suas fragilidades, não acumular raiva, não gerar tristeza.

O DELICADO - Cultivar a delicadeza e a doçura com todos os entes vivos e não vivos.

O AMOROSO - Amar o diferente, amar incondicionalmente!


O SELVAGEM - Reconectar-se ao animal interior, aos aspectos naturais do ser. Abrir-se para os prazeres terrenos. Viver o prazer sem culpa, experimentar os êxtases da vida!


O COMPLEMENTAR - Vivenciar masculinidade e feminilidade com intensidade, perceber a importância da complementaridade masculino e feminino, abrir-se a ela. Ir ao encontro do ser complementar sem apego, com amor, sensualidade e liberdade.


A RENOVAÇÃO - Experimentar todo momento como único, cada segundo é um novo nascimento, um maravilhar-se! O agora é pura eternidade!


O RENASCIDO - Aceitar-se completamente, ser como luz, perceber a eternidade em si mesmo, sentir a profunda conexão com todas as coisas e seres.
Essas chaves compõem a Revista Artlectos e Pós-Humanos #6 a "HQ As Chaves da Transmutação" 

Mas ser diferente em um mundo formatado não é fácil. Edgar Franco é uma figura controversa, ele é o RUÍDO. É um artista reconhecido, desde seu inicio na década de 80 com os fanzines, até suas inúmeras facetas como artista-criador multimídia atualmente. Está à frente do Posthuman Tantra (seu projeto musical performático cíbrido com CDs lançados na Suíça, França e Japão e apresentações ao vivo em 5 estados brasileiros,que tem como temas principais hipertecnologia e tecnognose); definiu o conceito de HQtrônicas, sendo referência internacional no tema, tendo várias HQtrônicas criadas e premiadas, se destaca em suas ilustrações; nos Aforismos e HQforismos do Ciberpajé; nos quadrinhos; Palestras; em sua atuação acadêmica como professor permanente nos cursos de graduação, mestrado e doutorado na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG). Em síntese, ele escreve, dança, compõe, canta, desenha, orienta alunos, viaja, participa de bancas de pós-graduação, apresenta trabalhos acadêmicos, e muitos mais, tudo isso com muita disciplina, alegria e leveza. 

 Em entrevista para o SBT a respeito da premiação Mérito Cultural 2010 no saguão da Biblioteca Municipal de Ituiutaba (foto de Anésio Neto).

Recebendo o Prêmio Mérito Cultural 2010 de seu pai sr. Dimas Franco 
(foto de Anésio Neto).

Anda pelo campus da UFG de cartola, vai a formaturas, sendo sempre convidado como professor homenageado e paraninfo por diversas turmas de Formandos em Artes Visuais e Design Gráfico da Faculdade de Artes Visuais da UFG, e também foi professor homenageado por 9 vezes na PUC-Minas, Poços de Caldas, universidade onde lecionou por 7 anos, denotando o quanto é querido pelos alunos.


Ciberpajé discursando para as turmas de formandos da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás FAV/UFG como paraninfo da turma de Design Gráfico.

Já foi barrado em formaturas por estar de cartola, beca e cabelo solto e ao mesmo tempo é abordado na rua por desconhecidos que se encantam por seu modo de vestir, sendo sempre interpelado: "Você é um mágico?" "Você é músico?" "Posso tirar uma foto?" - Por onde anda não passa despercebido. Usa anéis, colares e camisa de Lobo, cada elemento traz sua simbologia. As crianças adoram essa imagem e não se envergonham de se aproximarem!


Fotos durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ 2013) Foto Danielle Barros

Ciberpajé e Maria Fernanda (Foto de Dimas Franco, Ituiutaba, MG)

O Ciberpajé alerta que "não é guru", e embora traga em sua arte e aforismos reflexões sobre sua batalha de Ser, -a qual declara guerra ao ego, ele,- ao contrário de outros pensadores de seu tempo como Osho, Jodorowsky, Sri Prem Baba e outros que possuem uma aparência mais "neutra",- opta por sustentar essa aparência "chamativa". 

A conferência de abertura da Semana de Arquitetura 2013 da PUC-Minas (Poços de Caldas) foi realizada pelo Ciberpajé para um auditório repleto - 300 pessoas - o tema foi "Hipertecnologia, vida e processos criativos".

O Ciberpajé palestrando sobre "Novas Mídias e Processos de Criação" para o público atento no auditório lotado da "FTM - Faculdade Triângulo Mineiro", em Ituiutaba, MG

Na mesa de debate sobre o futuro do livro na II Bienal da Floresta, em Rio Branco, no Acre. 

Nesta foto, na mesa do cerimonial de colação de formatura em Artes Visuais (FAV/UFG), usando beca e cartola, surpreendido pela a fotógrafa Tê Manzi.

A meu ver, ele se veste desta forma por 2 razões: primeiro porque ELE GOSTA, e enquanto artista explora o potencial estético de suas roupas, acessórios, sobretudo explorando as simbologias ocultistas; segundo porque a aparência que ostenta causa estranhamento e ruído por onde chega - desde o ambiente acadêmico às ruas- (nas performances do Posthuman Tantra, nos CLIPES, nas apresentações acadêmicas, palestras, congressos), e esse poder de impacto nas pessoas lhe interessa, uma vez que este estranhamento provoca curiosidade naqueles que o conhecem ou ficam diante desta figura. Essa irreverência é extremamente pertinente no contexto triste, sisudo e rebuscado da academia, que mais tem afastado do que cativado seus alunos.

A pose acadêmica! Foto da defesa de mestrado no Programa de Arte e Cultura Visual da UFG de Matheus Moura, participou da banca os incríveis professores doutores Elydio Santos Neto (UFPB) e Ademir Luiz(UEG). 

Para aqueles que mergulham e se interessam de fato, não ficando na primeira impressão da aparência "louca" (que a alguns atrai, mas a muitos assusta) tem a chance de conhecer a mensagem e reflexões profundas que o Ciberpajé traz sobre a vida. Há os equívocos de confundir a figura de um suposto "maluco" ou "doidão" e se deparar com um professor rígido e disciplinado, porém afetuoso e entusiasmado com seus alunos; alguém que não se embriaga, não come carne e é extremamente sério em suas atribuições, mas sem ser burocrático, algo que ele abomina.
Muitos se surpreendem com a doçura e leveza das mensagens vindas de alguém com aparência tão “grotesca” e inusitada e o que tais mensagens podem provocar. É a beleza de ser quem é, ter a coragem de Ser.

Ele é alguém que usa cartola e está todo "arrumado", - o que para muitos pode soar futilidade e superficialidade diante da vida-, entretanto é alguém profundamente sensível e capaz de vivenciar e escrever aforismos essenciais e desprendidos como esses:

A grande batalha do Ciberpajé é tornar-se completamente o que ele é! A batalha de ser.
(Aforismos do Ciberpajé)
(Edgar Franco fotografado por Anésio Azevedo Costa Neto, entardecer em Ituiutaba, MG).

“Fita o Sol na manhã esplendorosa, pensa nas inúmeras gerações humanas que ele viu tornarem-se pó, abra seus braços e mergulhe completamente na vida, esse singelo e tênue presente cósmico! (Ciberpajé)”

“Sonhei com o vento, e ele brincou com meus cabelos.
Sonhei com o Sol, e sua luz me energizou na manhã.
Sonhei com o sabor da jabuticaba, e provei seu fruto ao acordar.
Meus sonhos mais genuínos. Do que mais eu necessito?
(Ciberpajé)”

“Eu me divirto com tão pouco: o vento nos cabelos, a lua iluminando a menina dos meus olhos; já você necessita de tantas coisas, dinheiro e pessoas, mas mesmo assim entedia-se.
Eu estou sempre brincando, e você tão sério.
Queria só fazê-lo perceber, que bem no íntimo, somos os mesmos, mas você se esqueceu e é tão difícil lembrá-lo disso. (Ciberpajé)”

“Louvo o Sol pelo verde; louvo a Lua pelo uivo.
Louvo o vento pelo sopro de vida; louvo o nada por aguardar-me serenamente, e o todo por permitir-me ser inteiro e intenso. 
Essa é a minha oração ao agora. (Ciberpajé)”

“Um homem me disse que é dono de um sítio, outro me disse que é dono de uma fazenda. Tive pena desses homens, que serão levados pelo vento e aquilo que dizem ser seu permanecerá por milênios aqui, até o fim desse planeta daqui a milhões de anos. Eu só tenho o meu agora, mais nada, nada mais. (Ciberpajé)”

“Para o Sol e para a Lua não existem donos da terra, e você vai tornar-se poeira cósmica e tudo que acreditou ser seu irá também desaparecer: sua mulher, filhos, casa, carro, sítio, TV de Led, colar de pérolas, anéis de prata. Tudo se espalhará como cinza ao vento, enquanto o Sol e a Lua continuarão lá fitando com sua força astral a superfície de nossa esfera azulada. (Ciberpajé)”

“Muitos se confundem com esse nome com o qual me rebatizei, "Ciberpajé", talvez pelo termo pajé presente nele, acham que sou um guru, ou um indivíduo pedante se apresentando como um guru. Quero esclarecer mais uma vez, não sou guru, profeta, bispo, salvador, ou qualquer outro título messiânico; não criarei uma seita, igreja ou culto. Não conheço a verdade, não quero ser exemplo a ser seguido, nem nada disso. Sou como todo e qualquer ser, complexo e paradoxal, alguém em um processo de desenvolvimento lento e gradativo em busca de transcender o ego e tornar-me integral. Cometo grandes e pequenos erros como todo e qualquer ser humano, uso a criação artística, musical, performática e aforística como substrato para produzir em mim uma cura lenta e gradativa em direção à minha integralidade como ser. Visto-me de forma espalhafatosa pois isso é algo que me dá prazer e compõe o meu eu essencial, trazendo para a materialidade do corpo inúmeros símbolos que me são caros. Não sou melhor, nem pior que nenhum outro ser que vive agora no planeta Terra, e aí incluo os outros animais e os vegetais. Somos todos partes de um grande e mágico sistema cósmico e eu reverencio cada um de vocês, meus irmãos de jornada. (Ciberpajé)”

“Quantos espantalhos, presos às suas estacas dogmáticas, nas igrejas, nas universidades, nos escritórios. Com suas sutras e bíblias, seus tratados filosóficos, suas bolsas de valores. Todos cheirando a cadáveres em estágio avançado de putrefação, fingindo um falso encanto com seus úteros-brinquedos: incensos, livros, carros, celulares. A vida esvaindo por entre seus dedos, por seus sorrisos ensaiados, suas roupas de grife, seus filósofos de boutique, suas falas empoladas, suas revoltas simuladas. A Lua no céu já vislumbrou inúmeras de suas gerações perecerem, apodrecerem ainda em vida, quantas ainda mais ela terá que suportar? Enquanto isso o LOBO uiva para a LUA no olho da tempestade. (Ciberpajé)

Você tem um templo de bilhões, eu tenho o vento em meus cabelos. (Ciberpajé)”

“Ofereceram-me grades de ouro e gaiolas cravejadas de diamantes, mas preferi a pueril e incerta leveza do vento nos meus cabelos. (Ciberpajé)”


 "Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco" se tornaram coluna semanal no JORNAL DO PONTAL (impresso e on line) de Ituiutaba e Triângulo Mineiro

Foto postada no facebook do Ciberpajé relatando o ato de censura durante o Congresso Internacional de Pesquisa, Ensino e Extensão da UniEvangélica de Anápolis/GO, 2013. Foto de José Loures tirada ao final do quarto ato, intitulado "Iniciação sexual com um robô multifuncional", pouco antes da interrupção do show. Esta foto foi curtida e compartilhada mais de 300 vezes e a repercussão do ocorrido culminou em uma moção de repúdio redigida pela FAV/UFG à reitoria da UniEvangélica.

Sobre trajar sempre preto, ele certa vez publicou:
Mais uma vez me perguntaram porque quase sempre uso roupas negras. Para explicar objetivamente usarei um aforismo do grande livro "Tao Te King":
" O Vencedor da batalha sempre deverá trajar luto". (Lao-Tse)

Em entrevista para TIEFEN DER SEELE – Magazine onde o Ciberpajé foi capa, indaguei-o:

 "Em outras entrevistas você já comentou sobre a reação das pessoas (sociedade/meios acadêmicos) ao se declarar Ciberpajé e/ou em apresentações do Posthuman Tantra. Há relatos de pessoas que se retiraram ofendidas e aquelas que se emocionaram durante as apresentações performáticas da banda. Em evento acadêmico sobre Histórias em Quadrinhos em 2012, ao se dizer Ciberpajé, houve uma pessoa da plateia que ficou um pouco “indignada” por não entender como uma pessoa se “declara” algo e “se torna”. Afinal, como é ser aplaudido e vaiado? 




Eis trechos do ele respondeu:

“As reações à minha figura são diversas e algumas extremamente paradoxais. Já percebi que minha simples presença em certos ambientes incomoda as pessoas. Vivemos em um mundo que julga pelas aparências e eu resolvi adotar roupas que gosto com as quais me divirto para vivenciar meu renascimento como Ciberpajé. É uma indumentária simples, mas que investe totalmente em aspectos simbólicos, cada elemento tem um significado poderoso, cada anel, os tênis de cores trocadas, os colares, pulseiras, a cartola, o preto. Tudo se une para mim e traduz signos não verbais que eu considero fundamentais para uma compreensão mais efetiva do que sinto em relação ao mundo e à vida.
Sou um pós-doutor muito fora dos padrões, extremamente crítico das estruturas universitárias e com a coragem para assumir-me como criador e pensador em um meio onde quase todos são reprodutores de pensamentos importados. Por isso muitos se indignam quando eu digo que me declarei Ciberpajé, na academia você não pode se declarar nada, tem que esperar o aval de seus pares e na maior parte do tempo bajulá-los, citar os autores que eles citam, formatar-se à suas exigências para que eles lhe declarem mestre, doutor e pós-doutor, ou que permitam que frequente seus nichos e tribos teóricas. Eu passei por tudo isso, vivi na pele, sei como tudo funciona e estou no meio acadêmico não para reproduzir suas bases arcaicas, mas para auxiliar na ruptura de suas estruturas idiotizantes e alienantes. Nesse mundo cartesiano, de base racionalista, todo estruturado no método científico, só irão lhe dar voz se você conhecer suas estruturas, você só poderá modificar algo estando dentro, nunca fora. Mesmo assim é uma batalha árdua e contínua, mas sou perseverante. No entanto, o julgamento à minha imagem é quase imediato, sou muito sensível e percebo nos olhares das pessoas sua opinião. Já fui interpelado verbalmente muitas vezes, algumas delas por meus pares, fazendo ironias, dizendo que eu deveria colocar “leds na cartola” para aparecer mais. Só o fato de não me vestir como as pessoas esperam que eu me vista já incomoda um mundo totalmente formatado, some-se a isso o que digo e vivencio e você tem uma bomba nas mãos, uma bomba letal a certas estruturas desse sistema." 


Ciberpajé como professor homenageado da turma de formandos em Artes Visuais da FAV/UFG 2014. 

"(...) Sinceramente, aprendi a me divertir com isso tudo, em ser o centro das atenções em alguns contextos, ser visto como freak, louco, naif, estranho. Vivemos em um mundo extremamente formatado, você "deve se individualizar" escolhendo qual das marcas vai consumir, qual das tribos vai frequentar. Sou solitário, não tenho tribo, não tenho dogma, não tenho religião, não tenho pátria, não tenho partido, bandeira ou padrão. Se eu me enfastiar, amanhã posso precisar de novos símbolos, abandonar tudo por uma túnica verde, sei lá, sou livre, não tenho um nome a zelar, sirvo a mim e ao meu desenvolvimento pessoal rumo à transcendência, rumo às estrelas. Sou grato aos meus amigos, aqueles que vibram na minha frequência e que se emocionam com o que digo, com minhas experiências, são poucos, mas me fazem seguir alegre e sereno sempre! Sou o Ciberpajé, tive a coragem de me assumir como uma estrela, como um belo evento Cósmico, algo que a grande massa se nega por uma ou muitas vidas.”


Posthuman Tantra!!! (I Sacerdotisa Rose Franco, Lucas Dal Berto, Amanda Caroline Darc'kness e Luiz Fers)
(...)
"Desconfio do aplauso e respeito profundamente a vaia. O aplauso pode vir por polidez, por educação, a vaia nunca, a vaia SEMPRE é genuína. O Posthuman Tantra se apresenta quase sempre em espaços uterinos, onde por mais que as pessoas se choquem, se comovam ou sintam ojeriza, vão fingir que ao menos acharam palatável, vão aplaudir. Obviamente sei quando a apresentação está sendo marcante por algumas manifestações do público, como gritos, comentários, ou risadas histéricas, às vezes lágrimas nos olhos! E quando nos apresentamos em ambientes hostis, o significado de nossa mensagem é muito mais poderoso, nesses ambientes a vaia é inevitável e já aconteceu até a nossa expulsão do palco, o ano passado (2013) num evento de pesquisa internacional na Unievangélica, de Anápolis, Goiás. Fomos convidados pela coordenação do evento, começamos com um auditório cheio - mais de 400 pessoas -, público hostil, formado em grande parte por dogmáticos. Durante as três primeiras músicas as pessoas foram se retirando, na quarta música, sobraram só umas 50 pessoas na plateia, e essas aplaudiram, mas a coordenação do evento censurou-nos e parou a performance, previamente combinada para ter oito atos! A arte deve ser iconoclasta, repito que não crio arte para entreter ninguém, crio arte para refletir e transformar a realidade, manipulo símbolos e reconstruo o mundo. Então louvo as vaias, pois incomodar as pessoas nesse mundo apático e alienado tem um importante significado. E também agradeço de coração os aplausos sinceros das pessoas que tenho tocado com minha arte!"


Entre os aplausos sinceros estão os de sua família, como o de seus pais Sr. Dimas Franco e Sra. Alminda Salomão, suas irmãs Adi Franco, Aline Moura, seu cunhado Christian Rengstl, seu afilhado Lucas Dal Berto e sua esposa Rose Franco.


(Foto de Lucas Dal Berto)

(Adi Franco e Edgar Franco fotografados por Christian Rengstl durante as filmagens de videoclipe do Posthuman Tantra, Poços de Caldas, 2008)

Em minha resenha sobre o show do Posthman Tantra que aconteceu no VII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual, na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG), também destaquei aspectos da coragem de Ser e da aparência.

Primeiro neste trechinho:

“(...) Na realidade, o que deu para perceber, é que o Ciberpajé é uma “lenda viva” no campus, e ainda que seja tomado como uma figura estranha, controversa e divertida; dentre os comentários que ouvi de passagem, percebi que as pessoas tem curiosidade e admiração, um brilho nos olhos ao falar sobre sua arte! E se há quem não curta o trabalho dele, pelo menos aos meus ouvidos de etnógrafa-amadora não chegou...

E depois quando escrevi sobre os atos V e VI:

Ato V - The Little Bob`s New Toy: Sexual initiation with a Multifunctional Robot (O Novo Brinquedinho de Bob: Iniciação sexual com um robô multifuncional).

“Quando faz a sua ciberpajelança,
O Lobo sente o cheiro da Lua,
E fricciona com volúpia o clitóris do cosmos.”
(Ciberpajé)

Esta foi uma das faixas que mais me surpreendeu, e não foi à toa, a censura ao Posthuman Tantra aconteceu durante esse ato! Vou explicar melhor. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa tranquila, não tenho tantos tabus e não sou “pudica”, longe disso, mas confesso que diante da apresentação deste ato fiquei chocada! É uma performance muito sensual, excitante e vibrante. O Ciberpajé deixa sua virilidade aflorar sem amarras, não é por acaso que o ato em que se transmuta em Lobo pós-humano se dá antes desta faixa, aqui ele já é o LOBO SELVAGEM, e é mesmo! Vale destacar que a selvageria que Franco traz não é a difundida pela mídia, uma selvageria como “crueldade” e sim uma selvageria animal, que, como ele diz, pode ser violenta, mas nunca cruel. Nesta faixa vemos uma amostra de sua selvageria sexual, ele simula a penetração, ele grita, ele urra, ele “penetra”, ele rompe, é uma catarse artística sexual!
Mas como eu disse, num primeiro momento eu me impressionei, e esse estranhamento foi paradoxal. Por um lado achei “incômodo” ver o Ciberpajé fazendo aquelas insinuações sexuais - que de certa forma, a meu ver, abriram sua intimidade - como se estivesse masturbando-se em público -, de modo que a música que nem era tão longa, pareceu-me uma eternidade, e à medida que ele ia intensificando o ato sexual com o microfone servindo de falo, eu pensava “Gente, quanto tempo ele ficará fazendo isso?” Mas, por outro lado, meu espírito vislumbrava aquele contexto, uma coisa LOUCA e insólita, e eu refletia: “Quando eu imaginaria, que em uma Universidade Federal, local emblemático do ensino engessado em seus dogmas erigidos com repetições de teorias inócuas estrangeiras, um lugar de egos insuflados, quando eu sonharia em ver aquele ato de iconoclastia selvagem? Realizado por alguém que, mais do que falar, VIVE aquilo que escreve em seus aforismos e cria em sua arte, quando eu imaginaria presenciar uma apresentação iconoclasta dessa em uma universidade?” Então, o que no começo foi um choque - por mais que eu já conhecesse o ato por vídeos e fotos-, algo que me fez rir por estar bastante surpreendida... Naquele instante se converteu em pura admiração e uma das maiores lições que tive na vida, a lição de que devemos ter CORAGEM DE SER QUEM SOMOS.
O Ciberpajé, que é um professor doutor, alguém que como ele diz “pediu todas as bênçãos acadêmicas que a universidade exige para ser alguém”, agora se dá a própria benção e o direito de ser quem ele é. Sem se preocupar com um “nome a zelar” e nem com o que pensarão dele e sim ser quem é sem estar prejudicando ninguém, ser sua arte! E devo acrescentar minha admiração por sua esposa, Rose Franco, ao estar ao lado dele no Posthuman Tantra há tantos anos e em tantas situações, como no dia do ato de censura. Ela é também admirável pela coragem de seguir e ser Posthuman Tantra.
Dei-me conta ali que é muito mais fácil ser o que os outros querem, mas ser quem se é, é complexo, dolorido e difícil, porém é o único caminho verdadeiro e de valor inestimável.


Durante performance de The Little Bob`s New Toy: Sexual initiation with a Multifunctional Robot

Ato VI - Tênue Esfera Azul

“Fita o Sol na manhã esplendorosa, pensa nas inúmeras gerações humanas que ele viu tornarem-se pó, abra seus braços e mergulhe completamente na vida, esse singelo e tênue presente cósmico!”
(Ciberpajé)

Nesse ato eu me emocionei muito. Foi uma “hecatombe” interna devastadora, me senti no etéreo espacial. O Ciberpajé, em contraste com o ato anterior, chega com a doçura suave de uma rosa em mãos, anunciando a efemeridade da vida nessa tênue esfera azul. Nessa hora eu percebi o quanto fui tacanha ao reprimir inicialmente meu ímpeto animal, ao negar a primeira parte do ato performático anterior e pude vislumbrar o quanto sou/somos muito mais do que este corpo terrestre, somos irmãos dividindo essa mesma jornada: VIDA.
Pude compreender nossa eternidade e finitude. Senti-me pequenina e grandiosa. Lembrei-me que foi este ato que o Ciberpajé dedicou ao saudoso amigo Elydio dos Santos Neto, durante o show do lançamento do álbum em quadrinhos Biocyberdrama Saga no Centro Cultural UFG em 2013, performance e lançamento que eu ajudei a divulgar. E lembrei-me o quanto devemos simplesmente VIVER e AMAR! E como o Ciberpajé fez muito bem durante todos os atos, ele contrasta doçura e selvageria ao longo das canções, com urros e entonações leves, como quem nos desperta do nosso estado de inércia, mas ao mesmo tempo exalta a serenidade necessária para viver o agora.
Como a letra desse ato diz, estamos ligados pelo mesmo tempo, mesma época de vivência na Terra. Lembro-me o quanto me sinto honrada de dividir essa época com pessoas tão especiais e de estar ali naquela performance. Aquele toque da música, como se fosse uma música que minha alma (re) conhecia, causou-me incômodo, parecia que eu não tinha corpo, que existia um “vazio”. Não chegava a ser uma sensação de “morte”, mas diria “um ser sem corpo”, como se eu me percebesse muito além disso tudo. Viajei pelo espaço, na viagem das imagens das artes projetadas no vídeo com o qual o Ciberpajé interagia... Parecia como se eu tivesse sentido, através daquela música e imagens, uma ínfima consciência da minha grandeza espiritual e de que tudo (material) se acabará, e isso me deu certo temor.

Posthuman Tantra em Santa Maria/RS, 2013, foto de Kiko Barretto, durante a faixa Tênue Esfera Azul


Posthuman Tantra e amigos especiais, logo depois da performance na FAV/UFG durante o VII Seminário Nacional De Pesquisa Em Arte E Cultura Visual. Da esquerda para a direita:I Sacerdotisa Rose Franco, José Loures, Ciberpajé, Luiz FersAmanda Caroline Darc'knessLucas Dal Berto, IV Sacerdotisa Danielle Barros FortunaGian Danton e Ilda Santa Fé.

Para quem quiser ler a resenha sobre o show do Posthuman Tantra na integra, clique AQUI


As performances do Posthuman Tantra e a aparência do Ciberpajé em muitos provoca um impacto de estranhamento que incomoda, como se retirasse o sujeito de seu estado uterino, do hábito ordinário cotidiano fomentado pela ideia de que todos devem seguir regras, muitas vezes acatadas acriticamente pela maioria que seguem os ditames da “moral” dessa sociedade hipócrita. Essa forma de impactar de forma iconoclasta me fez lembrar as palavras do mestre Jodorowsky em seu livro A Dança da Realidade:

“Todo ato extraordinário é capaz de demolir os muros da razão. Ele quebra nossa escala de valores e faz com que o expectador tenha a experiência de julgar por si mesmo. Age assim como um espelho onde cada um pode ver seus próprios limites. A manifestação desses limites pode provocar o despertar da consciência.” (2009, 126-127 p.)

Essa coragem de Ser não é apenas ter coragem de colocar uma cartola e uma roupa diferente. É no agir, é se contrapor ao convencionado, é ser iconoclasta através da arte. Não podemos deixar de mencionar aqui sobre suas experimentações artísticas que envolvem "arte visionária", ou seja, processos transcendentes e criativos com uso de enteógenos e suas impactantes entrevistas concedidas a mim e publicadas no blog e que tiveram muita repercussão.

1) Respiração Holotrópica: Estados ampliados de consciência e processos criativos 


 2) Viagem Psiconáutica com Utilização de Cogumelos (Psilocybe Cubensis) e Processos criativos de Histórias em Quadrinhos Poético Filosóficas 


A arte do Ciberpajé também já foi considerada chocante e muitas vezes censurada (pessoalmente e no mundo virtual). No facebook já teve bloqueio por parte do site e por denúncias de pessoas que se incomodaram com sua arte, acusando-a de "pornografia". Como ele mesmo já disse em entrevistas, sua arte não tem enfoque pornográfico (embora não tenha nada contra este tipo de abordagem). Na perspectiva de Franco, o que ele trata é de transcendência. O sexo enquanto instância sagrada, o macho e a fêmea, que em conexão, se complementam gerando força, luz e vida. Como no HQforismo abaixo, e nas artes de capas, e outras ilustrações que trata de diversos temas, entre eles, a sexualidade, sem tabus.



"O amálgama cósmico da Puta Sagrada e do Lobo Astral concretiza-se com a sinfonia de gemidos, sussurros e gritos." (HQforismo do Ciberpajé) 


CAPA do POSTHUMAN TANTRA - "Transhuman Reconnection 
Ecstasy" Arte de Edgar Franco


"Você só provará da completude ao embriagar-se de seus abismos."(Ciberpajé) 
(HQforismo do Ciberpajé para "Artlectos e Pós-humanos 7", editora Marca de Fantasia).

Essa questão aparência é algo tão caro à nossa sociedade e cultura que o artista e fotógrafo Rafael Happke instigado pelo tema, convidou o Ciberpajé para um experimento. Ele fez um ensaio fotográfico com Franco e convidou as pessoas que não o conheciam para que definisse quem ele era apenas a partir das fotos postadas em sua rede social.
Eis a chamada:

“Pessoal, gostaria de convidá-los para uma experiência. Aqueles que conhecem essa pessoa, ignorem. Aos demais, a proposta é definir QUEM É essa pessoa. Façam isso com uma palavra, uma sentença, um adjetivo, uma colocação que venha a mente de vocês assim que verem essa imagem. Tentem adivinhar de onde vem, de que época ele é, o que faz, o que gosta, o que o seduz, vale qualquer referência que invadir seus sentimentos ao olhar a imagem. Por favor, NÃO PESQUISEM, só escrevam seus sentimentos sinceros ou seu palpite mais inesperado. Em alguns dias revelo a identidade e a história. Ninguém é obrigado a acertar e quanto mais fundo vocês forem, mais interessante essa experiência pode ficar. Conto com o consentimento do retratado para essa "brincadeira". Agradeço a participação de todos.”

Algumas imagens dos posts do Happke:



O resultado foi algo MUITO INTERESSANTE, destacarei aqui algumas frases:

um ser estranho, meio gnomo da floresta meio palhaço de circo, 1/3 astro do rock, outro terço cristão. amante da natureza com certeza, deixando minha matematica ruim de lado, acho que deve ser uma pessoa bacana!

“Uma mistura de Sherlock holmes e Mágico de OZ.”

“destemido e divertido....esperando por algo ou alguém!”

“misturinha de matrix, com chapeleiro maluco e shaman... e acho que ele queria muito tocar numa banda.”

“O Chapeleiro Maluco!”

“uma espécie de zé do caixão moderno”

ele é um vilão de historias em quadrinhos dos anos 70.”

“Depois do pós-tudo ele vende deformidades em forma de espetáculos. Otimista, sabe que um dia tudo isso - literalmente - vai acabar”

“Cidadão dos mundos, aquém e além.”

“Um ilusionista que veio do futuro através de um buraco de minhoca...Antes de chegar na estradinha ele viajou por diversos lugares do mundo, os que mais o marcaram foram a Africa e Polo Norte, dizem que ele tem o dom de se comunicar com lobos”

“Seria o Al Capone e teria sob o longo casaco uma Tompson 45? Se fosse, seria mais uma contradição... Mais um a portar um crucifixo e não temer a Deus. Primo rebelde do Charles Chaplin...? Não. Barba, chapéu vermelho, casaco longo, anéis etc. Se não houve preparação para tal foto, então me parece ser possível tecer algum comentário acerca de sua personalidade. Mas quem seria ele?”

“É o Visconde de Sabugosa versão pós limbo.”

“Ele é especialista em "alquimias."

“excêntrico, mas de uma maneira "não linear", não existe uma coerência, personalidade fragmentada, talvez uma pessoa imersa em seu próprio universo, perdida aos olhos dos outros.”

“Esse cara é um paleontólogo! Através de suas excursões ao redor do mundo, descobriu uma tribo descendente dos sumérios, por isso o colar e a camiseta. Aliás, em suas escavações no sul da Africa do norte ele encontrou uma poderosa arma altamente tecnológica, criada pelos antigos Himbas: um Desguaxinizador Molecular! e como vocês podem observar ele está prestes a saca-lá!!!”

“Roqueiro de uma banda inglesa! Quando o ônibus da turnê quebrou aproveitou e pediu pro amigo fazer umas fotos do belo local enquanto uma metade da banda dormia dentro do veículo e o resto do pessoal tentava sinal de internet no celular! Cara esperto, mesmo com a roupa rock and roll não dispensa o tênis confortável nos pés! Quando viu a foto falou pro amigo: ficou massa, qd o sinal voltar, publica e me marca! Mal sabia ele q o mecânico chegaria só 2 horas depois!”

“Tenho mais medo que estranhamento!!!”

“sua simples presença estranha em meio a onírica floresta cheia de luz ( vira e mexe sonho com lugares assim!)... Cartolas em entidades espirituais nunca me passam boa coisa; ele usa uma cartola cor de sangue... sei que é muito antigo tudo isso, de um tempo sem tempo, sem definição.... apesar que de querer me enganar dizendo que é atual por seus tênis!... sei que olha pelos olhos em sua camiseta, olhos de interrogação! me causa estranhamento sobre maneira o todo da cena... para onde será que mandou as entidades de luz que flertam comigo neste espaço mágico? preciso ter medo? .... estranhamento! estranhamedo!”

“Esse safado aí é um gnomo satanista. Ele trabalhou para Diabolyn, em um passado longínquo e muito, muito obscuro. Fazia os trabalhos sujos pra ela e de quebra cuidava dos interesses pessoais. Foi assim que ele ficou do tamanho de um humano adulto. Desafiou algumas crianças a adivinharem seu nome. Como ninguém acertou, ele cresceu, e cresceu, e agora anda entre nós, humanos, roubando pequenas moedas e canetas Bic para incrementar seu pote de ouro, que também tem muitas canetas Bic e Clip's. Ele passou a perna na Diabolyn e nunca mais apareceu em Dar-Shan. Aí descobriu que no nosso mundo haviam muitos bosques parecidos com os de lá, onde ele poderia morar, e acabou ficando por aqui mesmo. Ele pode viajar pra onde quiser, na hora que desejar.”

“O mago da floresta encantada”

“A primeira impressão sugere que seja um sujeito que nem ao menos sabe quem é. Me parece que ele não sabe quem quer ser e também não sabe quem não quer ser. Ele traz em si mesmo todo tipo de elementos, e isso não me parece ser uma identidade própria, e sim falta de identidade.”

“Um mágico circense, que ouve música cigana e dança com os lobos.”

“O tempo dele não é o mesmo tempo em que vivemos. Ela ainda acredita na força da Lua e da noite. E claro, ele é um nômade.”

“Um mágico sim, do submundo. Uma mistura de homem do bem com uma pitada satânica.”

“Um vilão cujo os aneis dão força .. Ele é da terra, mas tem um pacto com um anjo caido.O chapeu fica vermelho a cada vitima que mata..o nome dele é Lorenzo Kilmister”

“Aqui nosso metaleiro se deu por conta que o socorro iria mesmo demorar! Ao em vez de se estressar resolveu que faria mais fotos! Clique aqui clique lá pediu ao parceiro da banda que registrasse os anéis que usaria no show de logo mais à noite! Pronto mais uma foto pra colocar no site da banda! Enquanto se distraiam com as clicadas ele pensava q talvez não teria sido conveniente beber tanto na noite passada, afinal a sensação que compartilhava com seu estômago não era das mais agradáveis! Estava decidido naquela noite seria só água! Parou um pouco para admirar a copa das árvores q dançavam enquanto o Sol espiava entre as folhas os turistas ansiosos! Teve o pensamento interrompido pelo moto que roncou longe!? Era o guincho finalmente?!”

“ja me fez lembrar mais um dono de algum circo bizarro”

“tipo assim... eu não ia querer encontrar esse cara.”

“ele é muito esquisito, parece que a qualquer momento vai brotar uma bola de fogo das mãos dele. não gostei nada daquele colar dele. pra piorar só faltava ter unhas de zé do caixão. ele deve ter vindo do centro da terra. ele lê os pensamentos das pessoas e consegue movimentar objetos com a mente.”

Ao final o Rafael explica e agradece:

“Agradeço a todos que toparam participar dessa brincadeira...com um certo atraso, cabe-me agora revelar quem é o sujeito da foto. Seu nome é Edgar Franco, mas assume já há certo tempo o codinome Ciberpajé. Artista, atua com desenhos, principalmente relacionados com Histórias em Quadrinhos, HQ. O Ciberpajé realiza performances com sua banda Posthuman Tantra. Seu propósito e seu trabalho como artista é relacionado com a criação de universos ficcionais. Seu tempo é 300 anos no futuro. Onde a humanidade evoluiu para uma civilização pós-humana, onde coexistem seres humanos e híbridos humano-máquina e híbridos transgênicos humano-animal-vegetal, onde o estado de consciência foi transplantado para mecanismos tornando o corpo que é perecível algo desnecessário.
O Ciberpajé nos faz refletir sobre a nossa condição de humanos, com uma vida temporalmente delimitada e de duração desconhecida, nossas relações interpessoais e nossas relações com a tecnologia.
É importante lembrar também que aqui temos a figura de um catedrático. Professor Adjunto na Universidade Federal de Goiás, dá aula na Faculdade de Artes Visuais e na Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual nesta instituição. Edgar Franco é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UNB, tem Mestrado em Multimeios pela UNICAMP, Doutorado em Artes pela USP e Pós-Doutorado pela UNB.”

O experimento do Hapkke pode ser visto em seu perfil do Facebook AQUI

Os comentários foram ricos e variados, mas sempre associados à loucura, rock, ou associado a religiosidades, satanismo, alguém “fora deste tempo”, com super poderes, místico, vilão, mágico, circense, livre, ligado a natureza, magia. De maneira geral, o conceito "pre" concebido, ou seja, o preconceito por não conhecer, acabou gerando uma surpresa positiva, uma vez que ao revelar ao público quem ele era, se tratava, nas palavras de Hapkke, de um (quem diria!) "catedrático"- que não deixa de ser uma das facetas de Franco, mas que não foi citado por ninguém. Isso nos deixa a lição de livrar-nos dos estereótipos convencionados socialmente.

Em muitos de seus aforismos, Franco utilizam de elementos de sua aparência, como nos que explora os anéis e objetos como punhais:

"Na décima primeira casa do sol reside a tenacidade da serpente e a sagacidade do Lobo." (Ciberpajé)
(Ciberpajé fotografado por Anésio Azevedo Costa Neto)


"A confiança sobrepuja o amor".  (Ciberpajé) 
Edgar Franco - o Ciberpajé & Rose Franco - I Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, fotografados por Guilherme Mendonça - durante preparação do Posthuman Tantra para o evento "Tubo de Ensaios" da UnB 

Conforme ele mesmo publicou em sua rede social, destacando sobre a questão dos estereótipos, em uma participação durante a Bienal de São Paulo, o mediador da mesa perguntou: - Quem é o pós-doutor? Confira o relato do próprio Ciberpajé:

"Durante a mesa em que participei como convidado na "Bienal Internacional do Livro de São Paulo", o mediador teve uma ideia para começar os trabalhos de forma descontraída. Dentre os 4 participantes eu era o único com doutorado e pós-doutorado, mas ao mesmo tempo o "exótico" do grupo (com cartola, sobretudo, anéis nos 10 dedos e etc.), então ele decidiu perguntar para o público qual dos quatro presentes à mesa seria o pós-doutor. Obviamente ninguém apontou pra mim! Tinha grandes amigos na platéia como Gazy Andraus, Fabio Fon, Soraya Braz, Clayton Policarpo, Juliana Junqueira, Dimitri Brandi de Abreu e Osny Lopes, mas eles ficaram quietos para não estragarem a brincadeira. Para os demais presentes alguém com o meu visual não poderia ser um pós-doutor! Vivemos em um mundo de estereótipos. Como Ciberpajé contribuo para destruí-los."

(Ciberpajé fotografado por Juliana Junqueira - mesa de debates na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, 2012).

Algo parecido aconteceu em um evento acadêmico de quadrinhos em que ele relatou que se declarou Ciberpajé uma pessoa da plateia (docente de universidade) se indignou "como uma pessoa se declara algo e se torna?" - fato que pude presenciar, pois estava na plateia.
Mas o Ciberpajé já se habitou a este tipo de interpelação.
Por outro lado, como foi dito, ele tem muitos admiradores não só da sua arte, mas de forma integral, enquanto ser humano. Inclusive sua figura já foi representada por muitos artistas, contando com quase uma centena de desenhos com versões do Ciberpajé!


E por falar em aparência, bem diferente nesta foto, estão Edgar Franco (ainda não era Ciberpajé) e Gazy Andraus, dois pioneiros dos Quadrinhos "Poético-filosófico", um gênero genuinamente brasileiro segundo os pesquisadores Elydio Santos Neto e Matheus Moura. Essa foto tem mais de 20 anos, foi tirada em 1993 durante exposição de trabalhos e o lançamento do zine conjunto dos dois amigos-irmãos "Irmãos Siameses", na Gibiteca de Santos, SP. 
Nota: "O tempo fez bem a vocês, estão como o vinho!". 

renascimento como Ciberpajé denota ser mais do que uma ação performática transmídia perpetrada nos múltiplos meios artísticos criada pelo artista, uma vez que após a declaração Edgar Franco assumiu a nova identidade de Ciberpajé 24 horas, trazendo essa nova condição para o dia a dia, transformando o ato performático em vida. Isso envolve se apresentar como Ciberpajé nos múltiplos ambientes reais e virtuais pelos quais Franco trafega desde congressos e eventos acadêmicos, entrevistas para veículos de mídia diversos à sala de aula como professor, no Facebook, no currículo Lattes, etc.
Edgar Franco delega à arte o papel primordial de promover a autotransformação na busca da própria estruturação como ser, ser integral, e em segunda instância busca contaminar positivamente as pessoas no sentido de buscarem sua integralidade. A ideia de “arte como cura”. 

Hoje, ao completar 3 anos de Ciberpajelança, lança em parceria com o músico Genilson Alves (Lunare Music) o primeiro single do projeto musical "Ciberpajé", dedicado a musicar a poética de seus aforismos. O single, intitulado "Invocação da Serpente", inclui 3 faixas: Invocação da Serpente e as bonus Aforismo I e Aforismo II. São 33 cópias numeradas, autografadas e com arte do Ciberpajé e ainda inclui faixa bônus inédita, AFORISMO III. Foi lançado pelo importante selo brasileiro Lunare Music, dedicado à música Dark ambient.  Mais detalhes neste POST.
Para quem gostou do tema da transmutação do Ciberpajé e queira saber mais, sugiro assistirem este VÍDEO também onde ele mesmo fala sobre isso:


E conheça nossa série "Conversas com o Ciberpajé", são vídeos que retratam conversas minhas com o Ciberpajé Edgar Franco. Os 7 vídeos da primeira série foram filmados na Galeria de Artes da FAV/UFG em Goiânia. Foram publicados 5 vídeos até o momento.

1. Arte como Magia
2. Arte Iconoclasta
3. Ser ou ter?
4. Arte Genuína: Arte de Ser integral
5.Traição Existe?

Edgar Franco, o Ciberpajé, transita em diversos mundos: o da arte (quadrinhos, HQtrônicas, música, instalação, ilustração, performance), o da academia (professor, conferencista, orientador de doutorado e mestrado, autor de livros e artigos acadêmicos), o da vida cotidiana na realidade validada, e o de seus mundos ficcionais, sobretudo a chamada “Aurora Pós-humana”. O que há em comum em todos os mundos pelos quais o Ciberpajé “navega” é essa busca em tornar-se um ser integral e contribuir para a transformação de outras pessoas, que sentem-se tocadas pela sua arte e que estão na mesma busca de “Ser”. 
Neste aforismo com foto, o Ciberpajé ressalta fases de suas mudanças ao longo da vida, alguém que não renega o que foi, mas que não abre mão de estar focado no agora, o único tempo verdadeiro!

"Saúdo a mutação, a transformação, a mudança, a ancestralidade do Lobo que se fixa no agora. A beleza profunda da incerteza, a inexistência das verdades, a destruição do mito de portos seguros, a eterna jornada livre e impetuosa no olho da tempestade. Sou o Ciberpajé, sou uma licença poética cósmica, estou vivo, celebro a serenidade e a selvageria!"(Ciberpajé). 
(Algumas fases de um eterno mutante: com 1, 5, 12, 15, 25, 28, 35 e 41 anos) 


Nota: Aderi à vestimenta de sacerdotisa e tenho sentido na pele o que é ser vista como "estranha" e de certa forma chamar atenção, mas é importante que fique claro que a intenção principal é sermos quem somos e agir conforme queremos, sem prejudicar a ninguém. Aqui o Ciberpajé e eu IV Sacerdotisa em 2 momentos, à esquerda quando nos conhecemos no II Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos, UFPE, Recife (agosto 2012) e à direita, 2 anos depois, na I Jornada Temática de Histórias em Quadrinhos –Adaptações Literárias, na UNIFESP (agosto 2014).

Embora tenha ficado extenso, este post não teve a pretensão de fazer um "inventário" da obra do Edgar Franco (seria impossível) e sim uma singela homenagem minha para o Ciberpajé e para que as pessoas conheçam um pouco mais desse Ser incrível com quem tenho criado e aprendido tanto! Gratidão!
Assim ele é: autêntico, paradoxal, intrigante, iconoclasta. Um verdadeiro artista. O CIBERPAJÉ!

Forte abraço da IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana, Danielle Barros
4334