sábado, 12 de janeiro de 2019

[Resenha] EP "Ciberpajé - A Carícia da Luz": fricção dos opostos complementares, pela IV Sacerdotisa

A IV Sacerdotisa Danielle Barros com a capa de "A Carícia da Luz" no monitor do notebook 


"A Carícia da Luz" - ouça aqui -  é um dos EPs mais bonitos lançados na história do projeto Ciberpajé! O primeiro aforismo, "A aurora jamais te ignora, ela te namora, aquecendo de leve seu rosto com a carícia da luz!", começa acariciando nossa alma, quando os acordes da música aquecem nossa existência. Fechei meus olhos e senti a força das palavras se manifestarem em mim, onde a música é a catalisadora do processo de alquimia, da arte que nos transforma. Fechar os olhos para poder ampliar os outros sentidos, essa música é pura luz e esperança! 

Em seguida temos o aforismo: "Só os fortes percebem a inevitabilidade de uma tenebrosa tempestade, e preparam-se para ela com força e resiliência", a meu ver, a tempestade a que se refere é a interior, a pior de todas, a que nos desestabiliza, aquela que te faz seu pior inimigo. Me lembrou de um outro aforismo do Ciberpajé que eu sei de memória: "Quando você descobre que seu único inimigo te olha dentro dos olhos no espelho, você não perde mais a batalha", e essa "batalha" são as provações, as tempestades, as mudanças. Essa faixa fala disso, de você mesmo/a ser seu herói, auto superação, ser resiliente. E a melodia é a de uma jornada do herói mesmo. Diante de uma tempestade e destruição é necessário como fênix, se reconstruir. A música é a trilha desta passagem de morte em vida. 

A última faixa/aforismo do EP: "Transformo a realidade ao aceitá-la como ela é, transmuto-a ao perceber sua perfeição" parece uma viagem no inconsciente, aqueles sons meditativos e psicodélicos ativando o terceiro olho para que cada ser tenha ciência de sua força interior de cocriação universal, e que seja responsável e autor de seus Caminhos. Se a faixa I é a reconexão com a natureza, a faixa II é a destruição das crenças, da zona de conforto, dos dogmas, dos medos, e a III surge como a plenitude, ainda que efêmera - e por isso também eterna. Essa plenitude não é definitiva, pois a existência é cíclica, porém se faz necessária para que o Ser possa amadurecer espiritual, psicológica e em auto amor para continuar sua senda. 

Como eu sempre digo, não sou conhecedora dos aspectos técnicos da área de música, então nem atrevo-me a tecer comentários sobre esses aspectos, mas sim elogiar a beleza, a leveza e força dos acordes do grande artista Amyr Cantusio, que, junto com o Ciberpajé, criaram esse EP cheio de força e arte genuína! Agradeço por mais essa oportunidade em fruir uma obra tão magnífica!

A arte da capa está incrível e impregnante, com sua simbologia de complementaridade, de seres, de cores, do dia, da noite, dos terceiros olhos conectados, das línguas que se cruzam, ou seja, do poder criativo que surge da fricção dos opostos complementares, tal como a carícia da luz,- que a faz mais extasiante, - por existir, também, o beijo da sombra! Gratidão e parabéns!


*A IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana é Danielle Barros, artista multimídia, doutora em arte e ciência pela Fiocruz/RJ e professora da UNEB (BA).