segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

[Resenha] "Ciberpajé: Cura Cósmica": resenha do EP e do videoclipe "Aforismo I" pela IV Sacerdotisa.

Ciberpajé fotografado por Diogo Vilela durante as filmagens do videoclipe "Aforismo I".

A IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, artista multimídia, doutoranda da Fiocruz-RJ e pesquisadora da obra do Ciberpajé, Danielle Barros, escreveu uma sensível e detalhada resenha do EP "Ciberpajé - Cura Cósmica" e do videoclipe "Aforismo I" criado para a primeira faixa do mesmo EP. A resenha destacou com maestria os aspectos simbólicos existentes no EP e no videoclipe, demostrando o mergulho profundo da resenhista nas obras em questão. Leia na íntegra a incrível resenha no blog "A Arte da IV Sacerdotisa", e veja abaixo alguns trechos dela:

O Aforismo I aborda sobre o caráter mutante e fluido do ciclo da vida, de estarmos plenos e integrados ao todo. O som nos faz flutuar, é como um entoar xamânico que nos enleva e nos conecta ao nosso Eu Superior. A voz do Granciberpajé lembrou-me os pajés, uma voz de sabedoria, que nos conduz à comunicação entre o cosmos interior e outros mundos. As criações do Ciberpajé sempre trazem uma ligação entre a natureza e a tecnologia, que também é parte dela, os sons de flauta xamânicos se misturam aos sons dos bytes cibernéticos, para lembrar-nos que não existe passado e futuro, que tudo se mistura e acontece no agora, em coexistência. A batida do coração a meu ver, representa o foco no agora, o pulsar que nos faz sentir vivos, mas somente é vivo aquele que está presente no momento que eclode, no instante mágico do agora. Senti muita paz ao ouvir essa música, e a única coisa que não gostei, foi quando percebi que ela havia terminado (a faixa). [...] Aqui abro parênteses para comentar o clipe: Foi gravado em uma cachoeira mágica de Ituiutaba (MG) e contou com a co criação, do Ciberpajé, com Anésio, Daniel, Diogo e Sr. Dimas,  como já mencionei. Assisti ao clipe sem expectativas, como sempre tento fazer quando me deparo com algum lançamento do Ciberpajé, e foi incrível, pois me encantei com a luz, as cores, a ambientação e o som da cachoeira. 

[...]Depois comecei a reparar nos simbolismos, o Ciberpajé sempre faz da sua arte um processo ritualístico de cura e com intencionalidades mágikcas, utiliza objetos como talismãs, amuletos, anéis que contem símbolos de totens, também utiliza estratégias como a do posismo dos princípios da magia ocultista de Paschal Beverly Randolph (como no clipe"The Reconnection: Werewolves Touching the Cosmos", leia a resenha), neste trecho, a simbologia das facas cruzadas me remeteu a um momento de abertura de portal, ou iniciação de ritual[...]

[...]Vejo esse clipe como uma criação de arte, é genuíno, ritualístico, traz temas essenciais que, infelizmente, são pouco abordados. Não se trata de uma criação que visa atender uma demanda de público, não tem preocupação com audiência, nicho, nem expectativas. Ver as obras do Ciberpajé me faz lembrar muito do artista chileno Alejandro Jodorowsky (com seus filmes, teatro e atos psicomágicos) também aborda sobre as questões humanas mais profundas, e principalmente atua na perspectiva de “arte como cura”. Este clipe é, em suma, um ritual sigilo de arte-magia sobre o amor incondicional e reconexão cósmica que a tudo cura e conecta. (IV Sacerdotisa Danielle Barros)