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quinta-feira, 15 de julho de 2021

[Resenha] HQ & EP Musical "Conversas de Belzebu com Seu Pai Morto": nós já vivemos em um ocaso pós-humano! Por IV Sacerdotisa

 

Arte do Ciberpajé

Depois de "lerouvir" ou "ouviler" o lançamento duplo (HQ + EP) mais recente do Ciberpajé, é preciso dar um tempo para digerir a mensagem da obra. De qualquer forma ouso tecer alguns comentários logo após vivenciar essa experiência.

Contracapa da revista Atomic Magazine #1 com arte do Ciberpajé baseada no capítulo 1 da HQ "Conversas de Belzebu com seu pai morto, publicada neste número. Adquira a revista neste link

Primeiro, para contextualizar, “Conversas de Belzebu com seu pai morto” é uma obra transmídia que se passa na Aurora Pós-Humana em um período denominado “Ocaso Pós-humanista”, uma das eras do multiverso ficcional criado pelo Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé). Sobre o EP musical com 4 faixas e a HQ de 11 páginas, ele diz que trata-se de: “um monólogo de Belzebu com o cadáver de seu pai enforcado em uma árvore. O pai é, simbolicamente, a espécie humana que se autodestruiu” (...) a obra “surgiu inicialmente do desejo de inserir de forma simbólica e iconográfica o arcano XV do Tarô, o diabo, no contexto do universo ficcional transmídia da “Aurora Pós-humana”. Na narrativa, após o fim da espécie humana, essa criatura nasce de forma metafórica e onírica no crepúsculo pós-humano, em um planeta Terra desolado. (...) em um monólogo – com seu pai morto, metáfora da humanidade.

Ou seja, a narrativa traz esse pano de fundo, um planeta dizimado, com a humanidade extinta. A humanidade é o pai desse demônio Belzebu. Cada fala é carregada de forte simbolismo, e quando lemos/ouvimos temos a estranha sensação de dejavú, como se compreendêssemos que esse é um possível futuro que nos aguarda caso a espécie humana continue sua saga hiperconsumista e gananciosa, que degrada tudo e todos.

O demônio é um “fruto-filho” que nasce dessa longa gestação (período da ação antropogênica no planeta), como demonstrado na HQ, aqui o mito da criação não surge da complementação entre opostos (masculino e feminino), mas da “fricção alucinada dos falos-mísseis”, cristalizado na energia-egrégora da guerra, opressão, poder e dominação.

O filho demônio nasce órfão, e sua existência só se concretiza com o perecer do seu pai, humanidade. Belzebu é solitário, pois desfruta da herança do desolamento, do nada, da inércia, da brisa nuclear, da terra estéril. Um silêncio gritante, que denuncia o genocídio que a humanidade decretou, executou e condenou a todas as espécies, reinos, domínios, classes, filos, a elementos bióticos e abióticos. Como o Ciberpajé pontua, a HQ e o EP são obras independentes, porém, uma vez "lendoouvindo-os", é difícil não concebê-los de forma inseparável e osmótica.

Capa do EP com 4 músicas criado pela parceria do Ciberpajé com o musicista Alan Flexa. Ouça-o na íntegra neste link

Uma das influências marcantes no processo criativo foi reverenciar as conversas filosóficas e metafísicas que o Ciberpajé tinha com seu pai Dimas Franco, e como o Sr. Dimas dizia, embora se assombrasse com a incrível capacidade humana de amar incondicionalmente, na mesma medida, temia até onde o egoísmo humano poderia levar a todos. Percepção sábia de alguém que tinha plena consciência de que o tamanho da nossa luz é também, o tamanho da nossa sombra.

Interessante a representação da morte da humanidade, um enforcamento, o que denota o aspecto destrutivo e suicida da nossa espécie. A morte abordada aqui não é apenas a “física”, mas a morte dos ideais. Quando Belzebu fala “quando seu ímpeto desbravador e sonhador terminou...”, mostra o fim da pureza, da luz, dos sonhos e realizações. Em seguida, a pulsão egoísta levou a humanidade a se desconectar gradativamente da sua própria natureza, das outras espécies e da natureza ao redor. Perdendo assim, o contato cósmico com a mãe criadora, nutridora, Gaia. Assim começou o fim.

A humanidade passou a cultuar outros deuses: dinheiro, ganância, extremismo religioso, poder, guerras, etc. A existência barulhenta da humanidade foi sendo paradoxalmente transformada em um mundo silencioso: com o calar dos pássaros, das abelhas, das espécies em extinção, com o fim dos gemidos de outros humanos que pereceram de fome e dor, em absurda e brutal desigualdade.

Entre as belas passagens de transformações e estagnações, a brisa nuclear decreta: “tudo é perfeito”. O odor putrefato mantém Belzebu focado, talvez para lembrar-lhe sempre (ao estilo “memento mori” ou o “nunca mais”, do corvo de Poe), em como NÃO SER. Já que esse pai, humanidade, não é um exemplo a seguir.

Ao nascer, Belzebu conheceu a melhor amiga do seu pai, a morte, a ceifadora. Na obra, a figura da morte aparece como benevolente, afinal, a ceifadora surge como uma possibilidade de fim, e só a partir do fim, algo pode vir a nascer, um recomeço.

E através desse novo mundo inóspito, o filho chama o pai para uma conversa, sem culpa, sem amor, para refletir sobre a única coisa que há, o nada. A morte, ao sair de cena, abre caminho para o ovo da criação, a vida. A esperança que surge do Nada. Enfatizando assim, o caráter cíclico da Existência.

De fato, a obra nos brinda com uma sensação de presenciar as conversas do Ciberpajé com Sr. Dimas, mas não transpondo o pai Dimas na humanidade e o Ciberpajé no Belzebu, e sim como uma representação filosófica do teor de algumas das intermináveis conversas que "EdgarDimas" tinham. Sim, interminável foi um termo que me veio para me referir às conversas entre eles e foi adequado, porque mesmo que Sr. Dimas não esteja mais nesse plano, Edgar genialmente encontrou uma forma de continuar essas conversas através de sua arte intermundos.

E nós continuamos sendo agraciados pelos frutos que essa amizade eterna nos proporciona.

A obra também pode ser aplicada ao agora. Ao vislumbramos a vida na perspectiva de não haver passado-presente-futuro, e que no agora vivenciamos de tudo, penso que em alguma medida, já vivemos em um ocaso pós-humano.

Com o passar do caos da pandemia, no mesmo silêncio gritante que Belzebu presenciou (o silêncio que denuncia o genocídio), aqueles que tiverem sobrevivido à pandemia vão refletir sobre o ocaso que ficou. Com uma nova chance de vida, um alívio, mas sem poder sorrir sinceramente, choraremos ainda mais as dores das perdas de vidas tão preciosas e especiais, as quais muitas delas se foram sem sequer passar pelo ritual do luto.

Choraremos a dor de constatarmos que essas vidas se esvaíam enquanto o poder desnegociava vacina, buscava propina em meio aos mortos, sorria e imitava pessoas agonizando com falta de ar, providenciando sacos pretos ao invés de respiradores e uma chance de vida. Impunes. A geração que ficar fará o papel do Belzebu, buscando encontrar sentido nos escombros e em buscar uma nova vida sem nunca se esquecer da lição cruel que o “pai” pandêmico nos deixou.

Aproveito para deixar minha solidariedade a todos que perderam pessoas amadas pela COVID19, sei que está completando quase um ano da passagem do Sr. Dimas. Que haja conforto e luminosidade nos corações de todas as famílias, que a justiça terrena seja feita e uma nova fase no planeta se faça.

Por fim, mencionar que trata-se de uma obra que pode ser "lidaouvida" de forma independente, mas como fiquei sabendo que virão novos capítulos, aguardo com curiosidade a continuação.

A mixagem e audição do EP foi extremamente intensa, com efeitos sonoros que nos conduzem a um outro tempo-lugar, ambientando perfeitamente a leitura da HQ. A HQ, por sua vez, com uma beleza visual incrível, com a estética das redes neurais que trazem arquétipos ancestrais e o simbolismo da conexão com tudo, na mescla de elementos e seres que compõem os desenhos, articulando ainda fotografia, ilustração, quadrinhos, inteligência artificial e tecnognose.

A IV Sacerdotisa Danielle Barros e o Ciberpajé em arte criada por Edgar Franco a partir de foto no evento de quadrinhos Entre Aspas, Leopoldina, 2017

Parabenizo imensamente ao Ciberpajé e ao musicista Alan Flexa por mais essa criação, literalmente transmidiática, articulando o universo musical do Posthuman Tantra e artes visuais nos quadrinhos poético-filosóficos, proporcionando ao leitor o contato com uma criação completa, singular e profunda.

Adquira a revista Atomic Magazine #1 neste link, e ouça o EP na íntegra neste link.

* A IV Sacerdotisa é Danielle Barros, arte cientista e professora doutora na UFSB

domingo, 28 de março de 2021

[Resenha] EP CIBERPAJÉ - ODOR DO INFINITO: o êxtase de ser e não ser! Por IV Sacerdotisa

Arte do Ciberpajé

Que maravilhoso esse EP, estabelecendo nova parceria entre Ciberpajé e Antar. Além da viagem transcendentalmente melódica, a gente viaja também nos aforismos (inspirados a partir de experiência em estado não ordinário de consciência). O que nos parece a princípio, uma letra "sem sentido", ao fechar os olhos e se entregar à fruição do som, a gente sente como cada elemento está conectado, na complexa teia sinestésica! Odor do Infinito, traz essa simplicidade profunda, um aforismo leve e a melodia que nos eleva. Nos convida a ser nada (nos desfazendo) para fluir o tudo. 

A segunda faixa, Salamandras Azuis, traz uma batida forte com o aforismo animalesco, selvagem, atávico! Um processo de criação, sensualidade, cópula. Geração. 

Chaves da Integralidade finaliza a obra com maestria, com uma batida do metal, pra cima, de batalha, cheia de ânimo visceral e um aforismo que traz o fim-recomeço, o êxtase de ser e não ser, do desapego, de ser um e nos integrarmos aos outros, processo esse que nos conduz à Senda da integralidade. Lindo demais, parabéns! Tenho a honra de conhecer os dois criadores e é emocionante ver uma obra deles em conjunto!

* A IV Sacerdotisa é Danielle Barros, arte cientista e professora doutora na UFSB

Ouça o EP Ciberajé - Odor do Infinito, parceria com o projeto Antar (PR), clicando na arte de capa abaixo:



quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

[VOTE AGORA: TROFÉU ÂNGELO AGOSTINI] ANZINE#1, que marca o início da Associação Nacional de Pesquisa em Fanzines, e traz HQforismo do Ciberpajé, é um dos 10 indicados na categoria fanzine



O zine ANZINE #1 foi um dos indicados ao 36º Prêmio Angelo Agostini. O minizine tem como editores os 4 associados fundadores da ANZINE (Associação Nacional de Pesquisa em Fanzines), sendo eles: IV Sacerdotisa Danielle Barros (UFSB), Ciberpajé (Edgar Franco - UFG), Gazy Andraus (UFG) e Alberto de Souza Beralto (IFF - Macaé), o zine incluiu um HQforismo de cada um dos editores e também o texto da ata de abertura da ANZINE.

O Prêmio Angelo Agostini para os melhores da HQ brasileira está com a votação aberta a todos os interessados. Para conhecerem e tornarem-se associados da ANZINE vejam link nos comentários. Para votar em nosso zine cliquem nesse link.

Saiba mais sobre a ANZINE nesse link.

(Nessa divulgação a arte de capa de Gazy Andraus originalmente em P&B foi pintada pelo Ciberpajé, e ao fundo ele incluiu parte da arte pintada de seu HQforismo presente no zine)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

[ASSISTA AGORA] Programa "Café com Aspas #7" trata das intersecções entre quadrinhos e zines com os convidados Cátia Ana, Danielle Barros, Beralto, Ciberpajé, Gazy Andraus e Carlos de Brito

Está no ar o programa "Café com Aspas #7" (assista aqui), uma produção da ASPAS - Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, nessa edição dedicada às conexões entre os fanzines e os quadrinhos, os convidados, todos associados da Aspas, são os especialistas e artistas-pesquisadores: Msc. Cátia Ana (UFG), Dra. Danielle Barros (UFSB), Beralto (IFF-Macaé), Ciberpajé (UFG), Dr. Gazy Andraus (UFG) e Prof. Carlos de Brito Lacerda.

O bate-papo rico de referências tratou de múltiplos aspectos da relação entre os zines e as HQS, desde os processos criativos, passando pela importância como recurso educacional e chegando aos conceitos de fanzine, zine e arte zines. Assista ao programa nesse link.



quinta-feira, 13 de agosto de 2020

[Resenha] EP Holofraktaforismos: cogumelos, inteligências artificiais, sensações e sentimentos que vão da vertigem ao encantamento! Por IV Sacerdotisa


Acabei de experienciar esse EP! É algo totalmente diferente de tudo que foi feito no projeto musical CIBERPAJÉ! A começar da proposta conceitual da obra que conecta-se com a tecnologia vegetal da experiência de Edgar Franco com o enteógeno cogumelo Psilocybe cubensis,  unindo-se a essa experiência psicodélica e tornando-a parte fundamental dos processos criativos de HQforismos, que conectaram-se posteriormente ao inovador método de euFraktus X, que "lê" a arte do Ciberpajé transcodificando-a e traduzindo-a em música! Ou seja, transmídia de todas as formas, tanto na interconexão de mundos: realidades virtual, digital, vegetal, mental, ordinária; como com os métodos criativos: Inteligência artificial e inteligência humana e vegetal, mixagem e transfomração da arte desenhada para arte cantada, e por fim a conexão subjetiva com o público. Esse ponto eu quero destacar, pois se toda obra de arte é uma obra aberta, nesta, a interação, conexão e adesão do público à obra nos faz mais do que "receptores", mas seus CO-CRIADORES! 

Na medida que mergulhamos e nos deixamos tomar pela experiência sinestésica, mental e psicológica, nós também damos novos sentidos e criamos caminhos para a arte em nosso ser. Foi assim que me senti, fruindo esse EP. E como se não bastasse todas as sensações e sentimentos que vão desde vertigem, encantamento, agonia, plenitude, assombro, mergulho interior, tontura, indo do êxtase à euforia. Ao olhar as artes que o Ciberpajé fez para cada faixa é como se vivenciássemos uma realidade paralela, um "clipe" sinestésico personalizado no qual cada um viverá a experiência à sua própria maneira.

Ao fixar os olhos nas artes enquanto ouvia no fone, era como se eu visse partes do desenho saltarem da tela, se expandindo, retraindo, se movimentando, como uma narrativa visual em que eu fui co-criadora através das sensações propiciadas pela música. As artes visuais estão INCRÍVEIS, e a música é diferente de tudo que já ouvi. Merecem todos os prêmios! TOTALMENTE FORA DO COMUM e nos faz viajar! PARABENIZO OS ARTISTAS! ESTOU ENCANTADA COM TUDO ISSO. 

(Obs: Evitei ler todo o texto de divulgação da obra pois gostaria de fruir sem ter grandes informações sobre os processos, de modo que eu pudesse ouvir com a mínima "sugestão" do que viria).

* A IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana é Danielle Barros, arte-cientista, pesquisadora e professora doutora na UFSB, em Teixeira de Freitas, Bahia.

Saiba mais e ouça agora o EP Ciberpajé - Holofraktaforismos clicando na arte de capa abaixo:


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

[Resenha] Impressões sobre o livro "Conversas com o Ciberpajé", por Larissa Dias



Para ser sincera, eu não sou nada fã de e-books, pois prefiro o livro físico. Mas ainda bem que comecei a ler essa obra em um dia de folga, porque simplesmente não consegui parar de lê-la! Fiquei literalmente assustada: quando leio algo biográfico fico procurando onde as ideias da pessoa batem com aquilo que acredito. 

Ao ir conhecendo todas as ramificações do trabalho do Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco), comecei anotando algumas coisas que batiam para poder comentar (porque minha memória é péssima) mas logo parei. Era mais fácil anotar as ideias que não batiam com as minhas. E não anotei nada, daí o espanto! Claro que não é possível conhecer todas as dimensões de uma pessoa por meio de um livro, mas foi no mínimo interessante ver a sintonia dos pensamentos. 

Também me espantei com o tamanho da rede de projetos artísticos do Ciberpajé que surgem espontaneamente, parece que ele tem uma ligação direta com a fonte universal de inspiração! Que trabalho rico e diversificado! Levarei anos para conhecê-lo todo, como se deve. Será preciso intercalá-lo com outros trabalhos artísticos, senão vira uma overdose! (risos).

Como amo mitologia, aqui vai uma impressão: senti que o conceito de “Selvagem” do Ciberpajé lembra muito Enkidu, da Suméria. A ligação dele com o que é natural, instintivo é de onde vem toda a sua força. Ainda nesse contexto mitológico, adorei a referência a Fenrir, afinal amo lobos e este pra mim é tudo de bom. A parte que trata dos conceitos envolvidos nos ensaios fotográficos da "Sereia e do Lobo" trouxe-me a exata imagem de como personifiquei a Sereia em um dos contos que escrevi, muito interessante perceber o mesmo significado, uma vez que este ser mitológico traz múltiplas facetas do feminino! 

O sentido da única transformação possível do humano ser a individual é exatamente no que acredito! E meu trabalho é sobre isso, sempre. Transforma-se primeiro individualmente para depois isso refletir-se no coletivo. Outro ponto que achei interessante foi abordar a dificuldade de vivermos o "agora" e a importância que o instante presente tem para que estejamos despertos, conscientes das nossas ações e do nosso papel no mundo, este é outro dos meus temas preferidos! 

Na parte em que o Ciberpajé trata sobre tatuar os seus desenhos foi muito sagaz sua resposta sobre a mutabilidade humana. Eu também jamais fiz uma tatuagem porque acredito que ou tenho espaço no corpo para todos os símbolos do universo ou para nenhum, já que em mim, a mutação é constante! 

A parte biográfica que trata sobre a origem do Ciberpajé também é muito interessante. Gurdjieff escreveu sua biografia por meio do “Encontros com homens notáveis” e falar dos nossos pais, avós e antepassados revela muito do que nós somos. Além disso, deu para sentir o amor por eles emanando das palavras! 

Para finalizar, falando em amor, que dedicação e amor tem a IV Sacerdotisa Danielle Barros pelo trabalho do Ciberpajé, ela é a coautora do livro e realizadora de todas as entrevistas! E que integração! Impressionante mesmo! Realmente existem pessoas capazes de trazer o melhor de nós, de sintetizar aquilo tudo que produzimos de uma forma coesa e organizada e nesta obra os dois conseguiram isso.

*Larissa Dias é Mitóloga e Psicoterapeuta em São Paulo.

Baixe agora o Livro "Conversas com o Ciberpajé: Vida, arte, Magia & Transcendência" clicando na arte de capa abaixo:


Conversas com o Ciberpajé: vida, arte, magia e transcendência
Edgar Franco & Danielle Barros
Paraíba: Marca de Fantasia, 2019. 275p.
ISBN 978-65-5053-014-3

sábado, 13 de junho de 2020

[Resenha] COVID-666: Precisamos do novo, e para que o novo venha é preciso aceitar o fim! Por IV Sacerdotisa

Arte do Ciberpajé

A parceria entre Ciberpajé e Gorium, mentor do Death Cult Devotion,  já é conhecida e quando surge uma obra nova já fico muito instigada! O primeiro aforismo já começa trazendo a realidade, como um tapa em nossa cara. É algo que sempre notei, uma mania que humanos têm em pedir pela vinda de um "meteoro", por invocar apocalipses, como se não suportassem suas próprias vidas. Pois bem, o apocalipse chegou, e como dito no aforismo, agora não adianta súplicas. O que vivemos hoje é fruto da ganância humana, da devastação do planeta e das espécies. É consequência direta das políticas capitalistas, do consumismo exacerbado, da falta de solidariedade, do egoísmo, da opressão e da profunda desigualdade. Não há sistema que se sustente assim.

No segundo aforismo, mergulhamos no esgoto da política brasileira, na podridão do "myto" que intensificou para pior a experiência da pandemia no país. A representação do falso messias, o 666, o mal que ganhou o poder do Brasil, e as moscas sobrevoando toda podridão que vivemos, sobre os corpos dos mortos pela covid-necropolítica. 

No último aforismo, o mergulho mais fundo, na sombra total (dá até uma tontura), traz um entendimento sóbrio de que nada é por acaso e que alguma lição deve-se tirar de tudo. A COVID é uma pandemia que veio avassalando todo o planeta, mas estamos nesse estado de anormalidade e doença há séculos. A realidade do planeta Terra com a humanidade degradando tudo é uma realidade insustentável. 

Precisamos do novo, e para que o novo venha é preciso aceitar o fim. O EP termina magistralmente com o som da máquina (UTI) apitando esse fim. Uma obra necessária para refletirmos nosso papel no mundo, nossa responsabilidade no todo, pensarmos em como podemos nos transformar e resistir a essa tempestade e podridão, e assim testemunharmos e construirmos o surgimento de uma nova era. Parabéns aos criadores de COVID 666!

As artes do EP estão lindíssimas, simbólicas, com cores vivas e eloquentes. As ramificações presentes nas texturas das artes, representam perfeitamente que estamos todos conectados. Essa visão é fundamental, pois só superaremos o mal da humanidade, se a humanidade (individualmente falando) olhar para dentro de si com uma visão de unidade e não de separação. A selvageria do lobo, a lua negra e o código numérico que nomeia o EP são traços e sigilos ocultistas que compõe o conceito e a magia da obra.

*A IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana é Danielle Barros, arte-cientista, pesquisadora e professora doutora na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Teixeira de Freitas.

Ouça o EP COVID-666, parceria do Ciberpajé com o Death Cult Devotion, clicando na arte de capa abaixo:


[Resenha] SACRA VADIA: Uma obra atemporal de grande profundidade e sensibilidade! Por IV Sacerdotisa

Arte do Ciberpajé

Sacra Vadia é um EP que nos conduz a um universo enigmático, misterioso, sensual. O nome do EP já evoca a contradição complementar do feminino, que tem sua faceta santa articulada à sua face puta. Na literatura sobre o sagrado feminino essa visão se confirma:

"Antigas sacerdotisas da lua eram chamadas de virgens. 'Virgem' significava não-casada, não-pertencente a um homem - uma mulher que era UMA EM SI MESMA. A palavra deriva do Latim, significando força, habilidade, e mais tarde foi aplicada a homens como 'viril'. Ishtar, Diana, Astarte, Isis eram todas chamadas Virgens, o que não se referia à sua castidade sexual, mas à sua independência sexual"¹.

Portanto, ser santa e ser puta são algumas de muitas das múltiplas faces lunares femininas. A atmosfera musical deste EP transporta a uma realidade paralela, a melodia sacra, que por vezes me lembrou a banda Enigma, com uma sensação de estar em outra era, medieval ou futurista (já que o tempo não existe e se entrelaça). O EP traz o princípio masculino a partir da imagem do Lobo, que complementa e evoca o Yin e Yang da união de opostos masculino e feminino. 

A capa e demais artes do EP são de uma beleza estonteante, repletas de simbologias ancestrais, com cores em simbiose perfeita, e contrastes de brilho que faz com que a arte pareça saltar da tela, cheia de vida! 

Uma obra atemporal de grande profundidade e sensibilidade, com a força e impetuosidade que já são marcas do projeto Ciberpajé! Parabenizo os autores Marcio Morais, Ciberpajé e a Lunare Music pelo lançamento!!! 

1. Referência citada:¹Monica Sjöö, The Great Cosmic Mother: Rediscovering the Religion of the Earth. Monica Sjoo, Barbara Mor. HarperOne, Dec 10, 2013

*A IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana é Danielle Barros, arte-cientista, pesquisadora e professora doutora na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Teixeira de Freitas.

Ouça o EP Sacra Vadia, parceria do Ciberpajé com o My Immortal Beloved (Marcio Morais)clicando na arte de capa abaixo:



domingo, 10 de maio de 2020

Programa GaZine destaca zine cartoneiro UIVOS, obra do Ciberpajé editada pela IV Sacerdotisa



O canal do youtube GaZine, capitaneado pelo quadrinhista poético-filosófico, pesquisador e doutor Gazy Andraus, começou uma série de programas sobre os chamados ArtZines, os zines de arte. Andraus realiza pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual da UFG sob a supervisão do Ciberpajé (Edgar Franco).



Nesse primeiro programa dedicado ao tema Gazy trata ousadia criativa de Danielle Barros, Edgar Franco (Ciberpajé), Guilherme Silveira e Anna Castro, além de incluir um artzine estrangeiro. A obra do Ciberpajé enfocada no programa é o zine cartoneiro UIVOS, coletânea das quatro primeiras edições do zine de HQforismos UIVO. A edição cartoneira foi produzida artesanalmente dentro da proposta e estética da arte cartoneira pela IV Sacerdotisa Danielle Barros.



Confira o programa GaZine em Artzines, os zines de arte 1 clicando AQUI, ou nasimagens desse post.


domingo, 12 de abril de 2020

[Resenha] EP "Ciberpajé - Marionetes Hipercompetitivas": questões urgentes para uma transmutação necessária! Por IV Sacerdotisa Danielle Barros

Arte do Ciberpajé

O EP Marionetes Hipercompetitivas traz reflexões sobre a ilusão que a humanidade vive nessa busca incessante por PRODUZIR, PRODUZIR, PRODUZIR. O Aforismo I destaca o fato de, em nossa sociedade, vivermos para o trabalho, para pontuar, para "ter a grama mais verde do que a do vizinho", para nos vangloriarmos, para sermos “caridosos” em um mundo podre com tanta injustiça social.


Curiosamente, esse EP, feito antes da chegada da pandemia ao Brasil, é tão OPORTUNO para o nosso agora, para pensarmos nossa realidade. Pensarmos qual o sentido de tanta corrida para o nada, para a falsa recompensa, em uma vida que, como marionetes que reagem a tudo - mas não agem - perdemos nosso tempo com ilusões, deixando de lado o que REALMENTE IMPORTA.

Na mesma perspectiva, o Aforismo II nos relembra que todos os povos, todo o conhecimento moderno construído pelo ser humano, as revoluções, as guerras mundiais, a exploração espacial, o desenvolvimento da ciência, e a tecnologia atual virarão pó,  são apenas uma partícula que será esquecida, em meio à toda existência. Esse aforismo me lembrou um trecho da série Cosmos apresentada pelo astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, aos 35 minutos do episódio (link ao final) em que ele fala: " - Todas as pessoas que você  já ouviu falar, todos os reis e batalhas, migrações e invenções, guerras e amores, tudo nos livros de história é uma parte ínfima do que se conhece sobre o Cosmos".

Coadunando a isso, o EP diz que o esquecimento absoluto de toda história conhecida é a sina de todos, independente de credo, etnia, classes, etc! E como dito pelo Ciberpajé: " - Tudo isso se tornará uma poeira cósmica!" Portanto, o que devemos fazer? Ele diz: " - Não nos esqueçamos de BRINCAR, SORRIR, DANÇAR, BRINDAR, BEIJAR E AMAR e ACORDAR para a única verdade, este MOMENTO DE AGORA, nosso PRESENTE". E fiquei pensando, em um momento de pandemia em que muitos temem pela vida, me pergunto se muitos dos que têm medo de morrer, se estavam mesmo vivos? Se estavam brincando, sorrindo, amando, brindando, amando, vivendo o presente e as pequenas coisas, se estavam olhando para o céu, se abraçavam seus pais e avós, se estavam de fato presentes com seus filhos? Ou se viviam apenas para o trabalho, para seus celulares, redes sociais, computadores?

O Aforismo III fala de tempo e apego, das ilusões que a humanidade elege, que lhes rouba a única realidade. Fala também que tudo se transforma, tudo. Esse me fez lembrar um texto do Chico Xavier intitulado “Tudo passa”.

Capa do EP "Ciberpajé - Marionetes Hipercompetitivas" - OUÇA-O AQUI!

Os aforismos estão simbioticamente conectados, magistralmente mixados por Toniolli e Baiestorf, trazendo uma atmosfera dinâmica, ora sombria e em certos momentos, leve. A mensagem do EP é um lembrete para cada um de nós: ESQUECER OS APEGOS, A FALSA IDEIA DE CONTROLE, DE EGO, STATUS, PLANOS E VIVER O AGORA.

Cabe comentar o título do EP e a arte da capa. O título do EP já é uma provocação, se a humanidade age como marionetes hipercompetitivas, seria mais importante cada indivíduo focar em deixar de ser marionete e encontrar quem se é, buscando o aprimoramento; do que perder energia e tempo preciosos querendo competir com outras marionetes. 

A capa, por sua vez, traz uma imagem estilizada e colorida de um escorpião. Nesse caso, penso que o escorpião foi “injustiçado” porque o ser humano quando age hipercompetitivamente ele age de forma peçonhenta, porém o escorpião só revida quando se sente atacado. Infelizmente, o ser humano age muitas vezes de forma cruel, e o escorpião de forma selvagem. Mas meu comentário não é uma crítica e sim uma observação. A meu ver, a metáfora atinge perfeitamente seu objetivo e traz um paradoxo visual interessante, pois existe um estereótipo de medo que o escorpião traz, mas com a arte em cores e formas sinuosas, exaltam sua beleza e unicidade.

Se por um lado, a pandemia nos trouxe uma oportunidade de inflexão, na mesma direção, esta obra nos traz questões urgentes para uma transmutação necessária em cada indivíduo. Que a arte, a ciência, a magia e a transcendência estejam sempre conectadas e renovando o espírito humano! Parabéns ao Ciberpajé, ao Toniolli, ao Baiestorf e à Lunare Music pelo presente nesse período de isolamento social. Espero que a obra chegue ao máximo de pessoas e possa contribuir para uma transmutação energética positivamente!
Agradeço o presente, continuem criando!

Fontes:

* IV Sacerdotisa Danielle Barros é artista multimídia e professora Dra. da UFSB, Teixeira de Freitas (BA)



Saiba mais detalhes e ouça o EP "Ciberpajé - Marionetes Hipercompetitivas" clicando no flyer abaixo:



segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Apoie a HQ poético-filosófica "Segundo Crepúsculo", do mago Fausto Ramos



"Segundo Crepúsculo" é o primeiro álbum em quadrinhos do multiartista e grande mago Fausto Ramos, escritor, dançarino e mentor do incrível canal Caosofia. Eu tive o enorme privilégio de ler em primeira mão a HQ e posso lhes dizer tratar-se de uma obra fantástica, repleta de simbologias mágicas e com uma narrativa poética de grande força, engendrando em sua história múltiplas questões esotéricas, míticas e místicas. A narrativa da HQ é construída com um quadro por página, criando uma sequência de HQforismos, onde cada página tem um impacto como unidade mas soma-se à grande obra maior. Sobre o álbum, Fausto Ramos destaca:

O Segundo Crepúsculo é um álbum de Quadrinhos Poético-Filosóficos. São cinco capítulos cujas temáticas passeiam por temas esotéricos, filosóficos e metafísicos! Esses quadrinhos são inspirados nos trabalhos de Edgar Franco (Ciberpajé) e Danielle Barros (IV Sacerdotisa). Surgiu de uma necessidade trabalhar minha arte gráfica de modo a extravasar sentimentos, angústias, receios e descobertas.

A campanha de financiamento está na reta final, saibam mais e apoiem nesse LINK DO CATARSE!



quarta-feira, 4 de setembro de 2019

[Veja como foi] Ciberpajé apresenta duas comunicações nas 6as. Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP



Ciberpajé diante do outdoor das 6as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, na ECA/USP

Entre os dias 21 e 23 de agosto o Ciberpajé esteve nas 6as. Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP, em São Paulo, o evento aconteceu na ECA-USP e contou com vários GTs reunindo cerca de 300 pesquisadores do Brasil e do exterior apresentando suas comunicações, além de palestras e lançamentos de livros.

O Ciberpajé coordeno dois GTs  com o tema "Quadrinhos, Educação e Cultura" e "Quadrinhos, Literatura e Arte", nos dias 22 e 23 de agosto, nos quais também apresentou comunicações sobre suas pesquisas. As comunicações apresentadas foram: "ETNOBOTÂNICA NOS QUADRINHOS VISIONÁRIOS DE EDGAR FRANCO", em parceria com a pesquisadora IV Sacerdotisa Dra. Danielle Barros (UFSB) e "CONEXÕES CRIATIVAS ENTRE QUADRINHOS E PERFORMANCE: A REVISTA ARTLECTOS & PÓS-HUMANOS E O GRUPO PERFORMÁTICO POSTHUMAN TANTRA", essa segunda baseada nas pesquisas de seu segundo pós-doutorado que está sendo realizado no Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo.

As Jornadas são um evento de grande importância para a pesquisa em quadrinhos e também uma oportunidade para rever amigos e travar contato com novos pesquisadores. Confira abaixo algumas fotos do Ciberpajé com amigos durante o evento.

 Ciberpajé com o amigo pesquisador Bruno Porto 


 Os exemplares do livro "Quadrinhos Expandidos", de autoria do Ciberpajé , comercializados pela Comix no evento esgotaram-se


 IV Sacerdotisa Danielle Barros, Profa. Dra. Sonia Luyten e o Ciberpajé 

   O Ciberpajé, o amigo Bernardo e seu novo livro ilustrado Pôquer A Seis 

O Ciberpajé e o amigo artista multimídia e pesquisador Rafael Senra 

 Ciberpajé O Ciberpajé e os amigos pesquisadores Octávio Aragão, IV Sacerdotisa Danielle Barros, e Amaury Fernandes 

 Ciberpajé IV Sacerdotisa Danielle Barros e o Ciberpajé apresentando a comunicação transdisciplinar  "Etnobotânica nos Quadrinhos Visionários de Edgar Franco" 

  IV Sacerdotisa Danielle Barros e o Ciberpajé apresentando a comunicação transdisciplinar  "Etnobotânica nos Quadrinhos Visionários de Edgar Franco" 


  IV Sacerdotisa Danielle Barros e o Ciberpajé apresentando a comunicação transdisciplinar  "Etnobotânica nos Quadrinhos Visionários de Edgar Franco" 


 Ciberpajé IV Sacerdotisa Danielle Barros e o Ciberpajé apresentando a comunicação transdisciplinar  "Etnobotânica nos Quadrinhos Visionários de Edgar Franco" 

 A pose acadêmica de todos os presentes após a conclusão dos debates no GT "Quadrinhos, Educação e Cultura" 

  O Ciberpajé e o amigo pesquisador Elidiomar Ribeiro com seu exemplar do livro "Quadrinhos Expandidos" 

A clássica pose acadêmica! 


  O Ciberpajé apresentando a comunicação "Conexões Criativas entre Quadrinhos e Performance"

  O Ciberpajé apresentando a comunicação "Conexões Criativas entre Quadrinhos e Performance"

  O Ciberpajé apresentando a comunicação "Conexões Criativas entre Quadrinhos e Performance"

 O Ciberpajé apresentando a comunicação "Conexões Criativas entre Quadrinhos e Performance"

  O Ciberpajé apresentando a comunicação "Conexões Criativas entre Quadrinhos e Performance"

 O Ciberpajé e a IV Sacerdotisa no lançamento do livro  "Quadrinhos e Educação Vol. 5", que inclui artigo dela 

 O Ciberpajé na pose acadêmica diante do outdoor do evento